Para os que celebraram as baixarias contra Dilma

Quando começaram as manifestações de rua, em junho passado, os grupos de mídia levaram algum tempo para separar manifestações legítimas de atos de vandalismo. Julgando alimentar a oposição, cevaram o monstro da violência difusa, que resultou na morte do cinegrafista da Bandeirantes.

No primeiro jogo da Copa, na Arena do Corinthians, explodiu um festival inédito de grosserias contra a presidente da República. Se não for devidamente condenado por uma reação firme da mídia e da oposição corre-se o risco de criar outro monstro, que irá se virar contra todos.

Arenas esportivas são o palco ideal para catarses da massa. Das vaias não escaparam Lula, Aécio e quantos políticos ousarem se apresentar em dias de jogo.

Nenhum foi vítima de tanta baixaria quanto a mulher, mãe, avó e pessoa digna, Dilma Rousseff.  Os palavrões de que foi alvo começaram nos camarotes VIPS do estádio, ecoaram pelo mundo inteiro, passando a pior imagem possível sobre o Brasil.

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O pré-candidato Aécio Neves, que já experimentou a vaia dos estádios, tem sido vítima de ataques pela Internet. Sabe dos efeitos das baixarias especialmente sobre filhos e parentes em geral.

Sua condenação à baixaria contra Dilma seria enorme oportunidade de demarcar as regras da disputa política. Em vez disso, preferiu endossar palavrões que ele jamais admitiria em sua própria casa.

Onde pretende chegar? Não se trata apenas de uma mulher, mãe e avó, mas da instituição Presidência da República. Endossar frases como “vai tomar no c…” é atitude digna de quem pretende a Presidência?

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Os jornalões que celebraram os ataques deram gás a palavrões que invadiram as salas das casas, chegaram até ouvidos das crianças, espalharam-se pelos quatro cantos do planeta, mostrando que a selvageria brasileira não está nas selvas do Amazonas, nas palafitas de Recife, nas favelas do Rio, mas nos que são transportados por vans até o estádio e despejam em público o lixo que não jogariam na sala de estar de sua casa.

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É tolice pensar que baixarias desse tipo inibiriam Dilma. Ela se fez figura pública no dia em que o senador Agripino Maia a acusou de mentir sob tortura e recebeu uma resposta histórica, que se espalhou como rastilho pela Internet.

Poupada, Dilma se desgasta pela insensibilidade para com a opinião pública; atacada, cresce. Quando alvo de baixarias, agiganta-se e conquista a solidariedade de qualquer pessoa que não tenha a alma mofada pelo oportunismo político, pela ideologização rasteira e dispõe do respeito mínimo que se deve dedicar a uma pessoa.

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Nas próximas eleições vingará a retórica do “anti”. Os eleitores analisarão os riscos da vitória de cada candidato e votarão contra.

O risco da vitória de Dilma é a manutenção do estilo autocrático e centralizador, deixando uma nação desorientada. Se a oposição continuar a reboque dos grupos de mídia, nessa radicalização inconsequente, o risco de  vitória de Aécio será uma noite de São Bartolomeu, deixando uma nação conflagrada.

Nota – no final da tarde de ontem, Aécio publicou uma nota tímida no Facebook condenando as ofensas e propondo a disputa no campo político, “sem ultrapassar os limites do respeito pessoal”.

 

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