A explosão da música brasileira

As fases de transição em um país são confusas. Especialmente nos períodos em que o velho não morreu e o novo ainda está nascendo. É o que ocorre no mercado da música.

Historicamente, a música popular dependia de uma cadeia produtiva centralizadora,  um funil que abria espaço para poucos – mas lhes conferia enorme visibilidade graças à concentração de poder no mercado do entretenimento.

Nascia nas chamadas majors (as grandes gravadoras), em condições de investir em grandes estúdios . Chegava ao público pelos esquemas de divulgação convencionais, os grupos de mídia, emissoras de rádio e televisão, alimentados por “jabás” – isto é, o pagamento por fora para divulgar músicas e músicos.

A perna final era a imprensa escrita, que conferir status aos músicos e cujas editorias dependiam basicamente dos releases e CDs enviados pelas gravadoras.

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A conquista do mercado internacional era mais fechada ainda. As majors praticamente detinham o monopólio das grandes turnês mundiais, a estrutura para fechar contratos com grandes palcos em vários países do mundo.

Todo esse aparato produziu uma homogeneização dos padrões de música, abrindo pouco espaço para a diversidade.

No caso brasileiro, havia respiros na estrutura de shows universitários, na extraordinária competência do sistema Sesc e nas manifestações regionais, na trincheira dos botecos e das universidades.

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A Internet implodiu definitivamente o velho modelo fechado. Barateou as gravações, permitiu a divulgação dos artistas através da rede, facilitou o contato com artistas e estruturas musicais de outros países e, especialmente, abriu um universo inédito de informação para os jovens músicos.

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Acompanho a música brasileira desde a minha adolescência, dos tempos em que o violão brasileiro – já universal – restringia-se a meia dúzia de grandes nomes conhecidos.

Hoje em dia, pululam instrumentistas de primeiríssima em todos os centros musicais brasileiros. Há uma constelação que passa pelo inigualável Rio de Janeiro, mas se propaga por quatro centros essenciais – São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Recife – que, nos tempos de centralização, eram apenas canais de passagem dos músicos de sua região.

Todo o espectro da música brasileira do século está renascendo com uma vitalidade sem tamanho. O samba carioca, o forró, o maracatu, a música caipira-folclórica, a sertaneja, a música mais jazzificada, o choro explodindo, atendendo a todos os públicos.  

O renascimento da música de bar,  em todo o país, está atraindo uma geração de jovens instrumentistas de formação musical universitária, com amplo domínio da leitura de partituras.

Mais que isso, os músicos brasileiros estão invadindo todos os cantos do planeta, não apenas os popstars, mas uma infinidade de músicos de enorme talento e menor projeção, sendo convidados para turnês europeias, para festivais no Canadá, Bélgica, Noruega, Japão, Inglaterra, França, interior da Itália – e menciono de cabeça apenas os países que receberam músicos conhecidos meus nos últimos meses.

Há uma explosão cultural a caminho. É questão de tempo para que venha para a superfície.

38 comentários

  1. Quando fui la, o violonista

    Quando fui la, o violonista do cassino de Estoril era brasileiro.  Isso em…  93!  O Brasil ja esta exportando musicos ha decadas.

  2. O show tem que continuar

    “Se for música boa eu toco!”

    [video:http://youtu.be/CzE0W5y70MQ%5D

    Maíra ganhou o primeiro piano em uma aposta de futebol

    Maíra começou a tocar piano com sete anos. “A música sempre fez parte da minha vida. Sempre tive contato com músicos na minha casa e em muitos shows”. 

    Ela ganhou o primeiro piano quando tinha 12 anos de idade, em  uma aposta com o pai. Foi num jogo do Flamengo contra o Vasco. Ela Flamengo, ele Vasco. Maíra queria um piano e, em troca, prometeu uma caixa de cerveja. Naquele dia o Flamengo ganhou e Maíra fez questão de acompanhar o pai para comprar o piano.

    Como concertista, Freitas já tocou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e em salas como Cecília Meireles, Centro Cultural Banco do Brasil, Sala Baden Powell, Conservatório Brasileiro de Música e Centro Cultural Justiça Federal. Além de ter participado de festivais de música em países como Bulgária, Bélgica, Canadá, Chile, Noruega, Alemanha, Argentina, Paraguai e Estados Unidos.

    “Dei muita aula de coral, musicalização, iniciação infantil, teoria musical e piano. Durante dois anos trabalhei com crianças no Centro Cultural Cartola, na favela da Mangueira. Eu tive formação clássica de muito estudo, teoria, mas ao mesmo tempo eu ia para o samba”.

    A transição da música erudita para a popular foi gradual, a partir de experimentações e misturas, admite. “Para mim não tem diferença, é tudo música, assim como tem o funk, tem o jazz. Eu acho que pode juntar tudo, com tanto que seja música boa eu toco”, brincou.

    UOL

  3. O “negócio” está nos Direitos Autorais

    Não existe músico bom o ruim, existe aquele que é ouvido ou aquele que não é ouvido. Aquele que é mais ouvido (tocado) gera mais direitos autorais ao proprietário daqueles direitos. Ainda, os “artistas” ou compositores de hoje são criados pelos grupos editores musicais, nascendo com os seus Direitos Autorais já hipotecados em favor do seu “criador”. Os grupos de difusão divulgam as suas próprias “criações” elevando a % de ratting medida pelo ECAD, gerando maior receita, na forma de um efeito bumerangue.

    Os EUA, abusando deste Direito Autoral, na sua versão internacional, esfoliam países em desenvolvimento sugando direitos autorais em seu favor. O fluxo da maré é somente em favor dos EUA (a produção musical que chega de lá e sempre maior que a que sai daqui, bloqueando a entrada de dinheiro na compensação bancária, no Banco do Brasil). Por isso, os bons brasileiros estão fora, editando seus trabalhos nos EUA e recebendo direitos que, aqui no Brasil, ficariam encalhados na compensação bancária. Tom Jobim, apenas para citar um exemplo, nunca pagou um único centavo de imposto dentro do Brasil, deixando tudo em Nova Iorque, na “Corcovado Music”, da sua propriedade.

    Na música, a qualidade não combina com os negócios, mas sim a quantidade e a repeteca de bobagens “próprias”, que engordam o cheque mensal do ECAD, hoje indo, na sua maior parte, para a Polygram Internacional.

    Enquanto isso, o Brasil, grande gerador de música de qualidade, observa, ouve e compra discos dos seus melhores artistas morando no exterior. Brasil paga aos EUA para ouvir musica brasileira de qualidade.

  4. O que travou e inibiu a

    O que travou e inibiu a música popular brasileira foi o fato de que tornou-se impossível, mesmo a um nascente gênio musical, impor-se ao amplo reconhecimento do país, sem que antes tenha que beijar os pés e as mãos da Rede Globo.

  5. Amém Nassif! Assim

    Amém Nassif! Assim seja!

    Sempre me deixou angustiado aquilo que se habituou a rotular de nova música popular brasileira, com forte inclinação para o pop apenas. Sentia falta do “sotaque” regional, da pegada acústica, da destreza instrumental e por aí vai. Um dia desses assisti no youtube um programa com o Elomar, e diante daquela “monstruosidade” de inspiração para compor e de talento violonístico me veio uma certa decepção em saber como ele é pouco conhecido. E assim é para muitos bons músicos que há por aí.

  6. O belo artigo de esperança de

    O belo artigo de esperança de Nassif pode ser lido com um paralelo entre o que ocorreu com a música, a economia e a nossa politica.

    Formou-se no Brasil um imperialismo cultural que homogeneizou e dominou a economia, a politica e a música.

    Esse movimento teve dois grandes objetivos:

    1) Econômico.  A necessidade de formar uma massa de consumidores para as mercadorias culturais, as ideias sobre a economia e a forma de atuação politica. O objetivo era estabelecer hegemonia pela modelação da consciência popular.

    2) Político. O movimento consciente, organizado e articulado para promover a dissociação das pessoas das suas raízes culturais, substituindo-as  por verdades criadas pela mídia. O objetivo era alienar as pessoas, via homogeneização, tornando única as ideias econômicas, as alternativas politicas, e os movimentos culturais.

    A ideia principal era a exploração política e econômica pelos ideais da escola de Chicago e a exploração cultural pelo mesmo modelo neoliberal de se ganhar muito dinheiro com baixo investimento, e os resultados foram vistos; a pobreza cultural causada pela homogeneização, a criação de gigantescos oligopólios e o esfacelamento da política, – cultura, politica e governos submissos aos grandes conglomerados privados.

    A mensagem era simples e direta:

    ‘modernidade’ foi associada com o consumir produtos que a mídia tradicional nos indicava como as melhores, senão únicas.

    Terrmino, me associando à ideia de Nassif:

    “Há uma explosão cultural a caminho. É questão de tempo para que venha para a superfície.”

  7. Deixou de fora Belém que

    Deixou de fora Belém que corre por fora com o tecnobrega. Pode-se falar tudo sobre o tecnobrega, mas é preciso reconhecer que é um fenômeno significativo na região Norte.

  8. Nunca dantes,

    Fico maravilhado ao ouvir musicas ao vivo; muitas dessas cantadas em bares são recen-lançadas, as mais velhas poucas ainda me consolam na noite, não importa o cachê, vale o preço; que bom que os tempos mudaram, e não precisamos mais pagar uma fortuna em um CD, ou DVD; se tem cantores profissionais que odiaram a idéia de ter que ir pra estrada fazer shows para ganhar a vida; tem  os não profissionais, que  estão batendo um bolão, e o povo como eu, compramos ingressos; mas que também adora ver e prestigiar o artista local, que são bons abessa.

  9. “Há uma explosão cultural a

    “Há uma explosão cultural a caminho. É questão de tempo para que venha para a superfície.”

     

    Não houve nem jamais havera   “explosão cultural” alguma sem uma participação direta do governo.

    A ultima “explosão cultural” acontecida nos anos 60,no Brasil, ocorreu porque o governo entendendo a importancia da cultura investiu pesado nela.

    Na epoca a musica “explodiu”  junto com o cinema, o teatro, as artes visuais, a literatura, a dança.

    Não é segredo para ninguem que nossos musicos estão a altura dos melhores do mundo, os cubanos e os americanos. Mas estão perdidos tocando em bares onde se pede para abaixar o volume do som.

    Ou melhor para alegrar a festa.

    Não é segredo para ninguem que somos um dos povos mais criativos do mundo.  

    Certamente temos novos Glaubers para o cinema, Nelsons Rodrigues para o teatro, Tons para a musica.

    Mas eles se encontram perdidos e desamparados para continuarem seus trabalhos, enquanto o ministerio da cultura, completamente cego, mantem leis criadas na ditadura, entregando a condução das atividades culturais aos gerentes de marcketings das grandes empresas.

    O pouco que acontece de divulgação da musica instrumental ocorre devido ao trabalho do SESC cultural.

    Numa cidade do tamanho de São Paulo, o Supremos Musical, um dos poucos espaços destinados amusica de qualidade se transformou numa loja de roupa.

    A internet sozinha na salvara a musica e muito menos a cultura.

    Nela a popozuda é vista por milhões, enquanto algumas centenas apreciam o talento de um Bocato.

    • Coincidências

      enquanto digitava, quando “salvei”, tinha surgido um comentário de “Autônomo”. Personagem difícil de definirmos (sempre precisamos de definiçoes e referências, de preconceitos, é humano). Já o elogiei noutro momento, já retirei o elogio, espantado por outra opinião por ele emitida por aqui no blog. Não impede que coincidamos nesta opinião bem específica e que o elogie pela obsevação postada (se palavra de rei não volta atrás, tô no lado oposto dos reis).

  10. música tão rica que é a brasileira

    Se o assunto é música, pena que a seção Multimídia seja tão pouco postada (inseridas músicas, vídeos).

    Que venha esse boom dessa música tão rica que é a brasileira, e que o blogueiro, um músico, já pressentiu!!

  11. Gostei do otimismo mas…

    Nassif gostei do seu otimismo mas como profissional de música trabalhando em Belo Horizonte tenho algumas impressões não muito otimistas para compartilhar com vocês:

    Todo o espectro da música brasileira do século está renascendo com uma vitalidade sem tamanho. O samba carioca, o forró, o maracatu, a música caipira-folclórica, a sertaneja, a música mais jazzificada, o choro explodindo, atendendo a todos os públicos.  

    Sim está renascendo mas existe um problema: em todos os estilos citados os novos intérpretes estão só regravando sucessos antigos. Não existe espaço para novos compositores, seja criando novas músicas que estão dentro dos padrões tradicionais de cada  ou seja renovando e oxigenando os estilos ( a exemplo do que aconteceu com Bossa Nova e Tropicalismo, em relação ao samba e mpb). Sei que os compositores existem e estão criando (até me incluo entre eles hehehe) mas a lógica de mercado é perversa e os músicos e intérpretes têm medo de se jogar na incerteza e optam quase sempre por regravações de grandes clássicos.

    No caso brasileiro, havia respiros na estrutura de shows universitários, na extraordinária competência do sistema Sesc e nas manifestações regionais, na trincheira dos botecos e das universidades.

    Infelizmente estas formas de divulgação se perderam! Em BH a grande maioria dos botecos substituiu a música ao vivo pela televisão na Globo passando o futebol. Eu vejo nisso uma influência dos governos que são tolerantes com a barulheira em dias de jogo de futebol (uma fiscal da PBH me afirmou que eles fazem “corpo mole” em dias de jogos para não multar os estabelecimentos barulhentos) e ao contrário basta um som de violão e voz para a PBH multar não só pelo barulho mas também pela falta de estrutura de som etc. Com isso a música ao vivo em botecos em BH acabou! Os bares e casa noturnas que ficaram só apresentam bandas covers de artistas internacionais ( existem mais de 10 covers de Beatles em BH) e a praga do sertanejo universitário (que para mim não é música brasileira). Some-se a isso a baixa remuneração paga ( O Bar Status, no coração da savassi, zona sul comercial rica paga aos músicos R$ 100 por apresentação, menos do que cobra qualquer diarista) e eterna resistência dos clientes botequeiros em pagar o couvert artístico – como se isso fosse uma afronta ao consumidor.

    Nas universidades hoje em dia é só este lixo de Sertanejo Universitário e o sistema Sesc que você elogia só funciona em São Paulo, aqui em MG apesar de possuir ótimas instalações como o Sesc Palladium ele não é aberto a artistas desconhecidos, a não ser aqueles “apadrinhados” com verbas da lei de incentivo ou enaltecidos por velhos artistas como o famigerado “clube da esquina”.

    Gostaria de ter o mesmo otimismo que você Nassif mas para quem está dentro do mercado de música em MG a coisa anda muito feia e sem nenhuma luz no fim do túnel.  E por enquanto ainda não sei como pagar as contas do próximo mês…

  12. mas não creio em explosão cultural

    Na música, sim. Bossa Nova é muito apreciada no Japão, Tom Jobim nos EUA. Mariana de Moraes parece que é mais conhecieda lá fora do que por aqui (sou fã dela…). Mas, discordando do prestigioso e prestigiado Assis, é muito improvável uma explosão cultural, evitemos o ufanismo, mas não deixo, é verdade, de ter um certo pessimismo (infelizmente) diante da avassaladora invasão, imposição, sob diversas formas, do imperialismo norte-americano que se espalhou pelo mundo e continua se espalhando, até em culturas sólidas como a francesa. Sobre comportamento, uma amostra, entre tantas (essa me incomoda muito): o cinema, e o cinema-pipoca, onde o gosto é empobrecedor, idiotizante, onde as salas aceitam, até incentivam, o horroroso sacão de pipocas com estalares de refrigerantes (são exceções de muito boas salas onde se proíbe esse novo hábito “moderno”, lixos da indústria cultural (apesar de novas produções nacionais, algumas, como bem já disse Marilene Felinto, bem feitos mas meros exploradores da pobreza, e tão aplaudidos pela crítica especializada e público em geral – em artigos não disponíveis e não autorizados para reprodução por ela) – ah, que saudades dessa livre-pensadora, a mais corajosa e arguta analista de comportamento que já vi na imprensa, da qual se afastou. Interessante, valiosa, é ver sua opinião, como mulata-negra, sobre cotas e as diferenças entre USA e Brasil (pena que também não disponíveis, não autorizada reprodução, não constam sequer no arquivo do lindo Site (não o blog) dessa escritora, tradutora, avessa à mídia e aos jornalistas e jornalismo – como em tudo, nota-se que ela admite exceções – desconfio até que ela já postou, sob M.Felinto, um único comentário neste blog, pelo menos que eu tenha notado).

  13. Antônio Risério

    Sugiro Antônio Risério, antropólogo, se não me engano, baiano. Não reproduzirei um dos artigos dele pra  não cansar o pessoal, e a bibliografia dele, idem. Curiosos ou apreciadores do contraditório, fica um convite.

  14. Tomara, tomara, tomara.

    Mas acho que ainda demora um bom tempo, porque infelizmente falta cultura aqui em nossa terra. Ainda existe uma dominação forte da cultura importada, sustentada por uma máquina poderosa.

    Mas é verdade que a força que está emergindo é avassaladora. O nível dos músicos está crescendo de uma forma impressionante, mas eles precisam ter condições de se sustentar profissionalmente.

    Só está faltando um empurrão para que os jovens descubram a Internet como fonte de arte musical, como já descobriram, por exemplo, no humor. No dia em que for quebrado o paradigma ainda existente dos grandes mitos artísticos, vai haver uma explosão de arte que vai mudar a civilização.

  15. Momentos de efervecência

    Momentos de efervecência política e econômica sempre refletiram na produção cultural do Brasil e não é diferente agora: também sinto que há uma explosão criativa em gestação. Por outro lado, vale lembrar que se no sistema de produção cultural, a distribuição sempre foi o elemento restritivo da cadeia, sendo controlado no ramo musical, como bem observa o Nassif, por meia dúzia de majors, a produção nunca foi problema: O país – até por sua enorme população, dimensão e influências diversas – sempre foi riquíssimo celeiro em várias áreas criativas. Agora, organizar essa produção em moldes comerciais e transformar todo esse potencial em riqueza econômica são outros quinhentos. É bom tópico!     

  16. Não acho que seja assim

    Pra mim não existe isso de “explosão”, grande acontecimento sem precedentes. Isso ainda é midia, economia. O Brasil já vive uma efervescência musical e cultural que muitas pessoas, inclusive as bens informadas, não veem. O Teatro simplesmente detona, por exemplo. E aqui neste blog, nenhuma palavra (a não ser que seja tipo “vulto da história”). Quanto a musica conhece inumeros compositores, cantores e intrumentistas geniais que detonam todos os dias neste país. São os pequenos acontecimentos cultutrais. Então, sinceramente, não entendo isso de “bombar o que virá”, se debaixo do meu nariz acontecem coisas extraordinarias. Basta ter interesse e ver.

  17. A internet é o cemiterio da

    A internet é o cemiterio da musica.

    É o “sucesso” de poucos segundos.

    Niguem desconhecido sera descoberto ou ficara “famoso”, num universo de bilhões, onde todo mundo virou “artista”, porque pode gravar um CD no fundo do quintal.

    No máximo é uma alegria momentanea para amadores.

    Ja os profissionais que  muitas vezes levaram anos para realizar um trabalho são pilhados instantaneamente via internet para sempre.

    Outro dia fui a um show de um dos nossos maiores instrumentistas. Tratava-se de um local para umas sessenta pessoas. No final, tristemente, ele saia como um camelo, entre os poucos presentes  vendendo o seu CD. Segundo ele era a unica forma de distribuir o seu trabalho.

    A internet é um otimo veiculo para tornar ainda mais famoso o “popstar” referido no post.

    Assim os festivais de rock vão atraindo cada vez mais gente para os shows que as partidas de futebol.

    Trata-se da mesma “cadeia produtiva centralizadora” com nova roupagem, dando ” visibilidade graças à concentração de poder no mercado do entretenimento”.

    Continua sendo o mesmo do mesmo com ferramentas muito mais poderosas e centralizadoras.

    Para se contrapor a esse processo estrangulador, os artistas, ( não os produtores de artigos para a industria do entretenimento ) precisariam como nunca de uma seria politica cultural para o pais.

    Mas a unica ação que vemos por parte do ministerio da cultura, alem do patrocinio de desfiles de moda em Paris, é a invenção do tal “vale cultura”. Segundo a ministra, comprando revistas de sacanagem com o dinheiro que deveria ser para a cultura, o “trabalhador estara tomando gosto pela leitura”.

     

    • “A internet é o cemiterio da

      “A internet é o cemiterio da musica.”

      NÃO!

      A internet é o cemitério dos gigantescos esquemas de ganhar dinheiro a torto e a direito através da indústria do disco.

      Claro, tudo isso tem sérios efeitos colaterais e o pior deles é o empobrecimento técnico. A redução da dinheirama do investimento em música acabou com os grandes estúdios de gravação e sua estrutura, inclua-se aí o arranjador, claro. Em geral, as músicas produzidas nos últimos 20 anos, no pós-Napster, é de uma pobreza de arranjo de dar dó. Problema de rearranjo. Nada que a criatividade empreendedora não suplante logo. Agora, o modelo antigo está morto. O disco não é mais um produto em si, mas o que a de fato se propunha no seu nascimento: mídia de divulgação.

      Está nascendo, sim, um novo mundo na música. Como todos os mundos, cheios de virtudes e defeitos.

  18. Isso existe ha algum tempo

    Olha Nassif, essa efervescência não é de hoje. Ela existe há alguns anos e agora é que está aflorando. No interior de São Paulo já existe vários músicos talentosos que não tinham grande projeção, você está descobrindo eles agora. Tenho certeza que no interior do Brasil existem muito mais músicos que estão despontando, simplesmente não se dava atenção a eles. O país não é só feito de capitais…

    Abraços!

    • “Cultura”

      “Cultura” é dos conceitos mais difíceis e múltiplos de uma definição e definições. Há até quem , estudioso, chegue à conclusão de que não existe o que se chama “cultura popular” (tá lá num apanhado sobre vários antropólogos do livro de Peter Burke (na sua mais recente tradução/edição brasileira) um cara que aborda , p.ex., os carnavais e as festas populares. Sua mulher tem um interessante livro sobre as facetas de Gilberto Freyre, tão criticado, tão desconhecido (em leitura direta do original, claro), tão bom e leve escritor, impactou por usar vocabulário e “coisinhas” jamais usadas e repudiadas pela academia (peo menos a brasileira). Sobrados e Mucambos ainda é melhor do que Casa Grande & Senzala, para alguns S&M é sua obra prima, ou melhor do que C&S que tem um início meio chato (nunca apedante) e mil notas que desisti numa segunda leitura. (que se distinga a obra do homem em sua vida, pois ele apoiou o Golpe Militar, parece que mesclado por questões muito afetivas, de amizades anteriores). E não acho que suavizou a escravatura no Brasil.

  19. Flor Amorosa / Kelly Rosa

    Nassif e pessoal, como diz um participante (e vc também) há muitos talentos desconhecidos (as imposições da indústria, das rádios e da tv são f…), mas, como sempre, há alguns furos, algumas brechas. Vc já ouviu falar em Kelly Rosa? Vocês aqui do Post? Eu não, mas vi e ouvi (e postei no Multimídia noutro dia) ela, maravilhosa cantora e excelente intérprete cantando Flor Amorosa, que eu não sabia que tal chorinho foi dos primeiros choros (gravados e cantados) no Brasil (essas coisas voce deve saber, como chorão). Curitibana, mora em Recife. Numa reprise do programa de Rolando Boldrin. Mil amostras , mil exemplos certamente há nesse brasilzão.Foi assim que Cuitelinho veio a público pelo biólogo e compositor Paulo Vanzolin (com uma parceria de q não me lembro, de uma música de domínio público.

    Peço licença pra deixar aqui o endereço eletronico:

    http://www.youtube.com/watch?v=pAEtrzplFmQ

  20. musica brasileira

    Nassif, você esqueceu do Rap, o grande movimento poético/musical que vem principalmente das periferias das grandes cidades, que não toca nas mídias tradicionais mas está presente na vida de grande parte da nossa juventude.

  21. Internet deu acesso a músicas que nem se imaginava que existiam

    Ex.:

    Adrian von Ziegler

    “Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

    Adrian von Ziegler é um compositor que vive em Zurique, na Suíça. Ele ganhou popularidade no site de compartilhamento de vídeo YouTube. Em janeiro de 2014, seu canal no YouTube adquiriu mais de 200.000 assinantes. Adrian compõe várias melodias vocais e não-vocais. No entanto, a maioria de suas canções são não-vocais, porque ele diz que “não quer adicionar nenhuma letra para (suas) músicas, já que (ele) pensa que o ouvinte deve interpretá-los em seu próprio caminho”. Adrian usa um “teclado muito velho” e Criador Magix música entre outros, para compor sua música. Embora haja poucos sinais de atenção da mídia, Adrian tem destaque em um artigo na revista Magix.”

     O vídeo https://www.youtube.com/watch?v=jiwuQ6UHMQg teve mais de 8 milhões de acessos. Eu baixo, transformo em MP3 e transfiro para pendrive e ouço no carro, no celular ou no aparelho de som, onde é melhor. Tenho centenas de músicas que não tocam aqui no Brasil nesse esquema.

  22. Curioso que também há um

    Curioso que também há um movimento latente no cinema, no teatro, na dança, e em outras artes.

    E a explosão cultural que o Nassif bem expõe vem ao mesmo tempo que a internet alcança parte da sociedade mas junto com isso a implosão daquela tv carioca com seus horrendos tentáculos em toda a indústria cultural brasileira, seja música, seja cinema, se exclusividade sobre contratos com atores.

    A tv carioca que sempre caricaturizou a cultura brasileria, que sempre controlou como pode. Chega de ditadura cultural, a verdade é dura.

  23. Concordo que seja uma questão

    Concordo que seja uma questão de tempo para a coisa se reajustar e melhorar, com as novas possibilidades de produção e divulgação musical via internet. Mas há uma parcialidade na análise e na maioria dos comentários aqui, que ignoram a produção musical popular (no sentido de algo que é produzido e consumido por setores mais amplos e discriminados da população brasileira: ou seja, os mais pobres). Só um comentário citou o importante “tecnobrega” do Norte, por exemplo. E é claro que haverá misturas sendo gestadas nesses setores populares que poderão nos surpreender futuramente: por exemplo, entre o samba e e o funk carioca; entre o repente, o rap e a música eletrônica; o rock e os ritmos caipiras e nordestinos  – coisa que aliás vem desde Gordurinha e Jackson do Pandeiro. Outro problema lembrado por um colega aqui é o fato de, na área da música mais “sofisticada”, produzida pela classe média tradicional, não haver novos compositores criativos e “sofisticados”. Se paramos no tempo, e ficamos só nos “clássicos” do choro, da MPB e do samba “de raiz” (infelizmente apanágios de uma elite cultural), ocorre a cristalização, esterilização e atomização que podem ser mortais.Os processos artístico-culturais são dinâmicos e não existem sem mesclas. A pureza é um mito. Viva a mistura!

  24. Concordo.Isso vem de uns 5

    Concordo.

    Isso vem de alguns anos para cá, principalmente entre musicos instrumentistas,

    um melhor que o outro, só sinto falta de bons compositores mas creio que  seja

    questão de tempo. Estamos vivendo uma avalanche de “cantoras” 99% parecidas

    umas com as outras com raríssimas excessões.Falta pesquisa e sobram produtores

    “picaretas”.O Talento sempre vem e virá e o ideal que seja ao vivo e a cores, Nassif

    sabe bem que tem cantor( a) pelos”bares da vida” que põe muita gente “cheio  de caras

    e bocas” no chinelão.Insistam, estudem,pratiquem , contem com a sorte tambem , como

    em toda profissão de fé.

    • Certamente não ha nenhum

      Certamente não ha nenhum jovem cantor estrangeiro com a mesma expressividade

       de alguns cantores( mortos) brasileiros.Muito legal mesmo Benjamim Clemente!

  25. A radio estatal canadense CBC

    A radio estatal canadense CBC da bastante destaque para artistas brasileiros, principalmente a nova geração. Alem disso ha diversos e talentosos artistas cantando musica brasileira em bares do Canada. Inclusive grupos compostos somente por “estrangeiros”.

  26. E o novo?

    Técnica não falta realmente, a todo o momento se descobrem bons instrumentistas e intérpretes.

    E a criação/inovação, cadê?

    Hoje, fazem remix.  Se o chiclete era misturado com banana, agora a farofa é farta, com incontáveis ingredientes, mas a farinha é do mesmo saco mediático.

  27. Discordo em parte Nassif

    Discordo em parte Nassif.

    Como todas as instâncias afetadas pelos processos de globalização dos mercardos e da informação via web “livre”, a música também teve seu “funil” mercadológico diversificado. Entretando, após decadas de homogeneização industrial da cultura, e colonização cultural america, há hoje grande hiato nas populações e suas regionalidades.

    Salve excessões, e sem falar nos poucos avanços nas soluções para ensino de música nas escolas, ensejando regionalismos e práticas democráticas, os músicos penam com uma grande distância entre o público e seu fazer musical.

    No Choro por exemplo, quem não é Amiltom ou Yamandu padece em um mercado de autônomos, fadados há uma luta eterna entre a baixa receita e a falta de oportunidade de trabalho na sua área. Sim, os bares aumentaram, mas não comportam muitas outras formas de manifestação musical, não há “grandes mercados culturais” para quem não taca fogo em sua guitarra.

    O quadro é promissor, mas também temerário.         

     

     

  28. Porto Alegre

    Nassif você não falou de Porto Alegre e do RS. Temos inúmeros artistas, bandas, músicos de excelente qualidade. Música do tradicionalismo gaúcho, mas MPB, pop, rock, instrumental, não só em Porto Alegre, mas no interior do estado também. Minha cidade, Ijuí(do Dunga) fica a 400 km da capital, e temos inúmeros músicos e bandas de vários estilos musicais. No RS temos artistas dos anos 80 que continuam até hoje, e nem precisam sair daqui para fazer sucesso e se manterem só pela arte. Teve pessoas que escreveram que acham que sucesso é tocar na novela ou no gordão de domingo a tarde, ou ficar rico(não importando o tipo de porcaria que as gravadoras metem ‘goela a baixo’). 

    Creio realmente que nosso país está passando pela “Explosão da música brasileira” que tu citaste, e que temos diversos artistas de primeiro nível, grandes compositores, inúmeros instrumentistas muito bons e versáteis, intérpretes com vozes muito boas e alta performance de interpretação, sem falar na diversidade de estilos e uma característica que gosto muito que é a mescla de estilos musicais num mesmo trabalho, as vezes na mesma música.

  29. “O renascimento da música de

    “O renascimento da música de bar,  em todo o país, está atraindo uma geração de jovens instrumentistas de formação musical universitária, com amplo domínio da leitura de partituras.”

      Como diria a gangue do PT,  esssa é a visão musical é coisa da  ELITE BRANCA. Alguns dos grandes compositores e instrumentistas dos “rincões” da nossa musica popular, mal sabem ler uma cifra.

     

     

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