A revolução da Federal do ABC

Com oito anos de existência, a Universidade Federal do ABC (UFABC) é o primeiro caso de sucesso das novas universidades federais.

Com seu reitor alemão Klaus Capelle, a UFABC deverá se transformar em um divisor de águas do ensino e da pesquisa universitária, na passagem para o século 21.

A primeira revolução foi na estrutura interna.

As universidades tradicionais são divididas em departamentos acadêmicos, caixinhas fechadas, compartimentalizadas.

A UFABC inverteu a lógica. Os grandes problemas contemporâneos da ciência e da tecnologia e as demandas das empresas não se encaixam em caixinhas, diz Capelle. A Universidade precisa formar pessoas capazes de resolver problemas, o que passa por uma formação interdisciplinar.

Para tanto, a UFABC foi organizada em três grandes centros:

1.      Centro de Ciências Naturais e Humanas, a etapa da descoberta.

2.      Centro de Engenharia e Ciências Sociais, a etapa da invenção.

3.      Centro de matemática, computação e cognição, a etapa da análise.

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Durante três anos o aluno receberá sólida formação interdisciplinar, generalista, aprendendo a aprender e sendo empreendedor de sua própria formação, como define Capelle. Por “empreendedor da própria formação”, significa que o aluno tem liberdade para montar sua própria grade.

Os alunos podem sair pelas duas portas de entrada, ou se dedicar a carreiras mais tradicionais: no total de 47 portas de saída, entre graduação e pós. Optando por ela, em dois anos sairá com diploma convencional, já que parte do ensino anterior vale como crédito.

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Na UFABC o aluno é estimulado para a pesquisa desde o primeiro dia.

Mal ingressa na Universidade, o aluno é envolvido em projeto de pesquisa. A maioria não dispõe de informação suficiente para definir seu projeto. Mas irá se beneficiar da experiência em ambiente de pesquisa.

Anualmente, são concedidas centenas de bolsas para iniciantes, com o orçamento da própria universidade.

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O pós-graduação tem um doutorado inovador, acadêmico-industrial.

Antes de montar o projeto, o aluno recebe uma bolsa CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisas) para passar seis meses em empresas conveniadas, buscando desafios científicos e tecnológicos dignos do doutorado.

Se identificar o projeto, ingressa no doutorado e o desenvolve em colaboração com a universidade inteira. O financiamento será integralmente bancado pelo CNPQ, sem desembolso por parte da empresa.

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Em 2006 a UFABC foi inaugurada com 50 professores e 500 alunos, sem campus próprio. Oito anos depois, tem 552 professores, todos com título de doutor, 10 mil alunos, 26 cursos de graduação, 21 de pós, 2 campi próprios, 100 mil m2 de área construída e primeiro colocada em vários rankings.

Em 2012, entre as 2 mil instituições avaliadas pelo MEC, foi uma das 27 que tiraram nota máxima. O estudo holandês  Leiden Ranking of Brazilian Research Institutions and Universities analisou 60 universidades brasileiras e conferiu à UFABC o primeiro lugar em colaboração internacional e o segundo em quantidade de publicações entre os 10% mais citados em cada área.

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Sem a abertura das novas universidades, o país continuaria preso à estratificação das universidades tradicionais.

 

49 comentários

    • Assim Caminha a Humanidade brasileira. Para o cadafalso.

      Oi, posso tratá-lo de iGNORÂNCIA(*3)? Pois é, nem todas universidades brasileiras são geridas por petistas desesperados e aparelhistas. No Tucanistão, outrora minha São Paulo querida, há a USP, UNESP e UNICAMP, todas estaduais e administradas por tucanos. Um ex-reitor da UNICAMP, Paulo Renato Souza, foi Ministro da Educação. Ligeiramente medíocre para dizer o mínimo, em respeito ao seu recente passamento (cuidado, não escrevi “passatempo”).

      Mesmo assim, em termos tradicionais, a única grande contribuição para a ciência da parte de um brasileiro, até onde sei, tem mais de cem anos. Alberto Santos Dumont, o Pai da Aviação, autor do primeiro voo num aparelho mais pesado do que o ar (coxinhas, não mencionem aqueles irmãos ridículos e mafiosos que eu parto pra briga!). Durante o período colonial, era proibido imprimir jornais no Brasil. No final do “maravilhoso” e longo (60 anos) império de Pedro II, só havia um colégio público no Brasil: o tradicional Pedro II, jogado às traças no mandato do carioca Fernando Henrique Cardoso, que para meu desgosto, muita gente boa acha que ele é paulista. Enquanto o cientista alemão Albert Einstein participava do bi-centenário de Princeton em 1946, nossa mais antiga e tradicional universidade, a USP, engatinhava em seus jovens 12 anos de idade. Essa é uma boa explicação para nosso atraso científico e tecnológico. Mas mesmo assim, temos ótimos cientistas por aqui. Engenheiros, arquitetos, médicos, geólogos. O mesmo não se pode dizer dos principais jornalistas dos principais jornais, revistas e TV’s. Os melhores, são uma lástima. Literalmente.

  1.  
    =     
    ¨Em sua última

     

    =     

    ¨Em sua última edição (Outubro de 2012), na página 37, a renomada revista Scientific American publicou um artigo com dados sobre os ‘Melhores Países na Ciência’. Nele, me chamou atenção que o Brasil está situado na sétima posição em número de doutores formados, na frente de países tradicionalmente reconhecidos nesta área como Canadá, Espanha, Austrália, Suécia, Suíça (12º lugar), Polônia, Holanda (14º lugar), Áustria, Bélgica, Finlândia e Dinamarca (24º lugar).

     

     Na primeira instância, nos desperta muito orgulho e admiração. Mas (há um ‘mas’ no caminho), a alegria não dura muito. Na coluna de categoria de trabalhos publicados em periódicos indexados e de razoável impacto, o Brasil não aparece em nenhuma posição relacionada, nem na última, que é o 25º lugar! ¨

     

    NASSAR, N., ESTATÍSTICAS CIENTÍFICAS ALARMANTES, JC e-mail, 4614, 3011 2012,

    http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=84791

  2. Houve também a implantação de

    Houve também a implantação de uma Universidade Federal, chamada Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), com campus no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande Sul. Esta universidade foi implantada em 2009 e é extremamente significativa para o ensino superior da região, visto que no Sudoeste do Paraná, por exemplo, nunca havia sido implantada uma universidade federal. Agora, a partir de 2015, serão 2, a UFFS e o IFPR – Capanema. Duas universidades federais em menos de 30 km de distância. No Sudoeste do Paraná, dos 42 municípios, Dilma ganhou em 35. Viva Dilma!!!!

  3. Resposta a Lenita

     

    Lenita sou docente e com muito esforço fiz iniciação cientifica, aprimoramento, mestrado, doutorado e pós doutorado, sempre trabalhando e não recebendo bolsa de qualquer espécie. Sou especialista e avalio cursos para o MEC e CEE/SP e para seu conhecimento tanto a São Marcos como as escolas cariocas, fecharam por pessima gestão financeira (novamente os empresários deitam e rolam) e não resultado apenas da péssima qualidade de ensino (apresente algum exemplo onde a qualidade de ensino resultou no fechamento), procure se informar pois quem fala baboseiras é a senhora. Não sou um troll, sabemos que isso é pratica do PT, inclusive com congressos apenas para orientações deste tipos, congressos provalvelmente financiado com dinheiro da Petrobras. Você conhece as federais do nordeste? Tenho certeza que não, com raras exceções estão sucateadas e sem a minima condição de formar alguém. O que podemos esperar de lideres que se intitulam “presidenta” e que valorizam a ignorância….  Quanto ao outro colega não só os Correios, mas o MEC também está aparelhado inclusive padronizando livros didáticos em consonância com os ideias bolivarianos do PT. Desculpe não responder diretamente a você, mas o sistema está com problemas agora e eu não aguentei esperar. Vale lembrar que a experiência em São Bernardo é digna de louvor, pena que é uma exceção em um oásis de ineficiência. Informe-se!

     

     

    • Títulos, ora, títulos.

      Márcio Alcântara, com todos esses  títulos alegados, você faz parte da crème de la crème da intelectualidade brasileira. Você acredita que possa haver um gênio estúpido? Pois é, eu suspeito que sim. Certamente voê sabe da importância tecnológica do transistor. Sem ele, não haveria computadores eletrônicos, celulares, TV’s HD, GPS. No limite, transistores são substitutos das válvulas termoiônicas, que tornaram possíveis o rádio e a TV da primeira metade do século XX. Elas eram muito grandes e gastavam muita energia aquecendo. Enquanto uma válvula tinha o tamanho de uma metade de salsicha, o transistor era do tamanho de um grão de feijão. E não aquecia! Gastava muito menos energia.

      Esse assunto é meio chato, mas o que interessa neste texto são os inventores do dito cujo, nos Bell Labs. Não vou nomeá-los, mas receberam o Nobel de Física de 1956. Pois é, uns 15 anos depois do prêmio, um deles despirocou. Ou desbundou, como era nos seventies. De Físico virou biólogo. E apareceu  com umas teorias racistas. “Provava” que o negro era inferior ao branco, comparando Estados Unidos e Europa Ocidental (capitalista) aos países mais atrasados da África, onde ainda predominavam sociedades tribais. Não era esse gênio um grande idiota?

  4. Uma universidade com esse status…

    Uma universidade brasileira com esse status, justo em São Paulo, é com certeza mais uma obra de mentes nativas privilegiadas, de homens que têm visão de águia e alcance quiçá planetário como FHC, Serra e Alckmim que ora estão sendo reconhecidos por seus grandes feitos em favor do povo.

  5. a força do capilé erger e

    a força do capilé erger e detrói coisa boas.  Enquando se incentiava todo tipo de desgaça na USP para tentar destruir PSDB, até uym peido da UniLula é vendida como  uma grande descoberta cientídica, quando essa segue tal qual o antro que sempre foram todas as públicas,  diplomadora dos mais corruptos

  6. Fico muito feliz em saber que

    Fico muito feliz em saber que a Federal do ABC vai bem – embora suas propostas não sejam nem tão únicas nem tão novas quanto se quer crer, e alguma opções da sua estruturação pareçam bem esdrúxulas, além de já tentadas em outros lugares em que não tiveram tanto sucesso.  Seja como for, também desejo o maior sucesso para a Federal do ABC. 

    Não posso, porém, deixar de considerar profundamente infeliz e injusta a afirmação de que a UFABC “é o primeiro caso de sucesso das novas universidades federais”. Haveria muito o que discutir quanto a que critérios podem levar a essa afirmação, bem como à omissão de outros resultados interessantíssimos que pipocam Brasil afora.

    Sobretudo, corretamente entendida, a construção do conhecimento NÃO é um jogo de competição, e sim de colaboração – de modo que a frase fica sendo, como eu disse, profudamente infeliz.

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