Doria e Covas usaram um terço da verba de combate a enchentes em 2017 e 2018

Obras de piscinões também foram paralisadas. São Paulo tem 601 pontos de alagamento nesta segunda-feira (11)

Covas e Doria não investiram o necessário para combater as enchentes na cidade e o resultado se viu nesta segunda
da Rede Brasil Atual
Doria e Covas usaram um terço da verba de combate a enchentes em 2017 e 2018

São Paulo – Em 2017 e 2018, a gestão do ex-prefeito e atual governador paulista, João Doria, e de seu sucessor, Bruno Covas, ambos do PSDB, gastou cerca de um terço de toda a verba orçada para combate a enchentes e alagamentos na cidade de São Paulo. De R$ 824 milhões destinados à realização de drenagens, só R$ 279 milhões (38%) foram gastos. Em obras e monitoramento de enchentes, estavam previstos R$ 575 milhões, mas R$ 222 milhões (35%) foram gastos. Hoje, a capital paulista registrou 601 pontos de alagamento, congestionamentos gigantescos, com interdição das pistas expressa e central da Marginal Tietê e da Avenida do Estado.

Apenas em 2016, a gestão de Fernando Haddad (PT) gastou R$ 393 milhões. O ex-prefeito também iniciou as obras de 26 piscinões, dos quais três foram entregues, 15 estão com as obras em ritmo lento e oito estão paralisados desde que Doria e Covas assumiram a prefeitura. O investimento foi praticamente zerado na área em 2017 e 2018. A gestão tucana culpa o governo federal pela falta de repasses para conclusão das obras. Mas o gasto com recapeamento de vias foi multiplicado seis vezes entre 2017 e 2018: de R$ 44 milhões para R$ 293 milhões.

Em artigo escrito há dois meses, a urbanista Raquel Rolnik ressaltava que as enchentes em São Paulo são uma opção política. “Examinando os números da execução orçamentária da prefeitura de São Paulo fica clara não a falta de recursos, mas a decisão do que deve ser priorizado. No caso de São Paulo foram simplesmente zerados os investimentos em obras contra enchentes e uma enorme soma foi mobilizada para pavimentação de vias – aliás concentrada em 2018. Parece então que estas – e as enchentes que virão a cada ano – não são uma fatalidade divina, mas claros produtos de opções de política urbana”, escreveu.

Leia também:  Juiz de Fora 169 anos. A cidade em transformação no Museu Mariano Procópio, por Jorge Sanglard

Além das ações e obras para combater enchentes, Doria e Covas também reduziram os gatos com a varrição de ruas, a quantidade de lixo recolhido e a capinação. A coleta de lixo foi reduzia em, aproximadamente, 15%, em 2018. Varrição, capinação e lavagem de ruas foram reduzidas em 19%, no mesmo ano. Ao mesmo tempo, as reclamações por falta de limpeza, por meio da Central 156, subiram 30%. Na sexta-feira, Covas pediu licença da prefeitura por sete dias, “por motivos pessoais”.

Apesar de Doria e Covas alegarem problemas financeiros, ambos foram beneficiadas com um significativo aumento da arrecadação de impostos. Entre 2016 e 2018, as receitas correntes – IPTU, ISS, ITBI, ICMS, IPVA – cresceram 12,5%, no conjunto. Apesar disso, a gestão Covas manteve baixos os investimentos na cidade, em áreas como saúde, educação, controle de enchentes, transporte e também os serviços realizados pelas subprefeituras. O caixa da prefeitura, porém, chegou a receber R$ 7,3 bilhões, maior valor dos últimos seis anos.

Os dados do orçamento indicam que arrecadação superou em R$ 300 milhões o estimado pela gestão Covas para 2018. Mesmo assim, o investimento total foi de R$ 1,8 bilhão. Em 2017, a situação foi mais grave, com investimento de apenas R$ 1,3 bilhão. Em 2016, último ano da gestão de Haddad, os investimentos foram de R$ 2,6 bilhões, 44% a mais que no ano passado.

4 comentários

  1. Parabéns, São Paulo ! Locomotiva do Brasil, terra de gente estudada, meritocrática ! Gente que sai às ruas para protestar contra a corrupção dos maus governantes, e na hora sagrada do voto sabe escolher os melhores. Diferentes dos nordestinos analfabetos que vão ás urnas para sufragar Edivaldo Holanda e Flavio Dino, esses incompetentes.
    (Ninguém, nem mesmo um criminoso merece morrer vítima dessa aguaceira. Mas São Paulo merece, com louvor, muito mais que essa aguaceira. Eles não só elegem, eles não tem cura, eles reelegem )

    • Tem mais nordestino no estado de SP do que em qualquer estado do nordeste.
      A coisa não é por aí. A questão é a informação: mídia corporativa e direitosa e jornalismo manipulador de fatos e informações.
      Na cidade de Sampa, Doria não ganhou para governador, mas ganhou no resto do estado. Ou seja, quem testou reprovou, mas o resto do estado viu apenas notícias positivas e propaganda.
      Doria destinou 400 milhões só para propaganda para os seus 4 anos de gestão, que acabou sendo um pouco mais de um ano e três meses. O resto ficou nas mãos do Covas, que vai gastar muito enchendo os olhos e ouvidos da população que vive em SP com propagandas e mentiras.
      Doria gastou milhões com propaganda dizendo que teríamos em Sampa um “Asfalto Novo”. O que se vê hoje são só buracos nas ruas da cidade. O povo do interiorzão não viu isso, só viu a propaganda.

      • Me desculpe caro Jus, se houver eleição para presidente daqui a 4 anos e os candidatos forem Bolsonaro e Doria SP elege os dois. Em SP podemos afirmar que as vítimas são culpadas. 1/4 de século e não aprenderam nada, continuam reelegendo.

  2. Nassif, mais de 12 mortes contabilizadas até este fim de tarde, além de engarrafamento de mais de 220 quilômetros de extensão na capital e outro tanto nas demais 38 cidades que formam a região metropolitana, atingindo diretamente 22 milhões de pessoas e provocando prejuízos de 45 milhões só ao comércio paulistano, segundo a Federação do Comércio. Esse saldo parcial, porém, não mereceu até agora nenhuma explicação plausível, com exceção desta nota da Rede Brasil Atual dando conta que os governos do Estado e da Capital utilizaram apenas um terço da verba destinada ao combate às enchentes nos últimos dois anos, além de uma redução de 34% na verba para coleta de lixo, varrição e capinação só na capital. Na TV, contudo, imagens aéreas demonstram o que ninguém comenta ou menciona: o rio Tamanduateí transbordou ao encontrar o Tietê igualmente repleto, inundando pontes como as do Limão, Piqueri e Freguesia do Ó. Como a chuva castigou mais o ABC e este depende do Tamanduateí para drenar sua bacia hidrográfica com 663 quilômetros quadrados de área e 43 afluentes (a maior parte deles tamponados no subsolo, encobertos pelo asfalto), fica mais fácil entender as causas dessa enchente. Se há 30 anos bastaria saber se houve falha ou atraso na abertura das barragens de Santana do Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus – que represam o Tietê-Pinheiros-Tamanduateí – hoje basta lembrar as imagens da crise hídrica de 2014/2016, quando foi possível constatar o assoreamento completo do Tietê entre a foz do Pinheiros e Pirapora, devido ao lixo e aos sedimentos deixados pela última retificação de seu leito confinado entre as duas avenidas que o ladeiam na área urbana paulistana. Como o Governo paulista não removeu esses entulhos, qualquer temporal mais intenso é o suficiente para o Tietê parar a RMSP, sem que ninguém cobre providências do PSDB, partido que este ano celebra um quarto de século no comando do estado. Por esse motivo, quando assisti o governador Doria prometer hoje o fim das enchentes e a despoluição do Tietê para os próximos anos, desliguei a TV, uma vez que se os mais de quinze bilhões de reais já investidos nessa tarefa nos últimos seis quadriênios não foram suficientes para nos livrar desse flagelo, nada garante que isso ocorrerá tão cedo, uma vez que nem o Tribunal de Contas e muito menos o Ministério Público cumprirão a obrigação de prender os governantes que até agora malversaram esses recursos públicos para evitar que os atuais e futuros mandatários repitam tamanho descalabro.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome