Mídia usa estilo Lava Jato para condenar a Lava Jato, por Luis Nassif

Hoje, na Folha, ficou nítida a nova forma de desqualificação dos trabalhos da Lava Jato. Trata-se do pente fino da Polícia Federal sobre as inconsistências das denúncias do MPF e das delações premiadas.

O que garantia a blindagem da Lava Jato, até agora, era o forte espírito corporativo do Ministério Público Federal, a coesão do grupo de Curitiba e o apoio incondicional da mídia, enquanto os alvos fossem adversários políticos.

A forte blindagem da opinião pública, o espírito de manada, inibia todas as críticas. As avaliações sobre a falta de experiência da banda brasiliense da Lava Jato, sobre os exageros da quantidade de delatores de Curitiba, tudo isso ficava entre quatro paredes. No máximo, eram sussurradas críticas do Ministro Teori Zavascki sobre a inconsistência técnica de muitas das denúncias, o estilo panfletário substituindo a apresentação escassa de provas documentais.

Não que não houvessem provas. O problema é que se criou um vício circular. Numa ponta, o poder e a ânsia de bater recordes por parte dos procuradores, de fazer da operação a maior da história, a maior do planeta. De outro, a extrema facilidade em transformar qualquer frase em manchete condenatória, por parte de uma mídia que terceirizou a editoria de Lava Jato para a força tarefa. E, através da mídia, inibiam a atuação dos tribunais superiores.

Obter mais de cem delações de uma mesma empresa é uma bobagem ciclópica. Informações não circulam livremente. Há um grupo restrito na cúpula que controla as informações e as ações. E, na base, pessoas que assistem os movimentos sem ter noção completa do todo.

Por isso mesmo, incluí-los nas delações significa abrir uma enorme guarda para a exploração de conflitos de interpretação pelos advogados de defesa e, agora, pela mídia, em sua investida para esvaziar a Lava Jato.

O carnaval da Folha de hoje, contra a Lava Jato, é em cima de um factoide – da mesma natureza dos factoides plantados pela Lava Jato. A maneira como um delator relatou o mesmo episódio para o MPF e para a PF é significativa para se entender como é o jogo de indução na delação, mas, mais do que isso, como é o jogo de interpretações pela mídia.

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Objetivamente, o delator Cláudio Mello Filho  disse que procurou o senador Renan Calheiros para apresentar pleitos da Odebrecht. Na conversa, Renan teria solicitado contribuições para sua campanha. Não houve nenhum condicionamento explícito de apoio às medidas em troca das contribuições de campanha.

O trecho da delação é o seguinte:

“Em determinado momento da conversa, ele me disse que seu filho seria candidato ao governo de Alagoas e me pediu expressamente, que eu verificasse se a empresa poderia contribuir. Acredito que o pedido de pagamento de campanha a seu filho ao governo do Estado de Alagoas, justamente no momento em que se apresentavam os aspectos técnicos relevantes, era uma contrapartida para o forte apoio dado à renovação dos contratos de energia, inclusive publicamente, e que culminou na edição da MP n. 677/15. Entendi, na oportunidade, que esses pagamentos, caso não fossem realizados, poderiam vir a prejudicar a empresa de alguma forma.

(…) Soube posteriormente que foram doados oficialmente R$ 320 mil a pretexto de campanha, sendo R$ 200 mil para a candidatura direta e R$ 120 mil através do diretório estadual do PMDB/AL e depois repassado para a campanha da candidatura, conforme tabela abaixo”.

(…) Minha ação foi de transmitir e apoiar internamente o pedido feito pelo Senador Renan Calheiros, porque era do meu interesse atendê-lo, tendo em vista que a minha empresa tinha agenda institucional permanente no Senado Federal”.

Ou seja, Mello não tinha sequer o controle sobre as doações, já que tinha que defende-las perante o Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht. Se fosse propina – isto é, pagamento de dinheiro amarrado a uma contrapartida – o dinheiro seria carimbado.

No depoimento no inquérito da PF:

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“Que para o declarante a doação foi realmente uma doação eleitoral e não pagamento de propina”; “Que Renan não condicionou a sua atuação política à retribuição financeira da Braskem”.

A rigor, não há nenhuma contradição entre o depoimento ao MPF e à PF. A rigor, também não há uma informação objetiva que justificasse a abertura do inquérito. Mas o PGR e o MPF tinham suas preferências políticas e sua pretensão de bater recordes mundiais. É esse o teor do questionamento da PF. Qual a razão para abrir o inquérito, desperdiçando recursos e dispersando as investigações?

O MPF está provando, agora, do veneno que criou com os jogos midiáticos. Como passou a falar para o tribunal da mídia, está sendo condenado agora, pela PF, se valendo do mesmo tribunal. E será assim, daqui por diante. Do mesmo modo da opinião da delegada que defendeu a não concessão de benefícios a Sérgio Machado, por sua delação. Pode até ter razão, mas delegada questionar delação do MPF é da mesma natureza que procuradores de Curitiba questionarem o Ministro da Justiça. Provam do próprio veneno.

Na fase inicial, os jacobinos de Curitiba chegaram a denunciar delegados da PF que apuravam a autoria das gravações clandestinas colocadas em celas da delegacia. Os abusos não poupavam ninguém, jornalistas, delegados ou advogados, que também tiveram seus telefones grampeados.

Por outro lado, o excesso de protagonismo dos procuradores provocou ciumeira da corporação da PF. E o desmonte do grupo de trabalho da PF completou a obra. Não existem mais delegados da Lava Jato, mas delegados da PF investigando denúncias apuradas pela Lava Jato.

Agora, todos os abusos que serviram para derrubar Dilma, crucificar o PT e condenar Lula serão utilizados como provas para evitar a condenação de José Serra, a prisão de Aécio Neves e a queda de Temer.

Simples assim.

 

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8 comentários

  1. É isso aí Nassif, nada mais a

    É isso aí Nassif, nada mais a acrescentar em relação ao tema Lava Jato. Cumpriu o objetivo para o qual permitiram que existisse. O poder estabelecido fêz o que quis..

  2. MPF continua c/sua aliada principal na detonação do BR: GLOBO

    É evidente a mudança de rumo, vetical, da PF. De incendiária para bombeira. A briga, por trás, é entre quem está comprado e quem está vendido em “Brasil”. A Globo, principal aliada dos carbonários de Curitiba, está, no curto prazo, vendida. Quer que o circo pegue fogo ainda mais. Comprovamos isso com Nos. da própria Globopar:

    Bomba: os Marinho colocaram a Globo na roleta do Cassino!

    Por “Dom Cesar” & Romulus

    No popular:

    – Os Marinho estão saindo fora!

    E, por isso, querem a grana toda…

    – … in cash!

    Com a moeda nacional desvalorizada, o país fica “barato” e o poder da “alavanca” de quem tem dólares torna-se muito maior.

    Some a isso, ainda:

    (i) a depressão econômica, barateando os ativos brasileiros no geral;

    e, no particular…

    (ii) a implosão de setores inteiros da economia nacional, via Lava a Jato.

    Resultado: xepa!

    E aí…

    Quem tem dinheiro na mão – a tal da “liquidez”… – é rei!

    *

    “Aposta na aposta, na aposta, na aposta, na…”

    – Os Marinho apostam no seu poder de viciar a “roleta do Cassino”, via Rede Globo…

    Para…

    Ao final…

    – Ganharem, também, na sua aposta principal: a especulação financeira.

    Haja alavancagem: um verdadeiro castelo de cartas!

    *

    “Castelo de cartas”…

    A espera de um…

    – … sopro??

     

    LEIA MAIS »

  3. Penso que TODOS os

    Penso que TODOS os integrantes da lava jato deveriam ser demitidos do serviço público, processados, condenados e presos por longos períodos.

    O mal que esta gente fez ao país não dá para ser calculado em nenhum nível econômico, social ou democrático.

    Eles não podem sair impunes despois de destruir a economia e pavimentar o caminho para os maiores ladrões do país chegarem ao poder e promover a desgraça que estão fazendo. Isto sem falar no clima de ódio reinante no país hoje.

    Acredito até que não há mais esperança de futuro para o país.

  4. a farsa tem que acabar

    Armaram o circo e agora vão dourar a pírula e enfiar goela abaixo (só para não usar expressão mais adequada) do povo que os bandidos são os mocinhos da história, os do bem, ou melhor, os de bens. Haja enganação!

  5. Vergonha

    Caro Nassif e leitores

    Isso é uma vergonha de dimensões continentais.Sem palavras, estou perplexa com tudo isto.

    Estarrecedor demais, fere a minha alma e dilacera o meu coração.

    No que tange ao desgoverno Temer, a idéia do referendo revogatório (do Senador Requião)

    de todas as medidas impostas por ele precisa ganhar musculatura.

    Todos os blogueiros das forças progressisas têm uma missão hercúlea de investigar a fundo tudo

    o que está acontecendo na seara política.

    Simples assim.

     

  6. A INTELIGENCIA ARTIFICIAL, O ALGORÍTIMO E A JUSTIÇA ARTIFICIAL

    Pois não é que aflora entre os otimistas do prog e do pig, a tecnologia, inovação,  tudo bem o novo sempre substitui o velho as novidades tecnológicas descansa o homem em certas atividades fisicamente massacrante, porém me chamou a atenção a semana que passou o algoritmo contrário ao usando na lava jato, preguiça mesmo, porém quem alimenta os tais algoritmos é o homem, então não é bem assim como os mestrados nos EUA se acham, irradiam uma novidade que irá prender todos porque não mente, e agora é o que determina a parlapatona JUSTIÇA ARTIFICIAL. A entrevista do juiz maluco a folha foi didática, olha “a testemunha não viu o sujeito atirar no outro, porém o viu perto do local do crime com a arma fumegando,” fumegando mesmo. Imaginem se o cidadão ali passado é um criminoso e um cidadão apenas havia suicidado e ele louco por uma arma a locupleta e passa por ali com ela fumegando. A lógica do Moro é falha e só estão condenando LULA porque haverão de lhe devolver dinheiro das ações contra procuradores que no seu entender mentirão quando usaram o famoso Power point. Por fim a justiça brasileira como novidade para mundo, agora apresentam como a primeira JUSTIÇA ARTIFICIAL do planeta, ficcionalmente inepta e de qualidade não só seletivamente duvidosa, mas a falta dela mesmo. Então agora chegamos a era da INTELIGENCIA ARTIFICIAL. 

  7. Está acontecendo o que a

    Está acontecendo o que a maioria aqui já sabia. Nenhuma novidade. O jornalismo brasileiro está a serviço dos donos da mídia e de seus apaniguados. Por isso não perco meu tempo com ele.

  8. “todos os abusos que serviram

    “todos os abusos que serviram para derrubar Dilma, crucificar o PT e condenar Lula serão utilizados como provas para evitar a condenação de José Serra, a prisão de Aécio Neves e a queda de Temer.

    Simples assim.”

    Sem mais.

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