Os 10 melhores filmes independentes americanos

Sugerido pelo blog de Filipe Rodrigues no Brasilianas.org

É verdade que nos dias de hoje está cada vez mais difícil distinguir um projeto independente de uma produção de orçamento nem tão modesto, bancada por alguma filial dos grandes estúdios de Hollywood. No entanto, o cinema independente norte-americano tem uma longa trajetória de resistência ao mainstream, de solução para crises do modelo comercial e de celeiro de talentos que depois ganhariam o mundo.

Listamos aqui abaixo os 10 mais bem-sucedidos filmes indies – como são carinhosamente chamadas as pequenas joias que muitas vezes precisam combater super-heróis, dinossauros, aventuras intergalácticas e cachês milionários para conseguir um espaçinho nas salas de exibição nos EUA e no mundo:

Mortos-Vivos (1968) – Hoje, os zumbis ganham as telas em IMAX e em produções de centenas de milhões de dólares. Mas tudo começou nesta genial obra de George Romero, que depois viveria do gênero com diversas variações sobre o mesmo tema. Custou cerca de 100 mil dólares para ser produzido e faturou mais de 30 milhões, pavimentando o caminho para diversas produções de horror a partir de então, consolidando o gênero como de melhor custo-benefício da indústria.

 

Sem Destino (1969) – A contracultura do final dos anos 60 tem aqui o seu filme icônico, idealizado e estrelado pela dupla Peter Fonda e Dennis Hopper. Eles são os dois motoqueiros que vão de Los Angeles e Nova Orleans e acabam encontrando com a América profunda, em ebulição cultural, política e social dos tempos da Revolução Sexual e da Guerra do Vietnã. Aparece aqui também Jack Nicholson, que acabou sendo indicado ao Oscar de Melhor Coadjuvante como o advogado bêbado que encontra com a dupla na cadeia.   

 

Caminhos Perigosos (1973) – O que seria do cinema sem a valiosa parceria entre o diretor Robert De Niro e o diretor Martin Scorsese? Pois saiba que tudo começou aqui neste pequeno filme policial que tinha o objetivo de mostrar as ruas violentas dos lugares menos glamurosos de Nova York, no caso o bairro Little Italy, frequentado por ambos – filhos de imigrantes – na infância e adolescência.    

 

O Massacre da Serra Elétrica (1974) – Outro filme fundador, praticamente inventando o slash film, aquele gênero em que um assassino sai picotando quem cruzar o seu caminho. No entanto, o longa-metragem dirigido por Tobe Hooper não fica apenas no que aqueles que foram influenciados por ele se limitaram. O que mais chama a atenção é a linguagem do documentário, praticamente vendendo o filme como se os acontecimentos fossem reais. Na verdade é inspirado levemente no serial killer Ed Gein. 

 

Veludo Azul (1986) – O mundo de excentricidades do diretor David Lynch encontra aqui seu habitat ideal. Importante citar que aquele que é considerado o seu melhor filme veio depois da amarga experiência da superprodução Duna. Seu ator fetiche (Kyle MacLachlan) descobre uma orelha humana e acaba entrando numa jornada no submundo da cidadezinha onde vive. No seu caminho está a visão perigosa e angelical de Isabella Rosselini. A inspiração do cinema noir clássico é óbvia e se tornou a marca de Lynch – indicado aqui pelo Oscar a Melhor Diretor – na tela grande e na pequena (com Twin Peaks).    

 

Sexo, Mentiras e Videotape (1989) – Filme que reinventou – para não falar tirar do buraco – o cinema independente norte-americano depois da avalanche de pipoca dos anos 80. Steven Soderbergh, que depois se equilibraria entre o mainstream pop de Onze Homens e Um Segredo e o alternativo de Full Frontal, além de projetos ambiciosos como Che e Traffic, é revelado por esta história sobre relacionamentos e intimidades devassadas. Fez de James Spader um astro instantâneo.     

 

Cães de Aluguel (1992) – O liquidificador pop de Quentin Tarantino já funciona na primeira cena, em que os bandidos de figurino idêntico – ternos pretos e camisas brancas tomam café da manhã numa típica lanchonete americana. Eles debatem “Like a Virgin”, de Madonna, numa cena que beira o surrealismo, permeada por achados fonográficos do ator/diretor. Depois, o desfile de referências que vão do cinema oriental, cuja estética da violência o inspiraria para sempre, até o indie americano dos anos 70, materializado em carne-viva na figura de Harvey Keitel.   

 

A Bruxa de Blair (1999) – Um dos primeiros fenômenos da Internet e que mudou totalmente as estratégias de divulgação da indústria no mundo online. O site e as histórias dessa pequena produção de 60 mil dólares feito com câmeras tremidas e imagens sugeridas se espalharam como vírus. Fez mais de 140 milhões de dólares nos EUA e estava totalmente sintonizada com a era dos reality shows que se vislumbrava.   

 

Encontros e Desencontros (2003) – O resgate de Bill Murray e a descoberta de Scarlett Johansson. Os dois interpretam um astro de cinema decadente – olha a metalinguagem – e uma garota entediada num quarto de hotel que se encontram no Japão. O relacionamento cresce por conta das afinidades que não têm idade e pelo isolamento proporcionado pelo choque cultural de estar num lugar onde os ocidentais não conseguem ler nem as placas de trânsito. E ali Sofia Coppola também superou a má imagem como atriz no filme do pai, O Poderoso Chefão 3, para se tornar uma cineasta de respeito.      

 

Pequena Miss Sunshine (2006) – Impossível não amar esta mezzo comédia mezzo drama familiar em que todos se amontoam numa Kombi velha para levar a caçula, a promissora e que ainda está desabrochando Abigail Breslin, para uma dessas competições de beleza para criança que fazem parte da imagem do norte-americano. No caminho, os conflitos represados surgem e são, cada um a sua maneira, encarados – o que é muito melhor do que deixá-los no subterrâneo da massacrante rotina. E o elenco, cheio de estrelas, como Steve Carell, Greg Kinnear, Paul Dano, Alan Arkin e Toni Collette.

Da Revista Monet

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