Trump ou Biden? – os EUA no buraco de novo, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O fracasso dos EUA no combate à pandemia não é apenas o resultado da incompetência do presidente ou dos defeitos de um sistema político obsoleto, mas da crença de que a educação pública de qualidade pode ser substituída pelo consumo de filmes e séries de TV.

Trump ou Biden? – os EUA no buraco de novo, por Fábio de Oliveira Ribeiro

A discussão que pretendo fazer hoje é sobre o abismo que existe entre a realidade e a ficção, ou como a sociedade americana não consegue aprender absolutamente nada com o cinema.

Esse fato é bem conhecido. Durante a grande depressão, alguns norte-americanos começaram a pegar carona em trens para se deslocar sem pagar de um estado ao outro para procurar emprego. Preocupados com isso, produtores de cinema fizeram um movie para tentar impedir as pessoas de fazer isso. O resultado foi exatamente o oposto. O número de caronistas miseráveis nos trens passou de algumas dezenas para milhares de pessoas. O que era uma exceção se tornou uma moda, um meio de vida.

Em quase todos os filmes de ficção científica “made in USA” a ação é desencadeada porque alguém não respeitou os protocolos de quarentena. As vezes isso é causado da ganância, outras vezes é feito por causa da curiosidade, arrogância amor ou simples falta de cuidado. O resultado é sempre o mesmo: muitas pessoas morrem de maneira trágica.

Esses filmes são feitos por diversão. Mas eles também contém uma mensagem bastante útil . Respeitem os protocolos de quarentena, caso contrário…

No início do ano Donald Trump minimizou a pandemia na China. Depois ele se recusou a adotar protocolos de quarentena. Milhões de “MAGA hats” (como são chamados os apoiadores de Trump)seguiram o conselho dele. Mesmo depois que o presidente dos EUA passou a tomar as medidas necessárias para combater a pandemia uma parcela da população norte-americana se recusa a adotar protocolos de quarentena.

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O resultado não foi uma ficção ou Fake News e sim uma verdadeira tragédia: 167 mil americanos já morreram. O repique da pandemia antes da vacinação em massa pode elevar o número de mortos a 350 mil pessoas.

É possível fazer filmes para divertir a população. Representar os desvairos da sociedade através da arte é algo indispensável. Mas o caso norte-americano evidencia que é realmente impossível educar uma população através do cinema.

O fracasso dos EUA no combate à pandemia não é apenas o resultado da incompetência do presidente ou dos defeitos de um sistema político obsoleto. Ele é o resultado de algo mais profundo: a crença dos norte-americanos de que a educação pública de qualidade pode ser substituída pelo consumo de filmes e séries de TV.

Essa questão será colocada na próxima eleição dos EUA? Provavelmente não. Afinal, uma característica persistente da barbárie norte-americana é a impossibilidade política de discutir temas realmente importantes nas eleições. Especialmente se eles levarem a população a questionar o aumento de gastos com educação e a necessária redução do orçamento militar.

Não importa o resultado da eleição. A América nunca será grandiosa de novo. De fato, mesmo que tenha se tornado um império de bases militares os EUA nunca foi grandioso.

Grandiosidade é um conceito que não depende do tamanho das Forças Armadas ou do que é gasto com militares e sim com o que é investido na educação da população. Nenhuma civilização conseguiu realmente ser grandiosa deixando sua população exposta à tragédias sanitárias em virtude da ignorância, da ganância, da falta de cuidado e, principalmente, do desprezo do ensino e do aprendizado de ciência.

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Os norte-americanos continuarão a fazer e a consumir filmes? Sim, sem dúvida. É só isso que eles fazem. Esse é o verdadeiro meios americano de vida que possibilita a uma pequena elite controlar um país cuja população tem sido propositalmente distraída e mantida na ignorância.

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