Doria vai ter de negociar parque com construtora de amigos

Jornal GGN – Eleito prefeito de São Paulo no último domingo (2), João Doria (PSDB) terá de negociar o futuro do parque Augusta, no centro da cidade, com a construtora Cyrela, próxima ao tucano.

De acordo com a Folha, a família Horn, controladora da Cyrela – uma das donas do terreno em disputa – é amiga da família de Doria, e a empresa fez uma exposição neste ano para homenagear a carreira da esposa do tucano, que é artista plástica.

Durante a gestão Fernando Haddad (PT), ativistas ocuparam o local para impedir que a Cyrela e a Setin construíssem um empreendimento. O prefeito petista começou a negociar a compra do terreno para transformá-lo em parque.

Para o jornal O Estado de S. Paulo, Doria disse que a criação do parque não deve sair do papel. “Quero deixar bem claro que não comprarei terreno para fazer parque ou praça.” O promotor Silvio Marques, do Ministério Público diz que R$ 73 milhões estão disponíveis para a compra do terreno, vindos da repatriação de recursos de contas estrangeiras do ex-prefeito Paulo Maluf.

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Artur Rodrigues

O futuro do parque Augusta, na região central de São Paulo, deverá passar por uma negociação da gestão João Doria (PSDB) com uma construtora próxima do prefeito recém-eleito, a Cyrela.

A família do tucano é amiga da família Horn, que controla a empresa e que é uma das donas do terreno. A Cyrela chegou a realizar neste ano uma exposição para homenagear a carreira de artista plástica da mulher de Doria, Bia.

A construtora divide a responsabilidade pelo terreno do parque com a Setin. Ambas travam embate pela área com a Promotoria e a gestão Fernando Haddad (PT).

As empresas querem construir um empreendimento imobiliário no local, que incluiria um parque aberto ao público. Ativistas chegaram a ocupar a áreapara impedir a realização do projeto privado, e a gestão Haddad passou a negociar a compra do terreno.

A iniciativa vai na contramão do que Doria tem pregado. Ele falou em conceder parques à iniciativa privada, embora não tenha sido específico em relação ao Augusta.

O prefeito eleito diz que seus vínculos pessoais não influenciarão decisões sobre qualquer tema. “Independente da relação com esse ou com qualquer outro empresário, João Doria conduzirá as negociações sempre levando em conta, exclusivamente, os interesses da sociedade e do município”, afirmou nota de sua assessoria de imprensa.

Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, o tucano afirmou que, se depender de seu governo, a criação do parque não sairá do papel. “A prefeitura não vai gastar dinheiro público nisso, dinheiro que precisa ser priorizado em saúde e educação. Quero deixar bem claro que não comprarei terreno para fazer parque ou praça.”

A amizade de Doria com a família Horn é antiga. Em um perfil do fundador da construtora, Elie Horn, publicado em 2006 na revista “Exame”, Doria opinou sobre o modo de vestir do amigo. “Seus ternos são a la Antonio Ermírio de Moraes”, disse à publicação.

Em abril, Doria e Bia posaram com o filho do fundador da empresa, Efraim, durante a exposição da construtora para comemorar os 14 anos de carreira da artista. O evento foi realizado em um empreendimento de luxo da empresa na Vila Olímpia.

Elie Horn doou R$ 100 mil à campanha de Doria, a mesma contribuição que fez a Marta Suplicy (PMDB), Celso Russomanno (PRB) e Haddad.

O promotor Silvio Marques, que acompanha esse caso no Ministério Público, diz que R$ 73 milhões já estão disponíveis para a compra do terreno. A verba vem de repatriação pelo órgão de valores de contas de bancos estrangeiros em nome do ex-prefeito Paulo Maluf (PP).

Como os donos pedem R$ 120 milhões, as partes ainda não chegaram a acordo.

A Cyrela não comentou a proximidade com Doria, mas diz que “qualquer proposta” inferior ao valor pedido é “desproporcional e claramente desvantajosa”. Ela diz priorizar um projeto privado “que entregará à população um espaço maior do que o parque Buenos Aires”.

O promotor diz ainda tentar solucionar a questão neste ano. Na prática, porém, qualquer grande gasto deve envolver a equipe que conduzirá a transição –com membros da gestão Haddad e do futuro governo Doria.

A polêmica já se arrasta desde 2013, quando as construtoras compraram a área.

 

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