Líder do PSL no Senado reclama do tratamento de ministros do governo dispensado aos parlamentares

Sem citar nomes, Major Olímpio afirma que ministros estão dando chá de cadeira e que “isso desgasta” relação com o Congresso.

Foto: Solidariedade/Divulgação

Jornal GGN – Em entrevista ao portal Congresso em Foco o líder do partido do presidente Jair Bolsonaro no Senado, Major Olímpio (PSL-SP), reclamou do tratamento dispensado por ministros do governo a parlamentares.

“O senador e o deputado precisam ser atendidos com educação. Ao marcar uma audiência, o ministro não pode dar uma hora e meia de canseira e depois mandar um ‘zé ruela’ de sexto escalão dizer que não vai poder atendê-lo”, disse.

“Isso desgasta. Se você for analisar os queixumes são muitos, mas mais por desatenção daqueles que deveriam ter a obrigação da atenção”, acrescentou.

Olímpio não citou qual ou quais ministros são acusados de destratar parlamentares, mas na mesma entrevista fez críticas ao fato de a reforma da Previdência estar sendo utilizada para travar outras discussões no Congresso. E o ministro que está liderando a proposta de emenda constitucional (PEC) é Paulo Guedes (Economia).

O major representa a bancada da bala no Congresso e defende o pacote anticrime apresentado por Sérgio Moro (ministro da Justiça e Segurança Pública). Na semana passada, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu segurar a pauta até a votação da reforma da Previdência.

“Não dá para ficar com o mundo parado. É a mesma coisa de dizer: ‘Não vamos mexer com o pacto de segurança. Vamos esperar a PEC [da reforma da Previdência] primeiro’. São desgraças distintas”, argumentou.

Apesar das críticas feitas contra ministros do governo, Olímpio defende Bolsonaro, o chamando de “humilde” e que se os responsáveis pelas pastas “tivessem a simplicidade comportamental” do presidente, “90% das queixas não existiam”. “Não é a nomeação em si, não é o cargo. É a canseira, a desconsideração, é não ter o retorno de um telefonema”, exemplificou.

O líder do PSL no Senado voltou a defender que o governo não irá montar sua base parlamentar no mecanismo da coalizão. O senador chama o processo de relação de poder entre Congresso e Executivo de “vício” e justificou que o governo não conseguiu ampliar a base no Congresso até agora porque está “todo mundo está tendo que se adaptar” ao novo jeito.

“Bolsonaro foi candidato dizendo: ‘Não vai ter toma lá, dá cá’. Depois teve o período de transição dizendo o mesmo. Fez uma escolha livre para os ministérios. Seus ministros tiveram liberdade para escolher os seus auxiliares. Estamos diante de uma nova dinâmica”, declarou.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas, Fernando Limongi, diagnosticou como despreparo o fato de o governo Bolsonaro em trocar acordos com partidos políticos por acordos com as bancadas temáticas.

“Não há relação necessária entre governo de coalizão e corrupção (…) Em um grande número de países não se escapa da necessidade de partilhar o poder”, explicou.

O presidencialismo de coalizão, atacado por Bolsonaro e os políticos do seu partido, designa a realidade de um país presidencialista onde o chefe do executivo, para governar, precisa fazer acordo com os partidos no Congresso. Essa divisão do poder com o parlamento muitas vezes significa a concessão de cargos e ministérios.

Limongi explica que costurar acordos com partidos acontece no mundo inteiro e em países democráticos. “Além disso, basta ler os regimentos internos do Senado e da Câmara para ver que os partidos são peças-chaves do processo decisório. Por força dos regimentos, líderes partidários definem quais matérias serão votadas, quando e como. Sem a participação dos líderes, as coisas não andam. Os líderes de bancadas temáticas não têm essas prerrogativas. É simples assim. É básico”, completa.

O senador Major Olímpio, por sua vez, diz que o governo trabalhará na base da argumentação para convencer os parlamentares a aprovarem projetos e reformas. Entretanto, é possível que o discurso de Bolsonaro de que “não vai ter toma lá, dá cá”, não seja de todo usual.

Em alguns momentos, como na escolha dos ministros, o governo pode ter usado a estratégia de evitar a coalizão com partidos para reduzir o compartilhamento de poder. Entretanto, nos próximos dias o Planalto iniciará a liberação de cargos nos segundo e terceiros escalões. Nesta segunda-feira (18), o governo publicou no Diário Oficial da União alguns pré-requisitos, como não ter condenação em órgão colegiado da Justiça.

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