Brasil 2015: a vez da economia criativa

No debate dos presidenciáveis, pela Rede Bandeirantes, a palavra cultura foi pronunciada apenas uma vez. Não se trata apenas de insensibilidade em relação a um tema central para o próprio conceito de país, mas também em relação à tendência dominante da economia mundial, a economia do conhecimento.

As chamadas indústrias criativas – dentre as quais se inclui a cultura, a educação, até os games de celular – tornaram-se tendência dominante na economia mundial. As leis de propriedade intelectual protegem inclusive os conhecimentos seculares da população de um país.

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Ontem, no Seminário Indústrias Criativas do Projeto Brasilianas, ficou claro a relevância desse novo modelo de economia, que pode envolver dos artesãos nordestinos aos músicos cariocas, das produtoras de cinema à indústria do livro, do cinema aos nerds de aplicativos de celular.

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O primeiro desafio é a construção de indicadores de produção cultural. O IBGE andou ensaiando algumas pesquisas, ainda muito incipientes e da perspectiva da economia formal.

Constatou que a economia da cultura cresce ininterruptamente a taxas de 4% ao ano.

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Um dos pontos centrais de discussão é sobre o direcionamento dos fundos públicos.

Há duas prioridades para os recursos públicos. A primeira, de estimular políticas estruturantes – isto é, que ajudem na estruturação dos setores.

Já existem boas políticas nessa direção. Uma delas, a Lei do Cabo, obrigando as emissoras a cabo a adquirirem produções nacionais. Outra, a iniciativa do Ministério da Educação de obrigar as editoras de livros didáticos a disponibilizar o conteúdo também em meio digital.

As leis de incentivo à cultura estão sendo revisadas.

Hoje em dia, para  cada real aplicado no Fundo Nacional de Cultura, existem seis aplicados em projetos individuais, grandes shows internacionais ou nacionais que começam e se encerram em si, sem capacidade de estruturar setores.

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Há duas maneiras de estimular setores: atuando sobre a oferta ou sobre a demanda.

Nas últimas décadas, as políticas culturais – desde os tempos da Embrafilmes – atuaram sobre a demanda. A maneira de criar auto-suficiência é ajudar a desenvolver a oferta.

Foi o caminho que deu certo com a Lei do Cabo e os livros do MEC.

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Nesses tempos de mercado global digital, o Brasil é o país com melhor ativo de imagem, a melhor marca nacional. A marca Brasil lembra meio ambiente, Amazonia, Pantanal, Foz do Iguaçu, a musicalidade, a sensualidade, as cores, as festas e, especialmente, o modo de ser brasileiro, que tanto encantou os turistas que vieram na Copa do Mundo.

Assim como o jazz e os filmes de Holywood ajudaram na disseminação da diplomacia norte-americana, a música e os valores culturais brasileiros devem se inserir em um trabalho multi-setorial, junto o MDIC (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior), Ministério da Cultura, da Ciencias e Tecnologia, obviamente o da Cultura, do Turismo.

No entanto, nesses tempos de redes sociais, de portais culturais, até hoje não se desenvolveu uma política, um portal capaz de colocar, em um mesmo endereço, a diversidade cultural brasileira e os diversos produtos dai decorrentes.

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