As peças centrais do plano Biden, de Resgate Americano, por Luis Nassif

Joe Biden tem dois desafios simultâneos. O primeiro, o de resgatar o país dos problemas sanitários, sociais e econômicos. O segundo, o de salvar definitivamente a democracia americana da maior ameaça da sua história recente: o avanço da ultradireita manipulado por Donald Trump.

A estratégia de Biden será avançar simultaneamente sobre os principais problemas do país, distribuídos em quatro prioridades. Batizou suas propostas de Plano de Resgate Americano.

A primeira prioridade, obviamente  é a saúde pública. A estratégia passa pela criação de centros comunitários de vacinação e consultórios médicos, e contratação e treinamento de 100 mil novos trabalhadores do setor de saúde, Além do foco em comunidades de baixa renda, penitenciárias e centros de detenção.

A segunda prioridade será a complementação  para lares de baixa renda, ampliação do seguro desemprego, pagamento de licença de trabalho por motivo de emergência; benefícios para locatários e pequenas empresas, e créditos tributários para gastos com cuidados infantis.

A terceira prioridade será estabilizar o federalismo. Reservou US$ 350 bilhões para apoiar governos estaduais e municipais em crise fiscal, condição necessária para manter professores, bombeiros, policiais e outros serviços públicos essenciais. Outros US$ 20 bilhões serão destinados a manter em funcionamento  sistemas de transporte público.

A quarta prioridade foi um aumento do salário mínimo para US$ 15 por hora, significando um aumento de rendimentos para 30% dos trabalhadores do país.

Segundo o economista James K. Galbraith, em artigo para o Project Syndicate, ao Plano de Resgate seguirá um Plano de Reconstrução, com ênfase na infraestrutura, energia e política climática. Além dos recursos alocados, o programa será relevante para definir os novos caminhos da economia, agora que a crise se instala nas companhias aéreas, nas construções comerciais e residenciais e no setor energético.

Em nenhum momento o Plano Biden menciona déficits orçamentários ou dívida nacional, mesmo tendo uma assessoria econômica ortodoxa.

Segundo Galbraith, há três pontos ausentes no Plano Biden:

  1. Nem programas de saúde pública ou infraestrutura, energia e iniciativas climáticas oferecerão empregos capazes de compensar as enormes perdas no setor de serviços, com o declínio do emprego em escritórios e no comércio e o desaparecimento de uma série grandes de serviços presenciais.  O autor não vê outra alternativa que um programa de empregos no setor públicos.
  2. Muitas pequenas empresas terão que mudar de mãos para se tornarem viáveis novamente.  Haverá a necessidade da implementação de estruturas cooperativas  com supervisão e financiamento local. Esse modelo terá que ser aplicado para sustentar o trabalho de artistas, atores, músicos e escritores. E esse apoio não poderá ser proporcionado pela economia comercial.
  3. Haverá a necessidade, também, de medidas para adiar aluguéis, hipotecas, contas hospitalares e financiamentos estudantes, com abatimento ou cancelamento de dívidas.

 

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