Tributo às “mulheres asas” do século XXI, por Márcia Moussallem

Não tem mais volta, às “mulheres asas” do século XXI retornam a sua verdadeira casa: a liberdade de ser o que é, e de existir no mundo com toda sua plenitude, alegria e beleza.

(Imagem: DepositPhoto)

Tributo às “mulheres asas” do século XXI

por Márcia Moussallem

Na grande maioria das sociedades que têm suas bases calcadas no patriarcalismo, a história das mulheres sempre teve a violência como marca em todas as suas trajetórias. Histórias marcadas de violência física, emocional e/ou psíquica desde os primeiros momentos de formação até a velhice.

Essa longa história começa no seio familiar onde a menina já é rotulada de “teimosa”, “rebelde”, “desobediente”, “atrevida”, “fraca” entre outros atributos que invadem e entram na sua alma. Indefesa e insegura, ela permite os primeiros processos iniciais de destruição da sua subjetividade.

Com o passar do tempo, a violência expande para esfera pública na escola, no trabalho e nas relações sociais. Mais uma vez os rótulos ficam ainda mais fortes: “feminista”, “repressora”, “louca”, “interesseira”, “agressiva”, “sabichona”, “vulgar”, “fala muito”, “deselegante”.

Ela se sente culpada, chora muitas vezes… mas resiste aos poucos. Ainda está descobrindo que no seu deserto misterioso nasce e floresce uma vida cheia de luz. Suas asas hora se abrem, ora se fecham…

Ela segue o seu caminho… se apaixona, vive vários amores… ama intensamente e sofre desilusões diante dos “barbas azul” que encontra no seu caminho. Fecha as suas feridas aos poucos, foge e sobrevive. Recolhe os seus “ossos” e os transforma em vida.

Agora mais forte e madura, compreende a sociedade e o mundo que pertence, suas relações saudáveis e destrutivas. Sabe que a maioria dos homens e até algumas mulheres são cooptadas e sequestradas por uma cultura machista e ultra conservadora. Compreende que existe uma guerra contínua e que a luta e a resistência fazem parte da sua vida.

Como pertence ao “reino vermelho feminino”, emana as forças que vem das profundezas e do mistério do deserto que toma conta de todo o seu corpo e alma. Sai saltitando como animal selvagem, sai voando como um pássaro e evoca a cada momento todas as energias da natureza, do sol, da lua, da chuva, do mar, dos rios, da mata, do vento, dos trovões. Segue seu caminho com as asas agora totalmente abertas, asas que sempre teve e que sempre fizeram parte do seu corpo e da sua vida, que sempre estiveram ali.

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Não tem mais volta, às “mulheres asas” do século XXI retornam a sua verdadeira casa: a liberdade de ser o que é, e de existir no mundo com toda sua plenitude, alegria e beleza.

Márcia Moussallem – Socióloga, assistente social, mestre e doutora em Serviço Social, Políticas Sociais e Movimentos Sociais pela PUC-SP. Tem MBA em Gestão para Organizações do Terceiro Setor. Professora da PUC-Cogeae/SP  e da FGV-Pec/SP. 

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