Novo surto de Covid-19 é registrado em plataforma da Bacia de Campos

Unidade está instalada no campo de Albacora. Segundo informações recebidas pelo SindipetroNF, 17 trabalhadores da plataforma testaram positivo para a doença, e outros três testes foram inconclusivos

da FUP

Novo surto de Covid-19 é registrado em plataforma da Bacia de Campos, desta vez na P-25, da Petrobrás

Mais um surto de Covid-19 foi registrado em plataformas de petróleo. Desta vez a contaminação ocorreu na P-25, da Petrobrás, em operação no campo de Albacora, na Bacia de Campos.

Segundo informações recebidas pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), após cinco casos confirmados na P-25 no início da semana, a Petrobrás testou todos os embarcados, e outros 12 trabalhadores deram positivo, além de três testes inconclusivos. A unidade contava com cerca de 120 pessoas.

De acordo com nota publicada na coluna de Lauro Jardim, de O Globo, nesta quinta-feira (12/11), a Petrobrás confirmou a contaminação e o desembarque dos infectados, mas a empresa não revelou o número de pessoas que testaram positivo. A companhia também disse à coluna que realizou a desinfecção da unidade.

O coordenador de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) do SindipetroNF, Alexandre Vieira, diz que o sindicato reivindica há tempos à Petrobrás que reveja seus protocolos de testagem e faça a investigação epidemiológica dos casos pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), conforme recomendação do Ministério Público do Trabalho (MPT) de 21 de agosto de 2020. E que, além disso, já apresentou à empresa um protocolo que inclui a retestagem das pessoas a bordo para prevenir surtos, devido a falsos negativos.

“Mas, infelizmente, além de não rever seus processos, a empresa se recusa, por exemplo, a fornecer máscaras certificadas como EPI (Equipamento de Proteção Individual) durante o período no qual os trabalhadores ficam nos hotéis de pré-embarque. Por mais que façamos a cobrança na reunião com os representantes da empresa, eles insistem em afirmar que não há a necessidade. Mas esse fato pode ter contribuído para essa contaminação”, explica Vieira.

“Queremos que seja feita testagem também no desembarque para que os trabalhadores não levem o vírus para casa, porque podem, sim, se contaminar nas plataformas. Existem evidências suficientes do perigo da transmissão por assintomáticos. Mas a Petrobrás insiste em agir somente nos casos em que as pessoas apresentem sintomas”, completa ele.

Um parecer técnico da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado em outubro, comprova que a frequência dos casos de Covid-19 (expressa na incidência contaminados por 100 mil) entre os petroleiros é mais que o dobro da frequência registrada na população brasileira. Tomando como base os dados do Boletim de Monitoramento da Covid-19 do Ministério de Minas e Energia (MME) de 14 de setembro – números que estão subnotificados, apontam a FUP e seus sindicatos –, o parecer da ENSP/Fiocruz destaca que o “total de casos de Covid-19 na Petrobrás equivale a uma incidência de 4.448,9 casos /100 mil, o que corresponde a uma incidência maior do que o dobro (2,15) da incidência registrada em todo o Brasil (2.067,9), até a mesma data (14/09)”.

Além disso, o parecer da Fiocruz aponta que a resistência da Petrobrás em emitir Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs) para trabalhadores contaminados por Covid-19 é uma estratégia para manipular a Taxa de Acidentes Registráveis (TAR), indicador observado para determinar o desempenho internacional de companhias de petróleo e que pode desvalorizar as empresas se mantida em patamares altos.

Acesse aqui a íntegra do parecer científico da Fiocruz sobre contaminação de petroleiros por Covid-19

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