Um Raio X das exportações brasileiras até setembro

Primeiro, a China. Até setembro as exportações para lá foram superiores ao mesmo período do ano passado em US$ 6,6 bilhões, alta de 14,05%.

Uma análise mais detalhada da balança comercial até junho, dos três principais parceiros comerciais brasileiros – China, Estados Unidos e Argentina – permite uma visão mais próxima dos impactos da Covid na balança comercial brasileira.

Primeiro, a China.

Até setembro as exportações para lá foram superiores ao mesmo período do ano passado em US$ 6,6 bilhões, alta de 14,05%.

Desse total, US$ 3,7 bilhões corresponderam ao aumento das exportações de soja, alta de 23,3%. Na outra ponta, a maior queda foi em óleos bruto, com redução de US$ 1,7 bilhões, -15,3%.

Dos 10 produtos de maior peso nas exportações brasileiras para a China, houve aumento em 8 e redução em 2. Confira na Tabela 1.

Já as relações com o segundo parceiro comercial, os Estados Unidos, é menos favorável. A redução das exportações quase empata com o aumento proporcionado pela China – US$ 6,97 bilhões, queda de 31,5%.

A maior alta foi em geradores elétricos, de US $61,09 milhões, com alta de 13,8%. Assim como em relação à China, a maior queda foi de óleos brutos, de US$ 1,4 bilhão, ou menos 63%.

Dos 10 produtos de maior peso, 8 caíram e apenas 2 subiram, conforme pode ser conferido na Tabela 2.

Em relação à Argentina houve o mesmo processo dos Estados Unidos. Destino de exportações de manufaturados, o mercado sentiu mais a retração do setor. Houve queda de US$ 1,7 bilhão nas exportações, ou 22,43%. Houve alta inexpressiva de US$ 5 milhões ou 4,2%. A maior queda foi em veículos automotivos, com menos US$ 157,6 milhões, ou -25,6%. Confira na Tabela 3.

A maior queda de exportações foi em óleos brutos de petróleo, com redução de US$ 2,3 bilhões. As duas maiores quedas foram para a China (US$ 1,7 bi) e Estados Unidos (US$ 1,4 bi). Houve crescimento para Espanha e Portugal, conforme poderá conferir na Tabela 4.

Uma análise das maiores altas de exportação indica que o Oriente terá peso cada vez maior na balança comercial brasileira. Na América Latina, o único país latino-americano que registrou aumento das exportações brasileiras foi a Venezuela, com US$ 327,6 milhões de alta, conforme a Tabela 5.

Já as 3 maiores quedas foram de grandes parceiros comerciais brasileiros, os Estados Unidos, Holanda e Argentina   (Tabela 6)

A conclusão inicial é o aumento da dependência em relação à China, e à falta de vigor do mercado externo de manufaturados, o que dificultará a recuperação do emprego.

Leia também:  A autocrítica da voz mais abalizada do capitalismo, por Luis Nassif

Tabela 1

Tabela 2

Tabela 3

Tabela 4

Tabela 5

Tabela 6

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1 comentário

  1. O milho está custando quase 70% a mais para o produtor de SC e RS que no ano passado, mesmo assim a exportação foi de 6,6 milhões de toneladas em setembro 2020.
    O farelo de soja está custando quase 74% a mais do que há um ano atrás.
    Estes são os dois ingredientes básicos da alimentação de frango, suínos e vacas, isto é, vai haver aumento de custo.
    As industrias não estão sendo abastecidas com matéria prima necessária.
    Numa safra recorde de soja, vamos exportar quase 80 mi de ton em 2020, mas o presidente da CONAB diz que não tem problema, não vai haver desabastecimento, porque soja é uma commodity e as indústrias podem importar. Se não tiver no MERCOSUL, vai tirar a TEC, e importar dos EUA. Supermercados já estão restringindo venda de óleo de soja, que aumentou cerca de 50% nos últimos meses.
    E viva o Livre MErcado!

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