O Assassino: o primeiro alvo, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O Assassino: o primeiro alvo,

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Este é um típico faroeste pós-moderno filmado com o objetivo de reacender a guerra fria entre os EUA e o Irã. Os índios malvados são iranianos que pretendem construir uma bomba nuclear. Um pistoleiro solitário psicopata, típico personagem dos filmes de John Huston, vai ter caçá-los usando ultra-violência.

Mas para fazer isto o herói terá que enfrentar outro pistoleiro norte-americano psicopata. Um que jogou o patriotismo na lata do lixo em troca do dinheiro.

Os iranianos malvados também são combatidos por iranianos bonzinhos. Como nos faroestes da década de 1960 o mocinho sempre é ajudado por índios que são mais do que apenas índios. Obviamente, como sempre ocorre num bom e previsível e melodramático faroeste espaguete, os aliados indígenas do herói morrem e o pistoleiro sobrevive.

A fronteira norte-americana, violentamente expandida à custa dos territórios indígenas no século XIX e consolidada no imaginário popular através dos faroestes do século XX, é agora exportada às custas dos países submetidos ao poder imperial norte-americano. Uma parte do filme se passa na Itália (conquistada na II Guerra Mindial), outra  na Líbia (país recentemente destruído pela CIA para se tornar locação dos American movies).

Em alguns faroestes a cavalaria salva o pistoleiro solitário. Em outros, apesar da incompetência dos militares norte-americanos, o forte-apache consegue se salvar por causa do herói. No filme em questão o pistoleiro salva uma frota naval dos EUA. Os novos forte-apaches dos filmes made in USA se deslocam inocentemente pelas águas do Mediterraneo.

O filme “O Assassino: o primeiro alvo” é esteticamente digno do canone nazista. Digo isto pensando na evidente desumanização dos malvados índios iranianos e na exagerada valorização dos pobres militares norte-americanos que se recusam a abandonar a Itália 73 anos depois do fim da II Guerra Mundial. Como nos filmes feitos no III Reich sob a supervisão de Joseph Goebbels, tudo conspira para legitimar a ultra-violência civilizada, como se fosse possível fazer uma distinção entre ela e aquela praticada pelos recalcitrantes inimigos da civilização (essencialmente Untermenschen, sejam eles italianos, iranianos, índios, etc…).

Não por acaso italianos malvados, índios de uma tribo diferente chamada Máfia, ajudam os índios iranianos. Num faroeste é impossível não criar estereótipos vagamente inspirados nas teorias racistas do século XIX.

Pagar para consumir este tipo de lixo é aviltante. Desgraçadamente o Código de Defesa do Consumidor não se importa com a qualidade do veneno cultural que os norte-americanos e seus brazilian boys projetam nos cinemas brasileiros.

 

 

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