O dilema de Biden com o boicote à Rússia, por Luis Nassif

Para dar conta do recado, terá que haver uma enorme flexibilização na legislação ambiental além de reduzir o desestímulo do mercado de capitais ao investir no setor. 

Foto: Walta Info

A Europa enfrenta recessão econômica, produção industrial em queda, salários comprimidos, e fábricas fechando nas áreas química, siderúrgica e de máquinas.

Parte relevante da crise é o aumento dos preços do petróleo, decorrência da guerra da Ucrânia e do boicote da Rússia. 

A Europa continua dependendo em 45% do gás russo, 27% do petróleo e 40% do carvão.  As sanções contra a Rússia reduziram em 80% as exportações de energia. E o quadro se torna mais sensível com as metas da União Europeia, de reduzir  a dependência do petróleo russo até 2030. Será impossível o aumento da oferta dessa energia para substituir a dependência da Rússia.

Só a ameaça de corte do petróleo russo no inverno fez a Alemanha e outros países europeus a colocar em prática racionamento no fornecimento de gás à indústria.  Dependendo do rigor do inverno europeu, a insatisfação popular poderá ser gigantesca, com enfraquecimento da frente de boicote à Rússia.

Esses problemas já reduziram em 1% a produção industrial europeia em março, e um crescimento de apenas 0,3% em abril. Essa desaceleração da economia europeia aumenta a possibilidade de uma recessão mundial.

Aí se entra na sinuca de bico do governo Biden.

Uma de suas bandeiras era a energia verde, a redução da dependência dos combustíveis fósseis. Para tanto, foram aprovadas medidas ambientais mais rígidas e houve desestímulos ao aporte de capital do mercado em setores fósseis.

No entanto, para mitigar a crise, o governo Biden terá que enfrentar desafios complexos.

Um deles, mais simples, é aumentar a proporção de vendas de GNL para a Europa. De fato, a proporção aumentou de 34% para 74% das exportações americanas de GNL.

Por outro lado, a própria política energética de Biden, de redução do carbono, esbarra na poluição extrema do gás de xisto – base do aumento da produção energética americana. 

Trata-se de uma incoerência percebida pelo público. De um lado, a revolução verde. De outro, a exigência para que as empresas petrolíferas investissem maciçamente no aumento da produção de combustíveis fósseis.  

Além disso, os EUA terão que recorrer a importações de dois países tidos como adversários, a Venezuela e o Irã. Além disso, a maior capacidade ociosa de refino está na China.

Para dar conta do recado, terá que haver uma enorme flexibilização na legislação ambiental além de reduzir o desestímulo do mercado de capitais ao investir no setor. 

Sem isso, é enorme a possibilidade de que a União Europeia flexibilize as retaliações contra a Rússia e aumente os estímulos a um acordo de paz.

3 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Vladimir

- 2022-07-07 12:39:59

O presidente dos falcões do norte,um fantoche da indústria armamentista,não está nem um pouco preocupado com inflação ou meio ambiente./sua preocupação única é não ver sua republiqueta ultrapassada pelo dragão chinês ainda em sua gestão que,convenhamos,paraece cada vez mais difícil. Enquanto os falcões brincam de guerrear,a China,com sua famosa paciência,vem buscando um crescimento sustentável com todos os seus parceiros no mundo e,sua nova rota da seda,nada mais é do que uma volta ao mundo,ou seja,os falcões ter~~ao duas opções: Estão dentro ou estão fora. Se decidirem ficar fora terão de trabalhar duro,muito duro,para terem a sua vida boa mantida. Parece mais lógico e menos humilhante se curvar ao dragão chinês

sergio

- 2022-07-07 10:50:16

Vamos ver até onde vai a estupidez destes lideres de araque que temos no mundo hoje. Um deles acabou de dar adeus, o Boris Ieltsin inglês. Em novembro será a vez do Biden se tornar o presidente, além de senil, pato manco dos USA. O Olaf alemão que se cuide para não ser o próximo. Estes estão conduzindo o mundo para uma crise pior que a de 1929. Ao invés de procurar a Paz, procuraram a guerra. E ainda com um país que tem o maior arsenal nuclear do mundo, que se não servir para dissuadir um país como a Ucrania, serviria para o que? Ou seja a Russia não vai se permitir sair derrotada desta guerra de forma alguma. Outra coisa estupida é pensar que podem limitar o preço que os Russos possam vender seu produto, isto como diria Garrincha sem combinar com os russos. A única coisa que pode advir desta ideia estúpida seria os russos não venderem o produto e fazer com que o preço disparasse e ai os russos obteriam a mesma receita vendendo menos. Coisa de gênio estas idéias. Ao fim e a cabo, os ucranianos serão derrotados, o mundo vai entrar em uma crise tremenda, e como sempre os pobres pagarão a conta da estupidez destes lideres mequetrefe marca barbante que governos países chaves no mundo.

Jicxjo

- 2022-07-07 08:26:09

A despeito das opiniões externadas pela mídia ocidental no início da guerra na Ucrânia, mais uma vez os russos estão mostrando que são craques no xadrez.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador