A visita de Blinken e a mídia firme no BBB da política, por Luís Nassif

Esqueçam-se temas relevantes, deixem de lado temas fundamentais. E viva o BBB da política!

O comunicado oficial da embaixada americana, de autoria do porta-voz Mathew Miller, descreveu assim a reunião do Secretário de Estado Antony J. Blinken e Lula:

  1. O secretário expressou o comprometimento dos Estados Unidos à parceria com o Brasil em sua agenda para a presidência do G20 para combater a fome e a pobreza, mobilizar contra a crise climática e tornar a governança global mais eficaz.
  2. O secretário destacou o aniversário do bicentenário Brasil-EUA em maio de 2024, quando os nossos dois países celebrarão os benefícios dos 200 anos de fortes laços políticos, econômicos e culturais.
  3. O secretário Blinken elogiou o presidente Lula pelo papel do Brasil na desescalada das tensões entre a Guiana e a Venezuela sobre a região de Essequibo.
  4. Ele também reconheceu o apoio de longa data do Brasil ao povo do Haiti e reiterou a necessidade urgente de assistência internacional para melhorar a situação de segurança no país.
  5. O secretário discutiu o empenho dos EUA em relação ao conflito em Gaza, incluindo o trabalho urgente com parceiros para facilitar a libertação de todos os reféns e para aumentar a assistência humanitária e melhorar a proteção dos civis palestinianos.
  6. O secretário Blinken agradeceu ao presidente Lula pela participação do Brasil no processo do Plano de Paz da Ucrânia.
  7. O secretário Blinken elogiou o presidente Lula por defender os direitos dos trabalhadores por meio da Parceria Brasil-EUA para os Direitos dos Trabalhadores. 
  8. Ele agradeceu ao presidente pela liderança global do Brasil em matéria de clima, incluindo o compromisso de acabar com o desmatamento na Amazônia até 2030.
  9. Destacou a importância de reforçar a cooperação com o Brasil em matéria de minerais críticos, por meio da Parceria para a Segurança dos Minerais.
  10. O secretário saudou o interesse do presidente em aprofundar a cooperação em energia limpa e diversificação das cadeias de abastecimento globais, bem como o engajamento contínuo no Plano de Ação Conjunta Brasil-EUA para Eliminar a Discriminação Racial e Étnica e Promover a Igualdade (JAPER).

Ao mesmo tempo, o portal do G20 (o clube das 20 nações mais desenvolvidas do planeta) divulga o calendário para o período em que o Brasil assume sua presidência.

Serão 130 reuniões. No discurso de abertura, o chanceler Mauro Vieira destacou as três prioridades da gestão brasileira à frente do órgão:

1) o combate à fome, pobreza e desigualdade;

2) o desenvolvimento sustentável, em suas dimensões econômica, social e ambiental); e

3) a reforma da governança global.

Com o discurso de Lula, aumentando o tom contra o genocídio de Gaza, o Brasil assume uma posição de maior liderança política de defesa da paz mundial – ao lado do papa Francisco.

Na África, durante encontro na 37a Cùpula da União Africana, Lula consolidou-se como a grande liderança do chamado sul global.

“Ser humanista hoje implica condenar os ataques perpetrados pelo Hamas contra civis israelenses e demandar a libertação imediata de todos os reféns. Ser humanista impõe igualmente o rechaço à resposta desproporcional de Israel, que vitimou quase 30 mil palestinos em Gaza, em sua ampla maioria mulheres e crianças, e provocou o deslocamento forçado de mais de 80% da população”, defendeu Lula. “A solução para essa crise só será duradoura se avançarmos rapidamente na criação de um estado palestino livre e soberano. Um estado palestino reconhecido como membro pleno das Nações Unidas”, salientou.

Ou seja, tem-se um momento em que há uma escalada perigosa nos movimentos bélicos dos principais países, e no qual o Brasil se destaca como a grande voz do bom senso, na busca da paz e da melhoria das condições de vida das populações. Três episódios de peso mostrando a consolidação diplomática de um país que, há pouco tempo, colocava-se como pária internacional.

Manchete principal da Folha:

O show BBB Lula prossegue nos jornais impressos, embora tenha sumido dos digitais.

Artigos da Folha:

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A bússola da política externa está avariada

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Declaração de Lula sobre Holocausto foi desnecessária e turbina ato bolsonarista, diz líder do PDT

Evangélicos veem Lula mais distante e apontam erros em série após fala sobre Holocausto

No Estadão, jornal que se orgulhava de ser os olhos do Brasil do mundo, a condenação de Daniel Alves é destaque. Nos editoriais, o discurso de Lula para todas as lideranças africanas é tratado como “passeio de Lula na África”, e descrito como mero álibi para suas “ambições internacionais”, como se a volta do protagonismo brasileiro na diplomacia internacional fôsse uma mera questão de “ambição pessoal”.

Está difícil! Nas redes sociais, há a balbúrdia cada vez mais ampla, alimentada por notícias e manchetes enviezadas dos jornalões. Há uma ampla incapacidade de uma análise minimamente aprofundada sobre os movimentos diplomáticos de Lula, assim como uma crítica minimamente fundada sobre a nova política industrial.

Esqueçam-se temas relevantes, deixem de lado temas fundamentais. E viva o BBB da política!

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Luis Nassif

2 Comentários

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  1. Ou seja, Blinken orientou Lula a manter a ordem: entregue seus minerais, dê quinquilharias ao povo e mantenha a pobreza, fale que vc vai fazer alguma coisa pelo meio ambiente enquanto destruímos o mundo, bla, bla, bla. E a mídia, Nassif ??? Essa aí sempre será a mesma enquanto não tivermos alguém que enfrente. Lembre-se que depois de Brizola não apareceu mais ninguém…os, pasmem, apareceu sim: o mito !!! Pqp…

  2. *Reputo o jornalista Luis Nassif como o maior nome do jornalismo brasileiro depois de Jânio de Freitas, mas, olhem o mas aí gente…há uma coisa que ele insiste em atribuir a jornais e jornalistas, como no artigo abaixo, que é a _incompetência_ de jornais e jornalistas ao abordar muitas questões e não ver esse fato como um projeto de poder, um propósito empresarial. Atribuo isso a generosidade e otimismo incorrigível do jornalista.
    Postado no grupo de ZAP Reencontro bancários, que reúne ex dirigentes e funcionários como eu a categoria bancária.

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