O Brasil, as exportações, e o entreguismo, por Rui Daher

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O Brasil, as exportações, e o entreguismo

por Rui Daher

em CartaCapital

Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), nos últimos 50 anos, o PIB dos países que fazem parte do órgão cresceu a uma taxa anual de 3,3%. Conta mais de 160 membros. Lá, tudo é “visto assim do alto e parece um céu no chão”.

Anualizadas e consideradas em quantidade, não valor, as exportações de manufaturados cresceram 30 vezes (6,7% a.a.), as de combustíveis e minerais 4,8 vezes (3,1% a.a.), e as de produtos agrícolas 5,5 vezes (3,3% a.a.).

Uma história que foi se consolidando, a partir do século 18, o Brasil distraído em fazer de um País uma Federação de Corporações. História, fatos e perdas de oportunidade conhecidas de todos, à exceção daqueles que, hoje em dia, aperfeiçoam o debacle e provocam colapso de grandes proporções. A seguirem assim, de caráter irreversível.

Por que começo o texto tratando das exportações mundiais? Porque é comum ouvir-se sobre nossa pequena participação nas exportações totais e de manufaturados.

Fazemos o que podemos, legado de gerações inaptas. Ou não?

Passamos por períodos importantes de nacional-desenvolvimentismo, com política, economia, leis, imprensa e cultura pensadas por homens dignos.

Mesmo os canalhas eram melhores preparados. De Getúlio Vargas, passando por Juscelino, Jango até os militares algozes da paz e da democracia, nos anos de chumbo.

De qualquer forma, em todas as áreas o Brasil se mexia.

Deixemos o planeta com suas estatísticas de 50 anos, conformadas em assimetrias históricas e econômicas, destino sul-americano e dos demais países pobres.

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Pensemos no que aqui aconteceu depois que saímos de 21 anos de ditadura, dando quatro anos de lambuja, tempo suficiente para que nos ajustássemos à democracia. “Vai passar”, não vai Chico? Passou, não.

Nossas exportações, mesmo que predominantemente de bens primários, em quantidade, entre 1989 e 2016 (o golpe usufruindo do passado FHC/Lula/Dilma), cresceram 3,5 vezes, a taxa anual de 4,8%. Nada mal.

Aproveitávamos o bom momento da conjuntura, embora sem distinguir entre imperialismo e globalização. Foi-nos possível, então, no final dos anos 1990 e os primeiros deste século, com o Plano Real de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, seguido dos dois mandatos de Luiz Inácio “Lula” da Silva, mostrar um país pronto para o Corcovado explodir como um foguete em direção à glória.

E fomos assim tão primários?

Nem tanto. Dos US$ FOB 185 bilhões exportados pelo Brasil no ano passado, economia doente, política destruída, rentismo exacerbado, 40% foram de produtos agropecuários – de soja, carnes a frutas e pescados), 13,7 % de veículos, 14,8% minérios, produtos metalúrgicos e outros metais, 7,3% petróleo e derivados, 6,9% da indústria química, 6% maquinários, 4% papel e celulose, e 7,3% divididos entre couro e calçados, ouro, pedras preciosas, eletrônicos, têxteis, móveis, vidraçaria e cerâmicas.

Enfim, temos de tudo, e poderíamos usar em benefício próprio, mas somos “dadeiros”, como um dia Dorival Caymmi se autodenominou, caso tivesse nascido mulher. Ô diletas feministas economistas pop-star, quaisquer reclamações se dirijam aos filhos dele e não a esse pobre escrevinhador de publicações com verbas temerosamente cortadas.

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Falta-nos apenas uma coisa: deuses se negam a prover os povos com inteligência, cada um que se vire. Estão entregando tudo, de forma descarada, inescrupulosa, assassina, por que tira a cidadania e a dignidade dos mais pobres.

Enquanto Temer compra políticos, Meirelles vende patrimônios, e assim se fazem de putas (sim, não há termo mais perfeito) para o extrato mais rico do País, o professor em Harvard, Dani Rodrik, se surpreende como países da África e da Ásia crescem em taxas médias de 6% anuais, mesmo desindustrializados.

Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina Faso, Ruanda, na África. Índia, Mianmar, Bangladesh, Laos, Camboja, Vietnã, na Ásia.

Agricultura pouco diversificada, exportações limitadas pela falta de competitividade. O que fizeram? Modernizaram e diversificaram a agricultura familiar, quem não ficou migrou para setores de atividade que possibilitam maior produtividade do trabalho, vale dizer serviços, investimentos públicos, qualificação e treinamento, enfim, geraram demanda interna.

Tudo o que aqui se tentou, estava dando certo, e hoje se evita. Olhem, basta olhar o perfil de nossas exportações para notar quão mais privilegiados somos.

Tenho notícia de ricaços e empresários brasileiros se mudando para Miami, Londres, Portugal, quando não paraísos fiscais. Países que também sofrem com instabilidades políticas, econômicas e sociais, ou vivem de dinheiro ilegal.
Tentem Burkina Faso. Poderão sentir-se reis.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=gCBa3k_hGSc

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4 comentários

  1. o Brasil….

    Caro sr. Rui, o Brasil não se enxerga e não se vê mesmo. Destino sulamericano? Somos sozinhos a América Latina inteira. E ainda sobra um pouco. Com quem nos comparamos e à nossa pobreza? Aos países aqui citados? Todos juntos dão um São Paulo? Bem dizem que o Elefante tem medo do rato. Qual será o tamanho do rato, na cabeça do Elefante? Não é à toa que uma criança sobe nas suas costas e leva o paquiderme para onde quiser. 4 toneladas de massa. 5 quilos de cérebro. Exportações de Automóveis? Quando fabricamos automóveis? Americanos, europeus, japoneses, coreanos exportamm automóveis a partir do Brasil. Nunca tivemos Democracia. Um lapso democrático tivemos até um Ditador tirar do Poder Julio Prestes. Controle de Sindicatos, do Ensino e Contribuição Sindical Obrigatória calou esquerdopatas e comprou seu apoio. Inclusive de Prestes, de quem mandou a mulher para os nazistas. Mas o que importa mesmo é uma tetinha no Governo, não é mesmo?! E novamente mesmo depois de 40 anos de voltarem todos Dom Sebastiões, 30 anos de reescreverem  esta tal Constituição Cidadã, nos jogarão de volta a 1964. Ou a Dória ou Alckmin ou Hulk. O que pode ser pior? Plebiscitos, referendos, eleições livres e facultativas, controle civil…Não exigimos nem que as Multinacionais publiquem Balanços no país, iremos querer controlar o que? Quando tivemos Democracia? A farsa não é 2017. A farsa foi 1979. Continuaremos alimentando à farsa, acreditando em mentiras? abs.

    • Indústria pesada

      Quando fabricamos automóveis?

      Antes de JK até meados da ditadura fabricávamos caminhões, ônibus, trens , automóveis, eletrodomésticos. Tinhamos beneficiamento e  laminação de ferro e aço,  ferrovias, indústria pesada, estaleiros, laboratórios, grandes lojas, confecções,magazines, comércio e indústria, tecelagens, industrias alimentícias, indústria moveleira.

      Vamos lá:

      -FNM – caminhão de carga pesada, de fabricação nacional – FÁBRICA NACIONAL DE MOTORES

      -FNV-  FABRICA NACIONAL DE VAGÕES – fez os primeiros vagões de metrô de São Paulo

      Gurgel  – fábrica de automóveis genuinamente nacional, do engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel.

      Fabricamos TVs, aparelhos de som, gravadores – Invicta, ABC (a voz de ouro), Gradiente.

      Eletrodomésticos- geladeiras Prosdócimo,  Admiral, Ibesa (Gelomatic ibesinha)

      Fogões- Continental, Brasil, Semer ( de João Semeraro)

      máquinas de lavar- Muller (que ainda é nacional)

      Nossas ferrovias – a maior – RFF – Rede Ferroviaria Federal – totalmente privatizada.

      (https://prezi.com/jv9e4mykn3xz/ferrovias-no-brasil/)

      Nossos estaleiros – corre pra ver enquanto tem -http://www.portalnaval.com.br/estaleiros/estaleiros-brasil/

      Tivemos as gigantes nacionais COBRASMA, de equipamentos ferroviarios, fundada em 1944 – Uma fundição genuinamente nacional. (dá uma olhadinha) http://cobrasma.com.br/

      Isso eu falo de cabeça, sem pesquisa. O Brasil já foi um país completo , por um breve tempo, e que sempre a política vê por bem destruir para o bem “dos outros”.

      Grandes lojas nacionais- Mappin, Mesbla, Lobras, Ducal, A Exposição, Casas José Silva, Duton, Garbo.

      Lojas de Móveis – Fábrica de Móveis Brasil, Taurus, Ultralar, Columbus.

      Sobreviveram – Eletroradiobraz, que virou Jumbo Eletro, que virou Pão de Açúcar, Extra e ramificações.

      Casas Bahia e Marabraz

      É tanta coisa que já tivemos e que as pessoas mais velhas nem mais se lembram de tão acostumadas que estão pela invasão internacional aculturadora, e que mereceria fazer parte do curriculum escolar para dar notícia às novas gerações sobre o total desmantelamento da nossa economia.

       

       

      • industria….

        AMORAIZA: Ainda bem que existem pessoas que sabem disto. Parece que temos um novo país a cada década. Não conhecemos nem nossa História.

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