Nobel de Medicina volta atrás sobre declaração de que Covid poderia ter sido geneticamente manipulado

"Acredito que a questão de saber se a sequência foi colocada naturalmente ou por manipulação molecular é muito difícil de determinar, mas eu não descartaria nenhuma das origens”, disse David Baltimore

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Jornal GGN – O presidente emérito e professor de biologia do Instituto de Tecnologia da Califórnia, David Baltimore, conhecido mundialmente pelo Nobel de Medicina de 1975, afirmou que “exagerou” ao classificar como uma “arma fumegante” a possibilidade do vírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19, ter sido geneticamente manipulado e vazado do Instituto de Virologia de Wuhan, na China.  

Os embates sobre a politização vírus, questão levantada pelos Estados Unidos, acontecem desde o início da crise sanitária global, que estourou no início de 2020 em Wuhan. Em janeiro daquele ano, a China alertou a Organização Mundial da Saúde sobre o novo vírus. Logo depois, a agência internacional decretou o estado de emergência de saúde pública de importância internacional sobre a doença. Naquele mesmo mês, um virologista do Instituto de Pesquisa Scripps da Califórnia, Kristian Andersen, teria enviado um e-mail ao Dr. Anthony Fauci, considerado a principal autoridade em doenças infecciosas dos EUA, sobre a possibilidade de manipulação do tal vírus. 

Já em março de 2020, no entanto, em uma carta publicada na revista Nature Medicine, um grupo de cinco virologistas liderados Andersen afirmaram que o vírus é de origem natural. “Nossas análises mostram claramente que o SARS-CoV-2 não é uma construção de laboratório ou um vírus propositalmente manipulado”, declararam. 

Mas, Baltimore chegou a afirmar ao jornal americano Wall Street Journal que o tal e-mail de Andersen era uma “arma fumegante” e “um poderoso desafio à ideia de uma origem natural da SARS-CoV-2”. Na semana passada, a declaração voltou a ser destacada, após a publicação do artigo “A origem de COVID: as pessoas ou a natureza abriram a caixa de Pandora em Wuhan?”

Contudo, de acordo com uma reportagem do britânico The Guardian, Baltimore voltou atrás e afirmou recentemente à revista científica Nature e o site LA Times que ele não deveria ter usado a frase “arma fumegante” e que não tinha certeza sobre as origens do vírus.

“[Eu] deveria ter suavizado a frase ‘arma fumegante’ (…) Acredito que a questão de saber se a sequência foi colocada naturalmente ou por manipulação molecular é muito difícil de determinar, mas eu não descartaria nenhuma das origens”, disse  Baltimore, em uma troca de e-mail com o LA Times. 

Em meio às diversas alegações e após o Wall Street Journal ter divulgado que três pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan teriam sido internados em novembro de 2019, pouco antes do primeiro surto global da Covid-19, o presidente americano Joe Biden, ordenou no mês passado uma investigação rigorosa para descobrir as origens do vírus.

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