PPL e PCdoB anunciam incorporação contra “risco a democracia”

Unidade entre os dois partidos será oficializada no dia 2 de dezembro no Sindicato dos Eletricitários, na capital paulista
 
Presidente do PCdoB, Luciana Santos. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
 
Jornal GGN – O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Pátria Livre (PPL) decidiram oficializar a incorporação. O anúncio foi divulgado em nota após reunião nesta segunda-feira (26).
 
As duas legendas destacam que possuem “afinidades programáticas” e que a unidade é um “encaminhamento prático, legal e imediato” para fazer oposição ao governo Jair Bolsonaro que “coloca em risco a democracia, a soberania nacional e os direitos do povo brasileiro”.
 
“Face a essa realidade, impõe-se a união das mais amplas forças políticas, sociais, econômicas e culturais para empreender a resistência e exercer a oposição, tendo como convergência a defesa da democracia, da Constituição de 1988, dos direitos dos trabalhadores e dos interesses nacionais”, completam.
 
Em nota separada, a comunicação do PPL acrescentou que o acordo segue em linha com a movimentação de “várias personalidades” e partidos, para formar um “bloco democrático” em oposição ao governo Bolsonaro:
 
“Se a situação de risco à democracia já era evidente com a eleição de Bolsonaro, mais nítido ainda esse risco com os nomes até agora conhecidos que irão compor o governo que começa em janeiro. Daí a afirmação, coincidente em várias personalidades de vários partidos (p. ex., Ciro Gomes, do PDT, Marina Silva, da Rede, Carlos Siqueira, do PSB, Orlando Silva, do PCdoB) de que é necessário formar ‘um novo campo político’, um novo ‘movimento democrático’, um ‘bloco democrático'”.
 
A nota em conjunto entre os partidos também destaca como estratégia superar a cláusula de barreira, aprovada em 2017 e em vigor a partir deste ano, impondo uma porcentagem mínima de votos e candidatos eleitos para um partido ter direito a representação partidária, acesso ao fundo partidário e tempo de rádio e TV no período de propaganda eleitoral. 
 
Na eleição de outubro, o PPLconseguiu eleger apenas um deputado federal, pelo estado da Bahia, Uldúrico Júnior, que obteve 66.343, ou 0,97% dos votos válidos. O partido também lançou como candidato à presidência João Goulart Filho recebeu 30.176 votos (0,03%) no primeiro turno e ficou em 13º lugar e, no segundo turno, apoiou Fernando Haddad (PT).
 
Já o PCdoB elegeu 9 candidatos, e compõe uma bancada atual de 10 parlamentares na Câmara. A sigla não lançou candidato à presidência, apoiando Fernando Haddad (PT). Por outro lado, reelegeu em primeiro turno Flávio Dino (PCdoB) no governo do Maranhão, com 59% dos votos válidos. 
 
Cláusula de Barreira 
 
Aprovada em outubro de 2017 por unanimidade no Senado, após passar pela Câmara dos Deputados, a cláusula de barreira, ou cláusula de desempenho, estabelece que, a partir de 2019, partidos que tiverem recebido menos de 1,5% dos votos válidos nestas últimas eleições para a Câmara, distribuídos em nove unidades da federação, com o mínimo de 1% de votos válidos em cada estado, não terão acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV na propaganda eleitoral. 
 
As exigências vão aumentar gradativamente até 2030. Nas eleições de 2022 a barreira irá subir para 2% dos votos válidos obtidos nacionalmente para deputado federal e um terço das unidades da federação, com mínimo de 1% para cada estado e a eleição de, pelo menos, 11 deputados distribuídos em nove unidades. 
 
A partir de 2027, o acesso será permitido para partidos que conseguirem 2,5% dos votos válidos nas eleições de 2026, distribuídos em nove unidades da federação, com mínimo de 1,5% de votos em cada unidade e eleição de, no mínimo, 13 deputados em um terço dos estados.
 
Finalmente, em 2031, a cláusula subirá para 3% dos votos válidos, em pelo menos um terço das unidades da federação, com 2% dos votos válidos em cada estado e eleição de 15 deputados. 
 
A seguir, a nota assinada pelos presidentes do PPL e PCdoB:
 
A eleição de Jair Bolsonaro, da extrema direita, coloca em alto risco a democracia, a soberania nacional e os direitos do povo brasileiro. 
 
Face a essa realidade, impõe-se a união das mais amplas forças políticas, sociais, econômicas e culturais para empreender a resistência e exercer a oposição, tendo como convergência a defesa da democracia, da Constituição de 1988, dos direitos dos trabalhadores e dos interesses nacionais.
 
Diante desse quadro e visando a cumprir suas responsabilidades com o Brasil e seu povo, o
Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Pátria Livre (PPL) iniciaram um elevado
diálogo, buscando uma solução política e jurídica para atender às exigências, na forma da lei, de superação da cláusula de desempenho – e assim criar as condições para seguir cumprindo um papel relevante na busca de soluções para o Brasil, particularmente nesse período de resistência democrática em que ingressamos.
 
Desse diálogo frutífero, veio a convicção de que as duas legendas, em relação ao presidente eleito e ao seu futuro governo, têm o entendimento comum, a visão tática confluente de que é preciso agregar, sem hegemonismos ou imposições, um leque amplo de forças para empreender a resistência, a oposição e a luta contra o retrocesso e o obscurantismo. As conversações também ressaltaram as afinidades programáticas entre os dois partidos.
 
De comum acordo, as direções das duas legendas concluíram, então, que o caminho para
realizar os objetivos propostos é o da unidade, cujo encaminhamento prático, legal e imediato é a incorporação do PPL ao PCdoB. Esse processo, assentado na legislação e nos estatutos das duas legendas, se efetivará simultaneamente em suas instâncias de decisão e deliberação.
 
Para concretizar esse processo, acontecerá, no próximo dia 2 de dezembro, uma reunião conjunta de instâncias máximas das duas legendas, na qual será comunicada a decisão tomada. O evento ocorrerá às 10 horas no auditório do Sindicato dos Eletricitários, na cidade de São Paulo, rua Thomaz Gonzaga, 50, Liberdade.
 
Luciana Santos
Presidenta do Partido Comunista do Brasil – PCdoB
 
Sérgio Rubens de Araújo Torres
Presidente do Partido Pátria Livre (PPL)
 

5 comentários

  1. efetividade

    O avatar do risco à democracia é a prisão do Lula.

    Os dois partidos unidos podem garantir o seu aprêço à democracia convocando a mobilização de todos os seus apoiadores na libertação do Lula.

    Fora disso será mera sobrevivência eleitoral. Libertar o Lula é a diferença!

  2. Quando um pingo é letra

    Mais claro, impossível. O recado tem endereço e CEP. Em mãos. 

    “Desse diálogo frutífero, veio a convicção de que as duas legendas, em relação ao presidente eleito e ao seu futuro governo, têm o entendimento comum, a visão tática confluente de que é preciso agregar, sem hegemonismos ou imposições, um leque amplo de forças para empreender a resistência, a oposição e a luta contra o retrocesso e o obscurantismo. As conversações também ressaltaram as afinidades programáticas entre os dois partidos.”

    • “é preciso agregar, sem

      “é preciso agregar, sem hegemonismos ou imposições”

      Mas em 2022 o candidato a presidente é o Ciro. Sem hegemonismo nem imposição.

  3. PSDB do B

    O PT hoje sofre o maior ataque que talvez algum partido político teha sofrido no Brasil (talvez o velho PCB tenha passado por agruras comparáveis), levando carcada dia e noite da mídia, dos militares, dos juízes, dos fascistas, dos direitistas, e agora, de certos esquerdistas. E ainda conseguiu 47 milhões de votos com um candidato fraco em uma eleição completamente fraudada em contrário.

    O diagnóstico é: o PT é a maior força política do Brasil, goste-se ou não disso.

    Que a direita ataque, é mais do que esperado. Agora, que essa esquerda que não tem máquina (não mobiliza muita gente nem tem poder de fogo) venha com tanta bílis atacar o PT, à beira de uma ditadura militar, é algo incompreensível. Se você é de um partido político pequeno, nada errado, mas ponha-se no seu lugar – sou de um partido pequeno, – ou seja, com restrições e limitações maiores que um partido grande.

    Me deixa perplexo o PC do B agora querer ser o PSDB do B.

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