OMS estava se preparando para o Covid-19, por Rogério Maestri

Os fenômenos excepcionais tem mais ou menos uma repetitividade estatística que permite programar com antecedência contra aquilo

Não se surpreendam, sem reza e nem magia, a OMS estava se preparando para o Covid-19 e se prepara para as próximas epidemias

por Rogério Maestri

Uma grande novidade para a maioria das pessoas cultas e bem informadas é a existência de todo um programa que começou oficialmente em maio de 2016 pela OMS o “An R&D Blueprint for action to prevent Epidemics” já trabalhava com hipóteses de novas epidemias. Isso significa que ações proativas podem ser planejadas como uma preparação de uma estratégia global que permite a rápida ativação de Pesquisa e Desenvolvimento para dar combates a novas epidemias. Ou seja, para as conhecidas e para a chamada “Doença X” uma doença não conhecida, deve ser preparada a mobilização rápida de grande parte da comunidade científica de todo o mundo para achar soluções para esta e as para as próximas epidemias.

Parece até bruxaria, porém para quem trabalha com ciência da natureza como a Hidrologia, sabe que os fenômenos excepcionais tem mais ou menos uma repetitividade estatística que permite programar com antecedência contra aquilo, que as pessoas normais não se dão conta que pode ocorrer, e se repete ao longo dos milhares de anos de história da humanidade.

Desde a antiguidade, de tempos em tempos, apareciam pestes e flagelos que em sociedades em que ainda o cristianismo havia chegado, matavam-se animais e até pessoas para acalmar a ira dos deuses. Com o surgimento do cristianismo e com o predomínio deste na Idade Média, os tratamentos eram feitos com rezas e ações totalmente aleatórias e muitas vezes mais diabólicas do que religiosas como, por exemplo, queimar judeus e bruxas colocando nestes as culpas das pestes e catástrofes, sendo que estes ritos que poderíamos dizer verdadeiramente diabólicos eram perpetuados com ajuda de papas, bispos e padres, substituindo os sacrifícios rituais pagãos.

Quando começa o Iluminismo, as pragas começam de forma primitiva a serem tratadas com métodos que eles achavam “científicos”, algumas tentativas, como as conhecidas roupas que os médicos utilizavam nos séculos XVII ao século XIX, com longos bicos em que os médicos colocavam ervas especiais para impedir a entrada dos ares empestados pela peste poderiam ser achados estranhos, porém por mais bizarras que fossem as roupas que se vestiam os “médicos da peste” tinham uma determinada eficiência que empiricamente foi verificada por motivos completamente que eles achavam para que serviam. As roupas, que cobriam os corpos dos “médicos da peste” eram de couro de ovelha não tratado e com as pulgas infestadas com a bactéria Yersinia pestis não gostavam muito do cheiro das peles, elas se afastavam dos médicos, que sem saber exatamente porque, estavam melhor protegidos do que as pessoas comuns. Seus tratamentos eram sangrias e outros procedimentos nada recomendáveis, que não curavam nada e até aceleravam as mortes dos doentes. Com a geração de Pasteur em que se descobre a força dos micróbios nas doenças, as superstições são varridas quase por absoluto da nossa civilização só voltando a pleno pelo terraplanismo atual recriado pelos extremistas religiosos da atualidade.

Em continuidade da evolução da ciência, muitas doenças que eram considerados mais um flagelo divino foram substituídas pela noção que estas eram criadas por seres minúsculos, alguns até com caudas flageladas e com os vírus que são tremendamente abundantes em tipos e periculosidade para os humanos e seus companheiros caninos, felinos e mais outros animais domesticados.

A partir de uma série de epidemias mais importantes que se conheceu nos últimos tempos, a Febre hemorrágica da Crimeia-Congo (CCHF), os vírus Ebola e Marburg, a Febre hemorrágica de Lassa, o Coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), o virus Nipah, o hantavirus, a febre do vale do Rift (RVF) e o Zika, os membros da OMS viram nestes e mais na DOENÇA X, alguns dos possíveis surtos de epidemias ou mesmo pandemias em que as respostas tem que ser rápidas.

Hoje em dia, muitos pensam que epidemias ou qualquer eventos catastróficos podem ser algo imprevisível, porém como postulou o matemático e estatístico Nassim Nicholas Taleb estes eventos podem ser simplesmente antecipados não se sabendo exatamente a época em que eles ocorrerão e o próprio matemático ganhou muito dinheiro no crash de 1987 da bolsa ficando rico com este evento, entretanto como os Cisnes Negros que Taleb chama estes eventos aparentemente imprevisíveis no caso de epidemias não dá muito lucro a ninguém, logo a OMS se preparou desde a epidemia do Ebola até atual Covid-19 e devemos nos preparar para o próximo, desde que não tenhamos terraplanistas como Bolsonaro e Trump nos governos, pois o anticientificismo e o fanatismo religioso não rima em nada com ciência.

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