Governo esperou óbitos em ambulância para transferir pacientes

Servidora do Ministério da Saúde relata atuação federal na crise de Manaus em depoimento ao Ministério Público

Alex Pazuello – Fotos Públicas

Jornal GGN – A transferência de pacientes de Manaus para outros estados foi adiada até que houvesse “óbitos em ambulância”, falta de leitos e “colapso de oxigênio”, segundo relato de servidora do Ministério da Saúde que integrou comitiva que esteve na capital do Amazonas às vésperas do colapso no sistema de saúde.

Os integrantes do governo do Amazonas e do Ministério da Saúde se reuniram para discutir a possibilidade de transferência de pacientes com covid-19 para outros estados em 12 de janeiro, dois dias antes do colapso em Manaus pela falta de oxigênio e de leitos – contudo, a decisão de começar a transferir os pacientes só foi tomada após o dia 14, quando o sistema de saúde local não suportava mais a demanda.

No depoimento, Paula Eliazar foi questionada sobre o motivo de o governo amazonense e o Ministério da Saúde esperarem o colapso para então começar a transferir os pacientes e o que significava a expressão “situação extremamente crítica” presente na ata da reunião – segundo a servidora, essa situação seria aquela onde houvesse pacientes morrendo em ambulâncias, falta de leitos e colapso de oxigênio.

A servidora prestou o depoimento na condição de testemunha. Ela foi uma das primeiras representantes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FNS) a chegar a Manaus para avaliar a situação no local. Ela era subordinada ao então secretário de Atenção Especializada em Saúde, o coronel Luiz Antônio Franco Duarte – que assumiu o cargo por indicação do ex-ministro Eduardo Pazuello.

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