Brasil e China lançam satélite

Jornal GGN – Na madrugada de sábado para domingo, o satélite CBERS-4, feito em parceria entre Brasil e China, foi lançado com sucesso do Centro de Lançamento de Satélites Taiyuan (China). Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que coordena os trabalhos da equipe brasileira, o satélite entrou em órbita conforme previsto, a 778 quilômetros de altitude. Ele será usado para mapear a expansão agrícola, queimadas e o desflorestamento da Amazônia, e até para estudos sobre o desenvolvimento urbano.

Satélite brasileiro é lançado com sucesso na China

Por Fábio de Castro

Do Estadão

Equipamento será usado para a obtenção de mapas de queimadas, monitoramento da Amazônia e da expansão agrícola e até estudos na área de desenvolvimento urbano

SÃO PAULO – O satélite sino-brasileiro CBERS-4 foi lançado por volta da 1h da manhã deste domingo, 7, do Centro de Lançamento de Satélites Taiyuan, na China. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que coordena a equipe brasileira, o satélite entrou em órbita a 778 quilômetros de altitude, conforme previsto. O CBERS-4 será usado para diversas aplicações, incluindo mapas de queimadas e monitoramento do desflorestamento da Amazônia, da expansão agrícola, até estudos na área de desenvolvimento urbano. O Brasil não tinha um satélite próprio de sensoriamento remoto em órbita desde 2010, quando o CBERS-2B foi desativado.

O lançamento do CBERS-4, inicialmente programado para dezembro de 2015, foi antecipado em um ano por causa do acidente que destruiu o CBERS-3, no fim de 2013, depois de falha no foguete chinês. De acordo com o diretor do Inpe, Leonel Perondi, foi preciso um grande esforço para cumprir o cronograma de montagem. Segundo ele, a causa do acidente com o foguete chinês, que levou à perda do CBERS-3, foi detectada e todas as falhas foram estudadas minuciosamente para que o acidente não se repetisse. “Toda a cadeia de processos para o lançamento do foguete foi revista e requalificada, para que tivéssemos um lançador robusto”, declarou Perondi.

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O acidente no lançamento do CBERS-3, no dia 9 de dezembro de 2013, havia sido a primeira falha apresentada pelo foguete chinês Longa Marcha 4B – que custou US$ 30 milhões. Depois disso, dois lançamentos já haviam sido feitos na base chinesa. O relatório da comissão chinesa que analisou o acidente, segundo Perondi, indica que houve contaminação do combustível, que provocou falhas em uma válvula. “O combustível terminou de queimar dez segundos antes do previsto. Isso impediu que o satélite alcançasse a velocidade necessária, de 7,5 quilômetros por segundo”, disse Perondi. Com uma velocidade de 6,9 quilômetros por segundo, o CBERS-3 entrou em uma órbita instável e acabou caindo de volta na Terra, sendo destruído ao entrar na atmosfera.

O programa CBERS previa que o CBERS-4 seria montado e teria seus componentes integrados no Inpe, em São José dos Campos. Mas com a antecipação do cronograma, esses procedimentos precisaram ser realizados na China. De acordo com Perondi, o CBERS-4 é um irmão gêmeo do CBERS-3 e suas peças já estavam todas em território chinês, para substituição em caso de imprevistos. Com isso, o artefato foi montado na China, com a participação dos engenheiros e técnicos brasileiros.

Os brasileiros construíram 100% dos componentes de energia do satélite, segundo Perondi. “Foram projetadas e fabricadas no país duas das quatro câmeras do satélite. São equipamentos de grande complexidade e alta tecnologia”, disse. Segundo ele, o resultado do desenvolvimento das câmeras, realizado em São Carlos (SP), foi a formação de uma equipe altamente qualificada de 30 a 40 pessoas. Segundo Perondi, a missão de lançamento do satélite custou cerca de US$ 100 milhões, incluindo a construção do foguete – e cada país investiu 50% do total. Segundo ele, desde 2004, o CBERS-3 e o CBERS-4 renderam a assinatura de pelo menos 15 contratos com empresas brasileiras. “Os valores envolvidos nesses contratos passaram de R$ 150 milhões”, declarou.

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De acordo com Perondi, desde 2010, quando o CBERS-2B encerrou operações, o Inpe tem utilizado imagens dos satélites Modis e Landsat. Mas, ao entrar em ação, o CBERS-4 fará imagens com precisão e características radiométricas diferentes, que poderão complementar os dados fornecidos pelos satélites estrangeiros. “Quanto maior resolução, mas estreita a faixa imageada. Quanto mais imagens, maior a frequência de revista do solo. Quando monitoramos florestas, por exemplo, essa redundância de imagens é muito útil para fugir da cobertura de nuvens”, explicou. Segundo ele, as imagens do CBERS-4 serão utilizadas tanto pelo Prodes como pelo Deter – dois dos sistemas de monitoramento que produzem dados oficiais de desmatamento da floresta amazônica.

O CBERS-4 é o quinto satélite do Programa CBERS. Além do CBERS-3, destruído, foram lançados com sucesso o CBERS-1, em 1999, o CBERS-2, em 2003 e o CBERS-2B, em 2007.

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