Dória e o desmonte da Prefeitura


 

Dória e o desmonte da Prefeitura

Dória acaba com a participação e fiscalização da sociedade civil nos debates do Orçamento.

Confira abaixo a íntegra da nota divulgada pela secretaria executiva da Rede Nossa São Paulo contra o fim do CPOP:

Nota contra o desmonte do sistema de participação e fiscalização do orçamento público da cidade de São Paulo

O fim do Conselho Municipal de Planejamento e Orçamento Participativos (CPOP) prejudica as políticas públicas e pode ampliar as desigualdades

A Rede Nossa São Paulo recebe com surpresa a informação de que a Prefeitura de São Paulo extinguiu o Conselho Municipal de Planejamento e Orçamento Participativos (CPOP).
De maneira inesperada e sem nenhum debate com a população, na última quarta-feira (26/7) a Prefeitura publicou no Diário Oficial da cidade o Decreto Nº 57.802, que estabelece o sistema de participação na elaboração do Plano Plurianual (PPA) e da Lei Orçamentária Anual (LOA), bem como regula os mecanismos de acompanhamento do Programa de Metas 2017-2020.

Ao definir tais mecanismos de participação nestes instrumentos de planejamento e orçamento, o documento, porém, revoga o Decreto Nº 54.837, que criara em 2014 o Conselho Municipal de Planejamento e Orçamento Participativos (CPOP).

O CPOP é uma das mais importantes e inovadoras instâncias de participação popular do país, justamente por contar com mais de 100 conselheiros divididos entre representantes de diversas secretarias e de conselhos municipais de políticas públicas e participativos. Entre suas atribuições estão: propor diretrizes para a elaboração do orçamento municipal; indicar metodologias para a participação da sociedade civil nesta área; promover e estimular a participação popular na definição e destinação dos recursos municipais; e acompanhar e monitorar os gastos da Prefeitura.

Ao extinguir o CPOP, a atual gestão desmonta por completo o sistema de participação no orçamento municipal, que foi instituído há apenas três anos. A medida representa um retrocesso no envolvimento dos munícipes na definição e no acompanhamento dos gastos municipais e das políticas públicas.

Na prática, a população perderá um importante instrumento de participação na alocação e fiscalização do dinheiro público na cidade.

O Conselho Municipal de Planejamento e Orçamento Participativos não gera custos aos cofres municipais e não dificulta a gestão pública. Ao contrário, o órgão contribui na destinação do orçamento público, em especial nas periferias, garantindo mais e melhores serviços à população, além de combater desvios e desperdícios e prevenir corrupção.

Ressalte-se o fato de que são nos momentos como os que vivemos agora, de grave crise econômica e de queda na arrecadação municipal, que a participação popular é ainda mais necessária para definir prioridades e encontrar saídas para os problemas da cidade.

É importante destacar também que o fim do conselho ocorreu no período em que tanto o prefeito quanto o seu vice estavam fora da cidade, restando ao presidente da Câmara Municipal executar tal medida – como se a Prefeitura estivesse delegando ao representante de outro poder a função de desmontar o sistema de participação no orçamento público da cidade.

Com o fim do CPOP, eliminou-se também a única instância transversal e verdadeiramente participativa de monitoramento do orçamento público, na contramão daquilo que o próprio Programa de Governo do então candidato a prefeito preconizava, “buscar ativamente a participação da sociedade civil nos assuntos municipais”. Não há assunto mais importante para o município do que o orçamento público.

Impressiona também o fato de a Prefeitura determinar o fim do Conselho Municipal de Planejamento e Orçamento Participativos justamente no ano em que precisará cumprir os cinco compromissos da iniciativa internacional multilateral Open Government Partnership (OGP). Um desses compromissos determina “aumentar o poder de intervenção dos Conselhos Participativos Municipais em suas respectivas Prefeituras Regionais”. O CPOP era o principal fórum de discussão e influência dos Conselhos Participativos no orçamento da cidade.

É igualmente grave o fato de a revogação do CPOP vir numa hora em que sobram rumores de que a Prefeitura pretende cortar pela metade o número de conselheiros participativos e até deslocar estes conselhos para outra Secretaria. Tais medidas contrariam também o Relatório de Desenvolvimento Global (WDR, na sigla em inglês), do Banco Mundial. Lançado no início desse ano, o relatório revela que “o nível de participação popular nos processos de formulação e implementação [de políticas públicas] determina o maior ou menor grau de êxito [das ações dos governos]”.

O CPOP tem papel central na destinação de recursos públicos para as periferias, designando recursos e investimentos para importantes serviços municipais que reduzem as desigualdades.

É também um espaço de participação extremamente pedagógico e educativo, uma vez que ensina a população paulistana a entender e acompanhar o gasto público no município.

Por todos esses motivos, a Rede Nossa São Paulo reivindica a revogação do Decreto Nº 57.802/2017 e o reestabelecimento do Conselho Municipal de Planejamento e Orçamento Participativos (CPOP).

Secretaria Executiva da Rede Nossa São Paulo

4 comentários

  1. O desmonte de São Paulo e do Brasil

    Presindindo o STF Rosa Weber, presindindo o Brasil Michel Temer, governando SP Geraldo Alckmin e agora administrando a capital paulista, João Doria. Se o Brasil sobreviver à esse conjunto de de interesses pessoais e de poder, pode ser que depois disso tudo, queiramos e possamos, então, construir de fato uma nação.

  2. Sério?

    “A Rede Nossa São Paulo recebe com surpresa a informação de que a Prefeitura de São Paulo extinguiu o Conselho Municipal de Planejamento e Orçamento Participativos (CPOP).”

    Surpresa? Qual a surpresa? Só para ingênuos que votaram no Sujismundo acreditando que o resultado seria diferente. Elegeram um egocêntrico megalomaníaco narcisista com enorme complexo de inferioridade que precisa constantemente se autoafirmar. Esperavam o quê?

  3. “É muito próprio do vulgo

    “É muito próprio do vulgo desconfiar de quem o estima e confiar nos que o enganam.”

    Étienne de La Boétie

     

     

     

  4. Depois que passaram a mão nos

    Depois que passaram a mão nos três principais cofres do país (União, Estado de São Paulo e Município de São Paulo)… não há mais limites aos peerrepistas, ops, udenistas, ops, tucanos!

    O pior no sistema democrático é que ele é como um corpo: quando as defesas orgânicas falham um mínimo que seja, os parasitas dele logo tomam conta. E parasitas são parasitas; sequer comensais são!

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