Um raio-x do mercado de trabalho com a Covid-19, por Luis Nassif

Por ramo de atividade, os setores mais afetados pelo desemprego foram o Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, que perdeu 1,6 milhão de empregos; e serviços domésticos, com perda de 1,2 milhão de empregos.

Com a interdição do Caged (Cadastro Geral de Empregos) pelo Ministro Paulo Guedes, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD) se tornou a única referência nacional sobre o mercado de trabalho.

A cada mês ela divulga indicadores referentes aos três meses anteriores.

A ultima pesquisa, referente ao período março-maio de 2020, mostrou uma força de trabalho de cerca de 86 milhões de pessoas, contra 93 milhões do mesmo período do ano passado – portanto, uma perda de 7,3 milhões de postos de trabalho.

Mas não apenas isso.

A população efetivamente ocupada caiu 7,3 milhões de pessoas. Juntando desocupados, mais pessoas fora da força de trabalho, são mais 10 milhões de pessoas, em relação ao mesmo período do ano passado, ou 50,5% da População Economicamente Ativa.

Este é o drama brasileiro, não apenas o desemprego mais a precarização do trabalho. Um mapa do percentual de desalentados na Força de Trabalho mostra bem esse quadro.

Dentro da Força de Trabalho, há um enorme contingente de subocupação. Isto é, pessoas que não conseguem trabalho para preencher integralmente o seu tempo. São os que vivem de bicos.

Por ramo de atividade, os setores mais afetados pelo desemprego foram o Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, que perdeu 1,6 milhão de empregos; e serviços domésticos, com perda de 1,2 milhão de empregos. De todos os setores, houve aumento de emprego apenas na Administração Pública, Defesa, Seguridade Social e educação, provavelmente como efeito da pandemia.

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Um detalhe curioso da atual onde de desemprego é o aumento da proporção de contribuintes para a Previdência Social em relação à Força de Trabalho. Aliás, a curva mostra a queda acentuada dos contribuintes após a flexiblização da legislação trabalhista. Agora, o aumento na proporção significa apenas que o desemprego atingiu mais duramente os informais do que os formalizados.

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