A visão racional de Chico Lopes sobre a economia

Um dos grandes problemas da análise de cenário no país é a incapacidade do analista de, primeiro, entender o todo para depois se debruçar nos indicadores econômicos. E o todo inclui o entendimento sobre a concepção de país e da economia pelo governante, os aspectos ligados à psicologia dos agentes econômicos, a correlação de forças políticas etc.

São esses os ingredientes que tornam o ex-presidente do Banco Central Chico Lopes um analista privilegiado e fora da curva.

A entrevista dele às repórteres Denise Neumann e Flavia Lima, do “Valor Econômico” desta semana é uma síntese objetiva sobre o governo Dilma.

O ponto de partida é entender o que é o governo Dilma, e analisa-lo a partir do que ele é.

Sobre a concepção liberal e a social 

Na concepção liberal da economia, a intervenção do governo deve ser meramente regulatória. “É irrelevante que distribuição de renda vai surgir, se 1% da população vai ter 50% da riqueza”. Já para o governo, é preferível fazer uma distribuição de renda mais intensa, permitindo que a renda dos 20% mais pobres cresça 6 ou 8%, e não 3%.

Sobre o baixo risco desse modelo

Mesmo apostando em maior distribuição de renda, o governo do PT não rompeu com a base institucional criada pelo governo FHC, diz Chico. Mesmo defendendo a concepção liberal, diz ele que o custo da opção social é um período maior de inflação alta e uma posição de dívida pior, mas sustentável. O problema do governo Dilma é ter essa concepção social, mas não ter a convicção necessária para deixar isso claro.

Leia também:  Coluna Econômica: Aumenta a corrente de comércio do Brasil com a China

Sobre os investimentos no país

Considera equivocada a ideia de que não está havendo investimentos no país. “Vejo um mundo de construção civil sendo feito, como metrô, estradas, portos. A formação bruta está crescendo 8% ao ano nos últimos anos. E vemos a indústria automobilística fazendo fábricas”. Na retórica, os empresários criticam a percepção de descontrole da economia, o excesso de intervenção. Mas quando se indaga se irão continuar investindo, a resposta é positiva, porque já estão trabalhando a plena capacidade.

Sobre as queixas dos empresários

Lopes diz que a ingenuidade do governo alimenta as reclamações dos empresários.  Basta um setor começar a reclamar e ameaçar com desemprego para o governo, por insegurança, reagir na mesma hora e conceder o que o setor quer.

Sobre a política de reduzir juros 

Foi acertada, pois ajudou a corrigir a taxa de câmbio. Houve um custo inflacionário, mas foi feito dentro de certo parâmetros. Julga que a elevação atual dos juros é transitória.

Sobre a questão fiscal

Não considera correta a ideia de que o déficit público brasileiro é grande. Há um enorme esforço fiscal desde o segundo governo FHC e a posição atual e confortável.

Sobre a questão do grau de investimento

Debita o paradoxo do burburinho com o grau de investimento (frente a uma questão fiscal tranquila) ao desastre da comunicação do governo. O governo deveria deixar claro que existe uma meta, que é estabilizar a dívida líquida como percentual do PIB, usando a folga fiscal para fazer gastos sociais.

Sobre Aécio e Campos

Aécio dá sinais de se voltar a uma política econômica mais ortodoxa, como no período FHC. Mas Chico não arrisca a adivinhar o que pensam Eduardo Campos e Marina Silva. 

58 comentários

  1. O problema de comunicaçao é

    O problema de comunicaçao é cronico neste governo desde o principio, sempre lembrado por aqui.

    Talvez a dificuldade maior seja pelo fato de o governo ter que fazer essa comunicação muito nos bastidotes porque a imprensa se especializou em destroçar qualquer palavra de governo e fazer ampla campanha contra.

    Quanto mais o governo dá publicidade, mais aameaçado é. Talvez ai esteja o maior defeito de Dilma. Ela nao tem o dom da palavra como Lula. 

    • O problema de comunicação vem

      O problema de comunicação vem da própria presidente, que é boa de gabinete e só. Dilma melhorou muito falando para o grande público (deve ter treinado bastante), mas ainda é um peixe fora d’água nisso. E não parece ter no seu entorno quem seja muito melhor do que ela nesse aspecto.

  2. Causa-me calafrios só a

    Causa-me calafrios só a possibilidade de eventualmente termos governo com concepção 100% liberal. 

    O liberalismo “puro” está ultrapassado, assim como o socialismo. Um mix dos dois sistemas acolhendo o que ambos tem de positivo é mais consentâneo com a modernidade. 

    As críticas acerca da carência de investimentos públicos parte de economistas que só tem vez e voz na imprensa oposicionista. 

    Eduardo Campos e Marina darão apenas continuidade ao atual governo. Daí porque minha opção é votar no original, não no genérico. Aliás, o mais do mesmo embrulhado em muita conversa mole, blá blá blás, e “rolando lerismos”.

    Aécio eleito? Fechem o país para balanço.

    • Bom, liberalismo “puro” ou

      Bom, liberalismo “puro” ou socialismo “puro” são coisas que nunca existiram, na prática. E pouco provável que algumdia venham a existir, já que são idealizações. Mesmo no liberal século XIX, os capitallistas ingleses nunca abriram mão de uma ajudinha para os negócios, sempre que necessário, dos canhões da Royal Navy de Sua Majestade. Sobre as experiências socialistas, basta ver que a burguesia capitalista foi substituída pela burguesia burocrática e não se andou um milímetro em direção à tal sociedade sem classes.

    • O PSB do Campos é um genérico

      O PSB do Campos é um genérico nordestino do PT. Sem o apoio dos movimentos sociais e dos sindicatos. Ainda não entendi qual o ganho de ambos (Marina e Campos) nessa estranha aliança. “Causaram” ano passado, mas o impacto da aliança já arrefeceu.

    • Francisco Lopes

       

       Todos as candidatura a presidente do Brasil ate agora, estão longe do que o pais precisa, mas o pior e candidatura do Aecio, que por ser 100% liberal, politica ja ultrapassada na atualida, tanto quanto o socialismo , vai gerar uma crise de desemprego .

       

    • Não são genéricos, são similarares.

      As candidaturas de Dudu e Marina não são genéricos, são similares.

      E os similares, muitas vezes, não dão conta da doença. Falha e falham feio.

      Então, vamos continuar com os éticos.

      Sempre leio seus comentários,que são excelentes.

  3. BANCO MARKA

    Francisco Lopes não era o presidente do BACEN  quando houve o escandalo do banco Marka na maxidesvalorização do real com o banqueiro Cacciola ,preso em Monaco apos fugir do Brasil ?

  4. EU NÃO GOSTEI DESSA PARTE AQUI NÃO

    ¨nOBRE A POLÍTICA DE REDUZIR JUROS 

    Foi acertada, pois ajudou a corrigir a taxa de câmbio. Houve um custo inflacionário, mas foi feito dentro de certo parâmetros. Julga que a elevação atual dos juros é transitória.¨

    A redução da Selic em 2012  não teve efeito inflacionário naquele ano nem tampouco em 2013, logo ele colocou açucar na boca dos agiotas ou foi impressão minha?

    Tenho medo dos de fala mansa, gestos finos, sobretudo inteligente

     

  5. Pena que o primeiro parágrafo

    Pena que o primeiro parágrafo não se realiza ao longo do texto. Ao final o que se tem mais uma vez – só um pouco diferente – é o vocabulário econométrico incompreensível.

    O país paga o preço da ausência de plano de governo bom e eficiente da última década e meia embora o ufanismo messiânicio tenha sido o tom.

    Mas principalmente de perícia política e ótima capacidade de trabalho. Não foi e nem é o caso. Todos estão lá aprendendo a pilotar avião em pleno voô. Daí é uma navalhada atrás da outra.

    Parece que tudo começou novamente agora e basta ver a infraestrutura em fase de construção. Tem copa mas não tem aeroporto, tem petróleo mas não tem oleodutos, energia sem transmissão etc…

    Um trem bala megalomaniáco exemplifica o que estou dizendo.: a incompetência e provincianismo dos sindicalistas do ABC.

    Nossa indústria hoje – até os leigos sabem a engrenagem fundamental da economia dos países – responde só com 15% do PIB.

    Era para nesses anos todos ter criado pólos dinâmicos de crescimento além de São Paulo aproveitando o potencial das regiões numa estratégia de estado, ao mesmo tempo investido pesado na educação, cidades, etc…

    O que fizeram.? jogaram as fichas todas em Pernambuco, Rio e um pouco aqui e alí numa clara perspectiva eleitoral.

    Estamos aí nesse marasmo agora. De vez em quando – para não perder o costume – comemoramos que as concessões vão nos deixar alguma coisinha daqui um ano ou dois.

    • Exigimos que o comentrário do

      Exigimos que o comentrário do Chico Pedro seja alçado à post na págima principal. 

      Quem pode contestar as palavras de Chico?

      • Exigimos?   Solicitamos que a

        Exigimos?   Solicitamos que a resposta, aula, do Sr. Obelix ao Sr. Chico Preto seja alçada à condição de post na página principal.

         

         

         

    • O que é que não pode ser que não é.

      Prezado Senhor Chico,

      Por óbvio discordo do Senhor, embora respeite as Vossas opiniões.

      Primeiro é bom que se diga, o governo Lula e Dilma não aprenderam a voar em pleno voo, qual nada. Eles receberam um avião sem asas, sem combustível, sem trem de pouso, enfim, tiveram antes que dar alguma aparência de avião, e só então, começarem seu aprendizado.

      Aliás, desta sua colocação podemos construir uma definição  espetacular: governar é aprender a pilotar durante o voo.

      E olha que o pessoal de antes se gaba de serem herdeiros diretos do Barão Von Richtofen em matéria de perícia aeronáutica.

      Creio que, para nossa tristeza, o pessoal de FHC no que tange a gestão do país e economia, eles estão mais para Suzane do que para o velho Manfred Albrecht, o Barão Vermelho.

      Vamos ao seu comentário:

      Pena que o primeiro parágrafo não se realiza ao longo do texto. Ao final o que se tem mais uma vez – só um pouco diferente – é o vocabulário econométrico incompreensível.

      O país paga o preço da ausência de plano de governo bom e eficiente da última década e meia embora o ufanismo messiânicio tenha sido o tom.

      Comentário: Senhor Chico, o Senhor parece ser uma pessoa de rara inteligência e mais, com um estofo teórico considerável, e uma base de informação de bom tamanho, portanto eu lhe pergunto: Em que governo, em qual tempo da História, em que país do mundo, o Senhor viu um plano de governo que se sobrepusesse aos limites da política cotidiana, ou em outras palavras, onde esta ficção chamada de plano, ou “receita de bolo” (como alguns mais irônicos chamam) subordinou a realidade? Não me responda com JK, pelamordedeus, sabemos que a política de substuições de importações, e os planos quinquenais tinham tanto de improviso quanto de impacto publicitário, e quase quebraram o país em 1960. E muito menos com Plano Real, santo deus. Um plano de controle monetário, que recebeu o país de Itamar, em 1994, com inflação de 20 e poucos por cento ao mês e entregou em 2002 com quase 15%, e com juros de 26% ao ano, e que tem inflação média acumulada do dobro dos períodos posteriores (08 anos) não pode ser chamado de plano.

      Mas me responda enfim, o que é um plano de governo senão uma mera carta de intenções, ou quem detém esta “pedra filosofal”? Qual seria o SEU plano de governo, em linhas gerais e simplificadas?

      Mas principalmente de perícia política e ótima capacidade de trabalho. Não foi e nem é o caso. Todos estão lá aprendendo a pilotar avião em pleno voô. Daí é uma navalhada atrás da outra.

      Comentário: Perícia política e ótima capacidade de trabalho não têm sentido algum a não ser que tenham alguma medida real, não é certo?

      Embora o Senhor goste de afastar comparações com o passado, dizendo sempre que temos que olhar para frente, eu pergunto: se julgar é comparar, como comparar com o que ainda não aconteceu?

      O certo é que a perícia política se mede no sucesso político (eleitoral), na ampliação de suas bases (não me venha falar de fisiologismo, esta simplificação barata depõe contra sua rara intelgiência) , enfim, nas chances de manutenção de um grupo no governo, e no aumento do peso de sua oposição. Neste sentido, eu acho covardia retrucar o senhor. Os dados sobre este governo (e o anterior) são lições de rara perícia. Se considerarmos o ambiente hostil (nacional e interncional) então, nem se fala…

      Agora falemos de capacidade de trabalho. Aí, mais uma vez, é indispensável olhar o país como estava e como está. E aí, ficou pior ou melhor? 

      Parece que tudo começou novamente agora e basta ver a infraestrutura em fase de construção. Tem copa mas não tem aeroporto, tem petróleo mas não tem oleodutos, energia sem transmissão etc…

      Comentário: Senhor Chico, eu acho que o Senhor conhece a expressão relação de causa e efeito. Pois bem, como o Senhor espera que 40 ou 50 anos de abandono de investimentos (veja que não estou falando só da octaéride tucana) possam reverter em 12 anos de supressão de TODAS as carências?

      Em que país do mundo, em que empresa o senhor ouviu dizer que se construiu oleodutos antes de ter certeza que tinha petróleo? Onde se investe primeiro, na geração ou na transmissão? O que demanda mais dinheiro e requer uma análise mais apurada? O Senhor com certeza sabe que é a geração, e que este gargalo está sendo enfrentado dentro dos limites legais, das questões de direitos de populações atingidas e principalmente, revertendo as “cagadas” feitas no período anterior, que fizeram a proeza de deslocar boa parte da rentabilidade do setor para as distribuidoras de energia, sem a exigência das contrapartidas de investimento (linhas de transmissão), o que estrangulou o setor antes, por falta de energia gerada (apagão de 2001) e agora, quando temos excesso de geração e sobrecarga no sistema.

      Um trem bala megalomaniáco exemplifica o que estou dizendo.: a incompetência e provincianismo dos sindicalistas do ABC.

      Comentário: Diziam a mesma coisa a JK quando ele falou em Brasília, ou a outros governantes que insistem em deixar “grandes obras”. Aqui, Senhor Chico, eu temo lhe dizer que este é um traço humano. Veja que FHC se gaba não de ter deixado um grande totem em sua memória, mas reivindica como legado ter vendido todo o patrimônio brasileiro (exceto a “Petrobrax”).

      São escolhas ruins (e talvez provincianas), mas entre um trem bala, e vender a Vale a preço de banana, fico com a primeira.

      Nossa indústria hoje – até os leigos sabem a engrenagem fundamental da economia dos países – responde só com 15% do PIB.

      Comentário: Senhor Chico, o Senhor sabe que a desindustrialização começou fortemente no país com a apreciação cambial de 1993, o chamado populismo cambial que o Senhor e outros festejam como “estabilização da moeda”. Mas para lhe fazer justiça, este processo (desindustrialização) não é um fenômeno localizado, mas global, onde o capitalismo atual procurou repatriar seus esforços produtivos onde há mão-de-obra barata e ambientes de baixíssima regulação (sindicatos ausentes e direitos trabalhistas inexistentes). Seja em Detroit, Pittsburgh, Manchester ou São Bernardo, este é um processo irreversível, e a não ser que o Senhor se una aos anticapitalistas (como eu), teremos que encontrar soluções para substituir estes empregos e estas indústrias, sendo mais dramático o fato de que nem conseguimos nos industrializar totalmente ainda (2ª Revolução Industrial). O governo tem procurado fazer o que outros não fizeram, como aumentar vagas na Universidade, bolsas para o exterior (para agregar conhecimento tecnológico), investimento em inovação, emprego de orçamento em educação para melhorar a qualidade da mão-de-obra (produtividade), como o uso das receitas do pré-sal no setor.

      É pouco? Mas já bem mais do que o Senhor diz que não é.

      Era para nesses anos todos ter criado pólos dinâmicos de crescimento além de São Paulo aproveitando o potencial das regiões numa estratégia de estado, ao mesmo tempo investido pesado na educação, cidades, etc…

      O que fizeram.? jogaram as fichas todas em Pernambuco, Rio e um pouco aqui e alí numa clara perspectiva eleitoral.

      Comentário: Aqui o Senhor falta com a verdade. Os dados da distribuição da riqueza nacional nos últimos anos mostram que todo Nordeste, e não só Pernambuco, foi beneficiado com as políticas de incentivo do Governo.

      Os números reais da execução do PAC (e não a falácia que o Senhor pode ter ouvido na mídia) mostra investimentos maciços em saneamento, habitação, infraestrutura urbana pelo governo, além de programas educacionais em parceria com estados e municípios que vão desde ao transporte escolar ao complemento das verbas para qualificação e valorização do magistério.

      Ficha eleitoral em Pernambuco? Quantos votos Pernambuco representa no eleitorado brasileiro?

      Estamos aí nesse marasmo agora. De vez em quando – para não perder o costume – comemoramos que as concessões vão nos deixar alguma coisinha daqui um ano ou dois.

      Comentário: Uma pena que o Senhor insista em enxergar a realidade com viés tão pessimista.

      E a julgar pelas perspectivas do que vocês apresentam como alternativa (apresentam alguma?), ou o Senhor muda de país, ou deixa o país mudar o Senhor.

      Cordial saudação.

      • Não gosto do FHC e muito

        Não gosto do FHC e muito menos votei nele, mas se Lula e Dilma receberam um avião sem asas, o que FHC recebeu?

        • Linha de desmontagem.

          Prezado,

          Temos duas respostas a sua pergunta:

          a) Se colocarmos sob a ótica dos tucanos, FHC recebeu aquilo que FHC preparou, haja vista que os tucanos desconsideram o papel de Itamar, então, se formos por aqui, não dá para os tucanos reclamarem de si mesmos;

          b) Se colocarmos dentro de uma lógica historicamente mais adequada, FHC recebeu um avião avariado (mas funcionando) e um monte de peças soltas, de reposição. Passaram 08 anos vendendo as peças que receberam e canibalizando o avião que tinham.

          Espero ter satisfeito sua dúvida, e me perdoe, porque minhas metáforas são piores que meus comentários.

          Saudações.

          • Uai, então a Dilma pegou a

            Uai, então a Dilma pegou a herança do Lula. Afirmar que ela tá ainda administrando as cagadas do FHC seria forçar um pouco a barra.

          • Uma coisa depois da outra

            Senhor Evandro,

            Eu costumo imaginar que certas decisões de natureza macroeconômicas e de políticas públicas tenham um ciclo longo, encadeadas em processos.

            Sabemos que as “cagadas” (desculpe o termo chulo) feitas em matéria de educação demoram 10 a 15 anos para começarem a ser desfeitas, assim como os efeitos da desindustrialização promovida pela farra cambial de FHC, ou os anos e anos de inibição do crescimento pelos juros que chegaram a 27% ao ano, ou ainda a ausência completa de capacidade de investimento (pela privataria tucana), e o abandono da logística e infraestrutura.

            Só hoje, depois da inversão de sinais promovidas por Lula, inclusive no aspecto social (o mais importante), o governo Dilma começa a rever e alterar as estruturas fundamentais ao nosso desenvolvimento, o caso mais límpido é o setor de energia elétrica, onde só depois do fim dos contratos na forma criminosa como foram feitos, é que se pode mudar o modelo.

            Mesmo caso para as rodovias, onde só os novos blocos de concessões mostraram como é possível manter as tarifas em preços justos.

            Outro caso é do petróleo, onde o novo modelo só pode ser implantado após longa negociação no Parlamento (concessão/partilha).

            Espero ter satisfeito sua dúvida.

             

          • Continuando pelo fato que não

            Continuando pelo fato que não simpatizo com FHC, teus argumentos se aplicam perfeitamente ao que FHC pegou. Queele fez MUITA besteira não o nego, mas se olhar os anos aneriores com Fig, Sarney e Collor como acha que estávamos? Eu acredito que se utilizamos um argumento para defender o Lula e Dilma, que eu votei e voto e me sinto em condições de repetir o voto, não justifica ignorá-lo frente a outros que pegaram uma barra semelhante.

        • FHC recebeu um país com uma

          FHC recebeu um país com uma nova política econômica que saneou a inflação (que não foi ele quem implantou) e deu fôlego para um crescimento sustentável depois de longos anos de atraso e letargia da economia. Foi bem por quase quatro anos, exagerou na manutenção do câmbio fixo, foi infeliz nas medidas econômicas adotadas  e quase quebrou o país  por três vezes em seu malfadado segundo governo.

      • As perguntas são muito boas,

        As perguntas são muito boas, vou respondê-las na medida do possível. Apenas gostaria de fazer algumas observações antes de tudo.

        Há questões de compreensão muito difícil, o tempo e o espaço não ajudam e a tradução costuma ser mais superficial que detida.

          “Em que governo, em qual tempo da História, em que país do mundo, o Senhor viu um plano de governo que se sobrepusesse aos limites da política cotidiana, ou em outras palavras, onde esta ficção chamada de plano, ou “receita de bolo” (como alguns mais irônicos chamam) subordinou a realidade?”

        A ficção chamada de plano – a ação para um fim – subordina a realidade há séculos. De modo simples as vezes, por exemplo um eminente militar francês dos 1700 impondo o plantio de madeira naval para utilização décadas mais tarde em cascos, mastros e velas. Só não imaginou os produtos do progresso industrial.    

        De modo dezenas de vezes mais refinado, há os casos de planejamento de alguns pólos urbanos europeus, Amsterdam na vanguarda, aquelas planificações econômicas desenvolvidas na Rússia e na China (uma parte como resultado de necessidades bélicas, servem de modelo durante muito tempo e estão por toda parte), as regiões metropolitanas brasileiras na década de 70, recentemente a Coréia.  

        É então razoável aceitar que a governança (a prática da adm. pública) é um conjunto de processos intermitentes, parciais, de vulto maior ou menor e condicionados a esta ou aquela dimensão do governo, um município, estado ou país. Poucas vezes sua dimensão é extraordinária.

        Mais próximo de sua reposta agora, convém dizer o seguinte.:

        Há diferença considerável entre os países capitalistas mais maduros e avançados daqueles que se encontram numa fase intermediária. Nos primeiros a presença dos tais planos nem é tão notada porque a base de funcionamento do sistema se dá sobre instituições pacientemente construídas em longos períodos de tempo.

        Não é questão de ter parafernália eletrônica, salas de situação, treinamento avançado de profissionais.

        Mas a noção profunda dos métodos, dos modos de operação, facilitados por prática e conhecimentos impregnados e transmissíveis, a presença de confiabilidade entre os atores do sistema. Há uma espécie de capital institucional. 

        Em países sulamericanos ou nós não temos as tais instituições ou ainda caminham num passo claudicante. Daí a nevrálgica questão de planos de governo bem elaborados e aos mesmo tempo plausíveis: levará muitíssimo tempo até a evolução satisfatória das instituições. 

        “Não me responda com JK, pelamordedeus, sabemos que a política de substuições de importações, e os planos quinquenais tinham tanto de improviso quanto de impacto publicitário, e quase quebraram o país em 1960.”

        Embora não seja comum na história dos estados sulamericanos a elaboração e proposta de ações avançadas de desenvolvimento econômico e social, até meados do século passado o contexto político era outro um bocado diferente do atual.

        Respirava-se aqui e alí, na academia, mídia e governos, a disputa industrial entre nações, a divisão das áreas de influência econômica, as alternativas aos países atrasados. A criação do CEPAL é um exemplo da atmosfera da época, do envolvimento dos agentes políticos em torno do assunto.  

        Nesse contexto e feita as ressalvas, pode-se dizer que tanto Getúlio quanto JK elaboraram planos de desenvolvimento mais ou menos satisfatórios, até os militares o fizeram. 

        Foram tão bem sucedidos, são exemplares, conseguiram realizar suas propostas.? Não tão bem a ponto de ser um modelo puro e acabado do que devemos fazer hoje. Repito, são épocas bem distintas. 

        O que pode e talvez deva servir de exemplo é que houve uma séria tentativa nesse sentido.

        E mais ainda no caso do JK porque – bem ou mal e apesar dos problemas – quando assumiu o governo já tinha boa noção do que fazer.

        Não juntou número vasto e impreciso de ações, mas uma série limitada e passível de execução. Concentrou esforços e soube agir.

        Exemplo disso é que em Minas já se faziam os tais planos em alguns órgãos ou empresas do governo e quando dirigiu o estado percebeu a utilidade dos projetos. (a criação da cemig é uma demonstração)

        Enfim, não é fazer hoje os famigerados planos para atender as finalidades que se propuseram lá atrás; há carências bem diferentes de grau e natureza na estrutura social.

        Mas é imprescindível ter, como um dia o país teve mesmo que parcialmente, a consciência da necessidade de uma grande estratégia (projeto social claro e factível no tempo), capacidade de execução (o método de trabalho com recursos técnicos e perícia política) e foco na solução dos problemas no médio e longo prazo (capacidade de construção de cenários).

        É sobre isso que estou dizendo quando falo sobre planos. O governo Lula teve o seu e a Dilma também o possui. Apenas ponho em dúvida sua qualidade, nível de abrangência e capacidade de execução. 

        • Prezado Chico,
          O espaço é

          Prezado Chico,

          O espaço é realmente curto, então vou me prender a parte que considerei mais importante neste aprendizado contigo:

          A ficção chamada de plano – a ação para um fim – subordina a realidade há séculos. De modo simples as vezes, por exemplo um eminente militar francês dos 1700 impondo o plantio de madeira naval para utilização décadas mais tarde em cascos, mastros e velas. Só não imaginou os produtos do progresso industrial.    

          Comentário:Tentador concordar contigo, de que uma visão, um pré-conhecimento, ou um desejo estratégico direcionou a ação de uma determinada esfera da realidade, subordinando-a. No entanto, nada nos impede de imaginar, dialeticamente, que foi a realidade (ameaça externa, interesse dos plantadores de árvores, donos de estaleiros, etc) que impuseram seus interesses pelos canais de interlocução junto ao governos (neste caso francês), e seus meios militares, com o objetivo de fazer com que a sua forma de fazer guerra (naval) obtivesse mais atenção (e recursos) que as demais, como a melhoria dos cavalos, a alimentação, treinamento, armamento dos homens da infantaria.Depois, você sabe: alteradas as premissas da realidade, ela se realiza. Portanto, meu caro Chico, a dialética que está impressa na História, e em todas as instâncias de sociabilidade ou de representação institucional ou política, nos impede de afirmar e taxar com certeza cartesiana que um plano, um objeto estratégico vá se impor unilateralmente sobre a realidade. Neste sentido, por que o planejamento de Amsterdam e não de outras? Ora, porque as escolhas aleatórias e não-aleatórias do capitalismo que surgia, a elegeram como entreposto privilegiado, bem como suas necessidades geográficas, hidrográficas e geológicas (inundações). Novamente, é a realidade que empurra a demanda por “planos”, nunca o contrário, e durante esta execução, todas as forças políticas envolvidas vão moldando e transformando a receita do bolo, até que ele deixe de ser bolo e vire lasanha.  Meu caro, sobre o resto vou me limitar a dizer: Há uma enorme diferença entre considerar órgãos e escritórios de assessoramento, e produção de conhecimento(como a CEPAL) possam prestar algum auxílio nos processos administrativos e aceitar que eles podem submeter o modo de fazer de governos. Mas o limite deve estar claro, porque o que você nos apresenta é a busca (sonho) permanente que alguns presidentes (JK e Vargas) pelo aprisionamento dos conflitos políticos que lhes cercavam nestas peças de propaganda chamadas planos, que não tinham outro objetivo senão afastar as interefências políticas que eles julgavam indesejáveis, dado o traço de autoritarismo personalista que cercavam estas figuras, embora JK parecesse bem mais afável, e não tinha sobre os ombros uma ditadura estadonovista. Contextualizado o que você diz, talves nestes tempos de concentração extrema e enérgica do poder em torno da figura do presidente, com Congresso muito mais elitista que o atual, e com baixíssima compreensão do jogo político pelas massas, muito mais que agora, e co toda a diferença das pressões midiáticas e seus efeitos, talvez fosse possível montar estas ficções chamadas planos, estas instâncias anti-políticas, de anulação de conflitos sob o estigma da tecnocracia. Talvez esta seja um pouco a tradição mineira recente de fazer (de não fazer) política, mas de impor soluções. Dilma até flertou com esta imagem de gerente tecnocrata, mas depois ela abandonou ao perceber que de um jeito (gerente) ou de outro (política) ela apanharia, logo, preferiu a política. Sobre recursos técnicos e perícia política, eu só posso te responder com a realidade: Dentre tudo que já foi feito neste país, desde 1889 até 2002, olhando as condições da população, os investimentos, controle da inflação, melhoria de renda e todos os demais paradigmas indicadores, etc, eu tenho certeza de que o pior plano do governo Lula e Dilma, com a pior perícia e recursos, é muitíssimo melhor (em resultados) que o melhor plano de JK ou de outro governante qualquer. Saudações.

          • Começaram as confusões que

            Começaram as confusões que antecipei. Daqui em diante a tendência são mais enganos e interpretações tendenciosas. O principal.: não é questão de saber o que vem primeiro, o ovo ou a galinha. É questão de adaptar, realizar preparações, desviar-se de dificuldades. Leia o exemplo final do Haddad para entender o que digo.

            “…a dialética que está impressa na História, e em todas as instâncias de sociabilidade ou de representação institucional ou política, nos impede de afirmar e taxar com certeza cartesiana que um plano, um objeto estratégico vá se impor unilateralmente sobre a realidade…”

            Um plano jamais se impõe unilateralmente sobre a realidade até mesmo onde a governança se pratica através da vontade de um tirano ou déspota, em regimes políticos de exceção e monarquias absolutistas, todos eles com severa participação da sociedade civil.

            Não é isso que digo, tomei certo cuidado ao expor que ocorrem problemas e que há circunstâncias que limitam a execução de projetos de longo alcance. Usam até uma tal geometria fractal para denotar a complexidade do sistema.

            É todavia melhor o mais tosco e precário plano de ação governamental que se propõe a suportar dificuldades e solucionar problemas que o romantismo de uma “realidade que se impõe” e preside as atividades de governo.

            A bem da verdade, planos só não existem nas sociedades primitivas e a questão que proponho é saber até onde devem ser bons o suficiente como poderosa ferramenta para – espera-se – o bem-estar coletivo.

            Dito de outra forma, sua negação é apenas um exercício retórico. Não passa disso. Até as mais precárias burocracias de um estado realizam suas funções para alcançar determinados propósitos.

            Agora, o exemplo.:

            o Haddad projeta para São Paulo um tal arco do futuro? Espera com isso transformar a realidade criando empregos em região carente.? Espalhar a riqueza da cidade.? melhorar os transportes e a mobilidade.?

            O que ele faz para colocar tal plano em ação.? Ele reduz os impostos daquela região, contrata firmas de engenharia, faz consultas junto a população.? 

            Perceba o que disse por último.

            Então, não sei de onde tirou que planos devem ser construídos em gabinetes de burocratas e sem a participação social.

            Mas não fui eu quem disse.

            “…Novamente, é a realidade que empurra a demanda por “planos”, nunca o contrário, e durante esta execução, todas as forças políticas envolvidas vão moldando e transformando a receita do bolo, até que ele deixe de ser bolo e vire lasanha…”

            A realidade impôs ao Haddad e seu grupo político eleito legitimamente uma solução para o desenvolvimento econômico social de São Paulo.?

            Há vários tipos de plano para uma cidade e ele deliberadamente optou pela urbanização de um pedaço dela atraindo empresas de tecnologia e unidades de habitação.

            Isso é se conformar com a realidade ou um planejamento intencional do futuro de uma cidade preocupando-se com seus problemas e dificuldades.?

            É sua vez de responder agora. Até lá dou minha participação como encerrada na discussão sobre este ponto.

             

          • Prezado Chico,
            Se a discussão

            Prezado Chico,

            Se a discussão ou meu estilo de escrever lhe irrita, avise, pois paramos por aqui. Eu não me atreveria a julgar o seu postulado como “mero exercício retórico” ou “um engano”.

            Isto seria por demais indelicado com suas opções conceituais e políticas, com as quais discordo, respeitando-as.

            Suas respostas são insuficientes, e seu incômodo com minhas interpretações do que falas são ineficazes, pois é minha interpretação, por óbvio, e não sua.

            Se eu quisesse uma interpretação sua sobre o que me disse, ficaríamos no monólogo, não?

            Pois então vamos a resposta sobre o que disse:

            A realidade impôs ao Haddad e seu grupo político eleito legitimamente uma solução para o desenvolvimento econômico social de São Paulo.?

            Comentário: Não conheço o processo que menciona, e de que plano paulistano se trata, mas tenho certeza que a urgência ou a decisão por planejar algo em algumm sentido se deu como resposta a uma demanda da realidade e não a uma escolha espontânea do prefeito em olhar uma parte da cidade e dizer: “olha, precisamos planejar por aqui”. Aquilo que chamo de realidade é o conjunto de forças políticas, situações físicas e reais (geografia da cidade), interesses econômicos e outros tantos, que pressionam o aparecimento de planos, que são colocados sob esta redoma para afastar a pressão de outras realidades qque disputam a vontade do prefeito em “planejar” outras partes da cidade.

            É nesta mediação, neste processo que reside a realidade que antecede e subordina planos, e não o contrário, porque até quando dizem que estão a responder a exigências técnicas sobre algo, os governantes estão dando uma resposta política a uma demanda que nunca é técnica, mas que recebe este nome para ter legitimidade em um mundo que tem fetiche pela tecnocracia e planos.

            Há vários tipos de plano para uma cidade e ele deliberadamente optou pela urbanização de um pedaço dela atraindo empresas de tecnologia e unidades de habitação.

            Comentário: Supor que um prefeito, deliberadamente, escolhe urbanizar um pedaço da cidade é algo que não julgo merecer resposta. Perdoe a ironia: ele tira no palitinho, ou vai a uma cartomante para decidir?

            Isso é se conformar com a realidade ou um planejamento intencional do futuro de uma cidade preocupando-se com seus problemas e dificuldades.?

            Comentário: Senhor Chico, o Senhor faz uma confusão de significados: quando digo que a realidade subordina as demandas da política, eu não falo em conformismo. Ao contrário: entender os limites da realidade é essencial para alterá-la, e poderão haver planos para isto. Mas planos não existem sem um patamar decisório anterior que os molde (realidade e os diversos grupos que interagem nela).

            Quando um prefeito diz que “planejará” uma cidade, dizendo-se preocupado com “problemas e dificuldades”, ele já está sinalizando quais serão estes problemas, ainda que eles não existam, e isto nem de longe poderá nos garantir que eles não existirão ou existirão da forma como foram previstos.

            E se considerarmos que problemas da realidade não se enfrentam de uma única forma, como pro exemplo, transporte público, e que as formas de abordagem podem ser até complementares, quando se elabora um plano que privilegie esta ou aquela forma, o que se faz é ceder a uma visão de mundo que é anterior a planificação, que depois que surge, enclausura a administração e afasta as maneiras de abordagens derrotadas no campo decisório (político).

            É o caso do francês que mandou plantar árvores para a indústria naval. Ora, o que ele fez foi ceder a pressão para que a Marinha fosse a força de escolha da França.

            Ou quando Reagan criou o plano de combate às drogas (War on Drugs, na década de 80) quando as apreensões de drogas e o uso estavam, paradoxalmente, em queda, justamente para adequar seus interesses geopolíticos (CIA e paramilitares na América Central e Talebãs no Afeganistão) e suas políticas neoliberais de segregação carcerária dos negros que seriam atingidos primeiro pelas políticas econômicas que defendia.

            Por óbvio que eu sei que é preciso planejar as coisas, desde a esfera individual até na esfera de governança, ou empresarial.

            Mas o tipo de plano que o Senhor defende é um instrumento de captura da realidade e suas nuanças para afastar os conflitos políticos da gestão pública, utilizando como argumento a noção de que estas dinâmicas coletivas prejudicam o andamento da execução das tarefas administrativas.

            No meu entender, esta é uma noção autoritária. Uma espécie de higienização tecnocrática.

            O Senhor tem todo direito de discordar, mas ainda não me convenceu.

            É sua vez de responder agora. Até lá dou minha participação como encerrada na discussão sobre este ponto

            Comentário: Resposta dada, mas se estiver chateado, não se preocupe em responder.

          • Bom… Perdoe se fui

            Bom… Perdoe se fui indelicado. Nao foi de propósito. Note apenas que eu me enganar ou fazer uso de retórica vazia sobre o que digo também faz parte da discussão e a recíproca é verdadeira.

            Tento alertar esta dificuldade deveras comezinha. Seja como for, os pontos estao mais claros agora e posso contra-argumentar.

             

          • “….Aquilo que chamo de

            “….Aquilo que chamo de realidade é o conjunto de forças políticas, situações físicas e reais (geografia da cidade), interesses econômicos e outros tantos, que pressionam o aparecimento de planos, que são colocados sob esta redoma para afastar a pressão de outras realidades qque disputam a vontade do prefeito em “planejar” outras partes da cidade….”

            Sim, e não é possível desconsiderar a realidade. Jamais pretendi isso nos argumentos, o afastamento dos fatores “reais”. Pelo contrário, os planos são métodos de governo criados para facilitar a organização das demandas sociais nos diferentes setores que a estruturam e dependentes dos fatores contextuais que faz questão de informar: justiça, geografia, cultura, política, trabalho etc…

            Podem ser de diferentes tipos, aqueles em que se fecham no tecnicismo e outros mais afeitos a participação popular, jamais isolados da realidade que os motiva e impulsiona.

            O problema não está aí. Não questiono tal ponto.

            “…É nesta mediação, neste processo que reside a realidade que antecede e subordina planos, e não o contrário…”

            Veja bem, obelix. Uma coisa é um governo petista (ou tucano, peemedebista, pepista ou coisa que o valha) eleito pela maioria que o concede – num primeiro momento – apoio para realizar suas atividades. Outra é ser obrigado a descumprir o projeto de governo que propôs por causa de realidade social mais ampla com seus diversos atores e intreresses. .

            Os planos de governo são projetos políticos vinculados a grupo específico de poder que naquele momento responde pela condução das coisas do país. 

            O governo possui inúmeras limitações da “realidade” para colocar seus planos em prática, mas não significa que estão completamente subordinados a ela. Entra nesse momento aquelas questões que informei sobre a capacidade de trabalho e a perícia política. 

            Vamos a um exemplo: A Rede Globo e outras mídias possuem monopólio sobre a comunicação. Decorre daí alguns problemas como manipulação da informação, deficiência na formação de cultura cívica e concentração econômica. 

            A realidade é esta.? Sim. Em maior ou menor grau é isto o que temos neste setor.

            O que se espera do governo.? Um plano de governo capaz de reduzir as consequências dessa realidade OU outro que a Rede Globo seja chamada a dizer o que lhe interessa porque faz parte da sociedade como agente político.?

            Perceba que os eleitores do PT e aqueles que confiam ou simpatizam com as propostas desse grupo político esperam ou desejam que problemas assim sejam resolvidos e eles tem legitimidade para propor as mudanças. 

            “….porque até quando dizem que estão a responder a exigências técnicas sobre algo, os governantes estão dando uma resposta política a uma demanda que nunca é técnica, mas que recebe este nome para ter legitimidade em um mundo que tem fetiche pela tecnocracia e planos….”

            Ainda sobre o suposto caso Rede Globo (há, obviamente, centenas de casos assim) a solução é na maior parte política, embora também tenha a técnica.

            Explico.: se o objetivo é oferecer e dotar o país de um sistema de comunicação mais democrático e menos concentrado é preciso então reduzir o poder do oligopólio.

            De qual maneira.? observando a possibilidade de regionalizar a programação, melhorando o sinal e a programação das tevês públicas, abrindo concursos públicos para aumento dos quadro, criando meios inovadores de comunicação?

            A questão não é só política, ela passa pelo manejo de recursos escassos que geralmente são uma possibilidade técnica e uma disponibilidade de recursos pecuniários.

            Não basta, então, ter vontade, é preciso saber o caminho, desenvolver táticas. Repetindo.: perícia política e capacidade de execução. Não se faz isso através de ferramentas vulgares de ação.

            A mídia, as empresas urbanas de coletivos, bancos, mineradoras, telefonia, cartórios… Há gigantescos entraves para onde quer que se deite os olhos. Nâo é possível resolvê-los sem planos sofisticados de ação. Não é fetiche nem significa tecnocracia.

            “…Comentário: Senhor Chico, o Senhor faz uma confusão de significados: quando digo que a realidade subordina as demandas da política, eu não falo em conformismo. Ao contrário: entender os limites da realidade é essencial para alterá-la, e poderão haver planos para isto. Mas planos não existem sem um patamar decisório anterior que os molde (realidade e os diversos grupos que interagem nela)…”

            A realidade condiciona os planos, volto a dizer que não é este o ponto.

            Mas discordo veementemente do que diz ser “patamar decisório anterior”. A realidade molda os governos, mas são os governos que optam pela melhor forma de agir sobre os problemas.

            Ou seja, não há determinismo, não há mecânica rígida de atuação por vários motivos, dentre eles a capacidade de ação política das pessoas que naquele momento específico agem com as ferramentas de governo.

            E aí – perceba – estou usando suas próprias palavras: não há uma receita de bolo pronta e específica. Mas há modos diferentes para o preparo do quitute que podem ser avaliados como bons ou ruins.

            Entra aí a questão da capacidade e talento dos quadros, a formação dificílima de equipes, métodos de trabalho, organização de tarefas, monitoramento.

            “…quando se elabora um plano que privilegie esta ou aquela forma, o que se faz é ceder a uma visão de mundo que é anterior a planificação, que depois que surge, enclausura a administração e afasta as maneiras de abordagens derrotadas no campo decisório (político)…”

            Sim, a visão de mundo é anterior a formação dos planos e a aceitamos ou nos conformamos com ela a partir do resultado legítimo das eleições. Mais uma vez, não discordo desse ponto.

            Aliás, é justamente porque elegemos um determinado grupo que esperamos ver realizadas suas propostas de governo e – num plano superior – realizadas ações mais elevadas que dizem respeito a um Estado ideal com bem-estar coletivo, justiça social, igualdade.

            “….Ou quando Reagan criou o plano de combate às drogas (War on Drugs, na década de 80) quando as apreensões de drogas e o uso estavam, paradoxalmente, em queda, justamente para adequar seus interesses geopolíticos (CIA e paramilitares na América Central e Talebãs no Afeganistão) e suas políticas neoliberais de segregação carcerária dos negros que seriam atingidos primeiro pelas políticas econômicas que defendia…”

            De acordo com meus interesses e visão política sou totalmente contra as ações tomadas pelo Regan.

            Só não tenho condições de dizer sobre o plano estratégico que adotou e se foi eficiente na sua implantação.

            Pode ser que sim, mesmo fazendo mal a muita gente de acordo com este ou aquele juízo de valor.

            Todavia, aqui já deixa de ser uma discussão sobre a gestão de processos administrativos de um governo e ingressamos no campo da ciência e filosofia política. É outra questão.

            “….Mas o tipo de plano que o Senhor defende é um instrumento de captura da realidade…”

            Vejo os planos de governo como forma de transformação da realidade e principalmente para a solução de graves e sérios problemas sociais a partir de uma idéia de administração pública compromissada com a população.

            E justamente por considerar que os problemas são desafiadores e de solução dificílima apenas contornados no longo prazo com os melhores esforços é que considero inescapável a formulação de planos de governo. 

            “…e suas nuanças para afastar os conflitos políticos da gestão pública, utilizando como argumento a noção de que estas dinâmicas coletivas prejudicam o andamento da execução das tarefas administrativas. No meu entender, esta é uma noção autoritária. Uma espécie de higienização tecnocrática….”

            Voltando o caso da Rede Globo, concordamos que é um conflito de interesses que no limite é político.? Creio que sim. O que fazer em casos como este.? Buscar uma solução para o impasse ou se acostumar com ele como se fosse um aspecto típico da paisagem?

            É claro que ele precisa de uma solução, o país precisa avançar, é necessário progredir.

            Ocorre que em intervalos de tempo definidos ou as forças políticas renitentes elaboram meios e juntam forças para resolver a questão ou então aguardamos uma hora até que seja possível.

            Com um pequeno detalhe.: certas complicações não podem esperar o momento certo. Se não é possível resolver hoje, construa meios para que seja resolvido ao longo do tempo.

            É justamente aí que reside a minha insatisfação em relação ao governo. Não tentam resolver graves problemas do sistema social nem tampouco criam os meios para que a solução ocorra no médio e longo prazos.

            Enquanto isso os problemas avolumam e, acredite, tornam-se mais agudos e intensos.

            Por fim, foi um imenso prazer discutir. Perdoe se no calor do momento pareci menos educado que normalmente sou.

            Valeu, grande abraço Obelix.

          • Novamente, é a realidade que

            Novamente, é a realidade que empurra a demanda por “planos”, nunca o contrário, e durante esta execução, todas as forças políticas envolvidas vão moldando e transformando a receita do bolo, até que ele deixe de ser bolo e vire lasanha.

            Não possuo tua formação, mas vou me permitir discordar perguntando: Década de 60 Coréia era um país como o nosso (estou simplificando) se não pior. Como se transformaram no que é hoje? A realidade cultural do país era outra, mas o mundo era o mesmo para os dois. Então a questão: não estaríamos sendo simplistas afirmando que é a realidade que empurra?

          • A realidade.

            Prezado,

            Guerra da Coreia, conflitos geopolíticos na Ásia, ameaça da China, memória do que foi o Japão para os EEUU na 2ª Guerra, e pronto: bilhões de dólares a fundo perdido para demarcar campo de influência.

            Realidade empurrando os planos.

            Caso parecido na Europa a Plano Marshall.

            Veja que o padrão de intervenção dos EEUU mudam com o tempo. Se fosse do mesmo tipo da América Central, e Afeganistão (ou Irã), nenhum plano ou vontade deliberada de nenhum grupo dirigente dariam conta de barrar o que se abateu sobre estes países.

            Um abraço.

          • Taí, não sabia que os EUA

            Taí, não sabia que os EUA tinham enfiado dinheiro na Coréia. Mas história não deixa de ser interessante. Argentina já foi tida como o país mais rico na AL, deu no que eestá dando; devem ter posto muita grana por aqui nas décadas de 50 e 60 (não sei o montante) mas não deram os mesmos frutos; a grana do Plano Marshal foi só para a Alemanha? caso sim, até explicaria (em pequena parte) por que eles se transformaram e não a Itália.

            Em síntese, sempre é bom discutir e aprender.

             

            Abraços

      • “….Mas me responda enfim, o

        “….Mas me responda enfim, o que é um plano de governo senão uma mera carta de intenções, ou quem detém esta “pedra filosofal”? Qual seria o SEU plano de governo, em linhas gerais e simplificadas?…”

        Vai demorar uma semana até que te responda tudo. Vamos a mais uma, mesmo assim.

        Há algumas questões fundamentais.:

        a) modernização da atividade econômica.: o país precisa SABER avançar sobre nichos do setor produtivo que lhe permita ser competitivo e assim gerar riquezas. Dito de outro modo, ter domínio de tecnologias e fatores econômicos estratégicos. Não acho que fazem isso.

        b) investimento maciço em educação.: há dramática ausência de recursos no país quando se tem em vista o tamanho de alguns problemas. Já cansei de dizer que a situação de estados e municípios nesse sentido é ainda pior. Mas é fundamental melhorar a educação e isso passa pelo aumento do salário dos professores até valor digno.

        Nâo acho que fazem isso. Na verdade, empurram o problema para – obviamente – estados e municípios.

        c) reforma tributária.: que sobre a base da pirâmide recai a maior parte dos impostos ninguém duvida. Mas o que não se vê em discussão é a obcena concentração de riqueza na parte minúscula da sociedade. Ou se a vêem, não se coloca em pauta.

        Ainda se deve falar sobre justiça, política, saúde, segurança…. E temas considerados menores geralmente.: turismo, esportes, ciência e tecnologia.

         

    • Quando os íntimos desejos e devaneios substituem a realidade

      Cita o missivista um suposto “ufanismo messiânico” existente em Pindorama a partir dos governos do PT. Não sei em que mundo vive este rapaz, pois ao contrário do que o oligopólico de mídia de Minas Gerais faz com os governos estaduais do PSDB naquele estado, em nível nacional a ‘grande imprensa’ verde-amarela anuncia um apocalipse por dia desde janeiro de 2003. De modo que a tese deste “ufanismo messiânico” é uma piada pois os grandes meios de difusão de comunicação anunciam sistemáticamente o contrário, bombardeando o povo brasileiro com cavalares e diárias doses de, isto sim, um anti ufanismo a toda prova.

       

      Cita o missivista que há Copa mas não aeroportos. Esquece ele que TODOS os aeroportos das sedes da Copa estão sendo reformados e ampliados. Atrasos nos cronogramas existem, sem dúvidas algumas, mas dizer que “não há aeroportos” é uma solene mentira. Há aeroportos, estão sendo ampliados, muitos outros estão sendo construídos e não é a toa que apesar da ‘grande mídia’ anunciar a plenos pulmões o “caos aéreo” desde 2004, acontece justamente o inverso. E notem que em 2002 a média era de 30.000.000 de passageiros por ano, hoje, esta média já está em quase 100.000.000 de passageiros por ano nos “inexistentes” aeroportos brasileiros.

       

      Cita o missivista a questão do petróleo. Esquece ele que a última refinaria construída no Brasil foi inaugurada ainda no tempo da ditadura militar, no início dos anos 80? Esquece que a refinaria de Abreu e Lima será inaugurada em novembro deste ano, agregando capacidade de refino de 265.000 barris diários ao país? Esquece da refinaria do Comperj, que será inaugurada em 2016 com capacidade de refino de 330.000 barris diários?

       

      Esquece da refinaria Premium I no Maranhão (que será a maior refinaria do Brasil), cuja primeira fase será inaugurada em 2017 e que, quando pronta, agregará capacidade de refino de 600.000 barris diários? Esquece da refinaria Premium II no Ceará, que terá capacidade de refino de 300.000 barris diários de petróleo? Esquece que a Petrobrás vai DOBRAR a sua capacidade de produção e de refino de petróleo entre 2010 e 2020? Esquece da benéfica explosão na produção de navios e estaleiros, criada a partir de políticas públicas iniciadas por Lula e mantidas por Dilma?

       

      Quanto a questão da energia, mais uma vez o missivista troca a realidade concreta e objetiva dos fatos pelos seus íntimos sonhos e devaneios… Somente no ano passado o Brasil agregou quase 6.000 megawatts de potência ao parque energético (recorde absoluto)! O problema do Brasil nunca foi de falta de energia elétrica, e para quem não lembra do Apagão tucano de FHC, é interessante recordar que este mesmo Apagão se deu em função da falta de linhas de transmissão, não da falta de energia elétrica. Situação essa que foi plenamente regularizada pela excelente Ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Será que o missivista já ouviu falar em Belo Monte, Santo Antônio e Jirau?

       

      Quanto a questão da indústria, o missivista poderia, por obséquio, trazer a baila os percentuais industriais da Europa, dos EUA e do Japão em 1980, e compará-los com os percentuais atuais? Acho difícil, talvez ele perceba que o peso da indústria nestes países e regiões tenha diminuído significativamente nos últimos 35 anos. E perceba também que este é um fenômeno que ataca vários países e que decorre da ascenção econômica asiática, baseada em parcos (pelo menos por enquanto) direitos trabalhistas, previdenciários e sociais. O gigantesco exército de reserva presente ainda na Ásia causa a ruína relativa da indústria em países centrais e também nos países de industrialização tardia (caso do Brasil).

       

      Será que o missivista sabe o que significa para a economia mundial o fato de metade da população chinesa ainda viver em zonas rurais? Será que sabe o que significa para a economia mundial o fato de que apenas 35% dos indianos vivem em zonas urbanas? Se não sabe, deveria saber, ou pelo menos tentar entender este fenômeno.

    • Pilotos

      Caro Chico.

      Como você cita, antes tinhamos excelentes pilotos, que sabiam exatamente como decolar, voar e aterrisar.

      O único problema era o aeroporto de destino: O inferno para o povo e o paraíso (fiscal?) para os pilotos e tripulação.

       

  6. esse tipo de entrevista é bom

    esse tipo de entrevista é bom para que aqueles sonhadores que guardam no fundo do armário ainda alguma expectativa de que os governos do PT pensem em termos de socialismo. Aviso para vocês: já perderam o trem, melhor descer no navio agora e encontrar algum botezinho menor, pois atualmente ninguém gerencia melhor o capital do que o PT, os votos que recebem é a confirmação disso.

  7. Chico Lopes filosofando, é um ótimo ex-integrante da equipe econ

    Enquanto estava com o poder nas mãos e deter a chave do cofre, até talvez por falta de autonomia, ele decepcionou a quem esperava, que seus conhecimentos teóricos, pudessem ser colocados em prática. Em vez disto, foi de uma decepção total, e sua passagem pelo staff economico, não deixou nenhuma saudade. Agora, ao exemplo do Maílson da Nóbrega, desfila sua sabedoria e pelo menos, admite, que a atual equipe economica e as atuais coordenadas, estão certas. 

  8. Sobre os comentários do Chico Lopes

    O único problema “mesmo” que vejo no governo Dilma é o de Comunicação. Já deveria ter corrigido isto, há muito tempo.Mas, ainda há tempo para mudar.

  9. Prezado Nassif
    O resultado da

    Prezado Nassif

    O resultado da pouca inteligência Nacional frente aos eventos de 2008(PT-PMDB) e acumulando fracassos retumbantes de longa data ( 1998-1999-PSDB-PFL) adicionando-se ao fato de que dinheiro não se cria , mas somente “joga-se fora” em Projetos Elefantes Brancos (economicamente improdutivos no pequeno , médio e longo prazo ) , como a COPA, aeroportos , Olimpíadas (olimpiada seria melhor!) , Jogos Mundiais Militares , FX-2 (basta somente repor   o material bélico desativado -100 caças a longo prazo ?-vender para quem ?), prosub nuclear (vender submarinos para a Bolívia, e nucleares  ?) .Bolha imobiliária -a volta do antigo SFH (compra-se apartamentos e casas sem se dar uma entrada substancial ….) , Exaurimento  irreversível dos Poços economicamente viáveis de petróleo .(A petrobrás já começou uma política subliminar de demissões ), A inflação de 5% ao ano em uma Sociedade que tem juros de 200%(cartão de Crédito e cheque Ouro…)…Só se for a Racionalidade do Estado Falido !!.

    Olha o Olavo está certo !http://www.youtube.com/watch?v=qQA0UNxVYxw

    • Racionalidades ?

      Só se a ciencia explicar, que depois de envelhecer, as pessoas passam a ser mais sábios, pois no caso do Chico Lopes, ele teve enquanto jovem, a chance de por em prática, tudo o que prega hoje, e não fez nada, ou fez tudo ao contrário.

  10. Mas que visão racional?

    A proposição pelo dinheiro liberal suprime o problema que nele nos encontramos em vez de resolver a sua racionalidade.

    Só há um problema econômico filosoficamente sério para reverenciar a questão racional sobre a economia: A verdade.

    A verdade vale na medida da quantidade do que somos capazes de fazer, e subscreva em que tipo de meio de gestão deve o valor residir: a partir de um único ponto externo, pelo direito das proporções democráticas dos países. 

    • Prezado Miguel
      Corretamente

      Prezado Miguel

      Corretamente você tocou no ponto correto sobre o fato de que o Governo só tem ação efetiva nos agentes econômicos , através de sua credibilidade .

      E não através do jôgo de retórica política .

      Vejamos o exemplo do projeto FX-2 , onde a real intenção dos Governos (desde FHC) era de simplesmente substituir o material bélico exaurido , sem realizar nenhum grande projeto militar , como o FX-2 . E para aplacar os descontentamentos da FAB [e a FAB está descontente desde a criação do Ministério da Defesa ( &Aviação Naval) -cuja missão fundamental (do MD) era racionalizar os gastos militares brasileiros  , inclusives aqueles de pessoal] ,-;e não dizer a verdade , criam-se meias verdades , como o anúncio do vencedor do FX-2 pela Saab , e que só tem A EXPECTATIVA DE FIRMAÇÃO DO CONTRATO .MAS NADA !.

      É claro que se houvesse real intenção de realizar o projeto , o anúncio já viria com a assinatura dos contratos básicos  ! (depois de quase 20 anos , a FAB ainda não preparou os contratos em sua forma básica ?) . Mas o que aparentemente se quer é que a SAAB acredite que o contrato  vai se realizar e que , como a França no passado , venda ANTECIPADAMENTE alguns  aviões Grippen usados para suprir o grupo de caça de Anápolis -Brasília , desfalcados dos Mirrages franceses e fique no compasso de espera para a “grande compra ” que supostamente tirará a Saab da rota  da falência .Promete-se aos Metalúrgicos do ABC, a FAB e a Suécia ……

      Certamente , o governo age “racionalmente” contra a base não-aliada! .

  11. Chico Lopes

    Esse “grande economista fora da curva” é tão liberal em seus comentários quanto foi com os Bancos Marka e Fontecindan ? Já passou da hora de pararmos de “elogiar grandes pensadores” com o passado manchado pela decisões equivocadas que levaram R$ BILHÕES de dinheiro público para o ralo. Foi “Erro Técnico”.

    • Bem lembradom Paulo,
      Chico “O

      Bem lembradom Paulo,

      Chico “O breve” Lopes, após aquele episódio, deveria nos brindar com o seu eterno silêncio.

      Nassif, esse deveria ser deixado no ostracismo. A lembrança do nome, faz mal. A lembrança do feito desse senhor, o descredencia até para juiz de samba-enredo.

       

       

       

  12. O mercado de mídia no Brasil

    Às vezes parece que estamos a lutar contra moinhos de vento. Moinhos de ventos reais.

    Uma luta inglória contra um monopólio midiático imperial que impõe sua verdade à revelia dos fatos e das vítimas de suas meias verdades e inteiras mentiras. Estas vítimas, cidadãos da polis, nada podem fazer a não ser se ajoelharem implorando que seus desmentidos sejam recebidos. Quando isso acontece, no caso de alguém “poderoso”, suas versões ou são ignoradas ou relegadas a notas de rodapé (ou ainda na seção de obituário como fizeram com o Garotinho).

    Quando o contraditório é publicado em letras minúsculas no fim da página, mesmo que fidedigno aos fatos e completamente antagônico ao divulgado, é humilhado pela manchete distorcida do dia seguinte. Ou lido em tom funeral em poucos segundos e, posteriormente, massacrado pela fala empolgada, o olhar irônico e os longos minutos do escândalo feito especialmente para tal e anunciado em seguida.

    A solução disso passa, por incrível que pareça, pelo livre mercado.

    Por uma regulação que permita não apenas a livre e justa concorrência, mas também a penalização pelo produto adulterado, falsificado, vencido pela verdade dos fatos. Não é possível que se lance no mercado algo descaracterizado de sua essência (fato ou opinião não caluniosa). Não é admissível que a sociedade brasileira aceite que mercadorias viciadas circulem no seu mercado de mídia como se fidedignas fossem.

    É preciso que a sociedade brasileira aja, por meio de sua soberania estatal, para impedir que falsos produtos desvirtuem seu mercado. É preciso que a sociedade assuma seu protagonismo e faça valer sua vontade soberana de modo a romper com as estruturas arcaicas (patrimonialista, oligopolista, desregulada) deste mercado.

    Patrimonialista, pois vinculado a patrimônios familiares. Oligopolista,  uma vez que é um mercado altamente concentrado via verba publicitária (tornando-o um quase monopólio). E completamente desregulada, quando compara a um paradigma de mercado como o de ações, por exemplo. Imagine cada um lançando ações a seu bel prazer, divulgando o que quisesse, comprando e vendendo como e na hora que achasse mais adequado? Assim é o mercado de mídia: “Notícia é tudo que é ruim para os adversários. Pode ser um fato, pode ser um rumor, pode ser até uma mentira descarada – mas é ‘notícia’”. PN

    O mercado de mídia está maculado pela troca de mercadorias desreguladas e a perpetuação de um quase monopólio não concorrencial. E o que é pior, familiar. Trazendo consigo a instabilidade das paixões. O mercado prima pela imparcialidade, pela confiança entre os agentes (compradores e vendedores). Quem, em sã consciencia quer comprar notícias falsas, desvirtuadas conforme interesses escusos?

    É necessário que exista no Brasil um mercado livre para entrada de ofertantes (com pulverização da verba publicitária) e regulado (em lei) para que as mercadorias ofertadas sejam confiáveis aos demandantes.

    Se não bastasse tudo isso, o mercado de mídia afeta praticamente todos os outros. Por isso, é necessário que a sociedade brasileira (moderna, progressista, liberal, republicana), aja no sentido de procurar romper com a estrutura arcaica de seu mercado de mídia. Um mercado que se reproduz como nos tempos do Chatô, o qual dele se valia para exercer seus humores e interesses pessoais. É necessário que este mercado se desenvolva como qualquer outro, ou seja, como um meio de trocas confiáveis e não como um espaço para que famílias possam fazer fortuna e exercer seus caprichos.

  13. Quem não tem medo da Dilma ?

    As últimas eleições majoritárias no Brasil, demonstraram que o eleitor, não vota mais em promessas mirabolantes, nem em quem ameaça, “mudar tudo que está aí” ou reinventar a roda. O voto do nova eleitor brasileiro, que nos últimos 12 anos, tem sido relativamente conservador, no sentido de querer conservar  as conquistas sociais feitas nestes 12 anos, e se possível, amplia-las, e deixou de votar em partidos ou nomes, e sim em programas factíveis de serem implementados e pela manutenção da qualidade de vida que ora goza, e que promete durar, mesmo contrariando as espectativas dos estudiosos e analistas políticos, e é este o medo, que os adversários têm da candidatura Dilma. Ela só precisa mostar o que fez, e desenhar o que pretende continuar  fazendo.

  14. Brasil deve atrair mais de 60

    Brasil deve atrair mais de 60 bilhões de dólares em investimento do exterior

    País mantém patamar dos anos anteriores, mas qualidade dos recursos caiu, com aumento de empréstimos entre companhias. Desafio é ampliar e diversificar projetos produtivos

    El País

     

    Os números só saem na próxima sexta-feira, mas já é possível antecipar que o Brasil conseguiu manter em 2013 o seu nível de investimentos estrangeiros diretos (IED) ante os dois anos anteriores, permanecendo na lista dos dez países com maior fluxo de IED no mundo. E isso apesar do pessimismo – exagerado, para alguns – que parece reinar sobre a trajetória da economia, que convive com uma ameaça de rebaixamento de rating e o debate sobre a qualidade desses investimentos.

    Segundo Luís Afonso Lima, diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet), o país deverá fechar o ano passado com 63,5 bilhões de dólares em IED, após os 65,2 bilhões de dólares de 2012 e os 66,6 bilhões de dólares de 2011. O valor acumulado entre janeiro e novembro últimos é de 57,5 bilhões de dólares – projeções divulgadas pelo Banco Central (BC) apontam para 63 bilhões no ano fechado.

    “Não se trata de um pessimismo com o Brasil. E sim de um menor otimismo. Há um pano de fundo menos favorável, e não apenas para o país. Temos um menor fluxo global de investimentos diretos”, afirma Lima. Caso suas estimativas se confirmem, o IED estaria encaminhado a fechar mais de um ano acima do patamar de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

    O Brasil se mantém desde 2011 com volume líquido de IED acima dos 60 bilhões de dólares. O novo patamar, que marcou os maiores valores já registrados na série histórica iniciada em 1947, marcou um salto de 37% ante 2010, quando o resultado foi de 48,5 bilhões. Até 1996, o valor não havia chegado a dois dígitos, tendo atingido, no máximo, 4,4 bilhões.

    O IED se caracteriza por investimentos estrangeiros na criação, fusão ou aquisição de uma unidade produtiva nacional, e também por operações internas entre matrizes no exterior e suas subsidiárias e filiais.

    A corretora Gradual Investimentos também destaca a manutenção do atual patamar, prevendo resultados similares tanto para o ano passado como para 2014. “Apesar de o Brasil incorrer em muitos problemas, a gente tende a melhorar. As últimas ações inspiram uma maior confiança em um país que tende a resolver seus problemas macroeconômicos”, avalia o seu economista-chefe, André Perfeito.

    Ele se refere à decisão tomada pelo BC, na última semana, de elevar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 10,5% ao ano, após uma alta maior que a esperada da inflação em 2013. O movimento do BC ocorre, inclusive, no início de um ano em que serão realizadas eleições presidenciais, o que, em tese, poderia segurar novas medidas, ainda mais com a economia em marcha lenta. “Acho que o Governo está consciente de que tem de fazer ajustes”, observa Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, responsável pela estabilização da economia, em 1994, depois de décadas de hiperinflação.

    A presidenta Dilma Rousseff foi duramente criticada por ter deixado a inflação subir, ao adotar a política de redução de juros. A retomada do viés de alta pode garantir uma trégua ao Governo. Com todas as dificuldades, porém, no que diz respeito ao investimento estrangeiro, o Brasil tem se mostrado mais convidativo do que outros países emergentes. Na semana passada, inclusive, um levantamento liderado pela consultoria internacional Marsh, com apoio da firma de análise Maplecroft, colocou o Brasil como um país de risco político “médio” entre os principais mercados internacionais. No grupo Brics, apenas a África do Sul teve o mesmo desempenho: o risco de China e Índia foi classificado como “alto”, e o da Rússia, “extremo”.

    “Pode-se discutir PT ou PSDB nas eleições, mas isso faz parte do jogo democrático, que está enraizado do ponto de vista institucional”, afirma André Perfeito.

    Isso não significa a ausência de desafios para reforçar a confiança internacional no país em 2014, exatamente para atrair investimentos de fora. Um deles é resistir a um possível rebaixamento do rating soberano por agências de classificação de risco. O principal índice da bolsa brasileira, por exemplo, passou a cair no último dia 7 após novas sinalizações de um diretor da Standard & Poor’s. A queda de um nível, no entanto, ainda não tiraria o país do grau de investimento.

    Outro desafio é melhorar a qualidade dos investimentos. A alta recente do IED é marcada também pelo crescimento dos chamados empréstimos intercompanhias, que consistem em repasses das matrizes sediadas no exterior para subsidiárias ou filiais estabelecidas no país. A modalidade vem crescendo a cada ano no total líquido do indicador. Segundo Lima, em 2012 essa operação respondeu por 19% do total, passando para 34% no período compreendido entre janeiro e novembro do ano passado. Isto quer dizer que dos 57,5 bilhões de dólares recebidos no período, quase 20 bilhões de dólares entraram por meio de empréstimos entre matriz e filial.

    “Os empréstimos intercompanhias não necessariamente se traduzirão em uma planta nova, em um novo projeto”, afirma o diretor-presidente da Sobeet. “São valores que estavam represados lá fora, para ficar na tesouraria. Isso denota que o investimento que vem para cá não é voluntário, é induzido.”

    A modalidade ganhou impulso como alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), adotado pelo Governo. Em meados de 2012, incidiam 6% de IOF sobre as captações externas com prazo de até cinco anos. Depois, esse prazo caiu para dois anos, e, antes mesmo do início de 2013, para um ano.

    Uma “âncora” do IED é a política de conteúdo nacional, adotada pelo Governo Dilma. No setor automobilístico, por exemplo, o programa Inovar Auto estabeleceu uma tarifa para carros importados, o que levou montadoras a se decidirem por se instalar no país. Até 2016, nove novas montadoras entram no Brasil, entre elas a BMW, Jaguar Land Rover, e Jac Motors. Embora esse modelo de atração de investimento esteja sendo questionado na Organização Mundial do Comércio pela Uniao Europeia, já garantiu anúncios de mais de 7 bilhões de reais. A cadeia de óleo e gás também tem atraído investimentos do exterior, principalmente para aqueles que pretendem fornecer para a Petrobras. A estatal dá preferência a fabricantes locais.

    Mas agora é o momento de lograr a diversificação dos investimentos, apontam economistas. Entre os destaques do IED em 2013 até novembro estiveram as grandes operações com extração de petróleo e gás natural. “O investimento está dependente de poucas atividades. Se não houver eventos como o leilão de (campo de petróleo na camada pré-sal de) Libra, por exemplo, talvez não tenhamos o mesmo apetite por investimento de anos anteriores”, completa o diretor-presidente da Sobeet.

     

    • ” Brasil deve atrair mais de

      ” Brasil deve atrair mais de 60 bilhões de dólares em investimento do exterior”

      Mentes racionais, sobre a ciência conheçam outra passagem para o entendimento acima: Nós só podemos raciocinar para que serviria o investimento externo – o direito de mediação da produção – se o valor, por natureza, é de quem corresponde com à dinâmica verificável da realidade.  

      Ou seja: O próprio Estado.

      • Fiz antes de ontem 64 anos, e

        Fiz 64 anos antes de ontem, e não sei quanto tempo vou viver. 

        Sei que meus textos não são aproveitados, como sei repetir que o tempo não é senão a medição humana de duração em que se prepara os movimentos do futuro.

        Por isso tenho que os lembrar de que a economia se cumpre pelo presente do ser, mas não devemos morrer na forma da propriedade privada.

        A duração da economia faz parte da realidade, e neste sentido a reforma do valor, para nós, permite medir o tempo objetivo que a natureza pode evoluir.

        É meu desejo, enquanto ser, lutar contra o câncer do endividamento externo e da reserva fracionária de valor, e preparar o instante simultâneo em que somos engendrados na dimensão real do nosso tempo no mundo. 

        E a estrela amarela acima não me fará renunciar minha memória projetada no Estado.

  15. Chico Lopes na verdade he o
    Chico Lopes na verdade he o ex-presidente do BC do governo FHC que foi condenado a 10 anos de cadeia junto a Teresa Grossi e outros diretores do Banco do Brasil no famoso caso Cacciola e que o PIG insiste em esconder e que a nossa memoria esqueceu rapido demais para o meu gosto
    Abcos
    DP

    • FHC ataca ação da PF na casa

      FHC ataca ação da PF na casa de Chico Lopes

      O presidente não contestou o aspecto legal da operação, mas disse que é preciso coibir o arbítrio

      CLÓVIS ROSSI
      Enviado especial da AF – Lisboa

      O presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou ontem da opinião pública que “repudie a volta do arbítrio no Brasil”, ao se referir ao que o governo chama de “invasão” da casa do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes.

      A “invasão” foi feita ontem pela Polícia Federal, com base em requerimento do Ministério Público, para procurar documentos relativos às operações entre o BC e os bancos Marka e FonteCindam.

      O presidente não contestou o aspecto legal da operação mas disse que “o arbítrio, às vezes, existe por parte daqueles que devem coibi-lo. Me parece que estamos em um desses casos”.

      FHC chegou a fazer uma comparação sinuosa entre a ação policial de sexta-feira e o regime militar do período 1964/1985:

      “Lutei muito contra o regime militar, fui vítima dele. Acho que é preciso respeitar o estado de direito e acho grave que, no estado de direito, aqueles que são os detentores do poder legal para decisões dessa natureza não reflitam mais ao tomar decisões desse tipo, porque realmente não existe um motivo, pelo menos que tenha sido trazido ao conhecimento púbico, para esse tipo de ação”.

      Em seguida, engatou: “Como democrata que sou, respeito a lei, mas acho que quem tem o poder executivo máximo, como tenho, deve procurar contê-lo nos limites não só da lei, mas do bom senso. Não creio que tenha havido bom senso”.

      A catilinária contra a operação foi além, ao dizer que estava falando em termos de “defesa da democracia, dos direitos individuais, até dos direitos humanos”. Considerou o episódio uma “exploração escandalosa” em torno de “um problema que pode ser real ou não. Nem isso se sabe. Não há nada que justifique o que aconteceu”.

      Mas FHC disse acreditar que as investigações sobre a ajuda aos bancos não se imporão permanentemente na agenda política: “Creio que passado esse momento que pode, evidentemente, inflamar certos corações e mentes, se voltará a uma situação de equilíbrio”.

      Tratou também de desvincular a operação na casa de Francisco Lopes dos trabalhos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Bancos, ao lembrar que fora uma ação determinada pelo Ministério Público, e não pela CPI.

      “Não tem nada a ver com a CPI”, reforçou FHC, em entrevista coletiva concedida no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, ao lado do primeiro-ministro português António Guterres.

      Como as perguntas dos jornalistas brasileiros ficaram, quase todas, centradas no episódio, criou-se natural constrangimento para Guterres, que resolveu tomar a iniciativa de fazer elogios à economia brasileira e ao governo.

      Mas era evidente o ambiente tenso na comitiva brasileira que está em Lisboa. O próprio presidente informou que falara pelo telefone com os ministros Pedro Malan (Fazenda) e Renan Calheiros (Justiça) para se manter informado.

      Também o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, articulador político do governo, estava informado e igualmente constrangido. Tanto que considerou “um constrangimento desnecessário” a operação executada pela PF.

      Pimenta da Veiga disse que “há uma competição de vários setores pelas luzes da CPI”. Depois, especificou que setores: a própria Polícia Federal e o Ministério Público.

      O constrangimento da comitiva deve-se também ao fato de que nenhum de seus integrantes nega o caráter legal da operação.

      fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br/arquivo/180499/brmundo2.htm

  16. Os comentários com a consciência da divida.

    A dívida, seguir a dívida, moderá-la, com Color, FHC, Lula e Dilma, é o que agrada a todos comentarístas partidários. 

    Os presidentes são momentos do mesmo processo da dívida pública, sabem como são necessárias a economia e política, como fontes de outra coisa além de nós mesmos.

    Isto fique racionalmente compreensível, seja quem for o presidente: nele pomos as expectativas de dividas (investimentos externos) que demasiadamente nos faltam como propósitos de governo soberano, e ele culmina com a desilusão do nosso bem.

  17. Obrigado por publicar um

    Obrigado por publicar um texto meu, Nassif. É uma enorme satisfação e motivo de orgulho.

    .

    De uns anos para cá tópicos mais específicos sobre governos tais como gestão, estratégia e planos criaram receios relativamente infundados no público à esquerda do espectro político.

    Veem-no como artifício para supressão do debate público através da introdução de variado tipo de complicações e tecnicidades inacessíveis.

    Embora alguns conteúdos sejam de difícil compreensão, no mais das vezes esta não é a regra e por isso seria interessante afastar alguns fantasmas.

    Há três pontuações.:

    a) Nem toda proposta, iniciativa ou ação executada num governo transfere-se para a arena política dos atores sociais na forma de debates e discussões duradouros e desgastantes.

    É assim porque a administração pública é um oceano com milhares de ações processadas continuamente. 

    Assim, nem tudo que se realiza num governo depende de atividade intrinsecamente política.

    Por exemplo, ações no campo da ciência e tecnologia. Para facilitar o recebimento de insumo vindo do exterior ou, então, reduzir a concessão de uma carta patente é preciso soluções burocráticas muito mais que uma sofisticada iniciativa do corpo político.

    Na infraestrutura há necessidade de iniciativa política é maior, mas a técnica novamente possui grande parcela no resultado final. E há o turismo, esportes, cultura…

    (É fundamental entender ao menos isso)

    b) planos podem ser  vistos de modo menos assombroso como compromissos, pactos e acordos firmados por determinado grupo de poder em relação a instituições, órgãos, secretarias e, principalmente, governos municipais, estaduais e União…

    Podem ser elaborados por membros da esquerda ou da direita e isso faz com que possuam diferentes características.

    Finalmente, é uma forma de empreender esforços de modo coordenado para solução de problemas diversos no médio e longo prazos.

    c) na teoria os planos incitam o debate e a discussão porque há neles a definição dos rumos propostos e, por outro lado, são um modo de atenuar severas animosidades porque visam a projeto coletivo ideal no longo prazo. Na teoria, todos buscam uma edução melhor, saúde, segurança, mobilidade, desenvolvimento econômico.

    • São tantos os Chico Pedro: o retórico, o comedido, etc.

       

      Chico Pedro (segunda-feira, 20/01/2014 às 09:16),

      Vi este seu comentário e fiquei um tanto surpreso pelo que eu considerei uma reviravolta em suas idéias em direção a maior moderação no tocante a valorização do planejamento estratégico ao que comparativamente eu via com freqüência em suas prédicas com imprecações contra a falta de planejamento no governo central.

      Aqui mais contido, você faz a defesa do que eu sempre considerei que deveria ser o senso comum e vem com analogias interessantes como comparar a máquina burocrática estatal a um oceano. Eu freqüentemente comparo a máquina burocrática a um enorme mastodonte caminhando em ritmo próprio e em direção de difícil ajuste. Às vezes, eu até faço a comparação da máquina burocrática com um transatlântico, mas a equiparar a um oceano é achado a se imitar.

      Antes de ter ficado surpreso com seu comentário chamou-me atenção o seu agradecimento a Luis Nassif pela publicação do seu comentário. Como este post “A visão racional de Chico Lopes sobre a economia” de domingo, 19/01/2014 às 06:00 não traz a entrevista de Francisco Lopes eu fui na aba de posts para ver se algum trazia a entrevista de Francisco Lopes e ao mesmo tempo estava interessado no post originado de um seu comentário que motivou o agradecimento e encontrei o post “O debate sobre a elaboração de planos de governo” de segunda-feira, 20/01/2014 às 07:04, publicado aqui no blog de Luis Nassif. O endereço do post “O debate sobre a elaboração de planos de governo” que foi originado de comentário seu é:

      http://jornalggn.com.br/noticia/o-debate-sobre-a-elaboracao-de-planos-de-governo

      Aqui junto a este post “A visão racional de Chico Lopes sobre a economia” de domingo, 19/01/2014 às 06:00, de Luis Nassif, neste seu comentário, após o agradecimento, você faz um resumo do seu comentário que foi transformado no post “O debate sobre a elaboração de planos de governo”.

      No seu comentário bem detalhado você traz as idéias do senso comum e que em meu entendimento são as idéias do bom senso ou do senso de racionalidade sobre o planejamento. Não há nada a acrescentar senão o elogiar. Preferi, entretanto, fazer o elogio aqui junto ao seu comentário de agradecimento e de resumo e enviado para este post “A visão racional de Chico Lopes sobre a economia” com a análise de Luis Nassif sobre entrevista de Francisco Lopes.

      Antes de fazer o elogio, eu aproveitei para ver aqui no post “A visão racional de Chico Lopes sobre a economia” o seu comentário que originou o post “O debate sobre a elaboração de planos de governo”. Trata-se do comentário que você enviou domingio, 19/01/2014 às 16:31, para junto de comentário de Obelix enviado domingo, 19/01/2014 às 13:03. O comentário de Obelix questionara um comentário anterior que você enviara domingo, 19/01/2014 às 11:07. Fiz todo este preâmbulo circunstanciado porque me parece relevante destacar como você parece impregnado daquele dito do mineiro João Camilo Penna, Indústria e Comércio do Brasil, de 15/03/1979 a 21/08/1984, que explicara o comportamento do brasileiro entre o otimismo e o pessimismo da seguinte maneira: “A alma do brasileiro balança entre a “Terça-feira Gorda” e a “Quarta-feira de Cinza””. No seu caso não é otimismo e pessimismo que se deblateram mas o excesso e o comedimento quando você fala sobre o planejamento. Assim, se nas suas respostas você foi comedido e realista sobre os efeitos do planejamento, no seu comentário inicial enviado domingo, 19/01/2014 às 11:07, você traz um discurso repetitivo e, como eu gosto de destacar, retórico, contra a falta de planejamento na esfera federal.

      Eu pretendia transcrever aqui um comentário que eu enviei para você junto ao post “O Brasil policentrico” de 04/11/2011 às 11:31 com matéria intitulada “Pais não tem plano para superar desequilíbrios” e de autoria de Lilian Milena da Agência Dinheiro Vivo para o trabalho de Célio Campolina Diniz que foi apresentado no 16º Fórum de Debates Brasilianas.org. O meu comentário foi enviado quarta-feira, 09/11/2011 -às18:52, para junto do seu enviado sexta-feira, 04/11/2011 às 12:02. Deixo, entretanto, só o link para o post “O Brasil policentrico” que pode ser visto no seguinte endereço:

      http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-brasil-policentrico

      Destaco ainda que pretendia mostrar como você não parecia nem ler os jornais de Minas Gerais ao criticar a falta de planejamento. Hoje, segunda-feira, 20/01/2014, no jornal Estado de Minas há a matéria “A multiplicação dos peixes” abordando o crescimento da piscicultura no Brasil nos últimos anos. A primeira página do jornal Estado de Minas pode ser vista no seguinte endereço:

      http://imgsapp.impresso.em.com.br/app/da_capas_134132081523/2014/01/20/599/20140119214303751730u.pdf

      Destaco esta matéria porque nela faz-se referência a um crescimento de 30% ao ano no setor desde 2011 e porque este setor tem supervisão do Ministério da Pesca e Aquicultura que é muito atacado quando se quer depreciar a interferência política nos arranjos realizados para gerenciamento do país. Ia criticá-lo porque o seu comentário de domingo, 19/01/2014 às 11:07, parecia ser feito sem a mínima atenção à reportagem “A multiplicação dos peixes” do jornal Estado de Minas que é em muito uma refutação ao seu discurso, Vejo, entretanto, que você não tinha realmente como antever no domingo, 19/01/2014 às 11:07, o que iria sair no jornal Estado de Minas de segunda-feira, 20/01/2014.

      De todo modo, considero que é apenas retórico a crítica ao governo brasileiro, e talvez se possa estender esta restrição para a crítica que se faz a qualquer governo, quando a crítica é alicerçada em uma suposta falta de planejamento. É retórica porque, em geral, há o planejamento e porque o planejamento não pode ser tomado como panacéia capaz de resolver todos os problemas de um país.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 20/01/2014

      • Costumo ser mais contundente
        Costumo ser mais contundente em relação ao governo federal porque a responsabilidade dele é muito maior sobre o futuro do país. Ao contrário de paises onde o poder é mais bem distribuído, aqui é no minimo muito concentrado. Há muito material a respeito disso, tenho poucas duvidas em relaçao a ele. Deste modo, ou fazem um bom plano ou as dificuldades aumentam, um motivo é justamente a imensidão da administração pública, a miríade de ações, atividades, tarefas… Mil projetos para conceber, avaliar, monitorar, corrigir e por aí vai. Não é de modo algum panacéia, quem dera o fosse. Mas estou convencido de que não é possível agir sem os tais planos. A idéia do plano e planejamento estratégico em por si só é um termo lindo, ainda mais na boca de quem o usa. Falta entretanto o mais importante: capacidade para sua realização. Aí que que está a chave do negocio porque é tarefa de alta complexidade. Observo, por ultimo, que ao contrario do que normalmente se pensa não é ou deveria ser assunto que hoje ligam a direita. Até meados do seculo passado era assunto que motivava pessoas ligadas a interesses de esquerda.

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