Os problemas na balança comercial e os motores de recuperação da economia

Até março de 2020, o acumulado de 12 meses mostrava um saldo de US$ 44,5 bilhões. Tirando a China, cairia para US$ 13,3 bilhões.

Vamos a um breve raio-x da balança comercial brasileira.

Desde 2016, o saldo comercial vem caindo US$ 10 bilhões por ano. Confira a tabela.

Até março de 2020, o acumulado de 12 meses mostrava um saldo de US$ 44,5 bilhões. Tirando a China, cairia para US$ 13,3 bilhões.

A dependência do saldo comercial em relação à China fica mais óbvia neste outro quadro. Em quatro anos, a China saltou de uma participação de 30% para 70% do saldo comercial brasileiro.

Do lado das exportações, o quadro é o mesmo.

A crise global terá reflexos profundos nos preços das commodities, a base da pauta de exportações para a China, e do saldo comercial. Supondo uma queda de 15% em todas as cotações, haveria o seguinte impacto sobre as exportações.No exemplo acima, considerou-se apenas o efeito preço nos resultados finais. Se se acrescentar o efeito quantidade, obviamente a queda será muito maior.

O saldo comercial poderá ser preservado da pior forma: queda das importações fruto da enorme recessão que vem pela frente.

A indústria automobilística

Qualquer setor que se analise, já há sinais de quedas sensíveis nas vendas.

Aqui, um quadro rápido dos resultados dos automóveis em março de 2020, comparado com março de 2019.Pontos de recuperação

Conclui-se desses números sintéticos, que o mercado externo não será capaz de ancorar a recuperação da economia. Em outros tempos, montava-se uma recessão interna e as empresas iam buscar demanda externa.

Hoje em dia, com o empobrecimento da pauta comercial brasileira, fruto da desindustrialização ocorrida, não há mais essa porta de saída. Fica-se na dependência da demanda por alimentos.

Nesse quadro, com porta externa fechada, familias e empresas endividadas, as medidas propostas pela equipe de Paulo Guedes terão os seguintes resultados imediatos sobre a economia.

  1. Financiamento da folha de salários por dois meses.

O Banco Central abriu uma linha de crédito com taxas de 3,45% ao ano, 45 dias de carência e 12 meses para pagar. A probabilidade de surgirem tomadores desse dinheiro não chegará a 2%.

Que pequena ou média empresa, já machucada por quatro anos de crise, tomará empréstimos para sustentar empregos por dois meses, sem ter a menor noção de como estará depois desse prazo?

2. Oferta de crédito para empresas

Da mesma maneira, o único movimento que ocorrerá será o refinanciamento de dívidas pré-existentes. Ou novos financiamentos mediante garantias expressivas, em um momento em que grande parte da gordura da economia esvaiu-se na enorme execução de garantias ocorrida após 2016.

Assim, as únicas fontes de demanda residem nos gastos públicos, de duas maneiras.

Uma, através de novos investimentos, especialmente em infraestrutura para mover a construção civil.

Outra, através de renda paga à baixa renda e aos desempregados.

Ou seja, a merreca dos R$ 600,00, que Paulo Guedes e Onix Lorenzoni não têm sido capazes de liberar, mais outros programas que certamente virão por aí, não se destinam apenas a cumprir uma obrigação básica do Estado em relação aos cidadãos. Aliás, não se vá exigir deles nenhuma empatia com os mais necessitados. Tornou-se questão de sobrevivência econômica.

Sem demanda, não há vendas. Sem vendas não há emprego, não há crédito, não há impostos.

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