Pfizer anunciou parcerias ainda em março de 2020; 10 e-mails de ofertas de vacina foram ignorados

E-mail enviado ainda em março do ano passado pela Pfizer ao governo Bolsonaro já alertava "tempos sem precedentes" e buscava parcerias na ciência

Jornal GGN – Desde a primeira oferta de vacinas feita pela Pfizer ao Brasil, no dia 14 de agosto, até uma das últimas, no dia 12 de setembro, a farmacêutica enviou pelo menos 10 emails pedindo respostas do governo de Jair Bolsonaro para a venda das vacinas, sem obter.

Essa é uma das constatações da investigação da CPI da Covid no Senado, nos emails entregues pela farmacêutica à Comissão, em caráter de sigilo, e obtidos por reportagem da Folha de S.Paulo. Também, segundo o jornal, um email enviado ainda em março do ano passado já alertava “tempos sem precedentes” que viriam com o coronavírus e sugeria soluções a serem tomadas contra o vírus.

A correspondência, enviada diretamente pelo CEO mundial da Pfizer, Albert Bourla, havia sido encaminhado ao gabinete presidencial de Jair Bolsonaro, ao gabinete do Ministério da Saúde, da secretaria-executiva da pasta e ao embaixador do Brasil nos EUA, Nestor Forster.

Aquele primeiro e-mail, além de alerta para como o vírus impactaria o mundo durante o ano, era também o primeiro gesto da farmacêutica norte-americana de que medidas seriam tomadas e pela busca de parcerias junto a outros laboratórios, farmacêuticas e espectro da ciência para o desenvolvimento de insumos, medicamentos e, posteriormente, da vacina.

Mas o e-mail, assim como os demais que ofereciam a vacina já concluída, foi ignorado pelo governo de Jair Bolsonaro. O documento mostrava que a Pfizer, já aquela altura, elaborava uma estratégia de 5 compromissos, que foram anunciados também pelo CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, em depoimento à CPI da Covid na semana passada.

O terceiro ponto do plano, que havia sido encaminhado diretamente ao governo Bolsonaro em março de 2020, era o que tratava desse anúncio de interesse de desenvolvimento “de uma solução terapêutica, especialmente com as companhias biotecnológicas menores”. O Brasil poderia ter ingressado nessas parcerias de tecnologia, mas não o fez.

A exemplo, a empresa que se consagrou como a grande parceira da Pfizer foi a biotecnológica BioNTech, que juntas produziram a vacina contra a Covid-19.

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