Política externa de Bolsonaro não será do Brasil, por Janio de Freitas

“Mais do que caudatária dos Estados Unidos por ideologia, será uma ação a serviço dos Estados Unidos e praticada por imitações”
 
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
 
Jornal GGN – O alinhamento entre os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump coloca o Brasil a serviço dos Estados Unidos com prejuízos à sua soberania. A avaliação é de Janio de Freitas, na coluna deste domingo (02), na Folha de S.Paulo.
 
O articulista destaca que o lema de Trump “America first” já deveria bastar para Bolsonaro “poupar o Brasil dos arreganhos e do espírito típico de colônia” lembrando que a frase traduzida como “América em primeiro lugar”, transmite a mensagem imperiosa de que os Estados Unidos devem prevalecer em qualquer relação, seja com os governos atuais ou vindouros.
 
“A política externa que se antecipa não será do Brasil. Mais do que caudatária dos Estados Unidos por ideologia, será uma ação a serviço dos Estados Unidos e praticada por imitações. Não e nunca a política internacional de um país soberano, ainda que em frangalhos”, completa.
 
Um dado que aponta para esse cenário é a forma como a relação direta entre os dois países tem se dado, não com a atuação mais significativa do futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, mas sob a orientação do filho de Bolsonaro, o deputado Eduardo, que nem ao menos integra os quadros da nova administração. Na última semana, ele esteve em Washington seguindo uma agenda com vários órgãos do governo Trump. A viagem, inclusive, é avaliada por Janio como uma forma de agradecimento da família Bolsonaro ao presidente norte-americano.
 
“Nada disso é muito original. Eleito por meios duvidosos, Fernando Collor viajou a Washington. ‘Foi agradecer’ ao presidente Bush pai, como explicado na ocasião. Agradecer o que, Collor jamais contou”, reforça Janio lembrando que, na mesma ocasião, Bush fez piada de Collor em uma situação mostrando “ostensiva superioridade”.
 
Steven Bannon, marqueteiro de Trump, fez campanha para Jair Bolsonaro. Da mesma forma, retoma Janio, Bill Clinton mandou seu marqueteiro para o Brasil para ajudar na campanha de Fernando Henrique Cardoso. O favor rendeu muito para os Estados Unidos: o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) foi entregue à americana Raytheon. A licitação incluiu o roubo de projetos da concorrente francesa Thomson.
 
“Bom de gafe até contra ele mesmo, foi o próprio Fernando Henrique a divulgar que, ‘vencedora’ a Raytheon, telefonou para Clinton. Por quê? Fernando Henrique se entregou: porque Clinton pediu pela Raytheon. E então o Brasil pagou uma fortuna para dar aos Estados Unidos o conhecimento em tempo real da Amazônia brasileira”, pontua Janio.
 
O interesse direito norte-americano a política interna brasileira tem sido constante ao longo da história e o golpe de 64 apresenta muitas provas. Documentos que mais tarde puderam ser acessados contam, inclusive, que agentes da CIA atuaram no Brasil desde o princípio do golpe, incluindo nomes de militares brasileiros que atuavam levando informações para os norte-americanos. 
 
“Democrata e diplomata digno, [embaixador] Elbrick [sequestrado por militantes brasileiros em troca da soltura de presos políticos] negou-se a dar qualquer indicação sobre seus sequestradores, mesmo quando a ditadura valeu-se do dono de uma rede de comunicação, então amigo do embaixador, para pedir-lhe alguma colaboração”, relembra Janio de Freitas monstrando assim, a diferença de postura entre o norte-americano que decidiu não expor estudantes brasileiros envolvidos no seu próprio sequestro, enquanto agentes brasileiros a mando do governo torturavam e matavam opositores compatriotas nos porões do DOPS. 
 

7 comentários

  1. Esse sivam mostra bem a
    Esse sivam mostra bem a sabujice do ociologo…..

    O estadunidense bateu o pé, alegando ser um projeto de um bi que geraria empregos por lá……

    Na verdade estava mais interessado na espionagem, que se entregue as empresas francesas, ficaria mais difícil….

    Se pedisse, o estadunidense dava de graça aquelas tralhas……..assim como fez Getúlio…….

  2. chocado fiquei eu que logo

    chocado fiquei eu que logo depois do episódio Sivan recebi amigo de infancia que a 40 anos não via, ele tinha se mudado aos 13-15 anos pros EUA  ..voltava de lá trabalhando e representado a própria  Ratheon por aqui, enquanto o irmão lutara, a bem pouco, na 1a guerra do Iraque e saíra, disseram, meio maluco do episódio

    ex brasileiros a serviço do Tio Sam

    ..servi-lhe Mate Leão e Salgadinhos Torcida, ambas marcas vendidas (anexadas) depois pelos americanos tb

    triste cina a minha em acreditar no potencial do Brasil

    • Potencial do Brasil
      Meu véio se as casas Bahia ou o Magazine Luiza abrirem filial em NY supostos intelectuais do Brasil vão dizer que a Amazon tem que comprar as duas para que elas cresçam ainda mais. Simplesmente nós temos aversão a multinacionais brasileiras. Temos ingenuamente certeza que as multi estrangeiras são honestas. Nossos brasileiros formados pelo mundo ou são idiotas completos ou são cooptados. Falo de empresas porque somos capitalistas por DNA e colonizados por ideologia. Logo somos os piores capitalistas do mundo.

  3. Nada mais patéitico nos

    Nada mais patéitico nos últimos anos no cenário já patético da Política brasileira que o filho do presidente eleito sair Mundo afora posando de embaixador plenipotenciário. Agregre-se à falta de credenciais institucionais do sujeito a abismal indigência intelectual até mesmo para ser copeiro da chancelaria brasileira(com todo o respeito aos copeiros). 

    Agora só por um minuto….menos: por UM SEGUNDO, se a esdrúxula e patética ação envolvesse um governo progressista. Indo ao concreto: o Lulinha na pele do Eduardo e Lula na de Jair Bolsonaro. O Mundo viria abaixo com certeza. Até mesmo a imprensa corporativa tem pegado leve com mais esse perfil esdrúxulo do futuro governo, qual seja, os filhos do eleito se portarem como “príncipes” herdeiros de um “rei” sem um pingo de noções básicas do que significa e implica governar uma República Democrática.

    Sobre o tema do post: Bolsonaro nunca escondeu ser um americanófilo no nível da patologia. A estreiteza intelectual, vamos ser sinceros, é genuína. Sua mente no que concerne à Geopolítica ainda navega lá pelos tempos da guerra fria. Mais sobressaltos nos aguardam daqui para frente. Até aonde nos levará isso, quem saberá?

    Aliás, talvez saibamos, mas não temos coragem de admitir e até mesmo de imaginar. 

     

  4. Faltou dizer algo importante.

    Faltou dizer algo importante. Bolsonaro quer exterminar comunistas, esquerdistas, jornalistas, índios, negros e gayzistas. 30 mil mortos, 100 mil presos, incontáveis torturados e mutilados. Ele é prático e acredita que poderá fazer isso se colocando sob a proteção dos EUA e cumprindo fielmente as ordens do patrão. A única coisa sensata a debater nesse momento é como esse servo do Império vai morrer: enforcado como Saddam Hussein, fuzilado como Bin Laden, explodido como Somoza ou preso como Noriega.

  5. Deus e o Diabo na Terra do Sol

    Nassif: tomara que dê certo. Quem sabe assim os sabujos de altas patentes param de mandar dar tiros nos pobres do morro, que recusam consumir produtos oferecidos pelos bandos trocados pelos anteriores.

    Quero ver verdeoliva enfrentando a guerrilha africana, ou o El, na AsiaMenor ou no Afganistão. É só o do tupete ordenar e os fieis seguidores lá estarão.

    Também podem convocar boa parte dos 56 milhões de eleitores, especialmente aqueles vinculados aos vangélicos do Templo de Salomão. Haverão, sob as ordens do ApóstoloMaldito, de partirem para as GuerrasSantas promovidas pelo comandante do Norte.

    Tudo bem que os da EstrelaAmarela ficarão orientando como fazer com que aqueles outros 91 milhões de eleitores que não depositaram no Messias seus votos trabalharem nas colônias que serão criadas em Goias. Têm experiencia de Dachau e Auschwitz. Serão de grande valia ao novo governo, na Democracia deBotas.

    Esse Trump é mesmo um estadista de visão. E sabe como administrar seus quintais…

  6. Como virar bobo alegre

    Não vejo problema nenhum em Trump adotar como lema esse “America first”. A propósito, lema que nem original é uma vez que reflete a política de estado dos EUA, independente de quem esteja em seu governo.

    O problema está em haver, entre nós brasileiros, quem aceite colocar-se e ao país em posição secundária, adotando assim a contrapartida à adoção dos EUA, quem se ponha em segundo lugar só para que os EUA fiquem em primeiro. São “black frydays”, “halloweens”, e toneladas de bobagens parecidas que não refletem em nada nossa cultura, apenas nossa permeabilidade à propaganda comercial. A mesma permeabilidade que elegeu Bolsonaro através de mensagens por celular.

    Esse negócio de confundirmos cultura com mensagem publicitária é um perigo tanto para o país, que empobrece e se deixa espoliar em recursos e soberania, quanto para nós individualmente, que desenvolvemos esquizofrenia, que alienamo-nos de nós mesmos e de nossa cidadania.

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