Requião: Essa é uma tentativa de introdução do parlamentarismo à revelia da lei

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Jornal GGN – “Isso é um simulacro de júri, onde interesses estão sendo discutidos. Porque estão pedindo afastamento da presidente para atender os interesses estrangeiros, dos bancos e do capital especulativo. Espero 31 senadores patriotas e com caráter votem contra o impeachment”, disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR), em discurso para a presidente Dilma Rousseff, durante os questionamentos nesta segunda-feira (29).
 
Para Requião, que deixou seu considerável conhecimento histórico em plano secundário, trazendo em primeiro a emoção, destacou que a “a constituição está destroçada”. “Todo esse processo está se desenrolando, como se estivéssemos em um sistema de Governo parlamentarista. Presidente Lewandowski, essa é uma tentativa de introdução do parlamentarismo à revelia da lei e do desejo do povo brasileiro”, não deixou de alertar.
 
O parlamentar, que foi o terceiro a falar na sessão de segunda, lembrou que a crise econômica e política atual no Brasil não é só nacional. “Ela começa na Europa como uma reação do poder financeiro constituído contra o Estado Social que surge contra o nazismo após a II Guerra Mundial. Ela é uma crise forjada contra o Estado Social do direito das mulheres, dos trabalhadores, dos desempregados, das minorias. Contra o Estado social que se contrapõe à força brutal do capital”, analisou.
 
Leia a íntegra do interrogatório de Requião à Dilma, falando “constrangido” sobre o julgamento da “democracia”:
 

Presidente Lewandowski, Presidenta eleita do Brasil, Dilma Vana Rousseff, antes de ontem, eu estava num comício em Turvo, centro do Paraná, região pobre, de agricultores que vivem em extrema dificuldade, e um deles me perguntou:

– Requião, você vai falar na reunião com a Dilma no Senado Federal?

E eu disse:

-Vou.

Ele me fez uma recomendação:

– Vai lá, Requião, fala com o coração e com a democracia brasileira impressa do lado esquerdo do peito.

Sempre busquei a coerência. Não participei do primeiro mandato da Presidente Dilma, ao contrário de muitos que agora querem tirá-la do poder. Muitas vezes, subi a esta tribuna para criticar lealmente a política econômica da Presidente e fiz isso com desenvoltura, num espaço democrático e limpo.

Hoje, eu falo constrangido, porque não é a Presidente que está sendo julgada no Senado. É a democracia que está sendo julgada, é um projeto soberano de construção da nação brasileira. E digo isso porque não há a menor possibilidade de a Presidenta ter cometido um crime. Ela não cometeu crime algum.

A constituição está destroçada. Todo esse processo está se desenrolando, como se estivéssemos em um sistema de Governo parlamentarista. Presidente Lewandowski, essa é uma tentativa de introdução do parlamentarismo à revelia da lei e do desejo do povo brasileiro.

Como sabemos, no presidencialismo escolhido pelo povo brasileiro por duas vezes em plebiscito: não havendo crime, não há impeachment. Então, propõe-se um simulacro de parlamentarismo para poder dar um voto de desconfiança do Parlamento e substituir a orientação do Governo brasileiro escolhida pelo povo em uma eleição.

Essa crise econômica e política, que nós vivemos, não é uma crise só do Brasil. Ela começa na Europa como uma reação do poder financeiro constituído contra o Estado Social que surge contra o nazismo após a II Guerra Mundial. Ela é uma crise forjada contra o Estado Social do direito das mulheres, dos trabalhadores, dos desempregados, das minorias. Contra o Estado social que se contrapõe à força brutal do capital.

Essa reação ao Estado social se baseia num tripé de intenções. Primeiro, a precarização do Executivo, que passa a ser substituído pela ideia tola de um Banco Central independente; o Governo, se tornaria assim mero repressor de manifestações populares.

Em segundo lugar, o Parlamento, contaminado pelo financiamento de empresas de campanha, com Deputados e Senadores transformados em mandaletes dos interesses que financiam seus partidos e suas eleições. 

A terceira e mais terrível pata do tripé é a precarização do trabalho, o convencionado sobre o legislado. Estão aproveitando-se de uma crise recessiva, quando fragilizam-se as famílias assalariadas, para a revogação de todos os direitos trabalhistas.

Nós não estamos julgando a Presidente Dilma Rousseff, que não cometeu crime algum.

Estamos comparando duas hipóteses de Governo:

– Um que quer acabar com pensões e aposentadorias, um massacre para 20 milhões de brasileiros e que joga todos os recursos do Estado para servir exclusivamente ao pagamento da dívida pública com juros absurdos definidos por um Banco Central controlado pelos bancos privados.

– Outro que ao menos tenta encontrar saídas para continuar gerando empregos, aumentando salários e criando programas sociais 

Reverter direitos é o caminho que querem nos impor. Congelar despesas da União por 20 anos – não se pode mais nascer, não se pode mais estudar, não se pode melhorar ensino e não se pode melhorar saúde.

Privatização do patrimônio nacional: a entrega do petróleo; a privatização da água, já sugerida dentro do Governo do meu correligionário Michel Temer.

É o Brasil que está em jogo. É o nosso patrimônio energético, mineral, econômico, cultural, ambiental que está em jogo. Não é o mandato da Presidente Dilma Roussef.

É uma ilegalidade absoluta o que estão tentando impor nesta Casa. Não há crime. Isso aqui é um simulacro de júri, em que os interesses fisiológicos prevalecem sobre a letra da lei, sob o espírito da lei, sobre qualquer noção de justiça.

Presidenta, algum Senador do meu Partido, no exercício do Ministério do seu Governo, contestou, alguma vez, a sua política econômica ou essas medidas que agora eles alegam ser ilegais?

Alguém lhe fez algum um reparo nas reuniões ministeriais?

Se não, por que reparam agora?

Por que cargas d’água estão pedindo o impedimento da Presidente?

Será que é para atender às embaixadas dos grandes países, o interesse da banca e a miserável fisiologia que domina o Congresso Nacional?

Essas são minhas considerações a respeito do Brasil e do que está para acontecer ou não, porque espero que não!

E estou contando com pelo menos 31 Senadores patriotas e que sabem se indignar contra a injustiça dizendo “não” a esse absurdo.

 

 

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4 comentários

  1. Na realidade, eles não querem

    Na realidade, eles não querem IMPLANTAR o parlamentarismo no Brasil: apenas se valem de uma singularidade existente no Regime dito de Gabinete, o “voto de desconfiança”, para destituir a Chefe do Executivo. Um simulacro de voto de desconfiança porque embasado em acusações inconsistentes num sistema que não é o Parlamentarismo, o que o torna um reles golpe parlamentar. Tudo, enfim, uma grande encenação. 

    Essa parlamentada* baixa, suja, indigna, vagabunda, safada, vergonhosa, irresponsável, oportunista e sediciosa busca, pela ordem:

    1º) Colocar no Poder o esquema que desde a redemocratização tem sido o núcleo central de onde emana tudo de podre na política,  formado por vários partidos de Direita e do Centro e encabeçado pelo hiper, ultra, super governista PMDB(Partido das Maquinações Diabólicas do Brasil). Aboletados no Planalto, a primeira ofensiva tática será logicamente barrar, travar, melar a Lava a Jato visando livrar seus couros.  Para isso, contarão, é claro, com a conivência do sistema repressivo dado que fizeram o trabalho sujo, mas estratégico, de tirar o PT do Poder, coisa que eles não conseguiriam. 

    2º) Implantar uma agenda econômica, política e social  antípoda da seguida nos últimos anos. 

    *  Referência à quartelada. 

     

  2. Requião…

    Pelo menos usemos a crise para não deixar pedra sobre pedra. Derrubemos a hipocrisia em que vivemos. Parlamentarismo é a prática de governo desde a redemocratização. Só o povo é que não sabe e não é chamado para exercer seu direito supremo de comandar. Outro presidente de forma indireta indicado pelo Congresso? O terceiro entre cinco? Caindo Dilma deveria cair todo seu governo. E novas eleições. Plebiscito agora? Agora a opinião do povo brasileiro é importante? A hipocrisia foi a primeira vitima. Nenhum dos atores realmente crê em democracia. A opinião popular nunca foi a viga princial que sustenta o Estado brasileiro. A população é lembrada para diluir responsabilidades e salvar pescoços.

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