As mudanças de paradigmas na gestão das cidades

Jornal GGN – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, esteve presente no 66º Fórum de Debates Brasilianas.org, evento promovido pelo jornalista Luis Nassif para discutir a agenda de desenvolvimento nacional.

Nessa edição, eles falaram sobre como preparar as metrópoles para serem cidades inclusivas, democráticas e humanas. Haddad abordou temas como mobilidade, uso e ocupação do solo, educação, política e comportamento.

“Como 12 milhões de pessoas – 22 milhões se contarmos a área metropolitana – podem aprender a conviver?”, questionou o prefeito da maior cidade da América Latina.

E falou sobre seus esforços para democratizar o viário urbano e demarcar terras para populações mais pobres. “Quanto menos misturados os distritos, os bairros, mais disfuncional vai ser a cidade”, defendeu.

Em sua fala sobre mobilidade, o prefeito defendeu as ações que priorizaram o transporte coletivo e as bicicletas. Falou sobre a noção de “indústria da multa” e sobre a impossibilidade de solucionar os congestionamentos apenas com investimentos na malha viária para o transporte individual.

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Também falou sobre o Plano Diretor e sobre o conflito entre o espaço público e o privado. “Seria da dinâmica do mercado expulsar a população pobre da cidade. Deixada à própria sorte, a cidade expele pobre. Se o poder público não intervém e altera essa realidade, demarcando áreas para a população de baixa renda, de maneira a garantir acesso à terra, a lógica da expulsão vai prevalecer”.

E disse que as restrições ao proprietário fundiário precisam ser observadas, não apenas no campo, mas também nas cidades.

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Haddad criticou ainda os políticos de carreira. Na visão dele, a atuação na política institucional deveria ser um chamado temporário. “A política não pode ser o meio de vida e nem a profissão da pessoa. Essas pessoas que querem se eternizar na política só criam transtorno na política, em minha opinião. Porque impedem gente jovem de entrar e dá uma sensação de que a política tem dono. Tem alguma barreira à entrada que nós precisamos superar. E mais do que uma barreira à entrada, parece que tem também uma barreira à saída”.

Ele disse que a partidarização de discussões técnicas atrapalham o desenvolvimento da agenda da cidade. E acredita que em muitos casos a realidade se impôs sobre a ideologia. “Prefeitos de direita e de esquerda estão sendo obrigados a adotar a mesma agenda”.

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O prefeito evitou criar problemas, mas comentou a atuação do Ministério Público de São Paulo, que comprou a briga política e vem tentando impedir a implantação de novas ações, desde ciclovias até a abertura da Avenida Paulista para as pessoas.

“Eu aprendi lá no Largo São Francisco que o Ministério Público é um guardião da lei. Eu acho que nós não estamos lendo o mesmo diploma legal. Artigo 23, inciso primeiro, diz que o poder público determinará os locais que permanentemente ou temporariamente ficarão fechados à livre circulação de veículos automotores. Isso é determinação legal. Por isso que o Tribunal tem dado ganho de causa para a Prefeitura”.

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Por fim, o prefeito se lembrou da ocasião que o levou, como ministro da Educação, a levar a cabo a reforma do ENEM.

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7 comentários

  1. Haddad incorpora com

    Haddad incorpora com impressionante facilidade de compreensão e consciência o que há de mais recomendável dentro de  uma avançada visão do urbanismo moderno. Não tem conversa, Haddad é hoje o melhor quadro do Partido dos Trabalhadores.

  2. Infelizmente perdi o seminário, Haddad deu um show

    No vídeo fala o óbvio, que a mobilidade urbana é para todos e não para privilegiados. Curioso que quando todos se movem os privilegiados vão junto, assim acaba o problema que não deveria existir, sempre lembro do nome do presidente da Sabesp, que só conhecemos quando falta água rsrsrsrs….

    No mais, concordo que o problema do trânsito é educação, mas penso que parte dele vai ser resolvido com os robots, os tais veículos autônomos que vão produzir o desemprego dos motoristas.

    Não têm saída fácil, mas se a solução é pensada antes, fica mais tranquilo fazer a transição, tai o Uber para não me deixar sozinho nesta.

    Haddad, a palavra mágica é ANTECIPAÇÃO, os antecedentes são muito mais manobráveis e baratos.

    Boa sorte e bom trabalho.

  3. Falar em municipio e estado,

    Falar em municipio e estado, o RS esta novamente com bloqueio dos recursos federais.

    Ou a federação muda sua forma de distribuir recursos de forma mais justa ou vai perder território.

    Secessão nunca passou pela minha cabeça como opção de mudança, mas “sinto” que cada dia que passa os gaúchos descobrem que fazer parte da federação só lhe caisa prejuizo.

    O que tem a ver com o texto, é facil uma cidade como São paulo que recebe recursos fartos do governo federal, falar em mudanças, quero ver um municipio como Canoas que não tem nem 10% de retormo do que gera de impostos federais fazer algo.

    É muito pauliscentrismo, o Brasil não é só Rio e SP a nossa realidade é muito diversa,  E se os estados não tem recursos imagine uma cidadezinha do interior do Brasil.

  4. Excelente trabalho. É bom

    Excelente trabalho. É bom quando veículos abrem espaço para falas mais completas da fonte, o que contextualiza o que está em debate. Isso contribui para que nós, leitores, tenhamos noção mais ampla das ideias da pessoa. Até porque, quando se fala em Haddad, a mídia tradicional tende a fazer um recorte que o desfavorece. Boa matéria!

    A única coisa que não curti foi a edição que incluiu a foto do Alckmin quando o Haddad fala que governador não se preocupa com ensino médio. Achei desnecessário, até porque ele não falou especificamente dele. Mas, no geral, ficou muito bom o trabalho.

  5. Lamentável

    Lamentável foi a fala do Boechat no jornal da Band ontem!

    Deu vontade de chutar a TV!

    A solução encontrada pela Prefeitura de SP para os UBER achei muito inteligente, para que o assunto não vire problema ingovernável, assim como o caso do transporte paralelo em Kombi.

    Teve uma Juizá no RJ que acha que o livre mercado trazido pelo celular é mais importante que o planejamento de uma cidade. Por outro lado, convenhamos, o Paes não fez aporte nenhum, limitando-se apenas a proibir.

     

  6. Quanto aos políticos que

    Quanto aos políticos que querem se eternizar, ele disse tudo, inclusive, eu acho que querem impedir que ele no futuro venha a ser o nosso presidente…as forças contrarias já estão a postos…

  7. Ainda acho Lula, com seu faro

    Ainda acho Lula, com seu faro maravilhoso para permitir que visões modernas como as de Haddad ganhassem os holofotes do grande debate.

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