Z – A Cidade Perdida, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Z – A Cidade Perdida

por Fábio de Oliveira Ribeiro

O filme feito para glorificar a imagem do coronel Percy Fawcett tem alguns bons momentos. Mas começa a desandar quando retrata as aventuras do explorador inglês no Brasil.

O personagem cinematográfico Fawcett é um antípoda perfeito do coronel que perambulou pelos sertões do Brasil. Em nosso país é fato comprovado por evidências que ele um homem áspero no trato com os indígenas.

“Os kalapalo, mundialmente falados pelo caso Fawcet, são amáveis e inteligentes. Fawcett foi vítima, como seria qualquer outro, da aspereza e da falta de tato que todos reconheciam nele. Ainda sobre os ombros dos kalapalo pesa o desaparecimento do jornalista americano Albert Winton, envenenado com água de mandioca-brava. Não teria Winton cometido alguma falta ou usado a política de Fawcett? O que sabem é que realmente Winton, envenenado ou não, morreu lá embaixo, já no rio Xingu.” (A Marcha para o Oeste, Orlando Villas Bôas e Cláudio Villas Bôas, Companhia das Letras, São Paulo, 2012, p. 203).

Na tela grande, contudo, o protagonista de Z- A Cidade Perdida foi retratado como um homem amável, capaz de compreender e conviver pacificamente com os índios e até de defendê-los. É evidente que os idealizadores do filme transformaram seu herói em alguém mais semelhante a Orlando Villas Bôas do que ao verdadeiro Fawcett.

É evidente que os produtores de Z- A Cidade Perdida optaram por empregar elementos da trágica morte de Albert Winton ao retratar os últimos momentos de Fawcett e seu filho Brasil. O livro dos irmãos Villas Boas, que tiveram contato com Izariri (apontado como sendo o assassino de Fawcett) não relata detalhes da morte dos dois ingleses. Quando resolveu falar sobre o que ocorreu, Izariri narrou apenas os detalhes da morte de Winton (A Marcha para o Oeste, Orlando Villas Bôas e Cláudio Villas Bôas, Companhia das Letras, São Paulo, 2012, p. 399/400).

O filme termina com uma referência à descoberta de uma rede de estradas e ruínas na região por onde Fawcett perambulou. Quando exploraram detidamente a região, os famosos sertanistas brasileiros não encontraram nenhum indício de civilização avançada:

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“O fato de estarmos em contato com os kalapalo, principalmente Izariri – o apontado matador de Fawcett -, tem despertado o interesse de alguns jornais ingleses. Recebemos até pedidos para procurar pretensas cidades subterrâneas, pois muitos crêem que Fawcett e seus companheiros estejam por lá! Não seria mau encontrar uma cidade subterrânea nesta altura, uma vila mesmo já servia.” (A Marcha para o Oeste, Orlando Villas Bôas e Cláudio Villas Bôas, Companhia das Letras, São Paulo, 2012, p. 171).

Feitas as devidas restrições, Z- A Cidade Perdida vale ingresso. Mas se o cinéfilo puder pagar 1/2  entrada será mais justo. Pois os idealizadores do filme só contaram 1/4  da história do explorador inglês.   

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3 comentários

  1. Novo filme do Homem Aranha já

    Bom post, eu assisti o filme por o trabalho de Tom Holland. É de admirar o profissionalismo deste ator, trabalha muito para se entregar em cada atuação o melhor, sempre supera seus papeis anteriores, o demonstrou em Homem Aranha de Volta ao lar, este Novo filme do Homem Aranha já se converteu em um dos meus preferidos. Espero poder seguir de pertos seus próximos projetos para a evolução do seu trabalho.

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