Xadrez do fator Eduardo Cunha

A graça de um cenário é quando consegue identificar fatos pouco conhecidos, montar ilações pouco percebidas, tirar conclusões inesperadas.

Não é o caso da prisão do ex-deputado Eduardo Cunha, respeitosamente detido pela Polícia Federal, com autorização do juiz Sérgio Moro, e com a recomendação de não fazerem espetáculo.

As conclusões unânimes são as seguintes:

1.     Eduardo Cunha era pato manco desde o ano passado. Era um caso de prisão óbvia.

2.     Nunca pertenceu ao establishment político e midiático, como Aécio Neves e José Serra. Portanto, seria mínima a linha de resistência à prisão.

3.     O grupo da Lava Jato, juiz Sérgio Moro à frente, conta que, com a prisão, se consiga demonstrar um mínimo de imparcialidade, ampliando a força para uma futura prisão de Lula.

Essas são as conclusões óbvias. Os desdobramentos, são mais imprevisíveis.

Ninguém minimamente informado tem a menor dúvida sobre a parcialidade da Lava Jato e sobre as estratégias políticas por trás de cada operação. Nas vésperas das eleições municipais, foram mais três operações com estardalhaço sobre alvos petistas.

Agora, uma operação discreta sobre um não-petista.

Há os objetivos óbvios da Lava Jato e os desdobramentos ainda obscuros.

Peça 1 – Prisão e/ou inabilitação de Lula para 2018.

Dias atrás, a Vox Populi soltou uma pesquisa sobre eleições presidenciais. Em todas elas, dava vitória de Lula no primeiro turno. Nenhum veículo de imprensa repercutiu.

Ontem, foi a vez da CNT-IBOPE divulgar outra pesquisa com resultados semelhantes.

Mais ainda. No segundo turno, o único em condições de enfrentar Lula seria Aécio Neves (devido ao recall das últimas eleições) e mesmo assim haveria empate técnico.

Com todos os demais candidatos, haveria vitória de Lula.

Um dado da pesquisa Vox Populi foi pouco notado. Na relação dos brasileiros mais admirados, o primeiro é Sérgio Moro, com 50%. O segundo, Lula, com 33%. O terceiro, Dilma com 23%. Os demais vêm mais abaixo.

Hipoteticamente, a única pessoa capaz de peitar Lula seria Sérgio Moro. E em seu terreno, o Judiciário e no terreno comum da opinião pública.

Peça 2 – Os tucanos blindados

Para analisar os desdobramentos da eventual delação de Eduardo Cunha, o primeiro passo é identificar os que NÃO serão atingidos.

Obviamente, serão as lideranças tucanas, devidamente blindadas pela Lava Jato e pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Aécio Neves

Os jornais soltam fogos de artifício para demonstrar isenção. Foi o caso da denúncia de que Aécio Neves viajou para os Estados Unidos com recursos do fundo partidário, um pecadilho.

A dúvida que ninguém respondeu até agora: porque Dimas Toledo, o caixa político de Furnas, jamais foi incomodado pela Lava Jato ou pela Procuradoria Geral da República (PGR)?

Dimas é a chave de todo esquema de corrupção de Furnas.

Há o caso do helicóptero com 500 quilos de cocaína, que jamais mereceu uma iniciativa sequer do Ministério Público Federal.

Em 2013, o MPF aliou-se à Globo para derrubar a PEC 37, que pretendia restringir seu poder de investigação. A alegação é que o MPF não poderia ficar a reboque da Polícia Federal, quando percebesse pouco empenho nas investigações.

A PF abafou o caso do helicóptero. E o MPF esqueceu.

José Serra

A recente decisão da Justiça, de anular a condenação dos réus do chamado “buraco do Metrô”, escondeu um escândalo ainda maior. Os réus eram funcionários menores das três empreiteiras envolvidas – Odebrecht, Camargo Correia e OAS.

Fontes que acompanharam as investigações, na época, contam que a intenção inicial do Ministério Público Estadual era indiciar os presidentes das companhias. Houve uma árdua negociação política, conduzida por instâncias superiores do Estado, que acabou permitindo que as empreiteiras indicassem funcionários de escalão inferior. O custo da operação teria sido de R$ 15 milhões, divididos irmãmente entre as três empreiteiras.

O governador da época era José Serra.

Na Operação Castelo de Areia (que envolveu a Camargo Correia, e que foi anulada graças a um trabalho político do advogado Márcio Thomas Bastos) havia indícios veementes do pagamento de R$ 5 milhões pela empreiteira. Agora, a delação da Odebrecht menciona quantia similar. Interromperam a delação do presidente da OAS, mas não seria difícil que revelasse os detalhes.

São bolas quicando na área do PSDB e que dificilmente serão aproveitadas pela Lava Jato ou pelo PGR.

Peça 3 – os desdobramentos da delação de Cunha

Desdobramento 1 – Temer

Eduardo Cunha é obcecado, mas não rasga dinheiro. Tem noção clara de seus limites. Sabe que uma delação só aliviará suas penas se aceita pela Lava Jato ou pelo PGR.

Como existe o privilégio de foro para políticos com mandato ou cargos, o árbitro para as delações envolvendo o andar de cima é o PGR Rodrigo Janot. O conteúdo das delações dependerá muito mais das intenções de Janot e da Lava Jato do que do próprio Cunha.

Portanto, todos os desdobramentos da prisão de Cunha dependerão nas relações entre PSDB-mídia-Judiciário e a camarilha dos 6 (Temer, Cunha, Jucá, Geddel, Padilha, Moreira Franco) que assumiu o controle do país.

Poderá haver acertos de conta pessoais de Cunha com um Moreira Franco, por exemplo, que poderá ser defenestrado sem danos maiores ao grupo de Temer.

Mas qualquer ofensiva mais drástica sobre o grupo teria que ser amarrada, antes, com a mídia (especialmente Globo), com o PSDB e sentir os ventos do STF (Supremo Tribunal Federal). São esses os parâmetros que condicionam os movimentos da Lava Jato e da PGR.

Temer tem se revelado um presidente abaixo da crítica. Mas ainda é funcional, especialmente se entregar a PEC 241. A cada dia, no entanto, amplia seu nível de desgaste. Em um ponto qualquer do futuro se tornará disfuncional. E aí a arma Eduardo Cunha poderá ser sacada pelo PGR.

Desdobramento 2 – Lava Jato

A Lava Jato vive seus últimos momentos de glória. Seu reinado termina no exato momento em que pegar Lula. Justamente por isso, é possível que queira tirar alguns fogos de artifício da gaveta para o pós-Lula.

À medida em que se esgote, os tribunais superiores passarão a rever suas ilegalidades, a fim de poupar os políticos até agora não atingidos por ela.

Mas ainda é uma caixa de Pandora.

Desdobramento 3 – as novas lideranças

A prioridade total é a inabilitação e/ou prisão de Lula.

Só depois disso é que haverá o novo realinhamento político, e aí com novo atores.

Do lado do PSDB:

1.     Geraldo Alckmin subindo, depois da vitória de João Dória Jr.

2.     Aécio em queda, pelos indícios de crime, mesmo não levando a consequências legais.

3.     Serra fora do jogo, tentando decorar siglas de organizações multilaterais, sem apoio no PSDB e no DEM.

Do lado das oposições:

1.     Já está em formação um núcleo de governadores progressistas, visando costurar estratégias e alianças acima das executivas dos partidos. Anote que daqui para a frente tenderão a ter um protagonismo cada vez maior na cena política, substituindo as estruturas partidárias, imobilizadas em lutas internas.

2.     Ciro Gomes é o opositor de maior visibilidade, até agora, mas mantendo o mesmo estilo carbonário da juventude. Suas verrinas contra Temer fazem bem ao fígado, mas preocupam as mentes mais responsáveis.

3.     Há uma tendência de crescimento de Fernando Haddad, prefeito derrotado nas últimas eleições. Na expressão do governador baiano Rui Costa, Haddad caiu para cima. Sua avaliação, no MEC e na prefeitura de São Paulo, crescerá com o tempo.

139 comentários

  1. Digressões obre o editarial eclisiástico

    “No princípio foi o verbo, e o verbo…” (João 1:1)

    A pessoa que e cunha aparentou mais temer (ops!) foi sua esposa, quando da entrevista ao Roberto C. Caso existam figuras mais evanescentes de que as figuras das ex-posas na história da República, é possível de ser. De resto, e cunha não tem mais nada a perder…

  2. Gostaria de pedir a Nassif

    Gostaria de pedir a Nassif que me permitisse uma CORRECAO.Assim como minha amiga Da.Lourdes Nassif,por dever de oficio e de carater,tambem sou adepto da justeza mais justa.Me refiro a SERGIO SARAIVA.Enquanto em quarentena,por obvio nunca me afastei do Blog,apenas me permitir ir ate o Sul do Para com o codinome de “Doutor da Mandassaia”,para verificar in loco,como funciona a pistolagem por la e como a vida vale tao pouco,no maximo,algumss centenas de reais.Sergio Saraiva desaburguesou-se,vestiu as roupas quando aqui aportou e mandou Afonso Romano de Sant’anna,bocal e mediocre,vice versa,catar coco.Escreveu Sergio,de sua pena,dois dos melhores textos que li sobre o atual momento politico vivido no Brasil,principalmente sobre o ninho tucano,uma agremiacao de amigos,composta por 100% de inimigos,segundo o bode da Felha.Irretocaveis os dois artigos de Saraiva.De Parabens.No mais,esta cada vez mais proximo a grande final do Xadrez de Nassif,com o meu Xadrez.Calculo que em meados de novembro ela realiza-se-a.Nao presciso nem dizer que a unica torcedora solitaria que ficara no lado reservado a minha torcida,sera Analu,a nossa querdida Anarquista Lucida.Do lado de Nassif,todos os lugares estao esgotados.Os cadasrados e cadastradas daqui,nao dao ponto sem no.Mas posso assegurar a todos eles,terao a maior surpresa da vida deles.A meu pedido,a seguraca tambem sera reforcada.

  3. Contribuição ao hospício
    MUNDO DOS LOUCOS?

    Desde 1990, o mundo envereda por um caminho de insanidade, fantasias e ilusões. Mas, se não representamos uma comédia nem vivemos um filme de terror, convém perguntar a que se deve esta situação.
    O assessor da Casa Branca, ex vice-diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), o novaiorquino de invejável currículo Mohamed El-Erian escreve que os bancos centrais, extrapolando suas competências monetárias, para a econômica, política e mesmo ações sociais, empoderados desde a “crise” de 2008, têm a maior responsabilidade.
    Afirma em seu mais recente livro (A Única Solução, Dom Quixote, 2016) que “uma verdadeira sensação de insegurança”, “a polarização política”, “as tensões geopolíticas”, “as desigualdades e a alienação” afetam a confiança do setor privado em empreender a recuperação econômica. E o protagonismo destes bancos centrais acabará “provavelmente nos próximos três anos”, deixando um mundo ainda pior.
    Hoje, El-Erian vê um “entroncamento” com uma via “altamente inclusiva”, que cria postos de trabalho e combate a desigualdade “excessiva” e ameaças geopolíticas mundiais. Outra via com crescimento ainda menor, alimentando extremismos políticos e a quebra da coesão social.
    Sendo o autor um homem do atual sistema de poder, longe de qualquer arroubo esquerdista, pensaríamos que a via inclusiva estaria sendo construída em todo lugar onde o capitalismo-colonial-patriarcal-racista (conforme Luisa Valle, Para Pensar a Ecologia dos Saberes, tese apresentada em 2016 na Universidade Internacional de Andaluzía), ou seja, o Ocidente Financista ocupe o Poder.
    Ledo engano.
    De início os bancos centrais tem adotado, desde 2008, medidas concentradoras, como se observa nestas estatísticas do banco Credit Suisse e transcritas em artigo de Antonio Luiz M.C. Costa, postado na Carta Capital em 05/01/2016.
    Em 2010, os 50% mais pobres detinham menos de 2% dos ativos mundiais, estimados em 184,5 trilhões de dólares. Em 2015, estes possuíam menos de 1%, de uma riqueza de 250,1 trilhões de dólares. E observe-se que houve aumento do número de pobres. Na outra ponta, os 10% mais ricos com 83% da riqueza mundial, passam a deter 87,7%, em 2015. E passam também a se concentrar geograficamente: os Estados Unidos da América (EUA) é a residência de 46% dos magnatas, contra 41%, em 2010, o Reino Unido (RU) de 7%, antes 5%, Suíça e Suécia dobram de 1 para 2%, enquanto encolhem no Japão (de 10 para 6%), na França (9 para 5%) e Itália (6 para 3%).
    Em toda parte a resposta às “crises” têm sido o rigor fiscal, o retraimento ou mesmo a eliminação das ações do poder público e as manipulações cambiais. Os resultados são conhecidos não só nas áreas coloniais, dependentes, mas nos próprios centros do Império: EUA e Comunidade Europeia.
    E, o que seria um paradoxo, os capitais internacionais, a banca, insuflam e financiam atentados, guerras regionais e rivalidades ideológicas. Já não são apenas as divulgações devidas a Julian Assange (WikiLeaks) e Edward Snowden, mas analistas e jornalistas dão-nos conta, frequentemente, das ações e movimentações financeiras mantenedoras deste “terrorismo”.
    No recente debate dos candidatos principais à presidência dos EUA, a democrata e belicosa Hillary Clinton, como já saira em blogs, procura mover seu país para um novo confronto com a Federação Russa, que já não é um país comunista, mas um opositor da banca, o sistema financeiro internacional que ela representa.
    Estas são as loucuras internacionais. Mas temos as nossas, a irracionalidade e a hipocrisia com que o Governo anuncia e exige a aprovação da PEC 241 é a mais recente e um exemplo do que o economista Mohamed El-Erian escreve que deve ser evitado.
    O que está nesta PEC é a restrição ao investimento e à ação pública, a alienação do patrimônio público, e, nem mesmo o financiamento à atividade privada produtiva. Tudo nesta proposta tem como fim a transferência de recursos para a banca. Vejamos o que diz Ben Bernanke, personagem importantíssimo da “crise” de 2008, citado por El-Erian: “as políticas experimentais dos bancos centrais envolvem uma mistura de benefícios, custos e riscos que acarretam uma perspectiva invulgarmente incerta”. Em outras palavras, você, meu caro leitor, pagará caro para ter a oportunidade de saltar num abismo onde não vê o fundo.
    E, agora o ensandecer explode, tudo sob aplauso dos veículos de comunicação de massa, dos comentários irresponsáveis de pretensos analistas e da intimidação dos órgãos de repressão.
    E você verá o povo, aquele que Alexandre Herculano dizia açular o mártir que está no patíbulo por defender aquele mesmo povo que o agride, enquanto aplaude o tirano que o humilha e explora, votar nos candidatos cujos partidos dão golpes, aprovam arrocho salarial e eliminam os recursos fundamentais para educação e saúde da população.
    Se esta loucura não é nova, pois nem bem completa um século que a Europa levou toda a humanidade ao mais demente ato: a guerra, a possibilidade de informação hoje é muitas vezes maior do que a de 1914 ou 1939. Ou seja, é possível ter informação mais perto da realidade factual, entender que o mundo quântico e nuclear de hoje não comporta ideologias dos séculos passados, exceto nas questões de fé, e que uma conflagração pode ser o último passo da humanidade.
    Cada ato tem sua consequência, cada omissão seu pesadelo.
    E como avaliar que a Presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), a Ministra Carmen Lúcia, considere que a opção pessoal de gostar, compartilhar ou se opor e, ainda, não se interessar por um veículo de comunicação de massa é um ato de “censura”, que ser “politicamente correto” é incorreto?
    Mundo dos loucos onde a sanidade paga o preço.
    Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

  4. O STF do(s) Golpe(s)

    O STF do(s) Golpe(s): Vol. 1 – que fazer com ele?, por Romulus
     

     ROMULUS
     SEX, 21/10/2016 – 12:29

    O STF do(s) Golpe(s): Vol. 1 – que fazer com ele?
    (série em 3 posts)

    Por Romulus

    – Mais do mesmo?
    Não… pior: menos ainda “do mesmo” – o inédito grau de genuflexão do Supremo diante das pressões externas.
    Pressões que sempre houve e que sempre haverá!

    – Chegar a Ministro do STF é, muitas vezes, a ambição de toda uma vida. Mas que tipo de ambição?
    Para que serve a cadeira aos olhos do ocupante?

    – Novos critérios de seleção para o cargo de Ministro: é hora de pensarmos em outros requisitos.
    Senão formais, ao menos para a fase discricionária de seleção de nomes para indicação pelo Executivo.

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  5. Prisão de Cunha: nada a comemorar

    POR FABIO ROSA*

    Não. Eu não comemorarei a prisão de Eduardo Cunha. Compreendo as pessoas que o fazem, entendo a catarse, mas prisões preventivas são sempre abusos e equívocos.

    Tendo a concordar com a desconfiança de Luigi Ferrajoli, em Direito e razão: teoria do garantismo penal, em relação à prisão preventiva. Para ele, é um resquício da inquisição, que só tem como objetivo colocar o réu em uma posição desfavorável no processo e, como mais se nota, caracterizar uma antecipação da pena antes do julgamento.

    O primeiro aspecto não é tão percebido de um modo geral, mas faz parte do cotidiano das delegacias: preso, o sujeito fica muito mais vulnerável, afirma qualquer coisa e vê seu direito de defesa prejudicado.

    O segundo é ainda mais gritante e evidente, tanto que, quando uma prisão preventiva é anunciada, poucos são os que conseguem associar isso a um ato processual: a clara impressão é que a pessoa está sendo punida por crimes atribuídos a ela (acontece que não há – ou não deveria haver pelo nosso ordenamento jurídico-constitucional – qualquer pena antes do julgamento).

    Por fim também não espero que isso leve a uma grande delação de Cunha. Seria a consagração dessa perspectiva inquisitorial que prende com o objetivo de extorquir provas (além das reservas pessoais que tenho contra o instituto).

    Se o risco é a fuga, por que não estabelecer algum grau de vigilância? Se o perigo é a destruição de provas e embaraço nas investigações, há meios menos gravosos de lidar com isso, como mandados de busca e conduções coercitivas.

    A prisão preventiva de Cunha, assim como a do mar de presos provisórios e dos quase 50% dos encarcerados que não cometeram crimes violentos, apequena a democracia, nos diminui enquanto sociedade e desnuda nossa ingenuidade. O único fortalecido é o aparato persecutório do Estado – a dobradinha pitoresca entre Ministério Público e Judiciário – que se agiganta por meio do populismo punitivo, mesmo que o preço disso seja o sacrifício do Direito.

    E, amigos, acreditem: uma batalha em que o derrotado é o Direito³ [enquanto garantia racionalizadora contra arbitrariedades do Estado], não haverá saldo positivo para a classe trabalhadora, a maior vítima de tais abusos.

    A esquerda deveria reavaliar sua relação com o poder punitivo estatal. Uma das tarefas prioritárias de qualquer militante é questionar tais estruturas em vez de tentar apropriar-se delas. Não se constrói uma sociedade mais livre e igualitária legitimando e aumentando os aparatos que operam para retirar a liberdade e a vida das trabalhadoras. Quanto maior for esse poder e maior a discricionariedade em sua aplicação, menos livres, seguros e democráticos seremos. Não importa de quem é a mão que empunha a espada.

     

    * Fábio Rosa é militante do PT e membro da tendência petista Articulação de Esquerda no DF.

     

  6. Xadrez do fator Eduardo Cunha

    summer is comming.

    ainda não começou o verão e o país já está derretendo… dracarys.

    nem Stratfor, nem Casa das Garças já não sabem mais como apagar as chamas que iniciaram. a demolição controlada do Brasil está fora do roteiro original. e os golpistas não tinham Plano B. é a voz de Cunha ainda ecoando: “Que Deus tenha misericórdia desta nação”.

    acharam que seria um domingo na Av. Paulista, geraram o caos. esqueçam Lula. vai ser desse jeito. na ruas, nas praças, na rede, na raça.

    José Eduardo Cardozo tem encontros com FHC e Gilmar Mendes, do STF

    “Cunha, os golpistas te amam”

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=KhR9gIOvJlo%5D

    .

     

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