Evolução versus criacionismo: Participe de um debate no jornal GGN

Publicado no último final de semana no blog de Luis Nassif, o artigo “Uma perspectiva mais ampla no debate entre criacionismo e evolucionismo”, de J. Carlos de Assis, provocou um debate entre internautas, por meio dos comentários ao post. A seguir, um resumo dos principais argumentos de um lado e outro, com um convite para a aretomada do debate no Jornal GGN:

Em linhas gerais, o autor da postagem original coloca no mesmo patamar duas versões para a criação do universo e de todos os seres existentes. De acordo com ele, o Criacionismo – a crença de que a existência aconteceu mediante intervenção divina – e o Evolucionismo – corrente que afirma que a existência é resultado do acaso, da seleção natural e da evolução das espécies – seriam duas correntes similares em nível ontológico. Ou seja: ambas seriam aceitáveis porque não são capazes de apresentar soluções definitivas para as questões a que se propõem debater.

Por outro lado, J. Carlos usa essa pretendida nivelação ontológica para defender o Criacionismo. De acordo com ele, a existência de constantes “arbitrárias” nas equações físicas, que se propõem a explicar fenômenos naturais, representam lacunas, falhas ou, nas palavras do autor, limitações “epistemológicas”.

“Ela (a Física) está repleta de constantes que são medidas, encontradas geralmente por intuição ou por aproximações sistemáticas, e que tornam precisas as equações mas que não são explicadas pelas teorias subjacentes. São mais de 40. É o caso da constante gravitacional de Newton, que entra arbitrariamente numa equação que descreve o movimento das grandes massas celestes, ou a constante de (Max) Planck, que se aplica aos fenômenos da termodinâmica, assim como uma miríade de constantes da Mecânica Quântica”, afirma. Para o autor, tais colocações serviriam “para abalar as certezas de quantos acham que a Física resolveu todos os problemas do reconhecimento da realidade”.

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O leitor Gui Oliveira contesta a afirmação. Para ele, é um erro acreditar que a Física resolveu (ou teria a pretensão de resolver) os problemas de reconhecimento da realidade, e diz que tal posicionamento – defendido pelo articulista – representa o que ele chamou de “metafísica da negação”. “Nenhum cientista sério, nem mesmo pessoa que simpatiza com a evolução sem ser cientista, acha ou afirma que a física resolveu todos os problemas do reconhecimento da realidade. Isto já foi dito e repetido aqui incontáveis vezes. Só o criacionismo insiste em defender que tem uma solução final para as questões fundamentais da existência”, diz.

Outro leitor, identificado apenas como “foo”, reitera a opinião de Gui Oliveira. Para ele, quem diz ter todas as respostas é justamente a religião. Ele também cita como equivocada a conclusão de que se algo não pôde ser explicado pela ciência – ou se uma teoria foi contestada –, a resposta mais lógica seria a intervenção divina. “Além disso, o fato de alguém colocar em dúvida uma teoria científica não implica em dizer que a resposta é, automaticamente, Deus”, opina.

Já o internauta “Reefs10” propõe uma ideia onde passos típicos da ciência, como a definição de conceitos e execução de passos, seriam, na realidade, caminhos que levariam a Deus – cujo significado, de acordo com ele, seria “a acumulação de conhecimento e sabedoria através da eternidade e também através de todas as criaturas que desenvolveram inteligência”. “Qual a nossa missão?” – questiona, ainda, para em seguida dar a resposta – “Acumularmos sabedoria e conhecimento para nos unirmos a Deus. Este é o porquê de nossa existência! Unirmos-nos ao conhecimento e sabedorias universais, que por enquanto estão sem possibilidade de ser revelados pela nossa limitada capacidade de compreensão de tudo. Isto só poderá ser alcançado através da evolução humana”, afirma Reefs10.

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Outros participantes do debate, como a que se identificou como “Anarquista Lúcida”, rechaçam “a mistura” da defesa da teoria da Evolução, de Charles Darwin, com a defesa intransigente do ateísmo. “Acho contraproducente misturar defesa do ateísmo com defesa do evolucionismo; afinal, pessoas religiosas mas com bom nível educacional costumam conciliar sua religião com a aceitação da Teoria da Evolução (dizendo, por ex, que Deus criou as leis naturais, e que deixou depois que o resto se fizesse de acordo com elas). O que está em jogo aqui é a defesa ou a recusa da pseudo-ciência do criacionismo, impossível de ser sintetizada com o evolucionismo em termos científicos”, propõe.

Há quem tenha proposto, também, a validade do Criacionismo enquanto corrente de pensamento, desde que fuja das “superstições”. “Criacionismo entendido apenas como uma origem divina ou de ente superior para aquilo que não foi explicado pela ciência, ok. Entender dias do Gênesis como metáforas de eras geológicas, também ok, é até elogiar a capacidade de observação científica e de fósseis que os antigos tinham. (…) A discussão aceitável termina sendo apenas em torno de como começou tudo e se existe alma. Até aqui, como eu não sou nem físico nem teólogo, nem tenho conhecimentos que me aproximem de uma das duas opiniões principais (Deus – ou ente superior – e espíritos existem / Nada não cientificamente provado existe) eu apenas fico observando a discussão”, defende.

Registre-se no Jornal GGN para participar do debate.
Veja o artigo original, no blog do jornalista Luis Nassif.

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