Como o coronavírus impactará nas exportações brasileiras à China

A pandemia do novo coronavírus deve impactar em até R$ 15,4 bilhões nas exportações brasileiras para a China

Crise na economia chinesa impactará exportações brasileiras - Foto REUTERS/Stringer

Jornal GGN – A pandemia do novo coronavírus deve impactar em até R$ 15,4 bilhões nas exportações brasileiras para a China. Os cálculos são da agência de comércio internacional das Nações Unidas, Unctad. Em relatório publicado nesta terça (02), o economista Marco Fugazza expõe os riscos econômicos para o Brasil.

No melhor dos cenários, o Brasil perderá o equivalente a R$ 5 bilhões na venda de commodities para a China, considerando que teremos baixa nas exportações de petróleo, minerais e alimentos, como o açúcar. Não será somente o Brasil afetado nas exportações, mas todos os que dependem da venda de commodities para a China.

“Os resultados indicam que, em comparação com as tendências de curto prazo observadas nos últimos três anos, o total de exportações de commodities para a China está atualmente em queda. Em comparação com uma situação sem a crise do COVID-19, o total de exportações de commodities para a China pode cair de 15,5 a 33,1 bilhões de dólares em 2020, resultando na redução do crescimento anual projetado de até 46% (ou seja, 8 pontos percentuais)”, concluiu.

De acordo com o relatório de Fugazza, os alimentos são um ponto de atenção do comércio exterior brasileiro. “As exportações cairão significativamente, impulsionadas pelos choques negativos da carne e do açúcar”, anotou.

“Como a China é o maior importador de uma quantidade significativa de produtos primários, a avaliação do impacto no país diz muito sobre possíveis tendências gerais e pode ajudar os formuladores de políticas a antecipar o que pode acontecer globalmente”, alerta o economista.

E o país é um importante mercado para o Brasil, representando, sozinho, 28,1% de todas as exportações brasileiras no ano de 2019. O país destina à China as principais commodities, de soja, petróleo, minérios de ferro, celulose e carnes.

Ainda, Marco Fugazza alertou para outro potencial negativo com o avanço do coronavírus no Brasil. Segundo o economista, a disseminação do vírus a nível nacional pode ocasionar “uma severa escassez no suprimento de alimentos”, o que terá um efeito direto na venda destes produtos no mercado exterior.

“Um grande ponto de interrogação permanece nos possíveis efeitos da propagação do COVID-19 na África Subsaariana e na América do Sul, em particular no Brasil. Os efeitos podem criar severa escassez no suprimento de várias mercadorias e, em particular, agrícolas. Por exemplo, as exportações de soja do Brasil podem ser impactadas negativamente com consequências potencialmente importantes nos mercados internacionais”, conclui Fugazza.

Abaixo, o relatório na íntegra:

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1 comentário

  1. São projeções. Vai depender de diversos fatores, principalmente políticos, nas relações CHINA/USA. A política intimidatória praticada pelo Palhaço Laranja poderá redundar numa redução significativa das compras de produtos agrícolas pela CHINA, espaço que deverá ser ocupado pelo BRASIL em função sua elevada produção dessas comodities. Tal hipótese carrearia um incremento financeiro substancial, capaz de anular estas projeções negativas da OMC.

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