“Elite do Congresso” está chocada com retórica de Bolsonaro e discute podar decretos e MPs

“Faz troça da dor alheia, algo inaceitável”, disse ainda ministro do STF, segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo

Jornal GGN – A elite do Congresso e do Judiciário está chocada, finalmente, com os arroubos de Jair Bolsonaro. Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, após o ataque mais recente, contra o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, parlamentares avaliam acabar com as medidas provisórias e derrubar todo decreto presidencial.

O objetivo é tentar esvaziar o poder de Bolsonaro que não tem conseguido passar a imagem de governante equilibrado. Em entrevista à Folha, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM) comentou que o presidente tem publicado medidas provisórias e decretos em excesso para burlar o Parlamento.

“Defendo que a gente reaja a todo e qualquer decreto que extrapole a prerrogativa do presidente (…) O problema não é só de conteúdo, a prática de passar por cima do Congresso é que é grave”, disse.

A coluna Painel diz ainda que ministros do Supremo Tribunal Federal se manifestaram em solidariedade ao presidente da OAB, considerando a fala de Bolsonaro infeliz. “Faz troça da dor alheia, algo inaceitável”, disse um magistrado.

Na segunda-feira (29), ao reclamar sobre a atuação da OAB, no caso Adélio Bispo, autor do atentado à faca contra ele, Bolsonaro disse que poderia explicar ao presidente da Ordem, Felipe Santa Cruz, como o pai dele desapareceu na ditadura militar (1964-1985).

“Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele.”

“Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, disse Bolsonaro.

Os restos mortais de Fernando Santo Cruz nunca foram encontrados. Como a ocultação de cadáver é crime permanente e o presidente disse que sabe de algo, a família Santa Cruz decidiu que irá pedir à Comissão Interamericana de Direitos Humanos que se manifeste sobre a fala de Bolsonaro.

Em nota pública, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão ligado ao Ministério Público Federal, apontou que a declaração de Bolsonaro “reveste-se de enorme gravidade, não só pelo atrito com o decoro ético e moral esperado de todos os cidadãos e das autoridades públicas, mas também por suas implicações jurídicas”.

“Qualquer autoridade pública, civil ou militar, e especialmente o Presidente da República, é obrigada a revelar quaisquer informações que possua sobre as circunstâncias de um desaparecimento forçado ou o paradeiro da vítima”, afirmou.

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos também se manifestou enviando um ofício à Presidência da República solicitando uma reunião com Bolsonaro ou um porta-voz sobre as informações a respeito do pai de Santa Cruz e do paradeiro de outros desaparecidos políticos do período da ditadura.

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