Os planos federais para a infraestrutura

Há dois movimentos no governo, em torno da infraestrutura: um, o de correr para apresentar resultados de curto prazo nas concessões; o outro, o de preparar o planejamento daqui para frente.

O país tem um passivo em infraestrutura estimado em R$ 600 bilhões. Investia apenas R$ 15 bi por ano. Para resolver o passado, necessitaria de pelo menos R$ 100 bi por ano nos próximos seis anos.

É em torno dessa meta que se estruturou a EPL (Empresa de Planejamento e Logística), incumbido do desafio de destravar os projetos.

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Para alcançar as metas propostas, a EPL definiu três ondas de investimentos. A primeira, começando as obras em 2014 a 2019, em um volume total de R$ 40 bi por ano. A segunda onda contratada em 2014 mas iniciando em 2014, acrescentando mais R$ 30 bi por ano. A terceira onda, a partir de 2015, com mais R$ 30 bi, perfazendo a meta de R$ 100 bi por ano.

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Com a a ajuda da OSCIP MBC (Movimento Brasil Competitivo), juntaram 20 estudos diferentes sobre gargalos logísticos, o PNLT (Plano Nacional de Transporte e Logística) do Ministério dos Transportes, o Brasil Competitivo, da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o Plano de Logística da CNT (Confederação Nacional do Transporte), o Plano Nacional de Portos da SEP (Secretaria Especial de Portos). Ao todo, mais de 3 mil projetos que foram analisados  e selecionados os que faziam mais sentido.

Os projetos perfaziam uma carteira de R$ 600 bi, sendo que metade já estava contratado através do PAC e do PIL (Plano de Investimento em Logística). Os demais R$ 300 bi ainda não estavam endereçados.

Leia também:  Enchentes em São Paulo, a tragédia da Emplasa, por Andre Motta Araujo

Foram divididos, então, em prioridade A e o prioridade B, cada qual significando uma onda de R$ 150 bi em investimentos.

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Constatou-se dois problemas centrais emperrando os investimentos. O primeiro, a falta de um projeto básico mais aprofundado. O projeto serve para estimar os investimentos necessários. Em cima deles, é feita a licitação. Depois, os vencedores montam o Projeto Executivo, mais detalhado.

 

Quando as empresas iniciavam as obras, deparavam-se com problemas de monta, muito acima da margem de 25% de aditamentos previstos pela Lei das Licitações.

Depois, esbarravam em problemas enormes de licenciamento, paralisando continuadamente as obras.

O caminho sólido consiste portanto, preparar projetos básicos mais detalhados e negociar com os diversos órgãos de controle a garantia do licenciamento prévio.

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Há um conjunto de trabalhos encomendados para construir o modelo. O Instituto de Engenharia de São Paulo foi incumbido de desenvolver a metodologia para projetos básicos consistentes. Em novembro terá início uma ampla pesquisa de origem-destino de cargas, para estimar os fluxos de cargas no país.

Com os dados, será possível criar simuladores, para estimar as economias produzidas por cada projeto. E há negociações em curso para atrair empresas dos Estados Unidos, Japão e União Europeia.

Mas esse escopo só ficará pronto no próximo ano e só estará plenamente operacional a partir de 2015.

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Para aplacar a ansiedade geral, foram lançadas para concessão 13 trechos ferroviários. Desses, pelo menos 9 conseguirão ser licitados até maior de 2014. Pelo menos quatro concessões rodoviárias deverão ter sucesso. 

52 comentários

  1. Interressante a metodologia,

    Interressante a metodologia, mas um pouco fora do tempo. O Brasil perdeu uma década de ouro,onde o mundo inteiro estava ávido a investir. Agora me parece que vem arrocho para pagar os pecados cometidos.

    • Refrescando a memória…

      Helbert, não pode esquecer que duranto o governo do Lula, a pasta de transportes teve de ser entregue com laço de fita aos “aliados” da base, que queriam um ministério com “tinta na caneta”, portanto sem interferência da presidência. E deu no que deu: roubalheira, escandalos e mais escandalos, copiosamente aproveitados pela mídia…

      Só depois da defenestração maciça (mas mesmo assim cautelos) na pasta e com a constituição da EPL é que as coisas começaram a andar. 

      Espero que o futuro governo, seja lá qual for a sua cor, não destrua novamente o novo sistema de planejamento e a EPL, que vem aí para reconstruir o GEIPOT, criminosamente extinto pelo FHC. Toda a capacidade de ação dos governos militares no campo dos transportes e ainda do Governo Sarney, se deveu ao GEIPOT…

       

      • Para de colocar a culpa nos

        Para de colocar a culpa nos outros. Para de apontar o dedo.

        “Teve que entregar ministério com tinta” uma ova pois o grande prejuízo ficou nas costas do “povão”…

        O mesmo “povão” que adoram dizer que VOTA no Lula e dá a ele imensa popularidade.

        E sabe o que é popularidade?

        CAPITAL POLITICO..!!! Coisa que ele não consegue entender nem que a vaca tussa..!!!

         

        Então acorda camarada..Deixa de ser bobinho…

        Quem delega competência é que assume a responsabilidade.  

        Isso é coisa séria demais pra ser empurrada pra debaixo do tapete.  

         

        Autocrítica faria muito bem ao PT.

        E principalmente a esquerda (entre aspas) 

         

          • Sem contar com o non sequitur

            Sem contar com o non sequitur do seculo:

            “”Teve que entregar ministério com tinta” uma ova pois o grande prejuízo ficou nas costas do “povão””…

          • Inglês

            Por motivos profissionais, tenho de redigir muito em inglês e francês. Não é mais fácil, não, mas uso o Linguee, muito útil para traduzir expressões idiomáticas (a tarefa mais dificil, nas traduções…).

          • Fazendo política com os pés no chão….

            Caros Chico e Ivan

             

            Desde quando se faz política sem levar em consideração as relações de força e os processos históricos? Vocês estão querendo fazer política na Terra ou no Paraíso Celeste?

            Ou se leva em consideração a realidade concreta, ou a realidade te derruba. Se Lula não tivesse aprendido a engulir sapo, ele não teria sido eleito, e se eleito, não teria ficado um único ano no poder. Nem ele, nem mais ninguém. No Brasil ou em qualquer parte do mundo!

            O resto é conversa de boteco, que não leva a nada.

            Eu sou professor de Engenharia, e venho insistindo junto aos meus alunos: se quiser fazer uma boa Engenharia, que ajude o País a crescer, se desenvolver, inovar, aprenda primeiro Kung-Fu, depois Engenharia!. Pois Engenharia não é apenas para aplicar, é para militar. E a Arte de Guerra devia ser mamtéria obrigatório, do Ciclo Básico.

            Mas vocês preferem viver nos Campos do Elíseo. Sorry for you, you will always be overrun by reality (não está bão, meu ingrês?)

             

             

             

          • Joaquim,
            Nós estamos falando

            Joaquim,

            Nós estamos falando da mesma coisa com uma perspectiva totalmente diferente.

            A realidade é cruel.? Sim, é. Não nego que seja, jamais faria isso. Sou o primeiro a reconhecer.

            Mas ou se compreende essa complexidade sinistra e desata nós quem tiver competência para tanto, ou deixe como está e invente desculpas depois.

            É assim que eu vejo.

            E vou lhe dizer mais.:

            É lenda achar que “forças ocultas” podem destituir um governo. O país – pelo menos nesse ponto – já amadureceu o suficiente.

            E – ademais – não há necessidade disso, pois uma instabilidade desse tamanho não é bom prá ninguém, inclusive e principalmente para os tais.

             

            Segundo, você tem sim que fazer suas composições para governar. Mas é altamente necessário que receba algo em troca, que tire bons resultados disso. 

            Ocorre que estão vendendo CARO DEMAIS as garantias… Você entende isso..?

             

            Terceiro, talvez o seu maior equívoco:

            O governo não caminha a contento fazendo esse tipo de composição e CEDO ou TARDE perderá tanta credibilidade que perderá os apoios, consequentemente a sustentação.

            Aí vou dizer numa boa, mais uma vez..: vc consegue entender isso.?

            Sem fazer, omitindo-se de suas responsabilidade, o governo se desgasta, se enfraquece, o capital político vai embora.

            Então ocorre um fato curioso e contraditório:

            Vc apenas ACHA que governa e faz o possível quando na verdade vc faz pouco (ou o suficiente) e perde sua força política.

             

            P.s: Vc indica a leitura de Sun Tzu para seus alunos..?

            Mas este autor perto de outros realmente os grandes estrategistas de Estado e Administração Pública é um anão.

            Ele só soa bem na boca de quem o indica. Serve pra isso, apenas. 

            Procure saber e receite conteúdo mais apropriado.

          • Arte da Guerra

            Na verdade, não recomendo Sun Tzu, foi brincadeira minha. Mas incluo nas minhas disciplinas aulas de a) Sistema Político; b) Análise de Atores; c) Advocacy; c) Redes sociais. Todos esses elementos são utilizados nas análises políticas das ações governamentais.

            Quanto aos outros pontos:

            Competência política: essa gostaria de ver nos outros partidos, que também sofrem o mesmo nó. o Estado de São Paulo não está fazendo mais bonito. MG não possui investmentos de grande porte na logística (só investiu em um novo Centro Adminsitrativo). Pernambuco: à parte dos investimentos federais, a zorra é total…

            Eu sei que o capital político do atual governo se esvaiu, mas as opções da oposição são muito mais pobres (e olho que milito nela, tentando construir governabilidades alternativas). Consternado tenho de admitir que se estamos mal com o PT, sem ele estaremos muito piores. Palavra de um oposicionista prático…

          • E desde quando estados tem

            E desde quando estados tem capacidade para investir em obras de infraestrutura de grande porte Joaquim..?

            Acorda cara.. Cai na real. Vc vive no mundo da lua. 

            O que uma única empresa pertencente a União pode investir num ano (a Petrobrás, por exemplo) é muito mais que um estado igual Minas Gerais.. 

          • Estados pobres?

            Não sei de onde você tirou essa penúria dos estados. O orçamento anual do DF é superior a 20 bilhões. Mesmo o estado de Tocantins, para o qual trabalho, possui enormes possibilidades de investimento. O que falta são projetos de qualidade e capacidade de execução. Em todas as unidades federarivas,  

          • Seus comentarios sao otimos

            Seus comentarios sao otimos mas releia o que eu disse.  Ele assassinou a retorica com o non seq do seculo, e eu estava te dizendo isso:  de onde o Chico Lento tirou “uma ova pois” etc?  A primeira parte da sentenca nao tem a ver com a segunda.

             

            Sim, Choco Bento, de fato seria mais easy pra mim escrever ingles.  Mas voce assassinou a logica com seu “pois”.  Quer tentar de novo?

          • Vc diz que entregaram um

            Vc diz que entregaram um ministério para corruptos a título de moeda de troca. 

            É uma tese muito pouco razoável sob vários aspectos.

            Mas é principalmente uma ponderação esdrúxula fazer uso da história como justificativa plena. 

            Pelo visto insiste num dilema fatal: ou se entrega o ministério ou não se governa.

             

            Se for isso mesmo..:

            A época do golpe já passou. Não existe mais. Acreditar nisso e em gnomos é a mesma coisa.

            O golpe é feito de outra forma, que pode até ser através da criação de dificuldades para governar. 

            Mas é assim desde sempre, contra qualquer um e continuará assim.

            Saber disso é mais um motivo para condenar a inépcia que justificar incompetência.  

            Ou vc tenta mudar o panorama através ou admite o fracasso e a tragédia inventando desculpas e se omitindo.

            Lembro apenas que capital político serve aqui em qualquer outro lugar do mundo para MUDAR as coisas, não para autoglorificação.  

             

            Ainda tem o seguinte: 

            Vc acha que sacrificar “deliberadamente” uma parte do desenvolvimento econômico de um país é um preço JUSTO que se deve pagar..?

             

            Por último:

            Mesmo se eu concordasse com sua tese da “governabilidade” (está longe de acreditar) é preciso que se diga que há várias formas de contornar o problema. VARIAS formas. 

             

          • Sobre as várias maneiras de governar e o risco de golpe…

            Sempre existe maneiras de fazer melhor as coisas. E minhas contribuições vêm também carregadas de críticas ao governo atual.

            Mas o dia-a-dia da política é caótico. Não se esqueça que o governo Lula foi o primeiro governo da História do Brasil que não foi derrubado (e como tentaram e ainda tentam!). Para o governante, o primeiro dever é conseguir entregar a faixa presidencial em um processo democrático, e o resto é lucro. Goulart e Allende, nunca mais!

            Portanto, nada de arrogância e sabichonice, nessa matéria!

            Quanto o golpe, ele está sempre à espreita, atrás da porta. O que não falta é apelo às voltas dos militares, na rede. E no mundo inteiro, golpe e sua tentativa é o que não falta (ver o caso do Paraguai, onde o Lugo foi derrubado sem nenhuma culpa no cartório…a não ser não ter levado em consideração as relações de força).

          • Joaquim,
            Uma década e meia é

            Joaquim,

            Uma década e meia é muita coisa companheiro.!

            O país não pode esperar até que consigam construir um mísero silo prá armazenagem de grãos..!!!

            Isso não é sabichonice, é a tragédia pura e simples. É o caos, a merda, a coisa feia com um buraco no meio.

            Tem gente de carne e osso morrendo ou se fudendo por causa disso,

            Isso é demagogica, pedantismo, falácia..? Não, é fato real. É a prática, a vida em cores.

            Olha lá o tópico da transposição do São Francisco..!

            O tópico é de hoje, de agora…

            E não há ministério nas mãos do PMDB que a justifique ou sirva como desculpa

             

            Até porque se for assim, TODOS podem usar a mesma desculpa.

            Uma secretaria de um estado qualquer não vai bem..? Ora, põe a culpa nas alianças..

             

            E olha que estamos falando de infraestrutura.,

            Não é de reforma tributária ou da justiça ou a política que são MUITO MAIS DIFÍCEIS. 

            O problema deixou de ser de governo há muito tempo…

            Agora já virou questão de Estado.

            Ou resolve ou pula fora do barco.. Encontrem um país mais fácil prá governar.

          • Como primeiro governo a não

            Como primeiro governo a não ser derrubado? Esquece de FHC que venceu suas eleições sempre no primeiro turno, e foi o responsável pelo “sucesso” de Lula, na medida que entregou um Brasil saneado com a máquina em perfeito funcionamento e com salva-guardas para evitar que seu sucessor destruisse o trabalho que havia sido feito. Vocês pelegos petistas não tem jeito mesmo, nunca admitem que deram muita sorte durante este período nebuloso em que governaram o Brasil, e que felizmente está chegando ao fim, e o que vai ficar para a história é o maior escândalo de corrupção de todos os tempos e o legado será o retrocesso do  desenvolvimeto e o descrédito internacional.

    • Perdeu mesmo, foi para o

      Perdeu mesmo, foi para o saco, já era. Agora é o mesmo de sempre: esperar. 

      Esperar, esperar, esperar… 

      Ter esperança no agora vai..!

      Aí quando chegar em 2015 fazem as licitações.. Em 2016 começam a construir…

      Em 2017 a coisa emperra de novo porque já é hora de decidir quem vai ser o substituto da Dilma.

      São imensos projetos de dois anos. Esse o horizonte utópico de nossos líderes estadistas. Dois aninhos. 

       

      Mas o fato é que os responsáveis pela condução da máquina não possuem competência suficiente para resolver problemas de grande complexidade. 

      Nesse caso em especial o que se pode dizer então, é: quando asumiu o poder o PT e seus líderes nao sabim o que fazer. 

      (Assim como os outros, diga-se de passagem. Com a grande diferença que estes se elegem para não fazer nada mesmo) 

      Tinham grandes idéias, mas colocar em prática é história completamente diferente. 

      E simplesmente PENAM para fazer o país avançar. Se matam prá isso. 

      E acham que tempo é recurso farto e disponível pra quando querem agir. 

  2. Em 10 anos de poder, o maior

    Em 10 anos de poder, o maior fracasso do PT foi na área de transportes, o país paga por essa área ter sido gerida por gente incompetente, culpa do presidencialismo de coalizão, acredito que com petistas de fora do campo majoritário a pasta não estaria nessa situação.

    Preferem as concessões do que uma gestão mais capacitada, a famosa tese do avestruz, esconder a cabeça e os problemas debaixo da terra (ou do tapete).

    Cito como ótimo exemplo a ser seguido, a política de transportes do Roberto Requião no governo do Paraná:

    – Acabou com as filas no porto de Paranaguá, a safra tem que ficar armazenada (importante até para conter a inflação em época de pouca produção), ir para o porto somente se for embarcar mesmo;

    – Duplicou até estradas federais e ofereceu alternativas aos pedágios abusivos;

    – Resgatou a empresa pública de ferrovias, há um projeto de expandir-la ao Mato Grosso do Sul, Paraguai e Porto de Paranaguá, não foi adiante porque o ministro Paulo Bernardo (sempre ele) fez lobby para uma PPP com a América Latina Logística.

  3. Faltava Engenharia!

    Acho que o texto mostra bem o imenso “gap” de engenharia que o pais acumulou nos 20 anos perdidos (1984-2004) quando praticamente cessaram os projetos pesados, de infraestrutura mas também industriais.

    Eu me lembro que quando da construção em 1990-92 da fábrica de celulose e papel de Mucuri, na época  Bahia Sul Celulose (joint Suzano P&C e Vale – ainda estatal) hoje da Suzano P&C, a fábrica (+/- US$ 1 bilhão de investimento total) era a única obra de engenharia pesada no Brasil. Hoje acho que a lista de obras de US$ 1 bilhão ou + é certamente de 2 dígitos.

    Os engenheiros treinados emigraram, né Toni, os recém formados foram para o mercado financeiro ou as áreas comerciais.

    Estamos hoje pagando por estas 2 décadas perdidas mesmo.

    Mas parece que muita gente trabalha para sair o pais desse processo da inércia adquirida.

     

  4. Não esquecer a dimensão territorial…

    Acho que finalmente estamos avançando, após 20 anos perdidos, produzidos pela aventura fiscal dos militares e pela ditadura consequentemente imposta pela ciranda financeira internacional e seus órgãos aparelhados (FMI, Banco Mundial), servilmente obedecida na era fernandina. 

    Estamos retomando as metodologias e a cultura de planejamento estratégico, dessa vez não fechado em gabinetes, mas sim com ampla participação da sociedade.

    Entretanto, falta ainda a dimensão da estratégia de desenvolvimento territorial: as técnicas convencionais de planejamento de transporte ainda dão grande valor a prognósticos construídos a partir da extrapolação dos processos econômicos e de circulação presente. Embora incluam projetos que fujam da lógica meramente extrapolativa do presente, portanto que obedecem uma lógica de desenvolvimento territorial (geralmente esses projetos são impostos por políticos do Norte e Nordeste, e por isso são chamados pela tecnocracia de “projetos políticos”), a tônica é a continuidade planejada do processo corrente de territorialização passiva.

    Esse processo passivo, entretanto, é decidido pelas regiões dominantes do Sudeste e Sul, que instrumentalizam as outras regiões, independentemente dos interesses próprios destas. Assim sendo, constrói-se um enorme vetor conquistador e colonizador em direção Sul-Norte, enquanto as regiões do Norte e Nordeste prefeririam um desenvolvimento Leste para o Oeste (preferência nordestina) ou de Oeste para o Leste (preferência amazônica). Não é à toa que os projetos da Transnordestina e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste foram incluidos na pauta governamental por pressão dos políticos pernambucanos, cearenses e baianos.

     A extrapolação passiva do processo corrente de territorialização reproduz os desequilibrios regionais e, por conseguinte, dos fluxos de transporte. Os investimentos logisticos se restringem a corredores de exportação em direção das zonas de produção de matérias-primas para os portos de exportação, onde as cargas de retorno são escassas ou muito inferiores às de exportação, reduzindo assim as perspectivas de equilibrio financeiro das infra-estruturas. 

    O re-equilibrio e a viabilização das infra-estruturas requer assim, como já discutimos ontem, um projeto de desenvolvimento mais pleno das regiões “periféricas”, instrumentalizadas pelo Centro-Sul e pelos atores globais. E a política de infra-estruturas devia ser instrumento dessa construção estratégicia e equilibrada do território. 

    Para tal fim, expomos ontem a nossa idéia de empresas de desenvolvimento territorial (http://jornalggn.com.br/noticia/o-problema-cronico-do-desequilibrio-territorial). Entretanto, essas medidas e ou planejamento logístico requer um planejamento territorial mais consistente, o que ainda não conseguimos.

     

  5. O maior mal é a judicialização e ato pendular do TCU.
    Tem Empresas que judicializam a licitação só pra pegar uma boquinha e fazer negociata.
    Nengum Governo logrará êxito no processo de execução de uma obra se o Jodiciário continuar demonstrando que a lei é a do momento e a que tá na cabeça do Juíz oou do Ministro do TCU.ex chefe do Senado , muito sujeito aos CLAMORES de Senadores e Pokticos , fêz relatório para PAralizar OBRA SÓ POR TER achado UM SOBREPREÇO DE VINTE milhoes, ora a terraplanajem de um aeroporto não pode ser fiscalizado nos moldes de uma rodovia
    . e tem mais , em 2012 o TCU liberou a obra , pasmem, pras mesmas empreiteiras!!!
    Eu, você e todos os contribuintes PAGAMOS SOBREPREÇO de bilhoes POR ATOS DO TCU.
    Lembram dos vinte milhoes? motivo da paralização ,pois é, agora para reabrir o canteiros, recontratar trabalhadores(naquela época a construçãi civil tinha sobra deles) VAI NOS CUSTAR CENTENA DE MILHOES.
    oU ENSINAMOS AS QUATRO OPERAÇÕES AOS MENMBROS DO tcu E DO PODER jUDICIÁRIO OU
    O BRASIL CONTINUARÁ PATINANDO.

  6. Tenham em conta isso o TCU tinha um Presid..emperrador de obras
    O PSDB nos “Brindou um presidente do TCU emperrador e paralizador de obras . Ele fez um estrago enorme no Governo LULA>
    O PSDB tinha um engavetador no Gov. FHC ,mas, infelizmente botou no TCU um Presidente da mesma escola do Geraldo Brindeiro.

  7. E a Marina?foi demitida tardiamente a Emperradora de Obras
    Acho que Lula demorou, agiu com coração , devia ter demitido muito antes sua Ministra do Meio ambiente emperrava e atrazava as licenças por PURO ATIVISMO AMBIENTAL.
    sSe nós analisar-mos tudo que limita o nosso desenvoilvimento e tirar as travas respeitando o meio ambiente e as leis tnada será como antes . mas , será que os políticos e Servidores Públicos querem isso?
    Tem gente QUE GOSTA DE CRIAR DIFICULDADES PARA VENDER FACILIDADES !

  8. Mas se vence a direita…

    … se vence a direita esses projetos são bem capazes de ficar no papel. Vide os oito anos dela no poder, com FHC: nada, 0 (zero) de investimento em infraestrutura. Todo o dinheiro para o rentismo!, esse o lema dessa gente, que a Marina, aliás, cada vez mais direitosa, está encampando sonhática e disrupturalmente.

    • Convém lembrar que no Governo

      Convém lembrar que no Governo FHc foram duplicadas a Regis (BR 116) , a Fernao Dias e a BR101 até Floripa. Alguns casos foram parciais (Regis – Serra do Cafezal).

      • Duplicação

        Foi o brilhante resultado de oito anos. Sem esquecer que as outras rodovias continuaram a deteriorar. Enquanto isso, inventaram um modelo de concessão de ferrovias cujo resultado hoje vemos: dos 29 mil lm concedidos, operam menos de 10 mil.

    • Porque não se cita que no

      Porque não se cita que no Governo Militar se realizaram as maiores obras de infra estrutura na Historia do Pais e que empresas de projetos como Montreal, Internacional de Engenharia, CBEC, Enesa, Hidroservice tinham centenas de engenheiros projetistas de obras publicas ? Até a Bechtel, a Fluor, a Parsons tinham escritorios no Brasil para obras financiadas pelo Banco Mundial. Os Metrôs, a CESP,  Furnas, tinham quadros de engenharia proprios, quem acabou com tudo isso foi a Nova Republica de Sarney e Collor, bem antes de FHC, tambem acabaram as obras publicas e os engenhriso foram para o mercado financeiro por falta de projetos de infra estrutura.

  9. Engraçadso que todos os

    Engraçadso que todos os projetos de infraestrutura captaniados pela liderança PeTista só ocorrem depois das eleições. empre é assim desde 2006, mas nada se cocretiza. Isso é uma forma de ludibriar os eleitores. O PT está a 12 anos no poder e quer mais 8 anos para mostrar que obras como Transnordestina e Transposição que eram pra ocorer em 4 anos vai precisar de 16 anos. A verdade é que a forma petista de governar resume-se a assistencialismo e endividamento e só. Criar renda baseado em investimentos e empregos de alto padrão, frutode uma boa gestão é complicado para a mente petista. A maioria deles de vertentes comunistas trazem um conflito interno que não conseguem esconder. Como alguém pode fazer em que não acredita. É isso que dá comunistas num sistema capitalista. A mente deles dá um curto circuito. Brasil abra o olho e dê o recado nas urnas.

    • sinuca de bico

      pois é José ,  nossos “comunistas” são incompetentes e por outro lado a direita é incorrigivelmente rentista; acreditam na geração espontânea do dinheiro, entre outros dogmas .

      Pela observação, os “comunistas” me parecem flexiveis, enquanto os rentistas são empedernidos, o que vc sugere?

    • E o que foi feito de 1985 a

      E o que foi feito de 1985 a 2003? Absolutamente nada. Até os cursos de Pontes e Estradas das escolas técnicas federais foram desativados nesse período e engenheiros rodoviários viraram “mosca branca” no Brasil. Apenas as obras ligadas aos pedágios paulistas se realizaram, resultando em preços absurdos para os usuários e sob suspeita de retorno desse dinheiro para campanhas políticas de partidos de direita.  

    • Cronograma

      A maior parte das obras não ocorrem depois das eleições. Elas começam anos antes, através dos estudos e projetos. E para tal, a máquina teve de ser remontada depois dos escândalos no inicio do Governo de Dilma. História, história…

    • Atrasos e mais atrasos

      O problema dos atrasos na obra não acontece apenas no Governo  Federal. Tomando o estado mais estruturado e capacitado da União, que é o de São Paulo, o Palácio dos Bandeirantes não consegue também manter o cronograma nas obras do metrô, dos monotrilhos e das ferrovias. Cada semana vem notícia de postergação de liberação de estações (em linhas já construídas), do inicio e término da construção de trechos. Igualmente, temos aqui licitações vazias de projetos de PPP.

      Lá fora, sobrecustos e atrasos são objeto de farta literatura (sugiro a leitura das obras do Prof. Flyvberg, da Universidade de Aahrus). O próprio novo aeroporto internacional de Berlim (Alemanha!!!) devia ter sido inaugurado em 2011, e até hoje, nada…

      O problema, para além dos argumentos que se ouve nos papos de boteco (e que se reproduzem muito na blogosfera, ou seja, no botequim virtual), têm várias raizes: os mega-projetos e as licitações, no mundo todo, viraram um campo de especulação financeira, de consultores irresponsáveis, e de construtoras idem.

      A) Para o projeto entrar na pauta do governo, os consultores subestimam os custos e sobreestimam os beneficios; muitas vezes, por pressão dos próprios políticos que já decidiram, com os empreiteiros, as obras;

      C) No momento da licitação, os licitantes fazem propostas irrealistas, sabendo que, uma vez a obra em curso e o político ansioso pela sua conclusão, a empreiteira poderá chantageá-lo sem fim, pois toda a recontratação, com nova licitação, pedidos de indenização e paralização pelo Judiciário (promovida pela empresa desistente) irá provocar custos incomensuráveis em termos financeiros e de tempo. Assim, prefere engolir o sapo, aumentando os custos e enfrentando os tribunais e a ira de uma imprensa oposicionista (ou não suficientemente “contemplada”).

      No Brasil, temos ainda o fator da destruição da capacidade técnica em todo o setor público federal, estadual e municipal. Lembro-me que em 2002 (!), fui convidado pelo então presidente do CONFEA, Dr. Wilson Lang, e nossa conversa foi assaz deprimente.

      Nas suas palavras: “Professor, o país não está compreendendo que o verdadeiro apagão que irá ocorrer [tinhamos saído do apagão elétrico do FHC, lembram-se?) é o APAGÂO TÉCNICO. Quando retomarmos nossa capacidade de investimento é que essa tragédia virá à tona!”

      Dito e feito…

       

      • Verdades duras

        É professor Aragão, no papel e nos discursos, tudo é maravilhoso, mas quando vai para a execução, o caminho das pedras, segue fielmente, e até muitas vezes mais complicado, que este roteiro (simplificado), que o Sr. escreve acima.

        E o pior, como o Sr. possivelmente já vivenciou; de inicio, na “festa” na qual os projetos e orçamentos são aprovados e decantados por seus executores (vencedores da licitação) e seus padrinhos politicos, os que vão “botar a mão na massa e fazer funcionar”, sabem de antemão, que seu roteiro acima explicitado, irá ser seguido – os processos, contestações, aditamentos – a balburdia de sempre, saem os engenheiros e os técnicos, entram os advogados, jornalistas, lobistas do “ontem”, sindicatos, movimentos sociais e outras “personagens” mais subterraneas.

        Apagão técnico: Alem da carencia que Paulo Renato e FHC, fizeram com a engenharia brasileira, algumas situações as vezes beiram o surreal, como a de enviarmos engenheiros e técnicos para a França (DCNS), como parte do contrato de “transferencia de tecnologia”, para que eles aprendam a calandrar e soldar cascos de pressão com aço HY-80/90, algo que já tinhamos realizado nos anos 80 (assessoria da HDW alemã), só que estes “velhinhos” já se aposentaram ou foram demitidos ou reformados. Por que não os chamamos de volta, para ensinar ?

        Outra coisa: Todo cidadão brasileiro, técnico ou engenheiro, deveria algum dia participar, ou pelo menos acompanhar de perto, in loco, uma sessão das comissões de infraestrutura, defesa nacional e relações exteriores,  ciência e tecnologia,do Congresso Nacional, se possivel conversar com deputados/senadores e seus assessores (todos “sobrinhos” apadrinhados) – é uma aula magna de como as coisas funcionam.

  10. Os planos federais para infraestrutura

    Nassif,

     

    Sugiro que faça uma análise sobre os custos de obras no Brasil e na China, como por exemplo entre as pontes sobre o rio Guaíba-RS e a mega-ponte recem inaugurada na China. Constantemente somos confrontados com comparações simplistas dos custos entre essas obras. Se faz necessário um profundo comparativo entre licenciamento ambiental entre os dois países. Importante também saber se a China tem orgãos de controle como o MPF e TCU e se eles tem o poder de paralisar uma obra como fazem aqui. Se lá os procedimentos de licitação de obras seguem nosso ritual. Se lá, os direitos de trabalhadores são rígidos (e necessários!) como aqui… Enfim, é preciso uma análise que confirme ou desmistifique nossa desigual relação de custo. O link que segue é apenas das centenas que navegam por ai com tal comparativo, que a meu critica mas não justifica tal correlação.

    http://ucho.info/ponte-sobre-o-rio-guaiba-custara-cinco-vezes-mais-que-maior-ponte-do-mundo-sobre-o-mar-na-china

  11. Não consigo entender o que

    Não consigo entender o que aconteceu com toda a grana que entrou com a explosão das comodities e os mais altos impostos que se tem noticía mundo afora , mais de 40% sobre tudo que se consome aqui na brazólia.

    Faltou foi gestão , isso não é coisa para amadores , o país é enorme assim como os problemas e a falta de planejamento e gerenciamento estrangulou o progresso que viria nesta decáda perdida . Aqui no Espírito Santo a 262 que liga o estado a Minas esta a espera da 3° pista que não sai nunca e ainda agora no leilão , ninguem se interessou e enquanto isso o escoamento dos produtos do interior fica travado , muito se perde com a deterioração de produtos pereciveis , com a demora no transporte. 

    So pra refrescar ,JK tocou uma enormidade de obras pra construir Brasília e nem administrador era por formação , era médico , mas delegou o gerenciamento a pessoas capacitadas.

    • Herança de JK

      Não podemos esquecer que o saudoso JK que toda nossa família honra e em cujo governo meu pai atuou com maior entusiasmo, produziu toda uma cultura de alta inflação inercial que só acabou com o Plano Real.

      Ou seja, investiu sem sustentabilidade fiscal, o mesmo pecado dos militares (e que pode se repetir no atual governo)…

        • Os meios de comunicação

          São tanto portadores do interesse das bancas, quanto do interesse do EUA, por mais absurdo que pareça. Essa é minha opinião.

          • Os juros da divida publica

            Os juros da divida publica não são para os bancos e sim para uma infinidade de pessoas, empresas, fundos de pensão.

            Os bancos cobram juros muito maiores do que a Selic e não tem interesse em aplicar nesses titulos.

            A divida publica cresceu pela enormidade de gastos de custeio, absurdos repasses ao BNDES, CEF e BB (mais de 600 bilhões de reais) e tambem para comprar dolares que constiuem nossas reservas internacionais.

          • Dívida pública

            Por mais que tenha crescido, em termos de dívida líquida o resultado ainda está sob controle. O grande risco está para vir: as grandes obras de infra-estrutura e a assumção plena do risco de tráfego ferroviário pelo novo modelo de concessão. Daí a proposta de inserir as novas ferrovias em programas territoriais.

        • Mas Aragao.
          Nao é o governo

          Mas Aragao.

          Nao é o governo que emite os títulos e determina os juros????

          Para onde vai o dinheiro dos títulos???

          Me parece que a questão central é gastar bem o dinheiro público. O governo é uma máquina de emitir títulos e fazer dívidas e depois vem o pessoal criticar os juros. Se o governo fizer menos dívidas ou gastar melhor a situação poderia ser outra.

           

          • Quem determina…

            Em principio, deveria ser o governo. Mas tem aí o mito da “independência do Banco Central”, que deve se alienar dos impactos fiscais dos juros. Segundo o modelo, falido, da independência, o BC consultaria um grupo de financistas sobre suas perspectivas da economia, para, de forma neutra e altiva, determinar qual a facada dar nas finanças públicas e em toda economia.

            Atualmente, o governo retomou um papel mais ativo, mas não pode ignorar o enorme poder de chantagem da banca financeira e o barulho de sua imprensa.

            Essa é uma luta e uma questão que o Nassif tem trabalhado bem…

    • muitos ministérios, muitos partidos…

      Pior do que governar com 14 ministérios, é governar num sistema político com mais de 30 partidos, sendo que aqueles que você precisa incluir no seu governo para obter maioria parlamentar, todos eles tentam chantagear e cobrar caro sua “fidelidade”. E ainda jogam pedra em cima de procurador que tenta evitar a absoluta falta de princípios na criação de partidos…

  12. Paciência.

    Ótimo debate parabéns ao Nassif e ao comentarista Joaquim Aragão que tem dado boas contribuições. Tenho a impressão que o governo do PT está no caminho certo, os erros e acertos estão dando a aprendizagem necessária para o Brasil avançar. Depois de décadas sem investimento o país voltou a investir, falta nesse momento a expertise necessária e ela só virá com o tempo, é preciso resolver os problemas e ter paciência. 

  13. Caríssimo Joaquim,
    Percebe-se

    Caríssimo Joaquim,

    Percebe-se que você é bem preparado. Sou funcionário público num estado que já foi governado pelo PT. E acredite a corrupção não é coisa só dos aliados do PT. 

  14. Brasil X China

    Esta briga de gigantes tem seus lados bons e ruins.

    Do lado chinês, a facilidade de aglutinação de capital, licenças e mão de obra barata, deixam o país dinâmico, fácil de trabalhar, barato; porém com muitos custos sociais e ambientais escondidos.

    Do lado brasileiro, muita gritaria de todos os lados, mão de obra caríssima, mídia opositora e taxas diversas, travam obras e projetos; porém, o país está bem estruturado institucionalmente.

    São preços a pagar qualquer que seja a escolha de investimentos.

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