O mercado descobriu o NUCI e parou de sonhar com a fada da confiança, por Luis Nassif

A realidade é a demanda concreta, o que é vendido pela empresa. Sonho é a intenção do empresário de investir apostando que a demanda chegará do céu, pela crença de todos nas virtudes da política econômica. É o que o Nobel Paul Krugman ironiza como "fada da confiança" que, com sua varinha mágica, fará a economia melhorar apenas pela força da fé

Há duas formas de prever as decisões de investimento da economia: pela realidade e pelos sonhos.

A realidade é a demanda concreta, o que é vendido pela empresa. Sonho é a intenção do empresário de investir apostando que a demanda chegará do céu, pela crença de todos nas virtudes da política econômica. É o que o Nobel Paul Krugman ironiza como “fada da confiança” que, com sua varinha mágica, fará a economia melhorar apenas pela força da fé

Acontece que os sonhos, ou expectativas, são fundamentalmente influenciadas pela mídia. Se a mídia propaga que tudo está melhorando, cada parte do todo – o consumidor e o empresário – mesmo em situação precária pensará que está ruim para ele, mas bom para a maioria.

Tempos atrás montei uma tabela comparando o Índice de Confiança do empresário, medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o desempenho real da indústria, medido pelo IBGE – com uma defasagem de 6 meses, que estimei ser a distância entre o sonho e a realidade.

No período pré-impeachment, o sonho estava muito abaixo da realidade. Ou seja, o quadro econômico era menos ruim do que a confiança do empresário. Depois do impeachment, inverteu o jogo: as expectativas sempre foram melhores do que a realidade. Ou seja, as expectativas nunca se confirmaram.

É o que acontece agora quando o mercado “descobriu” que existe o NUCI, Nível de Utilização da Capacidade Instalada da indústria. Só quando o NUCI estiver acima de 85, o industrial começará a pensar em aumentar as instalações.

Aqui, você tem nas barras em azul o NUCI mensal dessazonalizado. Na linha abóbora, a variação em relação ao mesmo mês do ano anterior.

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Em dezembro de 2019, a variação positiva estava em menos de 0,5%.

Vamos conferir outra tabela, a média de 12 meses, até dezembro de 2019, comparando com períodos anteriores. Em relação a dezembro de 2018, pífios 0,17 de crescimento. Em relação a dezembro de 2014, 4,5% abaixo.

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