Documentário “Quilombo Rio dos Macacos” será exibido na Sala Itaú Cultural

Documentário “Quilombo Rio dos Macacos” será exibido nesta terça (28), às 20h na Sala Itaú Cultural, em São Paulo.

Por Carlos Alberto Mattos

No dia 28, última terça-feira do mês, o Itaú Cultural (SP) encerra a programação cinematográfica de agosto em parceria com o forumdoc.bh, exibindo, em sequência, três produções de temática etnográfica. Às 18h, “Txirin, o Batismo do Gavião”, dirigido por Isaka Mateus Huni Kuĩ e Carolina Canguçu. Em seguida será projetado “Guardiões da Memória”, de Alberto Alvares. Às 20h “Quilombo Rio dos Macacos”, de Josias Pires. 

Abaixo, minha resenha de QUILOMBO RIO DOS MACACOS, escrita por ocasião do Fórum Social Mundial, em março deste ano:

Você não está vendo nada na mídia dominante/golpista, mas em Salvador está acontecendo o Fórum Social Mundial, evento de resistência contra os retrocessos e os ataques à democracia no Brasil. Na programação cultural, diversos filmes têm sido exibidos. No sábado, último dia do FSM, vai passar o documentário QUILOMBO RIO DOS MACACOS, de Josias Pires. Guardadas as proporções, é uma espécie de “Martírio” (refiro-me ao filme de Vincent Carelli) dos quilombolas.

Desde 2012, o filme vem acompanhando a luta das famílias habitantes daquele quilombo baiano contra as tentativas de expulsão pela Base Naval de Aratu com o intuito de construir uma barragem. Já na primeira sequência, vemos oficiais da Marinha impedindo a imprensa de entrar na comunidade sob a mediação de Raquel Rolnik, relatora da ONU para o Direito à Moradia Adequada. Ao longo de quatro anos, incorporando materiais em vários suportes, Josias registrou a campanha em defesa do quilombo, os embates com parlamentares e o Ministério Público Federal, assim como as histórias e os argumentos dos moradores sobre a sua resistência.

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O debate jurídico e a perseguição aos quilombolas vêm de muitos anos, atravessaram os governos do PT e ainda agora são assunto no FSM. Apesar do reconhecimento da área reivindicada de 301 hectares como quilombo em 2015, as 85 famílias ainda não têm titulação de posse da terra e vivem em condições miseráveis, subsistindo principalmente da fabricação de azeite de dendê e de colheres de pau. Um muro foi construído pela Marinha em 2016, dificultando até mesmo o acesso à água pela comunidade.

O doc de Josias Pires é um extensivo acompanhamento desse caso, dedicando talvez um tempo excessivo às querelas processuais e judiciais. Mas há também uma atenção considerável à vida das pessoas no lugar, o que faz o espectador se sentir próximo delas e de sua causa.

por Josias Pires

Comentário que fiz o texto de Carlos Alberto Mattos

Ponderei junto ao crítico que entendo perfeitamente a sua consideração de que o filme tenha dedicado “talvez um tempo excessivo às querelas processuais e judiciais”. Mas considero que a disputa jurídica neste caso do Quilombo Rio dos Macacos tem, de fato, um peso considerável e foi a deflagradora da luta dos quilombolas. Entendo que o filme, em muitos aspectos, reflete questões fortes do Brasil atual, vistas sob a perspectivas dos “de baixo” e, talvez por isso, também a “questão jurídica” tenha esse peso no filme. Afinal, vivemos hoje no Brasil um predomínio exagerado das togas, vivemos uma espécie de “República Judicial”, que alguns chamam de República de Curitiba mas que, na verdade, está capilarizada por todo o território nacional, atingindo, sobretudo as populações mais desfavorecidas, como as indígenas e quilombolas (Josias Pires).

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