Xadrez do PSDB no 2o tempo do golpe

Peça 1 – o fator Alexandre de Moraes

Analise-se, primeiro, a ficha de Alexandre de Moraes:

1.     Suspeitas de captar clientes entre grupos beneficiados por ele enquanto Secretário de Administração da gestão Gilberto Kassab na prefeitura de São Paulo.

2.     Estimulador da violência inaudita da PM paulista contra estudantes secundaristas, inclusive permitindo o trabalho de grupos de P2 contra adolescentes.

3.     Autor de um plano de segurança condenado unanimemente por todos os especialistas no tema.

4.     Acusação de plágio em suas obras e uma resposta ridícula, na sabatina do Senado: a de que manifestações em sentenças de Tribunais superiores (no caso, da Espanha) não contempla direito autoral. Ora, ele copiou as manifestações sem aspas – isto é, apropriou-se do texto copiado.

5.     Nenhuma dúvida sobre a parcialidade com que irá se conduzir no Supremo Tribunal Federal (STF).

O que explicaria, então, a quantidade de apoios que recebeu de entidades e juristas, quase tão expressivo quanto as manifestações de indignação.

Peça 2 – os apoios a Alexandre de Moraes

O que o Conselho Nacional de Procuradores Gerais do Ministério Público dos Estados, a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), o Ministro Celso de Mello, o diretor da Escola de Direito da FGV-SP Oscar Vilhena, a OAB nacional, a Associação dos Juízes Federais (AJUFE), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Gilmar Mendes, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima e a Procuradoria Geral da República (PGR) tem em comum, a ponto de hipotecar apoio à indicação de Moraes?

1.     São radicalmente antipetistas e tiveram papel no movimento de deposição de Dilma Rousseff.

2.     Compõem uma frente informal de apoio ao PSDB.

O apoio dado à indicação de Alexandre de Moraes inaugura o segundo ciclo da Lava Jato, de partidarização maior ainda do Judiciário, que será a grande marreta sobre a cabeça do lulismo.

Entra-se, agora, no segundo tempo do golpe, com a tentativa de institucionalização do protagonismo do Judiciário e do ataque final à candidatura de Lula em 2018

Peça 3 – como será o segundo tempo

As características do segundo tempo estão dadas.

Em breve, haverá a explosão das delações da Odebrecht, de alto impacto, mas sem foco definido devido à extensão das denúncias. Durante algumas semanas se ouvirão os ecos da bomba. Depois, volta-se ao dia a dia da Lava Jato.

O fluxo de fatos e factoides surgirá de dois centros: o TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4a Região), julgando as sentenças de Sérgio Moro; e o Supremo Tribunal Federal (STF), analisando as denúncias de Rodrigo Janot.

No inferno, os réus sem prerrogativa de foro; no purgatório, alguns caciques do PMDB; no paraíso, o PSDB.

Com a garantia do voto de Alexandre de Moraes pela prisão após a confirmação de sentença em 2a instância, e sabendo-se de antemão do posicionamento político dos desembargadores do TRF4, se terá a cada semana uma prisão nova a ser celebrada.

Já o ritmo das denúncias dos políticos com foro privilegiado dependerá exclusivamente da PGR que já demonstrou à farta seu jogo, cuidando de asfaltar as estradas que o levam ao PSDB ao indicar como vice-procurador José Bonifácio Borges de Andrada, umbilicalmente ligado ao PSDB de Aécio Neves.

Janot é todo-poderoso, porque suas armas são fundamentalmente subjetivas – isto é, dependem exclusivamente de sua vontade.

Bastará acelerar as ações contra o PMDB e segurar as denúncias contra o PSDB para promover a cristianização final do PMDB (de Cristiano Machado, candidato a presidente abandonado por seus correligionários). Ou basta produzir uma denúncia inepta para assegurar a blindagem do réu.

Tem-se, então, todos os pontos críticos sob controle:

1.     Na PGR, Janot e Bonifácio.

2.     No Supremo, Gilmar, Toffoli, Alexandre, Barroso.

3.     No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar, possivelmente Alexandre e novos Ministros nomeados por Temer.

4.     No Ministério da Justiça, alguém da confiança de Temer.

5.     Na PGR e na Polícia Federal, uma frente política cerrada contra o PT.

Peça 4 – a força tarefa da Lava Jato

A força tarefa da Lava Jato – juiz, procuradores e delegados – praticamente dá seu trabalho por encerrado. Agora, é apenas aguardar a confirmação das sentenças de Sérgio Moro e correr para o abraço.

Como profissionais aplicados, em todo caso, deixaram lotadas as estantes das delações, permitindo boa margem de manobra para a PGR. E continuarão trabalhando incessantemente para encontrar algo que inviabilize a candidatura de Lula.

A cada dia que passa fica mais nítida a semelhança da Lava Jato com o DOI-CODI: autonomia política, autonomia financeira, operações combinadas e, juntos, investigação, denúncia e julgamento. E, agora, começam a expandir a atuação em uma espécie de Operação Condor atualizada, tenho como fonte de informação a parceria com o FBI e a DEA visando a desestabilização das experiências progressistas na América Latina.

Peça 5 – a dificuldade do jogo de cena

Aí se entra em um terreno complexo: como administrar a malta, a opinião pública sedenta de sangue?

Na bomba Odebrecht, o sistema Globo e os jornalões certamente focalizarão preferencialmente no PT e no PMDB. Mas não haverá como esconder os malfeitos dos tucanos.

O jogo do PGR e da mídia é fundamentalmente hipócrita. Mas não há hipocrisia que resista à luz do sol. A cada Novo movimento, mais nítida fica a parcialidade da mídia e de Janot. A recuperação de parte da popularidade de Lula é a prova mais significativa.

Com as revelações da Odebrecht, o leão se contentará apenas com a carne de petistas ou irá querer carne nova?

Novos veículos vêm se somar aos trabalhos pioneiros dos blogs, aplicando um dos princípios básicos do jornalismo: revelar o lado oculto da notícia. Há tempos a imprensa internacional rompeu a dependência dos órgãos de imprensa nacionais. É BBC, El Pais, Washington Post, New York Times, Guardian, todos de olho em um jogo de cartas marcadas.

Quanto tempo a hipocrisia nacional resistirá a essa devassa?

145 comentários

  1. “Queiram ou não os golpistas,

    “Queiram ou não os golpistas, a volta de Lula é a saída mais adequada para a crise do país, pois só ele conseguirá recosturar as alianças necessárias para superar os conflitos que esgarçaram nosso tecido institucional[…]”

    Deputado Federal Wadih Damous (PT-RJ) – 22/02/2017

    é impossível discernir qual o delírio maior. o dos golpistas, convictos de estabilizar o Brasil enquanto o lançam na maior crise de nossa História? ou o Lulismo, apostando tudo numa impossível volta ao passado no hipotético futuro das eleições de 2018?

    nunca como antes neste país as alucinações se impuseram com tanta força, a ponto da quase totalidade dos agentes políticos demonstrarem nenhuma conexão com os fatos.

    apesar de finalmente começar a questionar “Qual é o jogo do PT?”, ainda se permanece na conveniente ilusão, sem dar o passo definitivo para se assumir a dura realidade:

    – o PT é Lula. Humberto Costa é Lula. Dilma é Lula. Rui Falcão é Lula. 2018 é Lula. o jogo é Lula!

    e Lula não quer, nunca quis e, muito provavelmente, nunca vai querer de fato se opor ao golpe do impeachment inconstitucional.

    Lula não tem o vigor físico, tampouco o perfil psicológico, e muito menos a postura política para liderar um movimento de reconstrução do Brasil.

    sim, porque é disto que se trata! o Brasil tal qual o conhecíamos já não existe. está morto. foi assassinado. terá que ser reconstruído de baixo para cima, de dentro para fora.

    desta vez a lumpenburguesia brasileira foi com tanta sede ao pote, que o quebrou. não caberá a ela o trabalho da reconstrução, até mesmo porque lhe falta a mínima competência para tal. mas a ela será debitada a conta da reconstrução do Brasil.

    seja como for, ainda há muito fundo do poço para descermos no abismo. só quando assumirmos coletivamente nosso grau zero, poderemos iniciar o processo de volta à superfície. até lá, ficaremos vagando nos mais profundos círculos do inferno.

    .

    • 2018 ????

      A solução para a reconstrução é o povo na rua gritando. Não mais impeachment ,mas paredon,

    • Só se vaza o que se sabe e o

      Só se vaza o que se sabe e o que está escrito. E só quem conhece os fatos é que pode fazê-lo. Então, quem conhece os fatos são os próprios denunciantes e seus advogados, a Dra Carmem Lúcia e os auxiliares do Dr Teori e, finalmente, o Dr Janot.

      Então a coisa está indo por aí mesmo. Os nomes dos principais delatados começaram a vazar sem a necessidade de um ato judicial para tanto. Os daí de cima se incumbiram da tarefa. Ato contínuo, polvorosa no Congresso. Uma vergonha constatar o pessoal correndo para a popa em desespero quando a proa começa a fazer água. Todo mundo viu o filme Titanic e a sensação do pessoal do Congresso deve ser a mesma da do pessoal do convés, naquele momento.

      E nós, como a orquestra, anestesiados, como se não fosse conosco. Assistimos tudo como se estivéssemos vendo uma novela, esperando o próximo capítulo e nos perguntando, curiosos, e agora ?, e agora ?

      Lamentável.

  2. Xadrez de Uma Revolução à Brasileira em Cinco Pontos

    Contra os predadores da Pátria.

    1- Os governadores Flávio Dino, do Maranhão, e Fernando Pimentel, de Minas Gerais, colocam suas polícias civis e militares nas ruas e convocam o povo a acompanhá-las, paralisando os dois Estados com uma greve geral, ressalvando-se os serviços médicos de Pronto Atendimento.

    1a – O período atual muito favorável a protestos para todas as polícias do Brasil pode atrair novos aliados policiais, principalmente entre soldados, cabos, sargentos e alguns oficiais, principalmente dos Estados do ES, RJ e SP.

    2 – As Associações de classe; os sindicatos e centrais sindicais; os movimentos sociais; os estudantes e intelectuais; a igreja libertária e as mídias progressistas paralisam suas atividades e convocam o restante da população brasileira para aderir ao movimento.

    2a – O movimento pega no tranco, cresce, espalha-se pelas grandes cidades do País, apavora o governo que tenta buscar segurança nas Forças Armadas,

    3 – As forças armadas, inconformadas com o entreguismo predatório das riquezas nacionais pelo atual governo, ficarão divididas entre cumprir suas atribuições constitucionais e reprimir o movimento, garantindo o funcionamento das Instituições, ou levar os protestos em banho maria, caso não haja deflagrações de violências, com mortes, o que, seguindo a tradição brasileira em crises políticas do tipo, não haverá.

    4 – As tensões geradas pela crise e a adesão cada vez maior da população nos protestos e greves levarão o governo predatório – numa estimativa máxima de doze dias – a decidir por uma solução meio termo, não renuncia, mas convoca eleições gerais para dentro de três meses, para se evitar o brasileiríssimo “medo do banho de sangue”. 

    5 – Seriam eleições para um Congresso semi-Constituinte com apreciações das reformas política, previdenciária e tributária. Esse Congresso já entraria com o poder legítimo para fazer as três Reformas sem precisar se observarem as regras para alterações constitucionais.    

     

  3. Falar da amizade do PSDB com a alta burocracia é truísmo

     

    Luis Nassif,

    Tem havido para os seus últimos textos muitos elogios. Aqui também neste post “Xadrez do PSDB no 2o tempo do golpe” de quarta-feira, 22/02/2017 às 06:59, de sua autoria na sequência do que você intitula “O Xadrez do Golpe”, os elogios proliferam.

    Já indo para a terceira página o comentário de Junior Sertanejo, enviado terça-feira, 21/02/2017 às 19:33, em que ele diz que este seria “[o] mais preciso e conciso de todos os Xadrez ja produzidos”.

    Pode até ser. Antes sem rodeios você sacava uma acusação qualquer a incapacidade da ex-presidenta às custas do golpe, Dilma Rousseff. Não havia precisão nem concisão no que assacava contra a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. Agora você já nem mesmo tergiversa. Agora como carta fora do baralho até mesmo reconhecida por ela você tem outros assuntos mais importantes para colocar no texto do post. E este post gira em torno de dois assuntos. A indicação de Alexandre de Morais e o apoio que o PSDB recebe na alta burocracia estatal.

    Em relação a Alexandre de Morais, eu vou transcrever aqui uma pequena historinha que eu inventei para mostrar que, se vindo de outra pessoa, a crítica a Alexandre de Morais é uma forma de valorizar a indicação do presidente, antes provisório agora em definitivo por causa do golpe Michel Temer.

    A história é a seguinte:

    “E o que eu avalio como horrível é argumentar contra a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff pelo republicanismo dela e criticar o presidente antes provisório agora definitivo por causa do golpe Michel Temer pelo fato de ele não fazer questão de ser republicano. Eu defendia a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff porque considero que o republicanismo é uma meta possível de ser alcançada e que assim devem se portar os chefes de executivos. Agora, não indo contra a lei, não se pode atacar um chefe de executivo se ele tem uma postura que só tem como limite o que a lei impõe.

    O último exemplo que eu menciono como uma reação sem sentido da esquerda é criticar a indicação de Alexandre Morais para o STF. Tão sem sentido que eu passei a inventar a seguinte história. Conta-se que existiu ou ia existir uma gravação de um presidente antes provisório agora definitivo por causa do golpe em que ele conversava com um baronato de terras paulistas para que o baronato financiasse uma campanha contra o indicado por ele para a Corte Superior. E que alguém que escutou, ou iria escutar, a gravação foi pedir, ou iria pedir, explicação ao presidente antes provisório agora definitivo por causa do golpe, a razão dele ter feito um pedido tão esdrúxulo. Bem, ele teria respondido, ou iria responder, para garantir o golpe eu prometi fazer o que os parlamentares pedissem, mas eles também teriam que fazer o que eu pedisse. Quanto pior falarem do meu indicado mais eu tenho o que apresentar como trabalho feito por mim aos parlamentares e, portanto, mais deles poderei cobrar.”

    Inventei o enredo acima e o publiquei no meu comentário enviado quarta-feira, 15/02/2017 às 13:51, para Miguel do Rosário lá no post “A lição de Nietzsche e o moralismo golpista nosso de cada dia, por Miguel do Rosário” de quarta-feira, 15/02/2017 às 11:21, e que apareceu aqui no seu blog reproduzindo o texto de Miguel do Rosário publicado no blog dele “O Cafezinho” com o título “A lição de Nietzsche e o moralismo golpista nosso de cada dia”. O endereço do post “A lição de Nietzsche e o moralismo golpista nosso de cada dia, por Miguel do Rosário” é:

    http://jornalggn.com.br/noticia/a-licao-de-nietzsche-e-o-moralismo-golpista-nosso-de-cada-dia-por-miguel-do-rosario

    Como queria ressaltar que não incluo você entre aqueles a quem seria necessário financiar para falar mal de Alexandre de Morais, retirei o trecho que reproduzi acima de uma transcrição que havia feito em comentário enviado quinta-feira, 16/02/2017 às 23:39, para o Jornal GGN no post “Colocar um plagiário no STF é um insulto à memória de Teori, por Janio de Freitas” de quinta-feira, 16/02/2017 às 13:34, aqui no seu blog e que trazia após rápida introdução o artigo de Janio de Freitas “Um plagiário para substituir Teori é um insulto à memória do ministro”. Em meu comentário para o Jornal GGN eu explicitei que a acusação de receber financiamento não cabia ser feita a Janio de Freitas. O endereço do post “Colocar um plagiário no STF é um insulto à memória de Teori, por Janio de Freitas” é:

    http://jornalggn.com.br/noticia/colocar-um-plagiario-no-stf-e-um-insulto-a-memoria-de-teori-por-janio-de-freitas

    Se já não fosse em si amorfa e com um conteúdo de senso comum que agrada a maioria dos leitores, a crítica do financiamento também não cabe a Bernardo Mello Franco que faz crítica a Alexandre de Morais como se pode ver no post “Moraes deve ter se surpreendido com docilidade da sabatina, por Bernardo Mello Franco” de quarta-feira, 22/02/2017 às 11:29, aqui no seu blog, com texto do artigo “Aprovado com louvor” de Bernardo Mello Franco na Folha de S. Paulo de hoje, quarta-feira, 22/02/2017, podendo o post ser visto no seguinte endereço:

    http://jornalggn.com.br/noticia/moraes-deve-ter-se-surpreendido-com-docilidade-da-sabatina-por-bernardo-mello-franco

    Também não atingiria Lenio Luiz Streck a crítica de que estaria sendo financiado para superdimensionar o esforço solitário do presidente antes provisório agora em definitivo por causa do golpe Michel Temer que agora espera ser atendido nas suas demandas junto ao Congresso Nacional. Lembrei-me de Lenio Luiz Streck porque recentemente li aqui no seu blog o post “Jurista Nutella não consegue interpretar textos e não entende ironias, por Lenio Luiz Streck” de sexta-feira, 17/02/2017 às 14:27, e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://jornalggn.com.br/noticia/jurista-nutella-nao-consegue-interpretar-textos-e-nao-entende-ironias-por-lenio-luiz-streck

    No artigo ele se refere a um artigo anterior dele que eu pensei que se encontrava apenas no Consultor Jurídico (Conjur), mas que também pode ser visto no post “21 razões pelas quais Temer acertou ao indicar Alexandre de Moraes para o STF, por Lenio Luiz Streck” de quinta-feira, 09/02/2017 às 10:19, aqui no seu blog, no seguinte endereço:

    http://jornalggn.com.br/noticia/21-razoes-pelas-quais-temer-acertou-ao-indicar-alexandre-de-moraes-para-o-stf-por-lenio-luiz-streck

    Aliás, no caso do post “21 razões pelas quais Temer acertou ao indicar Alexandre de Moraes para o STF, por Lenio Luiz Streck”, a opinião do jurista não difere muito da minha e eu também não recebi financiamento. E como admiro muito o Lenio Luiz Streck vou deixar o link para o post “Constituição é contra impeachment de Dilma por fato do mandato anterior” de segunda-feira, 24/08/2015 às 14:57, aqui no seu blog e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://jornalggn.com.br/noticia/constituicao-e-contra-impeachment-de-dilma-por-fato-do-mandato-anterior

    Lá em comentário que enviei quarta-feira, 26/08/2015 às 13:36 para LACosta junto ao comentário dele enviado segunda-feira, 24/08/2015 às 16:36, em que LACosta considerava que Lenio Luiz Streck era o candidato dele à vaga hoje ocupada pelo Fachin, eu disse o seguinte para LACosta:

    “Estou há muito tempo afastado do Direito para que a minha opinião tenha algum valor, mas há mais tempo eu já me manifestei contra a escolha de Lenio Luiz Streck para o STF. Avalio que ele tem mais espaço como jurista e doutrinador fora do STF. É mais como um elogio que eu digo que Lenio Luiz Streck é muito grande para o STF.

    De certo modo, os ministros do STF são pequenos perto dos grandes juristas que o país produz com abundância. A diferença é que a voz majoritária deles faz lei e o jurista ou doutrinador não tem esse poder nem diante de um juiz estadual em um lugar a esmo qualquer do país.

    É bem verdade que com o poder modulador que foi conferido posteriormente às decisões do STF, um juiz do STF pode manifestar mais livremente e de modo mais doutrinário e depois modular a sentença de forma a reduzir as consequências muito delas danosas que a interpretação mais elaborada e avançada que ele tinha poderia causar.”

    E faço ainda uma rápida observação ao trecho de meu comentário lá no post “Colocar um plagiário no STF é um insulto à memória de Teori, por Janio de Freitas” e que transcrevi anteriormente na parte que falo sobre o republicanismo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. Quando acrescento que o presidente antes provisório agora definitivo por causa do golpe Michel Temer, não seria republicano, mas agiria dentro dos limites da lei, eu me expressei de modo equivocado. Ser republicano é cumprir a lei. Se o presidente antes provisório agora definitivo por causa do golpe Michel Temer age no limite da lei ele é republicano.

    O que eu queria dizer é que para cada um que a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff indicou para um órgão superior ela teria pedido: “sede republicano”. Evidentemente o presidente antes provisório agora definitivo às custas do golpe Michel Temer não dirá tal frase aos indicados dele. É nisso que difere o republicanismo de um e outro.

    Quanto ao assunto dos órgãos máximos do Estado serem cheios de gente do PSDB, eu creio que se trata quase de um truísmo que não vale muito merecer um comentário mais alongado. A elite educacional brasileira que passa nos concursos para atingir os altos postos na burocracia estatal é composta de pessoas com perfil próximo do PSDB.

    E essa tendência apenas se reforçou quando, dada a disputa com o PT, o PSDB assumiu uma postura mais de direita. O envolvimento do PT com os chamados escândalos de corrupção e a forma pouco amistosa como o governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff foi tratado, levou a uma resistência muito grande ao governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff.

    Essa resistência foi facilitada, por uma, pela falta de carisma dela, por duas, pelo caráter técnico do governo dela que não foi percebido pelo grande número de cidadãos que não gostam de políticos e deveriam ter admiração por ela, por três, porque no governo dela afloraram os escândalos de corrupção que tiveram origem em outros períodos. E quarto porque a política econômica dela teve como resultado, em uma análise menos consubstanciada, um rotundo fracasso.

    A animosidade chegava em todas as classes, mas ela existia de modo expressivo junto as classes mais bem aquinhoadas pela sorte, filhos de pais abastados que lhes poderiam custear os cursos mais caros. E já era duro ler pessoas como o Sacha Calmon, juiz federal, hoje aposentado, grande conhecedor de direito tributário, fazendo críticas ao PT em forma de achincalhe semanalmente nas páginas do jornal O Estado de Minas. E se trata de alguém que não podia ser considerado de direita. Se somarmos os que optaram por cargos públicos e hoje ocupam postos relevantes na alta burocracia estatal e são filhos de fazendeiros, proprietários de grande extensão de terra e que só ensinaram aos filhos a ambição de ter mais, a sequência inexorável é sempre aumentar a parte da burocracia estatal com o viés da direita.

    Então não se pode querer que o aparato estatal nos seus altos escalões tenha um comportamento de imparcialidade. Aliás, a imparcialidade não é própria dos humanos. Todo o discurso sobre a proteção que a alta burocracia faz ao PSDB não tem relevância, ou talvez tenha relevância, mas não mereça nenhum destaque, pois se trata de uma espécie de truísmo. É assim e assim vai continuar a ser durante muito tempo.

    O que talvez precisaria ser mais estudado é saber até que ponto o comportamento do Poder Judiciário e do Ministério Público e da própria Polícia Federal órgãos que tiveram participação relevante na consumação do golpe, vazando matérias que em outra situação poderiam ser considerados vazamentos contra a República, não seja um golpe contra a possibilidade de outro golpe muito mais problemático. A ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff não teve o apoio de 22 senadores na votação contra o impeachment. Isso em um órgão onde 2/3 foram eleitos em 2010, numa eleição em que tudo estava favorável ao PT e com a participação em destaque de Lula. Já não parecia impossível um grupo de congressista subir a rampa do planalto e lá tomar da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff o cetro presidencial.

    Assim, eu pergunto, será que esta postura do Ministério Público e do Poder Judiciáro de proteger o PSDB não visa impedir que um grupo, que não se sabe bem o que o guia, ou quem o conduz ou a quem o grupo serve, viesse tomar o poder? Há uma ação muito bem feita dos poderes da República que de certo modo não é estranha pela natural tendência de uma postura mais conservadora dos altos escalões do governo, mas que ao mesmo tempo vai além dessa postura conservadora, no sentido de preservar os ganhos da classe que representam. Afinal na sua alta cúpula, o STF trouxe inovações incalculáveis como possibilitar o amparo da lei às relações homoafetivas, ou considerar que não se trata de aborto a retirada do feto antes que se tenha vida, a proibição de financiamento de empresas nas campanhas políticas. Essas são medidas imagináveis de serem tomadas pelo Congresso Nacional. A própria decisão no julgamento da Ação Penal 470 no STF, em que pese suas consequências mais duras terem sido direcionadas para o PT, é de uma grande modernidade ao transformar o crime de caixa dois quando praticado por políticos com uma grande gama de competência na sua área de atuação em crime de corrupção

    Ver o Ministério Público e o Poder Judiciário como agentes de proteção ao PSDB para evitar que aventureiros desconhecidos alcancem o poder é ideia que coaduna com uma velha teoria conspiratória que eu lancei já na eleição de Lula em 2002, quando vi o Ciro Gomes que teria muito mais facilidade de vencer Lula, sendo destruído por José Serra e em um dos debates José Serra ridicularizar Antonio Garotinho porque esse fizera pergunta para Lula sobre a CIDE para mostrar a ignorância de Lula sobre assuntos diretamente vinculado a sorte dos estados na federação. Pela minha teoria conspiratória, O PSDB e o PT se reunião na USP para dividir entre os dois partidos o butim da luta pelo cetro presidencial. Uma vez quando apresentei esta teoria conspiratória alguém com mais conhecimento disse que para isso deveria ser escolhido um campo neutro uma vez que o PSDB é da USP e o PT da PUC. A minha ideia era apenas destacar como no Brasil as forças econômicas e políticas conseguem se amotinar em São Paulo para colocar sobre seu jugo o Brasil inteiro. E fazem isso com uma maestria tal que em vez de relatar essa história assim como eu fiz acima a história é relatada a sua maneira supervalorizando poderes que no máximo conseguem quando se associam com alguns políticos com mais poder de atuação evitar o que seria um perigo muito maior.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 22/02/2017

    • Parei na primeira frase…..

      Parei na primeira frase….. alguem que quer fazer um comentário maior que o texto….seria o que??????

  4. SE BANDIDOS VENCE USANDO A INTELIGENCIA assim oh

    Aqui em São Paulo, ONDE OS BANDIDOS DOMINAM, porque o governador Geraldo Alckmin deixou o PCC nascer, cresce e se transformar NA MAIOR GRIFE DO CRIME, tendo como lider maior O MARCOLA, que virou IDOLO DOS BANDIDOS; porque o governador Alckmin, NÃO TEM CORAGEM de mandar o Marcola para um PRESIDIO FEDERAL, como “agora VIVE DEFENDENDO o LEX MORAES em todos os estados, a transferencia  de lideres de facções criminosas para oum dos 4 presidios federais CONSTRUIDO PELO LULA; coisa que ele LEX MORAES NUNCA FEZ AQUI EM SÃO PAULO, nem quando era secretario de segurança e nem como ministro da justiça; “”””””””A GENTE TEM QUE APRENDER A SER MAIS INTELIGENTE DO QUE BANDIDOS””””””””. Aqui: os policiais e JUIZES E PROMOTORES,  APRENDERAM QUE NÃO PODEM DEIXAR ATÉ MESMO TROBADINHAS perceberem que eles são representantes da Lei, porque senão SERÃO MORTOS para servirem como CURRICULUM para a carreira de bandidos no PCC; trabalhadores moradores da periferia, aprenderam a responder tudo com NÃO SEI; e os MILIONARIOS e CLASSE MEDIA ALTA, aprenderam que SE NÃO TIVEREM DINHEIRO PARA MANDAR BLINDAR CARRO IMPORTADO, O MELHOR É NÃO COMPRAR CARRO IMPORTADO. -Por isso, eu sugiro que “””OBSERVEMOS AS MANIFESTAÇÕES NAS RUAS e PARTICIPEMOS DE AMBAS, seja: as do PT, com tema e objetivo claro de que contrario ao golpe; e A QUE DIZ QUE É APARTIDARIA; com o detalhe de  USARMOS VERMELHO, ou qualquer OUTRA COR, para MOSTRARMOS UNIÃO DOS BRASILEIROS em defesa de UM PAÍS MELHOR, afinal  CORES SÃO APENAS CORES, e o que vale mesmo SÃO OS OBJETIVOS, que os 40% das manifestações do PT SABEM, e os 60% das manifestações dos ignorantes, AINDA NÃO SABEM””””. Portanto pessoal, “”””””VAMOS PRAS RUAS COM ROUPAS DE QUALQUER COR, mostrando A UNIÃO das cores: VERDE, AMARELO, AZUL E BRANCO; que estão na bandeira do Brasil, com a cor VERMELHA que ESTÁ NA BANDEIRA DE VARIOS ESTADOS DO BRASIL, e que ESTÁ TAMBÉM NAS BANDEIRAS DOS PAÍSES MAIS DESENVOLVIDOS; e com OUTRAS CORES COMO:  PRETO, ALARANJADDO, MARRON, LILAS, DOURADO, PRATA, CINZA e etc; que ‘NÃO ESTÃO EM NOSSAS BANDEIRAS’; para mostrarmos UNIÃO e AMADURECIMENTO CULTURAL, e não sermos confundidos com aquela figura que DISSE QUE A BANDEIRA DO JAPÃO (um dos países mais capitalistas) era A PROVA DE UM PLANO DA ESQUERDA BRASILEIRA de mudar a cor da bandeira brasileira, para a cor vermelha”””””. Então “”””””””””””””””””””””””””””””vamos nessa manifestação M,ARCADA PARA O DIA 26 DE MARÇO DE 2017, usando ROUPAS NA COR VERMELHA, para dizer AOS POLITICOS CORRUPTOS QUE O POVO ESTÁ UNIDO, e que esse movimento que GANHA DINHEIRO PARA PROMOVER MANIFESTAÇÕES, NÃO TEM PODER de FAZER O POVO APOIAR ESSE GOVERNO ILEGITIMO””””””””””””””””””””””””. -Esta é nossa forma de sermos mais inteligente que os bandidos: MISTURANDO A COR VERMELHA às cores que ESTÃO NA BANDEIRA DO BRASIL, e as que NÃO ESTÃO NEM NAS BANDEIRAS DO BRASIL NEM NAS DOS ESTADOS BRASILEIROS. “”””””””””””””””””””VAMOS VESTIR VERMELHO EMPELO MENOS UM PEÇA DE ROUPA, durante essas manifestações que foram contra a Dilma, e apoiaram o Eduardo Cunha e o Aecio Neves””””””””””””. Um boné, uma camiseta, um shorts, uma bermunda, uma meia, um tenis, um chinelo, uma pulseira, um relogio, um celular, um oculos, DE COR VERMELHA, ja serão suficientes PARA IDENTIFICAR A UNIÃO dos brasileiros, nas manifestações. “”””””””””VAMOS PRA RUAS DE VERMELHO””””””””””.

  5. Mudanças no xadrez do psdb.

    Mudanças no xadrez do psdb. Serra sai de cena ou é mais uma encenação? Pediu demissão e disse que vai cuidar da saúde.  Acompanhemos mais esse enredo.

    • STF acovardado

      Com a morte no “acidente” do ministro Teori, os membros do STF, que ainda tentavam ser juizes do Supremo, devem estar em pânico. Qualquer um que for minimamente contra o golpe pode sofrer um “acidente” parecido. Assim, é de esperar, que eles votem a favor de qualquer coisa pró-golpe, daqui para frente. Por falar nisso, ninguém fal mais deste suspeito acidente.

  6. O Inferno e a Justiça

     

     

    “Peça 1 – o fator Alexandre de Moraes

    Analise-se, primeiro, a ficha de Alexandre de Moraes:

    1.     Suspeitas de captar clientes entre grupos beneficiados por ele enquanto Secretário de Administração da gestão Gilberto Kassab na prefeitura de São Paulo.

    2.     Estimulador da violência inaudita da PM paulista contra estudantes secundaristas, inclusive permitindo o trabalho de grupos de P2 contra adolescentes.

    3.     Autor de um plano de segurança condenado unanimemente por todos os especialistas no tema.

    4.     Acusação de plágio em suas obras e uma resposta ridícula, na sabatina do Senado: a de que manifestações em sentenças de Tribunais superiores (no caso, da Espanha) não contempla direito autoral. Ora, ele copiou as manifestações sem aspas – isto é, apropriou-se do texto copiado.

    5.     Nenhuma dúvida sobre a parcialidade com que irá se conduzir no Supremo Tribunal Federal (STF).

    O que explicaria, então, a quantidade de apoios que recebeu de entidades e juristas, quase tão expressivo quanto as manifestações de indignação.”…

     

    Por conta das incontáveis notícias e análises sobre o que vem acontecendo desde os tempos do Mensalão, das gigantescas seguidas badernas passando pela Lava Jato e outras inacreditáveis farsas revestidas de pretenso combate a muito antiga, conhecida, ampla e sempre presente maldita corrupção das impunes, ricas e felizes elites, só vai consolidando, a cada dia mais, os terríveis conceitos que o povo tem de nossa decadente, caríssima, incompetente, injusta e nada cega Justiça.  Se o Inferno existe, irão para lá.  

     

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