A auto-ilusão do mercado com a recuperação das commodities, por Luis Nassif

A China é o motor do mundo. Mas sua energia depende, em muito, da vitalidade econômica dos parceiros comerciais. E o mundo não está bem das pernas.

O mercado costuma se entusiasmar com lógicas binárias.

A última é simples:

  1. A única economia em recuperação é a chinesa.
  2. Ele é grande consumidora de commodities agrícolas e minerais.
  3. Europa e Estados Unidos estão mergulhados na segunda onda da Covid, enquanto os bancos centrais abrem as torneiras para reduzir a queda.
  4. Muita liquidez nos países centrais, poucas possibilidades de crescimento próximo transformaram os emergentes na bola da vez, por algum tempo.

A sucessão de euforias passageiras impede que se analise realidades muito mais próximas. Os pontos que efetivamente contam, na definição de um cenário, giram preponderantemente em torno da segunda onda de Covid nos emergentes.

  1. Como se dará a nova onda, com o aparecimento de novas modalidades do Covid-19.
  2. Como se comportará o Executivo, com o enorme amadorismo demonstrado pelo Ministério da Saúde militarizado.
  3. Quanto tempo será necessário para um abastecimento eficiente de vacinas.
  4. Quais os cenários para normalização da economia

Como não há precedentes para o Covid 19, vamos a uma pequena análise do que está ocorrendo no Reino Unido, com a eclosão dessa nova onda, com uma nova modalidade de gene.

Desde o início de dezembro, a curva de novos casos e novos óbitos voltou a crescer.

Se se analisar o continente europeu como um todo, percebe-se uma volta do crescimento de casos nas últimas semanas.

No caso do Reino Unido, a média diária semanal de ontem, de 27.382 de novos casos, é 51,2% maior que de 7 dias atrás e 80% maior do que 14 dias atrás.

A taxa de morbidade (relação entre óbitos e casos) cresceu de setembro a novembro. Nas ultimas semanas cedeu um pouco, mas ainda em níveis muito elevados.

O dado mais preocupante é o gráfico de aceleração de casos, onde se calcula a média diária semanal em relação a 7 dias atrás. Desde o início de dezembro, a curva tem crescido vigorosamente. A média móvel de 7 dias, que capta os movimentos de curto prazo, tem crescido sistematicamente desde o início do mês.

Segundo o Financial Times, há dois aspectos preocupantes na nova variante do coronavirus.

Um, é o número sem precedentes de mutações. Outro, a velocidade de propagação, muito maior do que o que se conhece até agora. Ela apareceu em Kent em 20 de setembro. No iníciod e novembro, já respondia por 28% das infecções em Londres. Na semana que terminou em 9 de dezembro, o percentual aumentou para 62%.

Há esperanças de que seja menor mortal que o primeiro e seja suscetível às vacinas.

De qualquer modo, ontem o governo britânico anunciou uma ampliação da restrições. Diversos países da União Europeia proibiram vôos para a Inglaterra, incluindo Alemanha, Itália e Holanda.

Esta é a nova incógnita influenciando qualquer cenário internacional que se pretenda.

A China é o motor do mundo. Mas sua energia depende, em muito, da vitalidade econômica dos parceiros comerciais. E o mundo não está bem das pernas.

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2 comentários

  1. A Covid 19 é um caso à parte. Tudo pode acontecer. Já em relação a China,eles já perceberam essa dificuldade de seus parceiros comerciais e,por isso mesmo,já estão tomando medidas de forma a impulsionar seu vasto mercado interno.
    Assim,se a recuperação das commodities não se mantiver não deverá ser por causa da China.
    O Brasil,caso tivesse governo,assim como em 2008,poderia utilizar-se do mesmo expediente e aproveitar para crescer com distribuição de renda.

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