O Covid faz renascer a esquerda europeia, por Luis Nassif

No fundo, a decepção com as reformas das leis trabalhistas da Alemanha, a desregulamentação financeira no Reino Unido, a austeridade fiscal no sul da Europa ajudaram a desidratar a social democracia do continente.

A pandemia tem permitido um renascimento da social-democracia europeia. Desde o fim do Muro de Berlim, a social democracia perdeu fôlego, foi engolfada pelo ultraliberalismo que dominou o Ocidente no período.

Agora, está havendo uma espécie de renascimento da centro-esquerda europeia, por conta da pandemia Covid-19.

A análise é de Paulo Taylor, do site Politico.

Nas eleições gerais deste mês, o Partido Trabalhista da Noruega derrotou um governo de centro-direita, com populistas anti-imigração. Completa o ciclo de vitórias de partidos social-democrata nos países nórdicos.

Espanha e Portugal voltaram a ser governador pela esquerda. Na Itália, o Partido Democrata, de centro-esquerda, é a principal força de apoio ao primeiro-ministro Mario Draghi. E há possibilidade concretas da esquerda assumir o poder da Alemanha, depois de 16 anos de Angela Merkel.

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Pelo levantamento, não é um renascimento geral. A esquerda francesa não encontrou o rumo, depois da gestão François Hollande em 2017. O Partido Trabalhista britânico também está atrás dos conservadores, assim como o Partido Trabalhista Holandês. E há possibilidades concretas da extrema direita assumir o poder na Itália em 2023.

O que anima esse renascimento é o fortalecimento das ideias progressistas, especialmente a partir da vitória de Joe Biden nos Estados Unidos. Seu discurso de aumento dos investimentos públicos, justiça fiscal e economia verde está ecoando pelo mundo e empurrando líderes europeus mais discretos.

O derrota de Donald Trump, além disso, significou uma derrota dos partidos nacionalistas anti-imigração.

Essa mudança não se deve especificamente a políticas de apoio aos afetados pelo Covid. Centro-direita e centro-esquerda criaram medidas de estímulo e proteção social. Mas o discurso de reconstrução da ação do estado torna-se gradativamente hegemônico novamente.

Outra bandeira que se fortaleceu foi a do aumento do salário mínimo, da moradia pública e direitos trabalhistas para trabalhadores de plataformas. A onda verde, também, fortaleceu partidos verdes em muitos países.

A bandeira de Olaf Scholz, candidato do Partido Social Democrata Alemão inclui aumento do salário mínimo, investimentos na melhoria dos serviços públicos, gastos para economia verde.

O curioso é que a guinada da social-democracia em bandeiras do mercado provocou dois tipos de movimento. Numa ponta apareceu uma esquerda mais radical; na outra, partidos de extrema-direita.

No fundo, a decepção com as reformas das leis trabalhistas da Alemanha, a desregulamentação financeira no Reino Unido, a austeridade fiscal no sul da Europa ajudaram a desidratar a social democracia do continente.

Segundo Taylor, a esquerda ainda não conseguiu fechar posição em torno do tema da globalização e da União Europeia, e ainda não conseguiram conquistar os críticos radicais da imigração, do multiculturalismo e da renda universal básica.

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