Um sonho possível: A gestão suprapartidária das cidades

Jornal GGN – Depois de anos de disputa ideológica e partidária, o Brasil está amadurecendo na gestão das cidades. O Estatuto das Cidades é política pública recente, de 2001. O próprio Ministério das Cidades foi criado apenas em 2003.  Junto com a Política Nacional de Mobilidade Urbana, de 2012, o país finalmente tem instrumentos para elaborar planos continuados de desenvolvimento urbano. O importante é que a visão estruturante não se perca no momento em que o poder político trocar de mãos.

A cidade de São Paulo é um bom exemplo. A elaboração de um projeto macro urbanístico (o Plano Diretor), apoiado por uma série de projetos específicos e localizados (Arco do Futuro, Arco Tietê, Operação Urbana Água Branca, Operação Urbana Água Espraiada, entre outros), dá à cidade a visão de longo prazo que faltava para orientar a gestão, independentemente da inclinação político-partidária do administrador eleito.

A problemática não é exclusividade nossa. Prefeitos de todas as partes do mundo têm se deparado com impasses em questões de compartilhamento dos espaços públicos, uso e ocupação do solo, habitações sociais e mobilidade urbana. O que diferencia o Brasil da Europa, por exemplo, é a maturidade política da população, o profissionalismo dos governos na hora de contratar projetos e a escala das intervenções.

O assunto foi tema de discussão no 66º Fórum de Debates Brasilianas.org e o arquiteto Guillame Sibaud, sócio do escritório Triptyque, compartilhou um pouco da experiência francesa, especificamente na gestão da atual prefeita de Paris, Anne Hidalgo.

Leia também:  Vídeo cheio de palavrões é derrota para Bolsonaro, noticia The Guardian

Leia também: A gestão Haddad e a mudança de paradigmas, por Luis Nassif

As semelhanças e diferenças entre São Paulo e Paris

https://www.youtube.com/watch?v=g_4GxA75yU8&list=PLhevdk0TXGF51U7of3gz9ftlETLTm6Mxy&index=4 height:394]

“Hoje, as prefeituras, tanto de Paris quanto de São Paulo, estão convidando o mercado, os arquitetos e os urbanistas a pensar juntos em novos modelos. Porque o modelo antigo – que era de subvencionar, de pagar e construir – não é mais sustentável. É preciso pensar modelos econômicos viáveis, onde seja possível misturar cada vez mais o uso público e privado”.

Leia também: As mudanças de paradigmas na gestão das cidades

A iniciativa privada respeitando a lógica do interesse público

https://www.youtube.com/watch?v=leZ4sR8XaSw&list=PLhevdk0TXGF51U7of3gz9ftlETLTm6Mxy&index=1 height:394]

“Isso é uma das coisas que vai ter que evoluir cada vez mais, esse nível de conversa entre a prefeitura e o poder privado imobiliário. Onde a prefeitura reafirma a necessidade de público e o poder privado também fala das suas necessidades, de fazer operações rentáveis. O gesto urbanizador, cria condições comerciais também. Ele pode beneficiar a comunidade, criando um parque, mas também cria condições de valorização”.

Leia também: As prioridades das metrópoles versus o analfabetismo urbanístico

O modelo de concursos para incorporações em Paris

[video:https://www.youtube.com/watch?v=Y6UlEa38L7w&list=PLhevdk0TXGF51U7of3gz9ftlETLTm6Mxy&index=3 height:394

A encomenda pública francesa é muito estruturada em volta de concursos públicos. Toda e qualquer obra pública acima de €$1 milhão tem que ser objeto de um concurso público de projeto de arquitetura. E numa numa continuidade política absoluta. Porque esse tipo de projeto só se dá nesse tipo de situação, onde você tem realmente uma continuidade entre as diferentes administrações. Onde ninguém desfaz o que o outro fez. E onde realmente a administração pública, o que permanece dela, em termos de equipes administrativas é até maior do que o poder político temporário. A tecnicidade fica e o político passa”.

Leia também: A urbanização patrimonialista e o apartheid social

Leia também:  Coronavírus: Paris deixa de ser zona de perigo ‘vermelho’ e passa para ‘laranja’

Os bairros do futuro

[video:https://www.youtube.com/watch?v=0UnQJUk4VrM&list=PLhevdk0TXGF51U7of3gz9ftlETLTm6Mxy&index=2 height:394

“Dentro do Plano Diretor e da definição desse bairro, tinha a ideia de criar uma usina de incineração de resíduos orgânicos, produzindo a energia do próprio bairro. E a coleta desse lixo seria feita por sistema pneumático, que seria ligado a cada prédio individualmente. Cada prédio teria uma sala onde o lixo seria expulso, chegando diretamente à usina de biomassa e produzindo energia. Isso, obviamente, requer um planejamento muito mais fino do que um plano diretor cartográfico. Eu acho que a aqui que a gente chega na excelência e na possibilidade de falar da cidade agradável.

Leia também: A reconstrução do domínio público

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome