Alcolumbre: governo “quebra paradigmas de décadas” podendo arriscar reforma da Previdência no Congresso

Presidente do Senado afirma que “ponto de interligação” são os “líderes partidários” de bancadas, fundamentais no “diálogo e ajuste fino” para fazer passar a reforma da Previdência nas duas casas do Congresso.

Flávio Bolsonaro abraça Davi Alcolumbre após vencer eleições no Senado. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Jornal GGN – Em uma coletiva à imprensa, após encontro com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, o presidente de Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse nesta segunda-feira (18) que a reforma da Previdência depende do governo se empenhar no diálogo com deputados e senadores.

“O governo adotou um modelo de relação político-institucional que quebra paradigmas de décadas. É um modelo novo. E esse modelo novo precisa ser precedido de conversa, de diálogo e de entendimento”, declarou sem explicar o que ele quis dizer com modelo novo de “relação político-institucional” dirigida pelo governo Bolsonaro.

Alcolumbre acrescentou, apenas, que o debate para conseguir a reforma da Previdência deve ser feito diretamente com os líderes partidários das duas Casas, acrescentando:

“A metodologia adotada em relação às frentes partidárias vai ser um ponto de interligação nessa relação, mas a relação do líder partidário de uma bancada de 30 ou 40 deputados é fundamental para que, nesse diálogo e ajuste fino, a gente possa consolidar o apoio, e o governo tenha maioria na Câmara e no Senado”, passou o recado.

Há pouco menos de um mês, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) também explorou dificuldades que o governo Bolsonaro poderá encontrar entre os parlamentares para fazer passar a Reforma da Previdência.

Mesmo sendo um dos principais defensores da mudança no sistema previdenciário do país, Maia decidiu atrasar a instalação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira fase de tramitação da proposta no Congresso, exigindo que o governo estabeleça o prazo de entrega da proposta para a aposentadoria dos militares.

“Avisei o governo que vai ser muito difícil tramitar a PEC sem o envio do projeto dos militares. Já me comprometi com o governo que só voto os militares no dia seguinte que terminar de votar a emenda constitucional”, afirmou. “[O governo] tem que mandar o mais rápido possível porque há uma compreensão no Parlamento de que todos os setores da sociedade precisam estar incluídos na reforma.”

Leia também:  Xadrez dos preparativos para a luta final, por Luis Nassif

O estranho na argumentação de Maia é que no dia em que o presidente Bolsonaro entregou pessoalmente a PEC da reforma da Previdência ao Congresso, 20 de fevereiro, o secretário de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, afirmou que o pacote sobre o regime previdenciário dos militares seria entregue em 30 dias. A data, portanto, vence nesta quarta-feira (20).

O que estaria por trás da decisão de Maia em atrasar a instalação da CCJ pode ser a liberação da primeira leva da emenda parlamentar, que acontece a partir de abril. A disponibilidade dos recursos federais seria decisiva para garantir a adesão dos parlamentares à reforma da Previdência.

Com os recursos em mãos, deputados e senadores ampliam obras em seus redutos eleitorais para garantir a base de apoio nas próximas eleições. Além disso, os dirigentes dos outros partidos temem que os frutos da folga orçamentária, decorrentes da aprovação da PEC da Previdência, sejam repartidos, em sua quase totalidade, apenas com quadros do PSL.

Ainda nesta segunda-feira (18), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que há uma predisposição de deputados e senadores em aprovar a reforma. Ele arrematou que, assim como ele, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia têm trabalhado para melhorar a relação do governo com o Parlamento. “Estamos nos esforçando para sermos os interlocutores desse diálogo e da política para ajudar, não o governo, mas o nosso país.”

“Os militares estão dando a sua parcela de contribuição”, na reforma da Previdência, pontuou Alcolumbre  destacando como uma das propostas para a classe o aumento de contribuição de 30 para 35 anos. “O estudo do governo indica que, com esse modelo apresentado no projeto de lei dos militares, nós teremos uma economia de R$ 100 bilhões”, registrou.

Leia também:  CCJ do Senado derruba parecer favorável ao decreto que flexibiliza porte de arma

O novo “modelo de relação político-institucional” adotado pelo Planalto em relação ao Congresso, indicado por Alcolumbre também pode ser lido como a exoneração do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Gustavo Bebianno.

Um dos homens fortes do PSL, partido que elegeu Bolsonaro e um dos três filhos do presidente, e sigla com mais parlamentares na Câmara dos Deputados, ao lado do PT – 54 membros cada. O PSL também compõe o maior bloco da casa, reunindo 302 parlamentares.

Bebianno foi supostamente afastado do governo pela denúncia de uma série de reportagens da Folha de S.Paulo revelando o repasse do PSL de Minas Gerais de recursos do fundo partidário para candidaturas laranjas, na última eleição. Acontece que o responsável direto pelo esquema, apontado por investigadores do Ministério Público mineiro, é o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, mantido até agora no cargo.

Outra versão para o afastamento de Bebianno é que a família Bolsonaro se sentiu traída porque o ex-ministro havia agendado um encontro com o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet. Isso ficou claro nos áudios vazados entre Bebianno e Bolsonaro nos dias que antecederam sua demissão.

“Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro. Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo. Então não dá para ter esse tipo de relacionamento. Agora… Inimigo passivo, sim. Agora… Trazer o inimigo para dentro de casa é outra história. Pô, cê tem que ter essa visão, pelo amor de Deus, cara”, reclamou.

Leia também:  Relator derruba capitalização na PEC da Previdência; governo diz que vai lutar pela reinserção

“Fica complicado a gente ter um relacionamento legal dessa forma porque cê tá trazendo o maior cara que me ferrou – antes, durante, agora e após a campanha – para dentro de casa. Me desculpa. Como presidente da República: cancela, não quero esse cara aí dentro, ponto final. Um abraço aí.”, concluiu Bolsonaro no áudio.

Setores do Planalto e parlamentares governistas tentaram evitar a saída de Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência. Entre eles, o presidente da Câmara Rodrigo Maia, o vice-presidente Hamilton Mourão, militares e a turma que aprova a reforma da Previdência. Eles alegaram que, com a exoneração do ex-presidente do PSL, as negociações entre o governo e o Congresso poderiam ficar comprometidas.

Mas, ao ser enfrentado sobre o risco para a PEC da Previdência, Jair Bolsonaro chegou a dizer que “se quiserem acabar com a reforma por causa de Bebianno, que acabem”.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

  1. Essa reforma deixará os brasileiros na miseria, além de favorecer os bancos que são os responsáveis pela crise que o país passa e com um governo desse que é uma piada. Parabéns Brasil, com esse bolsolixo e Paulo merdes, o país vai voltar a ser colônia dos EUA. Sinceramente, estou com vergonha desse país.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome