João Doria – quando o marketing dá errado, por Sérgio Saraiva

por Sérgio Saraiva

O prefeito João Doria deveria reavaliar sua estratégia de marketing – quanto mais o conhecem, menos gostam dele.

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Imagem: Luiz Guadanoli/Secom

A pesquisa Datafolha de abril de 2017 sobre a avaliação do prefeito de São Paulo após cem dias de mandato traz um copo meio cheio e meio vazio para João Doria.

O copo meio cheio

Ele continua com altas taxas de aprovação com índice de “ótimo e bom” em 43%, porém seu índice de “ruim e péssimo” está na casa de 20%.

Em princípio, isso não deveria preocupa-lo já que seu índice de aprovação é recorde – nenhum prefeito anterior teve tal taxa – e o de reprovação é inferior ao da maioria dos prefeitos que o antecederam. José Serra, por exemplo, o campeão de reprovação, tinha 37% em igual período. Erundina tinha 30% e Maluf 25%. Melhor que ele, somente Haddad e Marta que com cem dias de mandato apresentavam 14% de reprovação.

Doria versus Doria

A questão, porém, não é sua comparação com outros prefeitos, mas com ele mesmo. Isso porque, em fevereiro de 2017, o Datafolha, em uma pesquisa inusitada, já o havia avaliado.

Vejamos.

Dória é o mais conhecido dos prefeitos paulistanos dos últimos 30 anos.

Quando analisamos as respostas “não sabe” dadas em relação a avaliação dos prefeitos, Doria tem um índice de 4% de paulistanos que souberam fazer juízo de valor em relação a ele. Alto grau de conhecimento, mais do que o dobro de Serra, com 9%, e que era um político experimentado quando se tornou prefeito de São Paulo. Haddad tinha um índice de 13% de “não sabe” e Celso Pitta 16%.

Não seria de se esperar outra coisa, dada a intensidade das ações de marketing desenvolvidas por João Doria.

O copo meio vazio

Ocorre que, quando se compara os resultados da pesquisa Datafolha de 12 de fevereiro de 2017 com os desta pesquisa agora, nota-se que Doria conservou os índices de ótimo e bom e regular quase que idênticos, mas seu índice de ruim e péssimo subiu na mesma proporção em que aumentou seu índice de conhecimento.

Em fevereiro, seu índice de respostas “não sabe” era de 10% e seu índice de reprovação era de 13%. Hoje seu índice de respostas “não sabe” é de 4% e seu índice de ruim e péssimo passo para 20%.

Apesar de todo seu esforço de marketing, João Doria aumentou sua rejeição quanto mais as pessoas passaram a conhece-lo melhor.

Um aumento de 7 pontos percentuais no índice de rejeição em menos de 60 dias é algo a ser pensado. Com cem dias de mandato, acaba-se a lua de mel da dos eleitores com o eleito, costuma-se dizer.

Doria começa efetivamente seu mandato com seu copo meio vazio.

Terá de repensar suas ações de marketing. Talvez começar agora a apresentar resultados concretos seja uma boa estratégia.

https://www.youtube.com/watch?v=nH8NxeAppzI

PS1: quando avaliado o potencial de Doria como candidato à presidência da República, seu índice de rejeição foi de 42%. Somente para termos de comparação, Lula na pesquisa Datafolha de dezembro de 2016 tinha 44% de rejeição, empatado com Michel Temer.

PS2: Oficina de Concertos Gerais e Poesia – especializada em retífica de curvas normais.

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11 comentários

  1. tiririca x dória
    O tiririca é

    tiririca x dória

    O tiririca é palhaço na vida empresarial e político na vida pública. O dória é político na vida empresarial e palhaço na vida pública.

  2. Candidato a Presidente do Brasil

    O “bom” é que esse camarada (que não se sabe como terminaria o mandato, em termos de avaliação bom/ruim) é um muito provável candidato a presidente em 2018. E o brasileiro, sequioso por salvadores da pátria e mágicos, pode cair no conto de marketing montado pelo PSDB. Isso caso haja eleições presidenciais, claro…

  3. Falando em marketing político de direita…

    Eis a nova de Fernando Holiday: Vistoria de vereador do DEM e do MBL em escola pública para encontrar “doutrinação do PT” é rechaçada por professores, vereadores e secretaria de Educação – LINK AQUI

    Professores, no Brasil, passam por cada coisa…

  4. joão….

    A imprensa e mídia ficaram anestesiados nestes 30 anos de centro esquerda no poder. Seus amigos, seus ídolos, sua turma, colegas de escola e faculdade, enfim chegavam ao Poder. Fantasias púberes, de anos dourados da adolescência dos anos 60, enfim tornariam-se em verdades adultas. Bastou uma garoa de outono para a realidade paulista bater à porta da fantasia doriana. Bastou um inverno para que obras essenciais de Paulo Maluf no Sistema Cantereira para abastecimento de água na grande São Paulo, que deveriam durar por 1/4 de século virassem em tragédia de falta de água na maior cidade do país. De forma precisa e cirurgica duraram exatamente os 25 anos da falta de investimentos e privatarias tucanas. Nada como um dia após o outro. A verdade vos libertará. E incompetentes,  corruptos e aventureiros revelados um após o outro. 

  5. Esse índice de aprovação alto

    Esse índice de aprovação alto mostra que o ser humano (e principalmente o ser humano paulistano) adora ser enganado e feito de trouxa. Basta uma estratégia de marketing a mais cretina possível (do estilo “político se vestir de algo”, uma coisa que deveria já estar fora de moda) e pronto, pessoal aceita que é uma maravilha. 

    • Escuta meu caro, no Rio

      Escuta meu caro, no Rio elegeram o Crivela, em Curitiba o Greco, em Salvador o ACM, em Porto Alegre o Marchesan, em Boa Vista a Teresa Surita, em Rio Branco o Marcus Alexandre, e só os paulistanos não sabem votar.

      Você é preconceituoso. Tem o precoceito do resto do Brasil com os paulistanos e paulistas.

      Vá caçar sapos!

      • Não, companheiro, não é

        Não, companheiro, não é preconceito. porque a burrice está espalhada em todo o Brasil, não só em SP, vide as nulidades eleitas e citadas. Só é um pouco pior em SP pq a nulidade de lá foi eleita direto no primeiro turno…… rsrsrsrsrsrsrssssssssssssssss

  6. Rodinho
    O prefeito esquisito já pôs a culpa no PT pelo seu péssimo desempenho na pesquisa de intenção de voto.

    Pega o rodinho e vai enxugar a enchente, João!

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