Temer quer assegurar reforma da Previdência com mais intimidação


Foto: Alan Santos/PR
 
Jornal GGN – Se publicamente o “ótimo” de atrasar a reforma da Previdência para 2018 foi emitido pelo presidente Michel Temer, nos bastidores como mais uma de suas formas de pressionar por interesses, o mandatário decidiu paralisar o chamado “pacote de bondades” no Congresso, uma vez que a reforma, uma de suas principais pautas, ainda não foi liberada pelos parlamentares.
 
A medida tem dobro viés: pressionar parlamentares alvos de lobbies e de interesses de grandes grupos empresariais e, ao mesmo tempo, ter uma justificativa ao mercado, um dos principais favorecidos com o pacote.
 
A primeira vez que o “pacote de bondades” foi anunciado por Temer ocorreu durante a votação do impeachment contra o mandatário, em julho deste ano. Entre as medidas que estimulariam os parlamentares e diminuiriam as insatisfações, na clara troca de favores, estavam um montante para emendas parlamentares, distribuição de cargos, apoio a projetos na Câmara e Senado que fossem de interesse dos congressitas, como a securitização da dívida e o Refis.
 
Agora, o pacote, além de incluir as pautas que favorecem os parlamentares junto a seus redutos eleitorais, também beneficiaria grandes negócios, como a autorização do Ministério dos Transportes para pequenas construtoras regionais realizarem obras em rodovias, injetando R$ 4,8 bilhões na economia.
 
Também estava previso um projeto de lei que autoriza o uso do FGTS para capitalizar a Caixa Econômica, quase que privatizando parte do banco que estaria sem dinheiro para financiamentos na ordem de imobiliários. 
 
Mas diante da readequação dos líderes da bancada do governo no Congresso, incluindo o senador Romero Jucá (PMDB), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), de adiantar mais alguns meses para a aprovação da reforma da Previdência, Temer jogou um alerta: colocou em risco o pacote de bondades.
 
Além disso, como outra medida para mobilizar e mostrar ao Congresso que o governo não irá descansar nestas datas festivas, Temer solicitou à sua equipe econômica e ministros, sobretudo os de articulação política, que encurtem as férias. Pediu que todos fiquem a postos para articular a reforma da Previdência desde o dia 15 de janeiro, antes que Senado e Câmara voltem às atividades legislativas.
 
De acordo com reportagem da Folha, a medida seria porque Temer está cético na aprovação da medida em ano de disputa eleitoral, diante da baixa popularidade da proposta que mudará as aposentadorias. Mas, conforme vem revelando o GGN, a estratégia é, uma vez mais, usar moedas de troca que ferem diretamente os parlamentares como forma de coagir para aprovação no próximo ano.
 
 
 
 

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