O xadrez de Ilan Goldfajn

Continua a montagem do governo interino de Michel Temer.

Nos Ministérios, em geral, é uma surpresa atrás da outra, do Ministro da Saúde que não sabe interpretar indicadores do SUS, e sustenta que plano de saúde não deve ser regulado, ao Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que admite que sua única experiência com a indústria foi como contador de uma fábrica.

De uma maneira geral, o segundo escalão está sendo inteiramente loteado, em um grau até hoje inédito.  Possivelmente nem no interregno de José Sarney chegou-se a tal nível de aparelhamento.

Mas na montagem de parte da equipe econômica está se acertando mais o passo.

A indicação de Pedro Parente para a presidência da Petrobras é garantia da manutenção da profissionalização de gestão instituído por Aldemir Bendine e da consolidação dos sistemas de compliance.

Parente é um funcionário público de carreira, com passagem bem-sucedida pelo setor privado. No governo FHC, foi a grande âncora na qual se sustentou o governo, depois dos desastres do apagão.

Na economia, persiste a visão fiscalista torta, de buscar o equilíbrio fiscal à custa de mais cortes orçamentários.

Mas houve um ganho efetivo na indicação de Ilan Goldjan para o Banco Central, pela possibilidade de corrigir alguns dogmas do mau monetarismo.

A peça do BC

Uma das poucas notícias positivas estruturantes, nos últimos tempos, foi o anúncio da possibilidade do próximo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, criar uma instância superior à do Banco Central para formular a política cambial.

Leia também:  Investigação de TCU sobre declaração de Guedes entra em nervo exposto da corrupção financeira, por Luis Nassif

O país tem uma resistência histórica a corrigir erros óbvios. Adota-se uma teoria incorreta, mas que gera vencedores. Constatadas as inconsistências, elas se perpetuam mantidas pelos grupos vencedores.

É o caso da política cambial brasileira, a maneira como ficou subordinada ao sistema de metas inflacionárias.

Criou-se uma situação esdrúxula.

A qualquer soluço da inflação, independentemente das causas (choque de oferta ou de demanda, problema climático, choque cambial), aumentam-se os juros. Imediatamente, iniciam-se duas consequências deletérias:

1      Mais juros, mais entrada de dólares, mais apreciação cambial. Isto é, o real fica mais valorizado comprometendo as exportações.

2      Juros na veia do orçamento, pressionando a dívida pública e comprometendo fatias cada vez maiores do orçamento.

No entanto, não há nenhuma restrição, nenhum limite contra essas sequelas. Em todo esse longo período, que vem do início da gestão Armínio Fraga no BC até hoje, o BC atuou de forma esdruxulamente independente. Não se travava da independência técnica – necessária na implementação da política monetária – mas no direito absoluto de criar desajustes cambiais e custos astronômicos de juros.

Em todo país civilizado, a política cambial é elemento central de política econômica, diretamente ligada a um projeto de país. Nenhum governo abre mão do poder de decidir sobre o câmbio.

Se quer estimular a indústria interna, mantém a moeda desvalorizada. Se julga a economia suficientemente forte, valoriza a moeda. Se quer praticar populismo cambial, aprecia o câmbio.

Seja qual for o objetivo, definir a política cambial é prerrogativa de governo. Ou, no mínimo, de um conselho interdisciplinar que analise todos os impactos da política monetária sobre o conjunto da economia, incluindo emprego e orçamento.

Leia também:  Quem promoveu a concentração bancária no Brasil, por Andre Motta Araujo

Não se sabe até que ponto, como presidente do BC, Ilan ousará as propostas que podia elaborar livremente, de fora do governo. Se instituir esse conselho, com uma composição de peso, e acelerar a queda da taxa Selic, ante a iminência de queda acelerada da inflação, terá dado sua contribuição.

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55 comentários

  1. Claro, a parte econômica tem que ser resguardada para não perder

    Claro, a parte econômica tem que ser resguardada para não perder valor o patrimônio a ser vendido, agora tudo aquilo que é serviço público quanto pior melhor.

    Baita xadrez!

     

  2. Engana-se caro Colunista, em

    Engana-se caro Colunista, em relação ao sr. Parente, quer como funcionário público (senhor caspas, de triste memória no BB), quer como na área privada (sua passagem pela RBS é sentida até hoje, como aquele jogador comprado por muito dinheiro e com desempenho pífio). Para o país, como um todo e a Petrobrás em particular, raposa no galinheiro privatista.

  3. Governo “tira-gosto”

    O Temer está ainda com a espada de Dâmocles sobre a sua cabeça, pois, ainda há uma probabilidade razoável de Dilma voltar ao Governo. Esta probabilidade de Dilma voltar aumenta em proporção direta com a eventual implantação de medidas que Temer (e os seus apoiadores golpistas) gostaria de tomar e não pode, por conta disso.

    Temer fará nestes 180 dias um governo “tira-gosto”, de degustação, tímido, mostrando apenas a ponta do iceberg que esconde as verdadeiras intenções neoliberais, observando tanto a opinião pública como a direção do vento dentro dos senadores mais indecisos em relação à Dilma. A classe empresarial apoia integralmente (foi enternecedor o anuncio da KIA na TV ontem, apoiando ao novo ”Presidente”), assim como o PIG e outros setores golpistas dentro dos poderes “meritocráticos” da república.

    Aplicando este raciocínio ao caso específico do Goldfajn, embora Nassif destaque alguma ação “estruturante”, o 90% do iceberg oculto traz a autonomia do BC no seu bojo.

    O papel das mulheres no novo governo golpista

    No plano social, a falta de mulheres na nova equipe de Governo contrasta com a exaltação do “way of life” da primeira dama “recatada e do lar”, cuja vida de dondoca já começa a aparecer em publicações internacionais. Ainda, o cartão de crédito inesgotável da mulher do Eduardo Cunha no exterior traz mais um sinal de estes novos tempos, onde o papel reservado à mulher, neste novo cenário político no governo golpista, é para usar e exibir (como a canção de Vinícius de Moraes). O programa “mulheres ricas” da Band poderia fazer sucesso nestes novos tempos.

    Este aspecto é mais um complicador para Temer e o seu “grupo de homens e um destino”, com roteiro de filme machão dos anos 50. Pelo menos, o PIG poderá novamente “bombar” com a Revista “Caras” e outras do tipo, agora com vasto material para educar a mulherada brasileira. A gente já não tinha mais o que ler nos consultórios médicos ou no cabeleireiro. A Dilma só andava de bicicleta, porra!

  4. O Senado se mistura ao

    O Senado se mistura ao governo interino com nomes de primeiro e segundo escalão que disputam e conseguem cargos na formação administrativa federal provisória. Com isso, como o Senado vai ter isenção para depois de 180 dias julgar presidente afastado? Claro que o governo provisório vai agir para continuar a governar, se tiver chance disso. O próprio fato de deputados fazerem parte do governo interino em grande número, já põe a própria votação de autorização para andamento do processo de afastamento em clara suspeição. Qualquer parlamentar jamais poderia compor um governo provisório enquanto durasse o processo de afastamento por parlamentares. Se o longo rito do processo visava estender ao máximo as possibilidades de defesa do presidente afastado, a prática mostrou que ele não funciona nesse sentido, quanto em torno do suposto impeachment opera um grupo político fortíssimo no parlamento e muito interessado em galgar ao poder, e esse grupo faz livremente uma coalizão interna no Congresso com esse fim. Na verdade isso cheira tão fortemente a usurpação de poder que é impossível não se tapar o nariz. Não pode haver nenhuma dúvida. Aí está um golpe de Estado de parlamentares para tomarem e absorverem o poder executivo. Que não poderia ter acontecido, ressalte-se, sem a participação fundamental do poder judiciário.

  5. Acho que Temer está o

    Acho que Temer está o seguindo o conselho dum acessor de Clinton para a primeira eleição deste em 92 =”É economia, seu estúpido!”  Ou seja, loteia até não poder mais todos os setores, se alia com o que há de mais nebuloso, para dizer o mínimo, na parte política e aposta TODAS as fichas numa área econômica de respeito. Temer sabe que se ele acertar na economia, coisas bobas como corrupção serão deixados de lado ou conveniente esquecidos. Mas, se a economia dar com os burros n’água, ele cai rapidinho.

  6. Aparelhamento de OSs de P&D&I

    ” De uma maneira geral, o segundo escalão está sendo inteiramente loteado, em um grau até hoje inédito.  Possivelmente nem no interregno de José Sarney chegou-se a tal nível de aparelhamento.”

    Nassif, nem as OSs ligadas a P&D&I estão escapando:

    http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/3-organizacoes-sociais-de-ciencia-estranham-cabecas-de-planilha-do-novo-ministerio/

  7. A ilusão
    Nem é tão claro assim o ganho destas nomeações. A ilusão fica sendo a perda de tempo, dentro do diagnóstico errado. Os juros serão explosivamente trazidos ( ou mantidos ) para cima. Inexplicavelmente, numa terra árida de liquidez e de parada nos negócios, gastos, investimentos e expectativas. Prá que? Para a afirmação da política da terra arrasada.( Jucá já quer a licença para admitir 200 bilhões de desequilíbrio orçamentário, num governo de 180 dias! Noticia de ontem) E venda dos ativos brasileiros por fino e desidratado preço de banana. Nassif, ouviu dizer que Temer é criação de Cunha? O Brasil está sendo fatiado e vendido. Atrozmente. A doce ilusão é a perda de tempo.

  8. Dois atravessamentos

    “Parente é um funcionário público de carreira, com passagem bem-sucedida pelo setor privado. No governo FHC, foi a grande âncora na qual se sustentou o governo, depois dos desastres do apagão.”

    Ontem, encabeçando o “Ministério do Apagão”, Parente abriu as pernas/torneirinhas às termoelétricas, proporcionando todas aquelas benesses ao setor privado que já conhecemos. E amanhã, qual será a “compliance descontigencial” da vez? A entrega definitiva do pré-sal? Talvez, como dano colateral, “minando” a crescente participação do renovável (eólica, solar, biomassa) em nossa matriz energética?

    “Na economia, persiste a visão fiscalista torta, de buscar o equilíbrio fiscal à custa de mais cortes orçamentários. Mas houve um ganho efetivo na indicação de Ilan Goldjan para o Banco Central, pela possibilidade de corrigir alguns dogmas do mau monetarismo.”  

    Ontem: “Em períodos de depressão, não há ajuste fiscal possível”/“Vocês imaginam que custo fiscal tem isso [swaps]. Poderia comprar leite das criancinhas, salários ou pagar swaps.” (José Serra, Ministro Interino das Relações Exteriores). Amanhã: Ministro da Fazenda? Depois de amanhã: candidato à Presidência da República? 

     

  9. O que diz a FUP sobre Parente
    Em nota, a Federação Única dos Petroleiros repudia a nomeação de “um ex-ministro de FHC que chancelou processos de privatização e tem em seu currículo acusações de irregularidades e improbidade na administração pública”; eles citam contratos de parceria com o setor privado para construção de usinas termoelétricas, entre 2000 e 2003, que “geraram prejuízos de mais de US$ 1 bilhão à Petrobras, que se viu obrigada a assumir integralmente as termoelétricas para evitar perdas maiores”; “Não é com gestores deste perfil que a Petrobrás vencerá a crise que atravessa”,

    http://www.brasil247.com/pt/247/economia/233395/Petroleiros-repudiam-Par

  10. Gestão, politica e filosofia. Quais os objetivos?
    Não vamos nos esquecer que a tal “gestão” era o mote de propaganda dos governos neoliberais do PSDB, que incensados pela mídia…. governos de competência.

    FHC, Serra, Aécio; govermos de excelência, nos foi dito.

    Não existe gestão boa, desgrudada dos objetivos, da filosofia.

    Gestão para dar lucro, arrumar para vender?

    Ou gestão para desenvolver o equilíbrio social, possibilitar o surgimento de novas indústrias?

    Governos públicos, gestão pública não é gestão privada, o problema é político com objetivos coletivos e sociais, e deve ser analisado por este prisma. A “gestão” (privada) como prioridade de governo vem ocorrendo desde a implementação do neoliberalismo com Reagan e Thatcher, e os resultados pelo mundo estão aí para quem quiser ver.

    O seu objetivo é reduzir os governos centrais e transferir para o particular funções de Estado, e neste sentido a própria “gestão” dentro dos governos deixa de priorizar serviços essenciais de natureza pública, e com o lema crescer, crescer, crescer passa a cuidar com exclusividade das condições que possam favorecer o desempenho das indústrias e do agronegócio, o dinheiro público deixa de ser utilizado para investimentos dos chamados serviços públicos essenciais e é direcionado para o setor privado.

    Esse é o crescimento neoliberal que aprofunda desigualdades, traz dificuldades no acesso à educação e saúde e cria precárias condições de vida para a população, exceto para aqueles que podem pagar pelos caríssimos serviços particulares médico-hospitalar e escolas particulares.

    Em nome da “gestão” outros conceitos e eufemismos são utilizados como armas para reduzir o Estado, por exemplo:

    “Reforma”. Termo sempre utilizado para a eliminação de direitos do trabalho, para o fim da regulamentação pública do capital e à redução de subsídios públicos que tornavam a vida do pobre mais acessível, e nunca no sentido de possibilitar mudanças que diminuíam desigualdades e aumentavam a representação popular, promoviam o bem-estar público e a restrição do abuso de poder por regimes oligárquicos ou plutocráticos.

    “Austeridade”. Utilizado para encobrir os cortes em salários, pensões e bem-estar público. Com a “gestão”, medidas de “austeridade” passam a significar políticas para proteger e mesmo aumentar subsídios do Estado a negócios e negociatas, criar lucros mais altos para o capital e maiores desigualdades.

    “Recuperação econômica”. Significando a recuperação de lucros pelas grandes corporações. Ela disfarça a ausência total de recuperação de padrões de vida para as classes trabalhadora e média, a reversão de benefícios sociais e as perdas econômicas.

    “Eficiência”. Com esta máxima a “gestão” dos governos maquiaram as privatizações, e os serviços públicos essenciais e os estratégicos foram transferidos para o setor privado.

    Fiquemos apenas nestes exemplos, e passemos a analisar as causas dos movimentos de ruas.

    Esses movimentos de rua que passam a ocorrer, com constância, pelo mundo é fruto desta despolitização. A política se reduz a atender interesses privados.

    Enquanto na UE a luta da população é para não perder as condições trazidas pela política do “bem estar social”, bons serviços públicos e que atendeu à todos, no Brasil a luta será ainda mais acirrada pois por aqui nunca tivemos essa mínimas condições de vida dignas.

  11. Estou contando

    Estou contando os dias pro endividamenteo externo do Brasil

    É a solução mais rápida e neoliberal possível no cenário, com os EUA e o FMI bancando o pato do PSDB

    A contrapartida será a entrega do pré-sal e outras cositas más, como boa Repúblicas das Bananas…

  12. 9 bancos na mira do BACEN !

    Segundo este jornal alemão:

    http://www.wiwo.de/finanzen/boerse/brasilien-zentralbank-fuerchtet-um-stabilitaet-von-instituten/13613474.html

    o Banco Central estaria de olho em 9 bancos brasileiros, considerados problemáticos, entre eles um tal de BTG-Pactual. 

    Os demais bancos seriam pequenos.

    Interessante neste artigo é a imagem de um certo político, com a fama de que não pode ver nenhuma cadeira esfriando, que ele logo quer sentar nela, e se o caldo engrossar para ele, ele costuma se afastar. Seria ele quem divulgou isso? 

  13. Não consigo escrever assim,

    Não consigo escrever assim, de cabeça o nome do “presidente” do banco central, então vou usar “Homem do Itaú” daqui pra frente. Pouco importa isso ou aquilo. Este “governo” vai se explodir da mesma forma que explodiu o governo sarney porque os golpistas não tem compromisso com o que é melhor para a nação. O projeto de país que eles tem é made in usa.

  14. Maravilha de golpe.

    Uma pergunta ao Sr. Nassif.

    O senhor está vendo um lado bom no golpe?

    Estou entendendo corretamnete?

  15. Nassif

    “A indicação de Pedro Parente para a presidência da Petrobras é garantia da manutenção da profissionalização de gestão instituído por Aldemir Bendine e da consolidação dos sistemas de compliance”

    Uma empresa com a Petrobras não merece isso, isso é defesa do indefensável; pedro Parente é um dos mais destacados tucanos lesa-patria de que se tem notícia, é um privatista e anti-Brasil porra-louca.

    Juro que não entendi.

    Minha previsão com Temer era a Petrobrás ser destruída em 6 meses e o Brasil atrasando uns 30 anos no mesmo período… errei feio na Matemática:

    – O país já retrocedeu 40 anos em 7 dias e a Petrobrás não dura mais 1 mês como a conhecemos hoje.

    E o pior disso tudo: pessoas que formam o pensamento de outras, como você, achando que isso se chama, no caso da ainda estatal, “profissionalismo”.

      • Uma ressalva.

        Temer não comete o crime de nepotismo com o pedro PARENTE na Perobras?

        Só para relaxar um pouco.

    • E continua
      a sangria – agora revestida de “profissionalismo”. Acreditar que não há/havia profissionalismo na PB, diante da corrupção identificada, é tão ingênuo (quando não má fé) quanto acreditar nas boas intenções deste “governo” em relação aos interesses e gestão da coisa pública pertencente ao povo brasileiro. A PB é um ativo valiosíssimo do qual estamos abrindo mão por termos sido instados a acreditar que é irrecuperável. Irrecuperável se tornará a empresa para seus donos se não houver uma interrupção neste processo de desmanche. Esfacelar a PB como estão fazendo é crime de lesa-pátria. Tão grave quanto o surrupio do meu voto.

  16. Economia política

    É possível separar a análise econômica da política? Esse pessoal não dá ponto sem nó!

     

  17. Já li muitos comentários

    Já li muitos comentários brilhantes do Nassif, inclusive e principalmente, sua denúncia sobre o golpe ( que o ex-marido da Dilma dizia  impossível de acontecer) que afinal se concretizou.

    Mas ele precisa parar de acreditar em pessoas. É o contexto geral que conta. Dessa forma, leitora antiga das colunas do Nassif  eu já li que o Serra era um excelente administrador, depois das maravilhas do choque de gestão do governo Aécio em Minas, depois li que o Teori seria o juiz que iria devolver a credibilidade e a seriedade ao STF (quem diria transformou-se num funcionário do IDP do Gilmar Mendes e acobertador do Eduardo Cunha), depois li sobre os bons conselhos que o Delfin teria sobre a economia quando o que propunha era exatamente “a ponte para o futuro” do governo Temer(só se for o futuro dos dois e a camarilha que representam) e agora leio sobre o xadrez do ex-funcionário do Itaú.

     Essa gente não está no governo para defender a economia brasileira ou representar com dignidade o país. Estão aí para privatizar, aumentar taxa Selic (a forma legal de roubar o país), promover desemprego, acabar com direitos trabalhistas e programas sociais e fazer o que quer a política externa dos países centrais, tendo a frente os Estados Unidos. Vão levar grana e muito, mas a corrupção vai acabar, pois contam com total apoio total do Judiciário e da imprensa. 

    Dá para acreditar em pessoas que são fiadores de um governo dirigido por Eduardo Cunha? E mais ainda, um governo que retalia a presidente encarcerando-a no Palácio da Alvorada? Só levando muita grana para se expor desta forma como fiadores do golpe, coveiros da democracia e destruidores de um projeto de uma nação mais justa. Sabe qual a diferença entre Meirelles, sua troupe e esse ex-funcionário do Itaú do Eduardo Cunha? Os ternos, camisas e gravatas compradas em lojas de grife em Miami. Ah! Ostentam as mesmas grifes? Então, nem no verniz são diferentes. 

     

    • Os juros pornográficos da Selic NÃO são legais

      Não concordo com você vera, os juros da Selic não são legal, são imoráis e representam a política mercantilista dos que nos exploram.

      Esta grana só sai do Brasil pela coerção da chantagem exercida sobre um governo idiota que não conseguiu se fortalecer por não ter dado Norte, Rumo e Estrela para a Nação brasileira.

      • Nó da questão

        Esqueçam déficit fiscal, “cenário de terra arrasada” segundo os golpistas, e tudo mais. O ponto central é a Bolsa Juros e o lobby dos oligopólios improdutivos (bancos) e produtivos (Brasil Foods, montadoras, JBS, Unilever, Procter & Gamble, etc) que conseguem convencer a sociedade desinformada de que a causa da inflação é um governo gastador (aí pensam em Bolsa Família, política de valorização do salário mínimo, etc), “bolivariano”, que financia Porto de Mariel e outras obras no exterior. Só ainda não conseguiram explicar o por que de uma Selic estratosférica em um país numa baita recessão, onde há muito tempo desapareceu do mercado consumidor uma ilustre senhora chamada “demanda aquecida”. Quando a Dilma tentou peitar o lobby, se não me engano em 2013, logo apareceram os miquinhos amestrados “deformadores de opinião”, inclusive com suas charges do dragão da inflação, dizendo que a Selic em queda seria o fim do mundo. Por que? Olhem os balanços dos oligopólios produtivos e vejam o tanto de $$$$$$$$$$$ resultante das aplicações financeiras. Tomar dinheiro no BNDES a taxas subsidiadas ou na matriz da multi, a juros próximos de zero e aplicar em títulos do Tesouro Nacional a 14,5% aa, até eu consigo me transformar em um gestor brilhante. E olha que o máximo que geri até hoje foi minha microempresa.

            Questão final: como não tivemos nos Governos Lula e Dilma uma comunicação clara para a população sobre o Projeto de País que estávamos buscando, e hoje então é que esse projeto não existe mesmo, não conseguimos criar musculatura para o enfrentamento dessa gang que vive às custas da transferência de renda da sociedade para seus polpudos bolsos.

  18. Pedro Parente = Aécio Neves

    “A indicação de Pedro Parente para a presidência da Petrobras é garantia da manutenção da profissionalização de gestão instituído por Aldemir Bendine e da consolidação dos sistemas decompliance”.

    Lembrei-me dos tempos que por aqui se destacava a moderna gestão do então governador de Minas Gerais Sr. Aécio Aeroporto Furnas Neves. 

     

  19. não é mais funcionário público

    PParente pode até ter sido um bom funcionário público, mas só enquato foi apenas isso. Duvido que alguém seja capaz de manter sua ética pública depois de servir a um governo tucano. Ou depois de sair do serviço público para a iniciativa privada.

    Funcionários públicos que vão para a privada correm o risco se tornar isto mesmo: bostas!

    Não acredito que possamos ser bem governados por bostas. Executivos de empresas privadas não tem noção de serviço público. Depois que incorporam a capacidade de “gerar valor para o acionista” tem a exata dimensão de quanto é difícil e improvável promover o bem comum. O atingimento de metas passa a ser sua razão de existir, e ao receberem metas de serviço público avaliam que são inatingíveis para eles. Se vão para cargos públicos, saídos da privada, são perigosíssimos.

    • A Petrobras não é empresa

      A Petrobras não é empresa pública nem estatal, é uma sociedade de economia mista, que se rege pelas normas da Lei das Sociedades por Ações e pelo seu Estatuto. Tem que prestar contas a todos os seus acionistas, inclusive à União.

  20. O xadrez de Ilan Goldfajn

    Difícil acreditar que um envolvido tão profundamente no Itau venha trazer avanços reais na atuação do BC.

    É a história do cachimbo.  Teremos aí um aprofundamento, se isso ainda é possível, nas transferências escandalosas de recursos do Tesouro para os rentistas. Quem sabe uma peneira para tapar o sol às vistas dos incautos.

    Na mesma linha de Parente. Com certeza teremos um “aperfeiçoamento” na administração da Petrobras de forma a dotá-la de condições ideais na entrega: imenso patrimônio, enxuta, produtiva e de caixa cheio. Algo parecido com a entrega da Vale.

    O que se pode esperar de uma matilha de lobos ? Proteção aos cordeiros ?

    Ou quem sabe a raposa zelosa com as galinhas ?

     

     

     

     

  21. O Nassif é tão bonznho, as

    O Nassif é tão bonznho, as vezes parece a velhinha de Taubaté. O Parente pode ter um nível intelectual acima desses aí que acham que planta industrial é um vegetal. Provavelmente esses são indicações do Cunha. Mas isso não importa. O que importa é que o cara está lá para vender o pré-sal a preço de banana.

    Sem dúvida que não se pode comparar o nível de preparo da porção tucana do governo Temer com a porção Cunha. A primeira está lá para fazer a privataria II, o retorno. Ou melhor, acabar o serviço que o FHC não teve tempo. São todos cultos, letrados e acima de tudo elegantes. Mas no final das contas o resultado é o mesmo.  Pau no lombo de nosotros!

    PS: O cara do Itaú vai criar uma instância acima do BC para o governo fazer política monetária menos comprometida com o mercado financeiro, que quer sempre o mesmo remédio, ou seja, aumento de juros? Jura, Nassif?  

  22. FALAR EM PEDRO PARENTE NA

    FALAR EM PEDRO PARENTE NA PETROBRAS E CITAR PROFISSIONALISMO É IGNORAR OS BILHÕES DE DOLARES DE PREJUIZO QUE AQUELE SENHOR CAUSOU A PETROBRAS QUANDO A OBRIGOU A CUBRIR PREJUIZOS DE TERMELÉTRICAS CONSTRUIDAS AS PRESSAS POR MULTINACIONAIS PARA TIRAR O PAÍS DO APAGÃO. 

    UM PREJUIZO SUPERIOR A PASADENA E PETROLÃO SOMADOS !!! 

  23. NASSIF,
    Como você bem sabe, camadas e camadas de verniz, “boa educação”, “berço e bairro” escamoteando – para os incautos – entreguismo e macaquices. Tudo para “fazer um belo pacote” ao DAR o que é meu, teu, nosso, do POVO brasileiro aos piratas e bucaneiros estacionados em nossas praias e baías. Como desde sempre.

  24. O xadrez da raposa que cuida
    O xadrez da raposa que cuida do galinheiro!
    Esse título fica bem melhor,Nassif! É a minha opinião,fazer o quê!

  25. Sem entender

    Juro que não consigo entender o Nassif.

    Critica o conjunto da obra – o Golpe -, edita um joguinho de xadrez tentando advinhar os passos futuros desse momento tenebroso que o país vive, desanca com razão a incompetência do Temer, a estapafúrdia nomeação dos seus ministros, um terço envolvidos e denunciados na Lava Jato, além de serem medíocres para os cargos indicados, e se prepara com entusiasmo com a idicação de Goldfajan para o BC e Pedro Parente para a Petrobras.

    Goldfajan baixar a selic?

    Será que o seu patrão Roberto Setúbal vai deixá-lo fazer?

    Só se for para derubar Temer, porque a via crucis de Dilma começou quando ela iniciou o processo da queda da selic e todos os banqueiros, inclusive Roberto Setúbal, deram início ao plano de sabogem do governo. Sem se esquecer que esse gângster viajava para o exterior para falar mal do Brasil.

    Sobre Pedro Parente não é necessário comentar, porque já teve gente que comentou com todas as letras o seu “patriotismo”.

    Agora, um governo que toma o poder pelo Golpe com objetivos claros, que todo mundo está enxergando, sitiando a presidenta Dilma, impedidndo visitas, desmontando todos os programas sociais, demite Ricardo Melo da EBC contrariando a legislação para colocar em seu lugar um sabujo da Globo, extinção do Minc, quer dizer, um verdadeiro governo anti-social e Nassif acreditar que esses dois caras vão fazer gestões independentes da vontade o golpista Temer?

    Puxa vida, tem hora que Nassif dá um nó na minha cabeça.

  26. Por que estamos em recessão e

    Por que estamos em recessão e a inflação continua alta? Mistério….(voz grossa do Cid Moreira). A Receita Federal bate no porão em termos de arrecadação. Um sinal claro que a economia continuará a esfriar mais ainda. 

    A Miriam Leitão, do alto da sua sapiência econômica, imputa ao IPCA-15(0,86%) de maio ao fim….do mundo? Não! Ao fim do desconto da conta de água…..no Brasil todo? Não!Em São Paulo! Acompanha-o o imposto sobre cigarros, alimentos e bebidas. 

    Bebidas, não sei. Deixei de beber. Alimentos, sim. Ultimamente tem subido mais que fogo morro acima. Noves fora o esdrúxulo exemplo da água de São Paulo, são fatores sazonais ou ocasionais. Com tudo isso, a maga ainda prevê que em junho o BACEN não vai ainda abaixar a SELIC. 

    Fosse em qualquer outro país do mundo a taxa de juros já estaria bem mais baixa(e em viés de baixa), algo como 5% ao ano. 

    Braszil, zil, zil, zil………….

  27. “Se quer estimular a
    “Se quer estimular a indústria interna, mantém a moeda desvalorizada. Se julga a economia suficientemente forte, valoriza a moeda. Se quer praticar populismo cambial, aprecia o câmbio.”

    Alguma dúvida que o que vai prevalescer vai ser a terceira opção ?

  28. O xadrez de Ilan Goldfajn

    O pior é que para a GLOBO/VEJA suas principais alianças golpistas, tudo está no PAIS DA MARAVILHA.  Acabou corrupção ( com ministros na LAvajato), indicações no geral excelentes… a coisa fede.

  29. conselho cambial

    olhe bem, se não regulamentar o capital especulativo não vai adiantar nada…será a banca com o conselhão contra o sistema financeiro especulativo, 

  30. conselho cambial

    olhe bem, se não regulamentar o capital especulativo não vai adiantar nada…será a banca com o conselhão contra o sistema financeiro especulativo, 

  31. Economista e economista
    Em 1806,Georg Hegel, filósofo alemão, disse: o racional é o real e o real é o racional. O Nassif está muito hegeliano. A Ideia não se faz, se realiza e é história. As condições materiais para a produção da existência que condiciona e determina. O Capital é capital e o Trabalho é trabalho. Por isso, Ilan e Parente são lados da mesma moeda – da Classe Dominante e Dirigente contra as Classes Subalternas.
    [dirão alguns – essas categorias são velhas – e pergunto: para quem?]

  32. Veja bem.Sai Dilma que o
    Veja bem.

    Sai Dilma que o mercado não confia…..

    O tal do pessimismo do senhor mercado….

    Entram homens de benz….

    Temer, Meirelles, o do nome difícil.

    O mercado queria

    Precisava gerar confiança….

    E o otimismo….

    E a bolsa?

    Despenca.

    Conclusão

    Discurso de pessimismo, falta de confiança….

    É engodo

    para chantagear.

    Terão que mudar

    Ops!

    Quem assiste Leitão gosta de ser enganado

    Outros gostam de repetir mantras platinado

    Deixa como está

    A culpa foi de Dilma

  33. Para inglês ver…

    NÃO ACREDITO EM NINGUÉM DESTE GOVERNO NASCIDO DA FRAUDE!

    As diretrizes de um governo nascido da FRAUDE não têm como meta a RESTAURAÇÃO DA FRAUDE QUE COMETERAM!

    Então, passarão sobre TUDO o que consideram SEUS INIMIGOS, NÃO SERÃO REPUBLICANOS COM O QUE É AGORA A OPOSIÇÃO!

    Serão o rancor e ódio ad infinitum…

    Cancelaram o patrocínio da caixa aos blogueiros sujos, mas viram como NORMAL o patrocínio de Furnas ao congresso do Gilmar Dantas em lisboa, nas vésperas do golpe!

    O PT será ANIQUILADO, reduzindo a um grupo de amigos!

    Não gostam de vozes contraditórias!

    O viés de BAIXA POLITICA SE INSTAURARÁ COM A MASSIVA ENTRADA DE RELIGIOSOS NA VIDA DO BRASIL!

    O Brasil caminha para ser de um lado UMA GRANDE IGREJA COM SEUS FUNDAMENTALISMOS e de outro a perversão total, o LADO B das orgias politicas.

    Cunha sairá como os marinhos, um dos homens mais ricos do Brasil!

    Essa capa inicial de boas intenções não me enganam mais…

    Ela é necessária para assentamento do sistema financeiro…

    É VITAL PARA QUE OS PAGADORES DE IMPOSTOS CONTINUAREM A CONTRIBUIR COM A CAIXINHA DOS MAIS ESPERTOS…

  34. A crise me insinuou no pensamento matemático

    Naturalmente, os agentes experimentais da economia, no período de tempo certo para câmbio e inflação, nunca passariam a ilegitimidade de tal extensão sendo tirada do modo comum.

    Muito bem, já ensinei aqui como acabar com a inflação e submissão ao dólar. Vamos repetir as duas partes emergentes como um ciclo de fatores simultâneos da economia: Comece projetando esse ciclo, O Todo, por um período de tempo chamado pré história e a história, digamos 30/60 dias. 

    Este Todo imune faz subir um saber: a pré história corresponde à consciência dos fatores da produção, e a história ao período de preços, sobre a vigência do primeiro ao último dia do segundo mês; concomitantemente a resultante: o valor dos salários e a mais valia.

    A projeção de preços deve ser enviada ao órgão fazendário para administrar a concorrência mensal entre produtores e fornecedores, como um conhecimento científico segundo o qual considera o mundo real, sem que se permita combinar o preço a ser praticado no mês vigente entre as partes.

    Dentro destas duas partes de tempo, o primeiro mês informa a projeção de preços das mercadorias no segundo, e a reflexão de potencia desenvolve o valor dos seus fatores. Com estes fatores simultâneos há uma certa ordem de desenvolvimento por relação (direi ao seu tempo), a qual exige a certeza da obra do Todo (PIB) que nos esforçaremos constantemente para alcançá-lo a tal meta.

    Obviamente, os concorrentes  não querem ser imprudentes a ponto de não vencer a concorrência nestes primeiros 60 dias da entrega de apoio fixo, porque o mês anterior será sempre a razão de referência para tudo.

    Portanto, a reflexão de valores se refere a fase da fundação moral em que o governo começa a fazer a história da política monetária soberana casada com intervalos limites que determinaram o trabalho e a produtividade; podendo estabelecer o plano do crescimento econômico; justamente pelo resultado de consumo, que se chega a ver o Todo com clareza, para a emissão de moeda.

    É assim, pelo crescimento do consumo que os EUA, de modo fictício, diz que emite dinheiro e compra o mundo de graça.

    Fora isto, cabe a fazenda nacional escolher os dias 25 a 27 do mês anterior para se posicionar com os itens que entram mês a mês pelos fatores de simultaneidade. e atuar, sem inflação, no processo da concorrência perfeita, para vigência sucessiva da estrutura digital a valer e ser verificada..

    A questão do dólar como moeda de reserva é recessiva, convencidos de que as operações de dinheiro tem fundo soberano; e, tendo em vista a falsificação de perspectivas, o dólar deve se tornar comum a simples troca entre moedas equivalentes (1=1 e não 1 negativo = – 3 de valor interno). Considerando que os governos serão credores da projeção da produção e a reflexão comece a gerar valor de razão, veja: (crescimento = igual soberania dos meios de produção). Ou seja a inépcia do financiamento com moeda fictícia.

     

  35. Quando a fama precede a – e prescinde da – obra

    Em 2002, Ilan Goldfajn publicou o texto “Há razões para duvidar de que a dívida pública no Brasil é sustentável?”, divulgado na série Notas Técnicas do Banco Central do Brasil. Veja aqui: http://www.bcb.gov.br/pec/notastecnicas/port/2002nt25fiscalsustainabilityp.pdf

    Este é um texto importante, que teve ampla divulgação e foi muito citado.

    O mérito do texto, na minha opinião, foi o de sintetizar, com grande limpidez, o modelo de política econômica adotado pelo país, a partir de 1999.

    Tal modelo foi explicado simplificadamente pela expressão apresentada por Goldfajn na 2ª nota de pé de página (p. 9):

    s = (r – g)*d/(1+g); onde: onde s= superávit primário; r = taxa de juros real; g = taxa de crescimento real do PIB; d = relação dívida/PIB no final do período (ano).

    De modo muito claro, essa expressão mostra que o superávit primário é a variável dependente, a ser ajustada de forma inapelável ao comportamento dos juros reais (r) e da variação do PIB (g) e, por suposto, ao comportamento do câmbio.

    Essa é uma versão simplificada, como apontei antes, que sintetiza muito da visão que veio se firmando nos anos 1970/1980 e se estabeleceu como plenamente dominante na década de 1990; visão esta que reestabeleceu, em pleno final de século, o princípio pré-keynesiano (ou pré-crise de 1929) de “sound-finance”; ou como certa vez denominou J. A. Schumpeter de “finanças gladstonianas” – em referência a Gladstone, o primeiro-ministro britânico no século XIX, quando a civilização liberal liderada pela Inglaterra vivenciou seu ápice, atrelada ao padrão-ouro e aos mandatórios e irremediáveis ajustamentos deflacionários do balanço de pagamentos.

    Toda essa ortodoxia rediviva é tributária da teoria (abstrata) da renda permanente de M. Friedman (e que permanece abstrata, tal qual o próprio Friedman a considerava), embora incorporando os desenvolvimentos teóricos proporcionados pela macroeconomia novo-clássica e novo-keynesiana posteriores.

    Com a prolongada estagnação do Japão moderno e a crise financeira global de 2008/2009, esses postulados “gladstonianos” das finanças robustas perderam muito da respeitabilidade e reputação que desfrutaram nos anos 1990 e foram relaxados em muitos de seus aspectos – veja a série de textos disponíveis na internet do Blanchard, Spilimbergo, Dell’Ariccia, Bernanke, dentre outros, que passaram a reconsiderar a eficácia da política fiscal; a hipótese da “secular stagnation” aventada por Lawrence Summers (e sempre discutida nos relatórios anuais do FMI – veja o mais recente, por exemplo) reduz em muito a valorização da política monetária como instrumento por excelência da gestão macroeconômica.

    Bom, esse texto antes citado é TODA A OBRA TEÓRICA de Ilan Goldfajn. A OBRA EMPÍRICA, por sua vez, foi integralmente devotada ao capital financeiro – o ITAÚ, nesses anos recentes.

    É por isso e pela visão professada como religião por Ilan Goldfajn, colocada em xeque em escala mundial e desacreditada (mas não superada) pela História, que este seu texto, Nassif, me surpreendeu negativamente.

    Avalio que vamos ver mais daquele mesmo que pensávamos estar em vias de superação no Brasil.

    Ademais, em que uma possível comissão para arbitrar a taxa de câmbio pode significar avanços para a gestão macroeconômica? Cabe uma pergunta: mais uma instância a ser capturada pelo mercado financeiro?

    A solução para o vaivém do câmbio no Brasil passa INEXORAVELMENTE pelo controle do fluxo de capitais.

    E isso não veremos mesmo. Não com esta equipe econômica provisória medíocre e ortodoxa que está em formação.

    Mas vejo um ponto positivo em tudo isso:  a fama de Meirelles e Goldfajn, que precede o nome e prescinde de obra (pela inexistência desta), será dissolvida agora. Ambos voltarão, finalmente, a parecer o que são: nulidades como gestores das políticas estatais, a despeito de terem sido executivos do mercado financeiro muito bem sucedidos – o que não é muito difícil, vamos dizer a verdade!

    Em relação a Meirelles, cabe uma nota final: a fama dele não reside em nenhum texto – o que ele escreve na Folha de S. Paulo é absolutamente insignificante. A fama dele surgiu por ter administrado a política monetária brasileira em um período de abundância de divisas, condição que poucos presidentes do Banco Central antes dele vivenciaram e nenhum depois dele teve a oportunidade de usufruir.

    A história, sempre ela, dissolve famas vazias.

    Vida que segue.

    PS: os comentários sobre Pedro Parente são “incomentáveis”. Veja o relato da FUP. Merece crédito.  

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