Governo exclui dados policiais de raio-x sobre direitos humanos à ONU

Informe que será entregue à ONU não cita nenhuma ação tomada para lidar com chacinas ou reduzir violência policial

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O governo de Jair Bolsonaro escondeu da Organização das Nações Unidas (ONU) o resultado das políticas adotadas para lidar com chacinas e operações policiais que já vitimaram dezenas apenas em 2022.

Em sua coluna no portal UOL, o jornalista Jamil Chade explica que o país passará pela Revisão Periódica Universal, que apura se o país está cumprindo ou não seus deveres de direitos humanos.

O Brasil precisa apresentar um documento preliminar à ONU no mês de agosto e, em setembro, passará por uma sabatina que vai estudar tanto a política de direitos humanos do país como os desafios a serem enfrentados.

O texto em questão vai examinar o período de 2017 a 2022, e o governo deverá explicar o que tem feito para atender as sugestões recebidas na última sabatina, há cinco anos.

O governo federal chegou a apresentar um documento em 2019, com as medidas adotadas entre 2017 e aquele período, os primeiros meses do governo Bolsonaro. Agora, o período completo será alvo de análise.

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Porém, o governo de Jair Bolsonaro não deu informações sobre as políticas adotadas para combater sobre seu trabalho contra a violência policial – que não parou de crescer nos últimos anos.

Dados do Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 5,2 mil pessoas foram vítimas da violência policial no país em 2017, número que saltou para 6,4 mil em 2020, e seguiu em torno de 6,1 mil mortos em 2021.

O país será alvo de tal revisão no ano em que mais de 20 pessoas foram mortas em operação policial realizada na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, na última semana.

A ação policial realizada pelo BOPE, e que contou com a Polícia Rodoviária Federal, foi inclusive elogiada publicamente por Bolsonaro, que afirmou que as vítimas eram “marginais ligados ao narcotráfico”.

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