Os problemas da USP são estruturais, não de falta de recursos, por Luis Nassif

Recentemente a Vejinha São Paulo (suplemento paulista da Veja) publicou uma capa propondo saídas para a crise da USP (Universidade de São Paulo). Quase todas versavam sobre formas adicionais de conseguir recursos.

O problema da USP não são recursos. Ao contrário das universidades federais, as universidades paulistas têm autonomia orçamentária, recebendo percentuais fixos da arrecadação do ICMS.  Ainda conta com financiamentos da Fapesp (Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), do CNpQ (Conselho Nacional de Pesquisa), as bolsas da Capes, os recursos das suas fundações.

Os problemas da USP são de ordem estrutural. Mas nem 30 anos de liberdade econômica abriram os olhos de parte da mídia para questões relacionadas a gestão e qualidade.

Problema 1 – compartimentalização de departamentos

Cada departamento da USP tem uma estrutura própria, com diretor, vice-diretor, departamento de RH, de transportes etc. Além de desviar recursos da universidade das atividades fim, é fator a impedir os projetos interdisciplinares. Cada projeto precisa da aprovação de cada departamento, de cada escola.

Além disso, em tese cada diretor de departamento é escolhido entre os que se destacam em sua área. Tiram um grande professor ou pesquisador e o transformam em um burocrata, consumindo seu tempo em pinimbas burocráticas de uma organização complexa, como é uma universidade.

Há lideranças acadêmicas que julgam que a autonomia universitária depende do controle da parte administrativa. Errado. Autonomia deve ser na parte acadêmica, na capacidade de definir pesquisas prioritárias, modelos de ensino e, especialmente, implementar a missão da universidade. A parte administrativa é meio.

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Problema 2 – a indefinição sobre a missão da Universidade

É possível encontrar na USP departamentos que saibam claramente definir sua missão. A USP, não. Qual a missão da USP? Atender a massa de estudantes ou formar as futuras lideranças do país, incluindo os quadros que entraram com a democratização do acesso pelas cotas? É evidente que é formar lideranças. Então há que se ter um projeto claro.

De uns anos para cá, repete-se o mantra da internacionalização como missão da USP. Ora, internacionalização pressupõe parcerias com universidades internacionais, compartilhamento de cursos, compartilhamento de alunos, entrada nas grandes redes internacionais de pesquisa, uso de tecnologias de educação, cursos em inglês etc. Nada disso ocorre na USP.

Problema 3 – a falta de um conselho superior

O Problema 2 decorre do Problema 3. A definição da missão da universidade deveria ser por um conselho superior, formado por representantes da sociedade civil, lideranças empresariais, cientistas, organizações e movimentos sociais, para discutir missão, objetivos e metas. Apesar de previsto há anos, a USP jamais implementou o seu.

Um conselho superior jamais teria permitido as loucuras de Grandino Rosa, o reitor que José Serra colocou para bater em estudantes e dizimar a racionalidade administrativa da USP.

Problema 4- a falta de avaliação externa

Definida a missão da USP, quem deveria avaliá-la? O natural é quem paga, o contribuinte paulista. Mas nenhum governador quis colocar a mão na cumbuca. A única avaliação a que a USP se submete é em rankings internacionais. No mais reputado deles, o Times Higher Education’s World University, a USP vem despencando ano a ano. E não há um planejamento claro para recuperar a excelência perdida.

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Problema 5 – a falta de indicadores

A missão principal da universidade é o ensino. Logo, a principal missão do professor é ensinar. E a melhor maneira de medir o desempenho do professor é analisando, durante o curso, o nível dos alunos, participando das provas de avaliação do MEC (a USP se recusa) e, depois de formados, a situação dos egressos. Nada disso ocorre na USP, nem nas universidades brasileiras em geral. Os indicadores se resumem aos papers publicados.

Pior, é considerado bom professor aquele que marca seu coldre com o maior número de reprovações dos alunos. Um professor que reprova mais de 50% da classe deveria ser sumariamente demitido, porque simplesmente não ensinou. E o professor que passa todos seus alunos, pode estar pretendendo apenas melhorar suas estatísticas. Como medir a ambos sem um sistema eficiente de avaliação e sem se submeter às provas nacionais?

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19 comentários

  1. A USP é a prova viva da

    A USP é a prova viva da burocracia que acha que não deve satisfação de como gasta o dinheiro que recebe de todos nós, contribuintes. Quase tudo que a USP gasta é com salários de professores. Provavelmente deve ter professores que recebem além do teto constitucional. 

  2. Estrutural ou financeiro?

    Nassif, o caminho que vc abre para o debate é importante. Vamos ver o quanto isto anda e quero dar o meu pitaco também.

    Se minha memória não falha, esta coisa de docente se transformar em burocrata universitário vem desde a época do José Goldemberg. O grande problema poderia ser que um docente nem sempre domina campo de gestão, mas mesmo isto é uma falácia. Na verdade, o docente não é, pasmem, um pedagogo com visão global das coisas. Alguns se tornam verdadeiros burocratas pois, claro, o poder administrativo é inebriante, mas há quem simplesmente se recuse a estar em uma sala de aula. Algumas faculdades possuem uma visão tão tecnicizante que seu êxito como unidade da USP dá como resultado um “cabeça de planilha”. Pedagogia? Esqueça. Por outro lado, há os que não dominam esta visão global e isto se torna um espaço aberto para os funcionários graduados, burocatas que ficam gravitando ao redor de docentes, buscando favores e melhores posições dentro da própria categoria; isto gera, evidentemente, todo tipo de situação, de um boicote ao assédio moral, 

    O conselho superior, Nassif, digamos que existe, sim. Chama-se Conselho Universitário. É formado por diretores de Unidade, mais representantes docentes e discente e alguns da sociedade civil. Uma parte substancial destes diretores possuem relações diretas ou indiretas com fundações privadas ditas “sem fins lucrativos”, Trata-se de um problema sério, pois os convênios com estas fundações são por demais obscuros e pouco transparentes; o processo de fiscalização é extremamente ineficiente, as prestações de contas dependem dos dados que as próprias fundações oferecem, nunca houve uma auditoria pra saber qual o montante real que estas fundações movimentam. 

    O Tribunal de Contas do Estado já rejeitou as contas da USP e, de certo modo, é a grande pedra no sapato da Universidade. Pessoalmente, acho que o correto seria uma auditoria, mas isto não vai ocorrer se a sociedade não quiser. Entenda, não é apenas a comunidade da USP que “precisa querer”. Em um encontro de docentes para a discussão do financiamento da Universidade, o presidente da Adusp fez a seguinte constatação: “É muito difícil ter os números da USP, saber o que a USP gasta em cimento e tijolo.” O site da Transparência da USP é uma vergonha. O correto, em tese, seria mostrar toda e qualquer movimentação financeira, convênios, contratos, licitações, gastos e investimentos. Não, nada disso. Se vc achar os valores do salários, dos trabalhadores, OK: vc pode se dar por satisfeito, os funcionários ganham bem para os padrões brasileiros (sic); mas isso é cortina de fumaça para o que se gasta em “cimento e tijolo”. 

    A missão da Universidade, Nassif, como construção a priori, é repetida ao limite da náusea. Há os abnegados e os profissionais que realmente acreditam na função pública da Universidade, mas isto é, também, um “dever” político, “o que queremos ser”. E há o que se debruçar sobre isto e que se relaciona com uma questão que não é tratada aqui, mas que é um fenômeno interessante. Houve uma greve na USP, terminada no mês passado, greve de “tiro curto”. O problema teria sido a baixa adesão. Críticas miram os sindicatos de trabalhadores e de docentes, além do movimento estudantil, que deflagrariam greve sem haver um peso grande das categorias; estas críticas, no entanto, jogam a responsabilidade nas entidades e movimentos, que fazem algum tipo de agitação política muito necessária. Trata-se de uma observação “confortável”; a questão é “que motivos vc têm de fato, para não aderir a qualquer ação que melhore a situação da Universidade e de quem está lá?” Não quem adere, então, que deve explicações (poderia tê-las, até, mas o contexto é de um recurso de quem “culpa” as entidades e movimentos e não toma a  responsabilidade pra si), mas quem busca “nos outros” a motivação para não aderir ou fazer qualquer tipo de agitação. Ouso dizer que a Universidade tem muitos técnicos e muitos intelectuais, no sentido gramsciano da palavra. Por isso que não há greve massiva. 

    Mas acho que precisa combinar com os russos, caro Nassif. Foram os excessos de quem está encastelado e que produziram diversos problemas que apontei que tem se desdobrado em falar sobre novidades na gestão, novos processos, autonomia e descentralização administrativa. A situação não é tão simples, Nassif. Mexer nas estruturas significa mexer em interesses, e é com esse mote que a burocracia universitária tem colocado contra a parede funcionários e docentes, tirando o foco o fato de que é essa burocracia que cria esse problema estrutural. A USP está em tempos de modernidade conservadora, Nassif.  

  3. É isso, não sei mais a

    É isso, não sei mais a quantas anda 9,57% do icms pro sistema estadual de ensino superior (fora fapesp) mas é grana pro carvalho, dá pra fazer muito mais do que se faz, uma correção se faz a estrutura dos departmantos, rh e transporte não entra, a exposta é mais parecida com as de faculdades e institutos… antes de nomear rodas o terceiro da lista serra tentou o controle com a criação da secretaria de educaçao superior, que poderia ter sido uma boa idéia não fosse implementada no padrão serra de ser, de resto concordo plenamente: professor que reprova mais de 50% da classe deveria ser sumariamente demitido, tá cheio na USP.

  4.  Cruzes!!! Talvez seja o pior

     Cruzes!!! Talvez seja o pior artigo escrito por Nassif em toda a sua carreira jornalística. Nível Oia de Sabino e cia.

  5. Jessé Souza deve ser consultado

    Análise muito interessante. O Professor e Sociólogo Jessé Souza, embora não faça parte da USP – como ex-aluno ou  professor – fez estudos sobre a origem da instituição e quem a idealizou. Sugiro ao GGN entrevistá-lo a respeito.

    • Na mosca!

      Isso mesmo, vamos chegar à conclusão de que também não falta “gestão”. O que é “gestão”? O que faz um “gestor”?

      Um gestor “gesta”. Ele não tem capacidade de mudar a espécie, só reproduzir!

      Missão é um conceito proveniente do capitalismo protestante americano. A ética protestante é o espírito do capitalismo.

      O Brasil nunca foi capitalista. É escravocrata há 500 anos! Além de escravos, o escravismo produz os senhores de escravos, para quem trabalham os “gestores”, meros reprodutores.

      A USP foi criada para educar os senhores de escravos, não os escravos.

      Jessé é o homem certo para falar disso!

  6. Todo ano são mais de 7

    Todo ano são mais de 7 milhões de inscritos no enem, e tem mais os jovens do ensino médio, levar o conteúdo da produção acadêmica para fora dos círculos e fazer o conteúdo educacional chegar a sociedade e responder a demanda dos futuros ingressos das universidades que as vezes tiveram carência no ensino, tendo a função de levar a educação para a sociedade a produção do conteúdo baseada nas atividades e pesquisas que acontecem na Universidade serveriam de avaliação mais completa da área tendo como a finalidade o ensino, em formato acessível e de fácil avaliação. Por exemplo uma aula para as escolas que una conteúdo curricular e mostre a produção e literatura acadêmica pode ser avaliada até pelos próprios alunos!

  7. Querendo que se faça uma

    Querendo que se faça uma melhor avaliação externa, decreta-se sumariamente a demissão de quem reprova 50%. Isso fica estranho… veja que bastaria os alunos se organizarem e se deixarem reprovar por não se esforcar a aprender e conseguiriram a demissão dos professores indesejados… assim turmas de direita poderiam demitir professores de esquerda e vice-versa. Seria o fim da autonomia do professor, tendo que se enquadrar pra manter o emprego… mesmo sem se oeganizar hoje a reprovação em massa já ocorre em parte por isso: os alunos vao as aulas, testam os professores, ficam com seus smartphones (que parecem em alguns casos mais smarts do que seus donos) e depois de alguns semestres mudam dee curso pois aquele que foi era muito dificil…. busquem as pesquisas que mostram o real morivo de tantas evasões 

  8. Universidades Estaduais sob ataque

    Sua analise a respeito da Usp só se completa se analisar tb a Unicamp e Unesp. Nas tres universidades, a dotaçao do icms para custeio é responsavel pelo pagamento dos salarios dos ativos e inativos. Considerando os valores atuais da percentagem destinada a todas- 9,57%, descontados varias isençoes legais que eu nao me lembro do valor total do icms arrecadado, ou seja, os 9,57% é sob o valor liquido do icms (bem menor portanto que o total).O financiamento das Universidades Estaduais Paulistas é realizado via o repasse de 9,57% da “Quota-parte Estado”(QPE) do ICMS arrecadado no estado de São Paulo. A QPE por sua vez, equivale a 75% do ICMS arrecado. Os outros 25% são destinados aos municípios. Nos últimos 3 anos, pelo menos, o repasse de ICMS às Universidades Estaduais Paulistas sequer chegou aos 9,57% da QPE. Isso pode ser constatado ao analisarmos o quanto a Secretaria da Fazenda do Estado declara ter arrecadado com ICMS e o quanto as Universidades Estaduais e a Univesp declaram ter recebido do Estado em seus balanços orçamentários. Ou seja, o Estado está deixando de cumprir sua parte no acordo. Desde 1995, o percentual desse repasse, definido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) anual, é de 9,57%, assim dividido: aproximadamente 5,03% para a USP, 2,34% para a UNESP e 2,2% para a Unicamp. Um problema é que o governo estadual realiza uma série de deduções da base de cálculo da quota-parte do ICMS repassada às universidades, como desconto de multas, juros e dívida ativa, do programa “Nota Fiscal Paulista” e recursos para a área de habitação. Essas manobras contábeis reduzem valores expressivos dos recursos das estaduais paulistas. Calcula-se que esses descontos representaram um prejuízo de cerca de R$ 1 bilhão ao orçamento das universidades entre os anos de 2014 e 2016. Esses mesmos descontos não são feitos da porcentagem do ICMS que vai para os municípios.

     

    Em 2005, por exemplo, o Estado fez um acordo com a Unicamp prometendo aumento de repasse do icms para incentivar a universidade a investir num novo campus, localizado em Limeira. A promessa do Estado de aumento tambem foi feita para a Usp, resultando na criaçao da Usp-Leste, cujo campus foi construido sobre um terreno contaminado e que apresenta problemas desde o inicio de seu funcionamento. O Estado jamais cumpriu estes acordos e os reitores nao tem interesse de contrariar o PSDB, preferindo cortar dentro da universidade. Como as despesas continuaram aumentando e os repasses diminuindo, chegou-se a uma situaçao de insolvencia nas tres universidades, que cortaram investimentos, achataram os salarios dos servidores sem aumento real desde 2014. A situaçao da Unesp é tao ruim que nem os aumentos autorizados pelo Conselho de Reitores das Universidades Paulistas em 2016 e 2018 foram pagos. 

    Assim, as afirmaçoes do Nassif neste texto precisam contemplar esta situaçao que expus aqui para a devida contextualizaçao. Quanto a falta de transparencia das fundaçoes das universidades, fica evidente o descaso do MP paulista tucano em investigar(até porque vai achar tucano gordo mamando…)

     

  9. 1934. O QUE ESPERAR DE PROJETO DE GOLPE FASCISTA?

    Até a Redemocratização, a USP ainda fazia seu grande papel de construir Caminhos e Profissionais de excepcional qualidade técnica. O Engenheiro Paulo Maluf estudou na USP. Prova que a Universidade até então não era apenas um laboratório esquerdo-fascista comandado por Fefelet’s da vida. Mas formou também medíocres como Mario Covas. O mesmo que então Governador manda cercar a maravilhosa Raia Olimpica e todo Câmpus da USP, fechando este espaço de Cidadania ao Povo Paulista. A bandidagem então tomou conta da universidade. Literalmente. Assaltos, mortes, sequestros, roubos. Agora, uma das suas Crias, manda colocar milionário Muro de Vidro, onde existia liberdade e compartilhamento (dizem pela iniciativa privada. Sabemos). Dinheiro aos milhões sendo jogado fora. É a face mais realista deste período de pseudo-redemocratização. A USP virou este Estado Redemocrático Farsante. Nossa Engenharia, reconhecida mundialmente, foi trocada por importadas ‘pontes estaiadas’. A Universidade virou um CABIDE DE EMPREGOS. Uma pequena Elite de Professores e Indicados Políticos ganham Salários Nababesos. Secretárias ganham salários vultosos. ‘Helicópteros’ viraram o único acesso à Reitoria. Enquanto os prédios de moradias para Alunos caiam aos pedaços. Reformados no último minuto da prorrogação. Serviços e Beneficios para Alunos e Funcionárias são sucateados. Serviços de Creche na maior Univesidade da Am. Latina são abandonados. O uso político da Universidade pelo Tucanistão. Hospital-Escola da Univesidade levado à falência. Escuridão total e falta de segurança no Câmpus é o usual. Córrego fétido e poluído atravessa a Cidade Universitária. Universidade que poderia ter desenvolvido projeto para esta finalidade sua solução. Mas para que pensar e realizar dentro de uma Universidade? Ou seja, 40 anos de total sucateamento da USP. (P.S. E ainda na SAÍDA do Cãmpus, na Marginal do Rio Pinheiros, melhor, mais visível e mais funcional, que Alunos e Funcionários usam para acessar a Ponte da Cidade Universitária que dá acesso a Linha de Trens, do outro lado da Marginal, foi feito apenas um projeto medíocre de catracas. Deixando o espaço na escuridão, passagem perigosa para Funcionárias e Alunas, que atravessam a ponte em dias de chuva e frio, sem qualquer segurança. Peguem uma parte deste dinheiro, milhões que são gastos imbecilmente, e façam uma cobertura ou passarela lateralmente à ponte. Com iluminação, cobertura e segurança. Pensar ainda deve ser possível na USP, apesar de 40 anos tão farsantes. E tem mais, aproveitem e peçam ao Governador que seja feita CICLOVIAS em toda extensão das Marginais. Iguais àquelas que servem de cenário aos Estúdios de RGT, entre a Berrini  e Jardins, para ‘gente diferenciada, loira de olhos azuis’ )      

  10. USP fora da mira

    Embora o GGN e seu diretor sejam dos melhores, o artigo tem graves erros sobre fatos objetivos, que comprometem as conclusões. Vejamos: (1) A subdivisão da USP é feita por unidades, denominadas Institutos, Escolas, ou Faculdades. Só estas têm a estrutura descrita no artigo, sendo os departamentos subdivisões destas, com estrutura administrativa mínima. Sem a divisão por unidades seria impossível administrar uma instituição do tamanho da USP. (2) considerado pelo autor decorrente do (3), que é a falta de um Conselho Superior. O Conselho Universitário não tem aquele nome, mas é formado como preconiza ou autor, que parece não conhecer sua existência. O problema do Conselho é ser subserviente aos nomeados pelo Governador, (4) A USP tem tido um excesso de avaliações, e ao contrário do que diz o autor, tem se mantido bem em avaliações internacionais. A avaliação deveria ser feita por um Conselho, que tem participantes externos, que assumisse suas responsabilidades. (5) João-Ninguém já explicou bem essa questão, e, como aluno e professor durante mais de quarenta anos não conheci quem gostasse de reprovar, mas sim quem lamentasse ter que reprovar alunos admitidos sem condições de acompanhar um curso, especialmente nos novos cursos noturnos. A propósito deste, Ricardo Pereira já comentou a fraude que foi imposta ao ensino superior paulista por Alkmin, que acenou com aumento de recursos para o aumento das vagas, e não os deu. O número de horas em sala de aula e de alunos por professor quase dobrou, pela impossibilidade de financiar responsavelmente o crescimento. Falta dinheiro, sim, e falta também o conhecimento do assunto para os que propõem soluções.

  11. Crise na USP
    O assunto é pertinente, o texto também…mas, porquê, as pessoas, em seus comentários pós texto, não conseguem fazer uma análise sem polarizar? Eu vou parar de perder meu tempo em ler os dois lados da moeda. Afinal, sempre serão pontuados o que interessa para a esquerda, ou para a direita. É tão patológico esse “chumbo trocado” que beira a sociopatia de ambos os lados. Os assuntos se perdem em distorção de fatos, falácias e afins! União que é bom para virar esse país, NADA!!! Povo estúpido!

  12. “Lideranças empresariais”

    “Lideranças empresariais” compondo conselho em instituição de estudo, pesquisa e atendimento à comunidade não combina nem em sociedades menos predadoras que a nossa, caro Nassif. Na nossa, em que lideranças empresariais dobram-se ao dólar especulativo, financeiro puramente, então… aí é que vai tudo para o buraco: o mercado privado especialmente aqui adora um estrangeiro, sabe daqueles que, se não ganham pelo menos fazem-nos perder? Que nos sabotam?

    Se a base da ciência é questionar o que tem sido inquestionado – e inquestionável – imagina condicioná-la, balizá-la pelo mercado…

    Agora bem que os chefes de departamento podiam dar uma examinada na “contribuição” que suas vaidades pessoais dão à evolução dos saberes. Sei que é um tiquinho mais difícil fazer esse exame sob fogo cerrado da propaganda ideológica neoliberal e mercadista – todos estão temendo pela tal “crise” criada pelas pessoas que “emitem e controlam”* o dólar – mas, ué… se não for assim, pessoalmente o tal chefe pode até tornar-se poderoso e rico (pelo menos remediado) mas a ciência morre e nenhuma lei, nenhuma democracia resta. Voltamos à barbárie.

     

    * – “Deixe-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importarei com quem redige as leis.” Mayer Amschel (Bauer) Rothschild

  13. Seria legal contextualizar os sucessivos governos de direita

    Seria legal contextualizar a USP ao que sempre acontece no nosso Estado: governados somos por políticos de direita que vencem seguidas Eleições aqui. 

    Tirando Franco Montoro de 1983 até 1987 que podemos considerar uma pessoa menos fora de modelos de direita mais ou menos autoritários ou populistas ou neoliberais a USP sempre teve o azar de estar inserida em Governos como os de Adhemar de Barros, Paulo Maluf, Quércia, Fleury, Mário Covas já no momento neoliberal de FHC Presidente, Alckmin, José Serra, etc. 

    Estudei de 1990 e 2001 lá e fiz 2 graduações no começo e auge do neoliberalismo, sequer professores contratavam no tempo de FHC Presidente e Covas/Alckmin governadores. Só melhorou a coisa com o PT no Governo Federal, e eu já não era mais aluno, e melhorou porque ficava complicado politicamente ver investimentos nas universidades federais e as estaduais estagnadas, era uma necessidade frente aos tempos mais progressistas com o Lula Presidente. 

    Estudei por falta de professores em salas com mais de 200 alunos sentados até no corredor, com estagiário dando aula porque o Professor da disciplina não tinha como assumir as aulas em diversas matérias de um mesmo Departamento, fiquei semestre sem quase metade das aulas porque se aposentavam professores e não tinha outro para dar a matéria no lugar dele e assim por diante.

    Só para se ter uma noção do que foi os tempos FHC/Mário Covas para a USP é só pensar no curso de Literatura Portuguesa. Minha Professora um dia contou em sala de aula que o Departamento dela em 1980 tinha 21 professores e no ano, mais ou menos 1998, tinha apenas 5 professores, ou seja, 1/4. 

    A USP é um ambiente acadêmico maravilhoso apesar de tudo, pela qualidade dos professores, alunos e funcionários, os neoliberais paulistas é que atrapalham demais.

  14. bom post

     Eu fui aluno da USP e muito me orgulho. E sempre estudei emescolas públicas.

    As Universidades Estaduais deveria ser orgulho dos paulistas. Não vejo ninguém as defendendo, com rarissimas exepções.

    Mas muito as atacam, inclusive por aqueles que não tiveram competencia para entrar. Oh inveja!

    Não confio nos governos dos tucanos, se eles podessem já as teriam privatizado.

    Obviamento que devem ser avaliadas, acompanhadas e bem geridas. È o mínimo que se espera de todo o orgão publico.

     

    PS> Nos tempos em que ouvia a CBN o Sardenberg soltou essa pérola: “se a USP fosse uma empresa, já teria falido”

    Nunca me esqueço. Esse é o nivel do debate da nossa direita.

     

  15. usp
    Caro Nassif: Você tem sido um dos mais importantes jornalistas que ajudam a formar minhas opiniões. Mas, por favor, retire estes apontamentos sobre a Usp, revise-os com suporte nas inúmeras análises já feitas sobre o desenvolvimento da mais importante Universidade da América Latina e reapresente algo que possa servir de roteiro consistente para uma discussão mais seria. Isso que você escreveu não serve.

  16. Custa-me crer…

    Sou admirador incondicional de seu trabalho, de sua escrita e de sua forma de fazer jornalismo.

    Mas, custa-me crer que você acha que a estrutura departamental é de fato um empecilho para o desenvolvimento de atividades interdisciplinares. Ledo engano de sua parte. De fato, há alguma burocracia que precisa ser superada, como a aprovação de projetos em diferentes departamentos, o que, via de regra, ocorre sem maiores problemas. O problema maior costuma ser de cobertor curto, uma vez que é preciso estar muito claro onde cada departamento vai gastar seus parcos recursos. O maior entrave para projetos multidisciplinares e propostasa curriculares multidisciplinares tem dois nascedouros: 1) no nosso próprio mercado de trabalho, que adora pagar de moderno mas é absurdamente conservador. Basta ver como são os processos de “seleção” para muitas empresas, onde o “QI” ainda é aliado muito maior do que a gama de problemas que você conhece e é capaz de resolver. 2) Como vamos falar de interdisciplinaridade se desde a mais tenra escola nossos estudantes vivem perguntando “pra que estudo isso?”, “pra que estudo aquilo?”, num ranço que se perpetua até o ensino superior? Não temos gosto por aprender, essa é a verdade. Queremos aprender a apertar parafusos, ou mais provavelmente, queremos aprender a mandar alguém apertar parafusos, porque isso é importante para o desempenho da função que nos remunera. Simples assim… Além disso, fica parecendo que apenas projetos multidisciplinares prestam e são o futuro da humanidade. Menos gente… menos. São muito bonitos, muito legais, mas muitos levam anos para serem executados. É necessário que todas as partes envolvidas falem minimamente um código em comum, mas nos dão tempo para isso? Não né? Porque para seguirmos vivos em nossas carreiras somos obrigados a seguir produzindo artigos, dissertações, teses, muitas vezes sem pensar, sem de fato fazer Ciência. Apenas cumprindo prazos e metas impostos por quem não sabe somar frações com o mesmo denominador e não sabe sequer entender que diferentes áreas possuem diferentes dinâmicas. E convém lembrar que isso não ocorre apenas por aqui… hoje estima-se que mais de um terço das pessoas que ingressam na carreira acadêmica/de pesquisa a abandonam. Será por que? 

    Por fim, é necessário entender porque as universidades brasileiras tradicionalmente têm se organizado em departamentos e principalmente o que são e para que servem os departamentos. Qualquer análise que não tangencie esses aspectos corre o risco de ser superficial. E não tem nada haver com egos e coisas do gênero… via de regra, docentes detestam trâmites burocráticos, e portanto detestam assumir o cargo de chefia departamental. É um saco.  O trabalho é infernal, o retorno e o reconhecimento são mínimos. Nesse ponto você diz uma verdade: desloca-se um docente que poderia ser muito mais útil produzindo Ciência e formando alunos para um cargo burocrático.

    Quando vejo o Nassif dizendo que professores que reprovam mais que 50% de seus alunos deveriam ser sumariamente demitidos, fico me lembrando dos comentários dos tecnocratas do PSDB, que acabaram com o ensino público em Minas e em São Paulo, exatamente extirpando a noção de reprovação. É óbvio que há professores sádicos, que realmente têm prazer em reprovar… e antigamente, nos tempos de vocês mais velhos isso era muito mais comum e frequente. Será hoje a realidade? O que vocês entendem, afinal de contas, por ensinar? O professor do famigerado Cálculo I enfrenta turmas enormes, lotadas de alunos com enormes deficiências (desde priscas eras!!)… o curso exige dedicação de várias horas diárias. O aluno não tem embasamento, não se dedica o suficiente, e o professor é que é o único culpado? Me ajuda aí, Nassif… EU SOU PROFESSOR UNIVERSITÁRIO, e não sou babá dos filhos da classe média. Cumpro minha carga horária de trabalho com folga, estou sempre à disposição de meus estudantes e tento dar o curso mais honesto possível para meus estudantes, mas é absolutamente necessário que ELES também se dediquem, e muito. Não sei como é a realidade dos cursos de humanidades e ciências sociais aplicadas, mas nos cursos de Ciências Exatas, como Física, Matemática, Engenharias… não dá pra enganar por muito tempo. Agora, se preferirem, podemos criar um mutirão de aprovação geral, fingindo que não está acontecendo nada, e então formarmos engenheiros para projetar pontes, equipamentos, desenvolvimento de novos materiais que não têm a menor noção do que é uma função do primeiro grau (duvidam que existem esses profissionais atuando por aí??). Agora, tentar dar o conteúdo de nossas disciplinas, orientar alunos na iniciação científica, no mestrado, no doutorado, produzir alguma pesquisa… e ainda pagear adultos? Reitero: é óbvio que havia muitos – e ainda há, mas não tantos, docentes que reprovam por prazer, por sacanagem mesmo. Entretanto, as reprovações em massa hoje em dia se dão muito mais por falta de preparação e de dedicação dos discentes. Não se pode NUNCA maquiar essa realidade.  

     

     

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