A moçada condenou todos os símbolos de poder

Foto: Victor SaavedraUm a um, os principais agentes políticos do velho modelo curvaram-se à voz das ruas, da moçada do Movimento Passe Livre (MPL).

Primeiro, os grandes órgãos de mídia. De “baderneiros”, “guerrilheiros urbanos”, tornaram-se, não mais que de repente, jovens idealistas, a voz da classe média etc.

Depois, os governantes. Das declarações taxativas contra o que reputavam “baderna” para declarações afáveis e a garantia de que os protestos poderiam continuar.

Do meio do alarido desconexo, surgiram duas vozes referenciais do velho modelo – os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula – avalizando os protestos.  Seguiram-se as declarações da presidente Dilma Rousseff, de consideração pelo movimento.

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Há um corre-corre febril de interpretação das manifestações, cada qual pretendendo puxar a brasa para a sua sardinha.

Mas, inegavelmente, o movimento foi contra toda a estrutura de poder existente – do Executivo aos grandes grupos de mídia, do Congresso aos grandes partidos políticos e também aos pequenos (manifestantes queimaram bandeiras do PSTU e PSOL). Sobrou até para a UNE (União Nacional dos Estudantes), que desapareceu.

Na última manifestação, na segunda-feira passada, os jovens não estavam mais sozinhos. Muitos pais, profissionais liberais, funcionários públicos, trabalhadores, pessoas há décadas enferrujadas das manifestações de rua, aderiram ao movimento.

Afinal, contra o quê é o movimento? É contra tudo. E não se considere que esse “tudo” signifique um anarquismo inconsequente. Significa que a moldura institucional do país não cabe mais no organismo social brasileiro.

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Leia também:  O jogo dos juros, o impacto na economia e na Globo, por Luis Nassif

É algo cíclico, agora turbinado pelo fenômeno das redes sociais.

Logo após Franco Montoro eleito governador de São Paulo, houve explosões populares no centro e na frente do próprio Palácio dos Bandeirantes. Democrata exemplar, Montoro levou balas perdidas resultado da impaciência de quem não aguentava mais o quadro institucional anterior.

Algum tempo depois, aquela impaciência resultou na campanha das “diretas, já”.

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O segundo movimento foi na campanha dos “caras pintadas”, que resultou na queda de Fernando Collor. A explosão ocorreria de qualquer maneira. Havia uma nova geração em campo, uma rapaziada que não participara das lutas contra a ditadura, mas sedenta por participação.

Embora até o último momento Collor mantivesse respeito pela Constituição, seu porte arrogante calou fundo na jovem classe média que se formava.

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Agora, vê-se o terceiro movimento.

Nos últimos anos, a disputa PT x PSDB esgotou a paciência do último cristão. Do lado do PT, um pragmatismo excessivo, de compor com setores retrógrados, com fisiologistas da pior espécie. Do lado do PSDB, a terceirização da oposição a uma mídia sem limites, beirando o golpismo. Do lado da mídia, essa manipulação de ressuscitar fantasmas da guerra fria.

Nas redes sociais, de ambos os lados uma virulência sem limites, com ataques pessoais, assassinatos de reputação, ações orquestradas.

E a rapaziada apartidária – mas não apolítica – observando tudo, trocando impressões entre si e gradativamente formando a sua própria opinião. E sua opinião explodiu na forma de condenação geral ao modelo de poder.

7 comentários

  1. Noto que ninguem sai de cima

    Noto que ninguem sai de cima do muro neste assunto das manifestações. Todos querendo colocar “panos quentes” a onde não cabe. Textos muito bonitos como este do Nassif, mas de conteudo vazio, porque o objetivo não é escalarecer mas acalmar o lado de cá, quando o lado de lá está querendo atear , ou já ateando, fogo em tudo.

    Nestes dias vi e ouvi muito na chamada grande imprensa. Globo, Globo News, CBN e Folha. Pois bem,  “estes admitiram pela primeira vez” (plagiando eles proprios) que estes protestos são os protestos da “classe média”. Isto eu já sabia, embora até aqui todos procurassem esconder.

    Sendo a classe média lutando por mudanças,  conforme disseram os “analistas” destes veículos de comunicação, fica claro que a luta é contra o Bolsa Familia, o Prouni, o Minha Casa Minha Vida, Minha Casa Melhor e dezenas de outros programas sociais dirigidos a classe mais pobre deste País. Mas a gota dáqua não foi o aumento das passagens de onibus. As carinhas felizes e bem tratadas dos jovens manifestantes não é exatamente a cara  do jovem trabalhador e lutador que pega ônibus e metrô (sobre este ultimo meio de transporte não está sendo reclamado a alta do preço para 3,20. Não sei porque).

    A verdadeira gota daqua foi a PEC das DOMESTICAS. Incansavelmente debatida e criticada pela mais alta representante das “dondocas” da classe média, e grande “manipuladora de opinião”  Sra Ana Maria Braga (a que usa colar de tomates). Ela e outras dezenas de manipuladores bateram nesta tecla por muitos dias e acabaram por manipular a opinião de milhares de donas de casa fazendo-as demitir os “serviçais” que tanto lhes era útil. Pronto! Os garotos ficaram sem as “babás” e foram de certa forma impelidos a sairem do ócio para ajudar nos serviços domésticos. As dondocas-mães, que mantiveram os serviçais, foram obrigadas a gastar menos no salão de beleza para economizar algum. Por falar nisso, a inflação nos salões foi outro assunto preferido do tais manipuladores de opinião.

     

    Gente, este é um movimento puramente “classe média”. Eles tem o pleno direito de se manifestar pois são cidadãos como todo o resto.Querem a mudança. Querem programas para eles.  Esta é a “mudança” sonhada e relamada nas cartolinas do movimento.

  2. Acho que você está dando uma

    Acho que você está dando uma boa romanceada, Nassif, mas no fundo é isso mesmo.
    O modelo afasta esta participação, entretanto, o que fazer?
    As conferências andam vazias, levar para o facebook?
    Tenho um tantão de perguntas, ontem aqui em Teófilo Otoni, participei de uma manifestação e fiquei frustrado.
    Uma coisa foi muito engraçada, a PM colocou a sua Banda para tocar, e recepcionou os manifestantes, foi ótimo.
    Mas mostrou a despolitização desta rapaziada, resultado do próprio modelo, terminou em samba.
    Não sou pudica, achei engraçado e uma ótima maneira da PM testar os “organizadores” que estavam fingindo que não organizavam, como não “organizavam”, a rapaziada caiu no samba!
    A crise deste modelo está mai profunda do que podemos imaginar.
    O link aí:
    http://g1.globo.com/mg/vales-mg/noticia/2013/06/4300-pessoas-de-teofilo-otoni-se-reunem-em-protesto-pacifico.html

  3. CONDENAÇÃO AO MODELO DE PODER

    Artigo maraviloso, ninguem silencia a vontade popular. Contornos e manipulação, duram pouco. A mudança não pode ser definida em gabinetes, muito menos em bastidores. O PT imaginava-se representar a vontade da maioria, ao optar  e decidir isto nos bastidores e gabinetes, por uma governabilidade aparente foi cooptado por setores retrogrados e fisiologisyas da pior especie.

    Evidente que no modelo atual, eleição não se ganha se compra. Em vez de denunciar e optar por uma vitoria sem a interferencia do capital, ao defrontar-se com a oportunidade de botar a mão na “bufunfa”, dos desvios da privataria, na CPI do BANESTADO, optou por beneficiar-se parcialmente da patifaria.

    em vez de denunciar e optar pela transparencia, etica e cidadania, igualou-se aos privatas, recebeu a parte que lhe coube, contratou o Duda Mendonça,  Zezé de Camargo e Luciano, venceu as eleições, optou por uma governabilidade ilusoria, pois aliou-se a setores retrogrados e fisiologistas da pior especie, e ao inves de coopta-los foi cooptado e passou a praticar saques ao Estado que nem a ditadura ousou. 

    O povo, não são apenas jovens foram as ruas, declar de forma massificada que não aceita mais este modelo de poder, apesar de nunca ter sido tão beneficiado por um governo, mas teve a ousadia de rebelar-se e dizer pode ser muito melhor.

  4. Nassif, você não está sabendo

    Nassif, você não está sabendo o que diz como os manifestantes: O PT fez acordo com os mesmos que o PSDB, inclusive o Ministro da Justiça do FHC era o Renan Calheiros:

    “Quem não sabe o que procura quando encontra não percebe”

  5. A moçada não sabe o que quer

    Luis Nassif, você está perdido igual a moçada. O PT fez a mesma coalização que o PSDB. Renan Calheiros foi Ministro da Justiça do FHC:

    “Quem não sabe o que procura quando encontra não percebe”

  6. Se toda estrutura de poder.

    Se toda estrutura de poder. partidos etc. …. não atende mais as expectativas socias?  Qual seria,depois destas manifestações, o caminho a seguir ? Como organizar politicamente o país ? Como fazer uma reestruturação ?  Quais são as propostas concretas ? Se não houver propostas concretas de ação as manifestações se tornam vazias e podem ser facilmente  manipuladas. Atentos para não se tornarem marionetes.

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